Akai

24 Capítulo 20: Drug control - red targe


Notas iniciais
Penúltimo cap!... é, já estou começando a sentir aquele vazio costumeiro. Itálico = flash back do Near.

– Near, ainda está decepcionado pelo que aconteceu?

O albino se limitou a um resmungo quase inaudível, a raiva ainda era evidente tanto na sua postura corporal quanto no seu mal humor. L relaxou os ombros e desistiu da provocação, se voltou para o marido que cochilava tranquilo com a cabeça apoiada no encosto da cadeira.

– Light, acorde... vamos embora _tocou de leve em seu ombro o fazendo despertar _vamos? Está bem tarde.

– ...hum _concordou com um aceno.

– Onde vão? Podemos ficar em casa, quero dizer, é um pouco longe, mas...

– Ficaremos num hotel, obrigado Matt. Temos coisas para resolver.

O ruivo se mostrou decepcionado, mas nada disse. Deu passagem aos amigos sobrando apenas ele e o albino na sala de espera, mais uma vez o silencio se fez presente.

– Vou procurar pelo Mello _anunciou tentando escapar do clima desconfortável.

Near olhou com tédio a porta de madeira se fechar ao seu lado. Então sua noite acabaria assim, sozinho sentado na sala de espera e remoendo por ter perdido para Beyond.

O segundo da Wammy’s house passando por aquela ridícula situação.

Era por isso que nunca se relacionava com ninguém, não somente pelo fato de ter deixado o moreno escapar – erros existem para serem superados, é a vida – mas encarar todos depois daquilo? E mais, no fundo ele sentia o desprezo do outro o invadir. Aquilo sim era inaceitável, aquilo era ser ridiculamente um ser humano fraco.

...

Quando todos foram embora de sua mansão, aos tropeços diga-se de passagem, o albino se viu sozinho com um maníaco e uma missão: arrancar dele toda e qualquer informação desconhecida pela policia. A primeira vista, com toda certeza seria uma tarefa impossível. “Beyond jamais revelaria seus crimes” disse Near para si mesmo quando entrou no quarto de hospedes daquela noite.

Se preparou com todo o conhecimento que tinha sobre psicologia e o abordou num interrogatório que duraria, achava ele, dias.

Beyond, porém, tinha outros planos.

Assim que se viu diante do pequeno, relaxou o corpo na cadeira de vime e começou contar sua vida. Todos os crimes, dos menores aos maiores, como se fossem contos de fadas distorcidos; ocultou apenas o fato de possuir os olhos do shinigami, esse segredo ele contaria apenas a pessoa que lhe era importante, Matt. Ao final do relato que durou cerca de 14 horas, o moreno apenas sorriu.

Ele abriu um sorriso largo e maldoso.

Sorriso que por alguma razão deu ao albino um solavanco no fundo do estomago: ele estava admirado com a capacidade de raciocínio do outro, não, mais do que isso, ele nunca tinha encontrado um ser humano capaz de cometer tantos crimes sem se arrepender. Por mais que ele acreditasse que somente a justiça deva prevalecer, foi impossível não adorar aquele homem; foi como ver Lúcifer à sua frente. Sentiu então seus joelhos cederem ao chão.

Os anos de estudos no Wammy’s foram importantes, mas nunca lhe deram um homem como aquele. Uma pessoa que via todos os tabus como algo natural, que ia contra sua própria espécie e instintos; matava como uma mãe da à luz, impiedoso, calculista e ao mesmo tempo, cheio de sentimentos confusos.

Nate relatou cada detalhe num extenso relatório, tinha cumprido sua missão, mas ainda não estava realmente satisfeito: B. tinha entregado tudo de bandeja, como se fosse pura e simples diversão. O detetive queria algum desafio, algo que não entediasse o outro, só estaria satisfeito quando estivesse a altura dele.

Na madrugada daquele mesmo dia decidiu que deveria dominar o homem por completo. Queria aquele que conseguiu sua admiração para si e somente para si. O roubaria de L e principalmente de Matt, de certa forma, Near se sentiu obcecado por B. Lhe arrancaria aquela mascara de sarcasmo para depois fazê-lo pagar por cada alma inocente.

Near queria se tornar o centro de Beyond Birthday.

O quarto estava silencioso, com as janelas fechadas e cortinas postas no lugar, apenas a escuridão fazia companhia ao homem adormecido. Nate subiu na cama de casal e prendeu o corpo magro de B. entre as pernas. Não disse uma só palavra, nem mesmo se ouvia sua respiração.

Agora o albino lembrava-se de cada cena com amargura, desejando tê-lo condenado a morte antes de cometer tal ato imbecil.

Beyond despertou sem esboçar reação, não ofereceu resistência, entretanto não retribuiu o beijo na mesma intensidade: ele deixaria Near brincar consigo, mas isso não significava se entregar aos desejos de um homem prepotente e desesperado por sua atenção. O moreno o achava fraco e ele era repulsivo por pessoas assim.

Seu corpo reagiu de maneira esperada, deixou ser abusado uma noite inteira, atou no papel de uma puta paga satisfazendo Near; o enganando, rindo de cada espasmo de prazer do outro, o fazendo delirar ao achar que tinha dominado o desejo do assassino.

Assassino, demônio, ceifador ou como mais queira chamá-lo.

– Ah Nate... _o chamou pela primeira vez, enquanto cavalgava lentamente sobre o corpo magro desse _Nate, Nate River.

– O que é...? Diga logo _ofegou, o puxando para baixo com violência.

Não houve resposta, ao invés disso o moreno terminou o trabalho fazendo sua voz rouca atravessar paredes e levando o ingênuo Near ao orgasmo, ao melhor orgasmo de sua vida. Cravou os caninos afiados em seu pescoço fazendo dois furos finos por onde escorrera sangue, o albino simplesmente não teve meios de perceber o que acontecia, pois estava perdido a uma onda de prazer; quando seu corpo relaxou, viu que o sangue era sugado delicadamente, mas não se importou.

– Isso é bom, o gosto de sangue... o corpo relaxado, o cheiro de sexo, os olhos semicerrados. Veja, que cena perfeita eu acabo de recriar, Nate. Cena que já montei com tantas outras vítimas _ressaltou a ultima palavra deixando seu amante com o rosto corado.

Corado de raiva por enfim ter percebido que estava sendo usado.

– Oh não fique bravo por não ser especial. Eu venero a beleza e ela só pode ser concebida quando existe um superior, quando existe desigualdade; como um vampiro ao morder um mortal indefeso. Fraco.

– Está delirando _rebateu tentando tomar sua postura fria.

– Não se humilhe mais, não tente recuperar uma postura perdida diante o seu Judas, meu inocente Nate River.

...

Nate levantou o olhar, assustado, a porta tinha se aberto novamente, Watari entrara na sala com seu semblante tranquilo de sempre.

– O carro está pronto, Sr River _disse formalmente, mas sorrindo ao final da frase.

– Obrigado _passou por ele lentamente, como se nada lhe tivesse ocorrido.

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– Matt? Bom... _os lábios se contraíram para um sorriso envergonhado _crescemos juntos no orfanato e por causa do caso Kira, acabamos saindo de lá... sabe, como qualquer outro detetive na época, nós queríamos...

– Não me enrole, não foi isso que eu perguntei _a enfermeira deu um tapinha no ombro desse _quero saber o que são um do outro.

– Casados e não faça essa cara de desapontada!

– Impossível, você é muito gostoso.

As bochechas de Mello ficaram carmesim no mesmo instante, ele fechou e abriu a boca duas vezes antes de poder resmungar um “obrigado” totalmente sem inaudível.

– Mas me conta, me conta mais!! _Katy, super empolgada com a ideia avançou mais alguns centímetros perto do outro.

– Ah... ele é... ele me faz sentir como se eu fosse a única pessoa do mundo _fechou os olhos lembrando do sorriso que tanto amava _como se o amor existisse apenas para nós, aquele amor que ninguém mais acredita que possa existir. Matt é tudo o que eu tenho _disse por fim, dando os ombros.

– ...que inveja, vendo vocês não dá nem vontade de sair com outros caras, mas me faz acreditar que ainda posso ser feliz.

Como se já fossem velhos amigos, ficaram olhando um para o outro numa compreensão mútua.

– Mels?

O ruivo abriu a porta encontrando uma cena bem clichê de filmes americanos: a enfermeira loira gostosa em cima da cama do paciente, prestes a fazer a loucura de beijá-lo.

Mas Matt é o Matt, então ele apenas riu.

– Se vai beija-lo, devo avisar que seu marido é bastante ciumento _interrompeu o “casal”.

– Não... _a loira pulou da cama em desespero _eu juro que...

– Ah Matt, bem agora que eu ia ganhar uma chupada _disse Mello indignado.

– Se vai dar encima da enfermeira, devo avisa-lo que sou bastante vingativo _respondeu enquanto alcançava uma cadeira para descansar.

Katy via a cena um pouco perdida, apesar do conteúdo da conversa não ser nada animador para um casal, eles se comportavam como se nada estivesse acontecendo. Mello dava um longo bocejo enquanto Matt tirava seu 3DS do bolso.

– Então... está tudo bem?

Matt a empurrou de modo delicado para fora da enfermaria pedindo para que ninguém entrasse no período de pelo menos duas horas, como favor que ela lhe devia por ter quase beijado seu Mello. E ele frisou muito bem a palavra “meu” com um sorriso macabro no rosto.

– Estava me divertindo _resmungou o loiro.

– Divertido é o que eu tenho para contar _prendeu um cigarro nos lábios procurando pelo seu fiel isqueiro no fundo do bolso da jeans rasgada _Jôjo está morto.

– ...ótimo _disse estralando os dedos, despreocupado.

– Sim e não, L está metido com as máfias e acabou nosso reinado... seu reinado.

– Merda _abaixou a cabeça dando um suspiro _pra que?! Deixe o mundo se afundar em drogas e sexo.

– Bem saudável _riu _foram todos mortos por um único homem.

Mello soltou um audível “ah não!” quando Matt começou o relato, já era de se esperar com aquela informação, que o culpado era ninguém menos do que o moreno sanguinário.

– Disse que a máfia ia mesmo querer sua cabeça, parece que subestimamos seu ex-chefe.

– Filho da puta.

– Beyond descobriu e deu um fim, depois nos atacou.

– Filho da puta duas vezes.

– Mello, agora me ouça com atenção, o que tenho para contar é sério.

Matt soltou a fumaça toxica fazendo pequenas argolas no ar, o loiro revirou os olhos para a brincadeira boba e esperou pela notícia tão importante.

– Beyond tem olhos de shinigami.

O loiro engoliu a novidade como se engolisse um bolo de arame farpado. Aquele fator explicava muitas coisas; desde como o moreno adivinhou que corriam risco de vida, até parte da sua personalidade falha.

Viver com a morte como a única companhia, ter o poder de presenciar o final da vida de qualquer pessoa ao seu redor. Seria realmente impossível poder amar alguém aguardando sua morte, vivendo a ter medo que aqueles números sobre a cabeça se reduzissem, de repente, à zero.

Beyond tinha uma natureza distorcida, sim, o sangue que corria em suas veias era repleto de maldade. Sangue impuro. Sangue maculado. Porém, até mesmo alguém como ele pode se preocupar com o próximo; arriscou sua vida por Matt.

Uma filosofia complexa, tudo rodopiava rapidamente em sua mente, a tempos alguém não o perturbava daquela maneira.

– Mello? _o ruivo chamou sua atenção.

– ...esta tudo bem _chacoalhou a cabeça _ estou compreendendo um pouco mais sobre ele, agora que tudo passou.

– Somos tão pequenos _tragou uma ultima vez antes de apagar a bituca na sola do sapato _o mundo lá fora não respeita nossa mente fechada.

– Mais alguém sabe?

– Provavelmente, eu deveria ser o único a saber _suspirou _mas é impossível esconder algo assim de você.

– Garoto esperto, por isso gosto de você _apontou para Matt dando-lhe uma piscadela _ele precisa ser preso, Matt, não tem outra forma.

– Sabe... agora me pergunto uma coisa, B. passou a vida toda matando, mas matando quem já estava para morrer?

A pergunta soou vaga para ambos, Mello pensou por dois minutos completos antes de dar os ombros e voltar a afundar a cabeça no macio travesseiro. O ruivo por sua vez acendeu mais um cigarro ignorando as leis do hospital.

Cada vez ficava mais difícil condenar o moreno genioso. Beyond afinal passara a vida toda matando pessoas “mortas”? E o quanto ruim era isso diante dos seres humanos ditos normais, que matam dia após dia, qualquer semelhante?

O casal não tinha mais o que dizer, Matt relatou rapidamente o modo que B. ganhara os olhos de shinigami e depois da explicação, se calou.

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“Lawliet, me diga, o quão triste você está nesse momento? Mail, o quão feliz sua vida parecia ser até agora? Nate... ah Nate, agora entende que a inocência não faz parte de ninguém realmente?

Ser um ceifador foi mais do que um presente dado a mim, um ser humano insensível á vida. Ainda devo agradecer pela sorte de encontrar ao menos um semelhante que tenha me aceitado – Matt – então é isso que chamam de “paz”?“

– Acha que pode finalmente descansar, garotinho?

A voz rouca fez o moreno reabrir os olhos, confuso, se virou para a figura que aparecera ao seu lado.

– Shinigami-san!... _exclamou para em seguida respirar aliviado.

– Eh... feliz em me ver? _riu estridente chacoalhando todo o corpo.

– Aliviado por não saber quando vai morrer _balançou a cabeça.

– Quando ficou assim? Lá de cima pareceu nunca se importar com um detalhe desses.

– Quando será...? Também não sei, nunca me importei.

– Você não era abandonado por Deus totalmente afinal _deu os ombros _e o que fará agora?

– ...não entendo o que quer dizer, Shinigami-san.

– O garotinho de oitos anos enfim encontrou seu lugar no mundo. Se não tivesse aceitado os olhos, nunca teria conseguido viver, se tivesse desistido de seus instintos naquela noite, hoje não estaria aqui. Com esses sentimentos, com aquelas pessoas.

– ...meu lugar... um lugar só pra mim _repetiu, um pouco assustado _devo te agradecer?

– Não, palavras nunca valeram muito para um Deus da morte _Ryota puxou o Death Note de dentro das vestes e o balançou diante os olhos do moreno.

Beyond não conseguiu imaginar a real intenção do outro com aquela arma, poderia matá-lo, matar seus amigos, oferecer o caderno, talvez até mesmo deixá-lo cair para que uma das pessoas ao seu redor o pegasse – assim como Light o fizera num passado distante.

De repente, um monstro cresceu em seu interior, algo que o consumia lentamente enquanto o Shinigami ainda estava parado, apenas sorrindo. Medo, medo de repente perder sua pequena conquista; seu lugar no mundo.

– Sabe, um Shinigami de respeito precisa de um caderno...

– Não o quero _respondeu de prontidão.

– Oh, ficou convencido uh? _riu do pequeno _B. você ainda parece muito com aquela criança de oito anos, sabia? O tempo passa bem mais lentamente para um ser das sombras. Quero meus olhos de volta, sabe... estão caçoando de mim, por que os deixei cair “acidentalmente” neste mundo.

– ...hn, não posso devolve-los, ainda estou vivo.

– Se não quer matar as pessoas sem saber o quanto elas irão viver, então apenas pare.

– E quem disse que eu...

O Deus da morte riu novamente fazendo-o calar, dessa vez a voz forte atravessou paredes.

Beyond Birthday respeitou apenas um único ícone em toda a sua vida, Ryota, o Shinigami Deus da morte. Por esse motivo era complicado não ouvi-lo e ainda mais complicado se mostrar cansado diante o ser tão superior. Os olhos realmente eram importantes para o moreno – só matava aqueles cujo tempo de vida eram quase nulos – porém estava cansado de tirar vidas uma após a outra. Seria realmente bom poder descansar ao lado do irmão, seria... ah seria sim.

E como dizer uma barbaridade dessas à ele? Impossível, manteria sua promessa até o fim, orgulhoso como B. sempre fora.

– Já me diverti o suficiente _disse por fim, guardando o caderno _se eu já enjoei de te ver matar, imagina você, que não descansou por um dia sequer.

– ...será que não irei me arrepender?

– Com certeza, mas agora você não tem escolha.

O moreno perdeu a consciência, mergulhou no escuro entrando num sonho raro. Um sonho que só havia sonhado uma vez naqueles 25 anos.

A morena de cabelos longos e pele clara cantarolava uma canção de ninar enquanto aninhava um bebe nos braços; era sua ama, a mulher que tinha cuidado dos gêmeos até serem levados ao Wammy, hoje já falecida. Por ser muito pequeno, não nutria nenhum sentimento especial pela mulher, mas poder se lembrar do abraço quente fez seus sentidos acalmarem.

“Beyond, tu ganhastes algo mais importante do que um nome, tu ganhastes um coração.”

Disse o Shinigami antes de abrir as grandes asas negras e desaparecer no céu escuro de Winchester levando os olhos consigo.

A primeira reação do moreno após o efeito do calmante passar foi de abrir os olhos lentamente. Aos pés da cama, uma enfermeira anotava algo em seu prontuário – uma mulher pequena, com mãos delicadas, olhos claros e cabelos loiros num Chanel perfeito – seus lábios se repuxaram para um sorriso mínimo, por algum motivo sua mente fora invadida por um Mello de vestido, isso com certeza não era a imagem mais agradável do mundo, mas fez cócegas em sua garganta com o riso inesperado.

A enfermeira percebeu que seu paciente enfim tinha acordado, devolveu com outro sorriso e ajeitou os travesseiros para que pudesse sentar.

– Vou avisar sua família que acordou.

Sua voz delicada não combinava em nada com o Mello de vestido que imaginara.

– Não se levante, ainda está com fraturas na perna.

Beyond sentiu as mechas rebeldes serem posta para trás da orelha, com a visão agora mais livre, percebeu algo que lhe fez abrir e fechar a boca diversas vezes: nenhum numero pairava sobre a cabeça da jovem.

– Senhor, aconteceu alguma coisa? Senhor? _ela o chamou assim que viu o par de lágrimas caírem sobre o lençol branco.

Notas finais
Obrigada a todos ^^- ps: acabo de descobrir o mundo mágico de Kuroshitsuji. Me apaixonei pelo Ciel! Estou adotando um