Akai
7 Capítulo 6: Rei de Copas
Notas iniciais
- Itálico = lembranças.
With the taste of your lips, I'm on a ride
You're toxic, I'm slipping under
With the taste of a poison, I'm in paradise
I'm addicted to you
Don't you know that you're toxic?
And I love what you do
Don't you know that you're toxic?
Era seu primeiro dia de aula, no orfanato onde morava, as crianças só começavam a ter aulas juntas depois de completarem 13 anos – se caso chegassem lá com idade mais avançada do que isso, só se uniam a turma quando tivessem aulas particulares o suficiente para acompanhar os alunos – o ruivo nunca tinha falado com muitas pessoas, apesar de morar desde seus zero anos de vida naquele bendito lugar; era anti social e muito tímido. Mello era seu único amigo e o mesmo agora batia insistente na porta do banheiro, dando uma ultima conferida no visual, deu um risinho ao perceber o quão ansioso o loiro estava.
- Vamos nos atrasar logo no primeiro dia!
- Relaxa, é o primeiro dia!
Quem diria que meses mais tarde as falas se inverteriam e logo era um ruivo que batia desesperado na porta do banheiro para apressar o companheiro de quarto; enquanto Mello havia ficado bem preguiçoso para com as aulas – já que tinha todas as notas garantidas pelo seu Q.I extremamente alto mesmo para a exigência da instituição – Matt estava perigando ser reprovado, não era por falta de Q.I – se não, não estaria morando ali ainda – mas sabe... ele era bem mais normal do que a ovelha ou a Madonna, tinha que ler pelo menos a matéria para fazer as provas.
- Meeeeels, eu preciso entrar, por favor!
- Mas isso é culpa sua mesmo _girou a chave e abriu a porta rindo _sabe que eu preciso de um tempinho quando a gente começa com... essas coisas.
- ...seu besta _sentiu suas bochechas pegarem fogo mesclando com os cabelos de uma forma cômica.
- Vai, deixa o primeiro horário pra lá, depois eu te explico a matéria.
- Você sempre fala isso, mas nunca da certo!
- Isso porque você começa a me beijar _cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha fingindo estar sério.
- ...ah, mas você também não se controla né _fez bico e sentou na cama desistindo de vez de ir para aula, já estava atrasado 40 minutos.
- Difícil! Você é muito gostoso!!!
- MELLO!
Matt arremessou o travesseiro no loiro o acertando em cheio no rosto, o outro se dobrou de tanto rir.
Mello se mudara ao orfanato próximo de seus seis anos, desde então fazia companhia ao tímido ruivo no quarto 56, segundo corredor, lado direito. Eles cresceram juntos sim, mas não foram um casal logo de primeira; Mello até passara um tempo com Near e com ele tivera sua primeira experiência romântica, não que tivessem avançado muito ou até mesmo durado um longo tempo, apenas três meses. Depois de muitos encontros e desencontros, Matt finalmente conseguiu declarar seu amor e para sua surpresa, Mello aceitou.
Fazia apenas duas semanas, apesar da vontade constante de estarem perto – mais perto – um do outro, tinham suas obrigações. Além disso, dessa vez o loiro não queria estragar tudo e esperava paciente que o tempo fluísse, sabia que as coisas aconteceriam naturalmente; apesar de um tanto precoce, ele entendia que Matt tinha seu próprio tempo.
Tímido e inseguro, o mais novo não queria simplesmente se dar ao luxo de fazer feio na frente da pessoa que tanto ama, sempre que tomava a iniciativa de beija-lo dava para trás quando o loiro tentava avançar um pouco mais. Essa situação, porém estava mudando, Mello aos poucos lhe passava confiança.
- Então, o que vamos ficar fazendo a manhã toda? _tirou os googles e deitou ainda sonolento na cama do amigo.
- ...ah podemos jogar alguma coisa, sei lá _sentou ao seu lado fechando as cortinas, ainda era muito cedo para encarar tanta claridade.
- É, podemos...
Aproveitando a brecha, Mello se inclinou sobre Matt e colou seus lábios.
- Que tal se tirássemos um tempo só para nós?
- Como assim Madonna? Estamos sempre juntos _riu divertido brincando com uma mecha de cabelo loiro.
- Eu te amo, Matt... você é tão quente, todo seu corpo... me atrai _prendeu com delicadeza o pulso esquerdo do amante acima de sua cabeça e voltou sua atenção para seu pescoço alvo _eu te desejo tanto... tanto...
Matt soltou um longo gemido ao sentir uma mão travessa abrir o botão do seu jeans, pensou em impedir tal ato, mas logo sua boca foi tomada novamente por lábios quentes e se rendeu. Mello continuou com pequenas carícias, tirou seu uniforme escolar sem pressa, o ruivo perdera a conta de quantas vezes perdeu o fôlego com os beijos e mordidas distribuídos ao longo de seu corpo.
Intoxicate me now
With your loving now
I think I'm ready now
(I think I'm ready now)
Intoxicate me now
With your loving now
I think I'm ready now
...
- Tendo boas lembranças, Jeevas? _a voz rouca soou perto de seu ouvido fazendo o ruivo estremecer.
- ...pare com isso.
- Pedindo clemência, Jeevas? Ah... sim, o que achou dos beijos quentes e doces que lhe dei?
- ... _trincou os dentes, se mantivesse a boca aberta por mais um segundo, iria vomitar.
- Você pode negar, mas seu corpo não... _abriu um sorriso maldoso e puxou as algemas que prendiam os pulsos de Matt para perto do fogo _do mesmo jeito que não controla a dor, não pode controlar o prazer.
Um gemido contido foi seguido por espessas lágrimas que transpassaram a tira de seda azul que cobria seus olhos. Matt sentiu seu braço queimar, provocando uma queimadura de segundo grau.
- Ah... o sabor de tocar num corpo imaculado, de provar o gosto de alguém que jurou amor eterno! Não é horrível, Jeevas?! Ser tocado por alguém que não seja ELE!?! _gritou fazendo eco no espaçoso quarto onde estavam.
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L chegou a Londres por volta das sete horas da noite, sem mais delongas, foi até o esconderijo de Mello; pelas coordenadas ficava em um bairro afastado do centro, escondido em alguma viela sombria e imunda.
Não demorou mais do que 50 minutos para finalmente bater na velha porta de madeira e forçar o trinco sem esperar pela recepção do dono.
- Mello? _bateu na porta mais uma vez.
- Tem certeza que estamos no lugar certo? _Light espiou por cima do ombro, mas a escuridão do corredor atrás de si não permitiu ver nada além.
- MELLO?!
Quando finalmente o trinco cedeu, pode adentrar no minúsculo apartamento e acender a luz batendo a mão de qualquer jeito no interruptor a sua esquerda. Sua voz ficou dois tons mais altos quando viu a figura de Mello em pé ao lado do sofá.
Os cabelos mal cuidados cobriam parte de seu rosto magro, o olhar vazio era suportado por profundas olheiras, em toda a extensão de seus braços podia-se ver cortes e arranhões, uma ferida um pouco abaixo do joelho tinha inflamado e isso o forçava mancar um pouco. Mello tinha a aparência de um drogado, uns seis anos mais velhos do que realmente era e isso deixou L descrente, decepcionado; com ira, agarrou o mais novo pela gola de sua camiseta rasgada e lhe deu um tapa do rosto. O som da batida quebrou o silencio por alguns meros segundos, em seguida tudo que se ouvia na pequena sala de estar eram os soluços contidos de Mello.
Demorou quase meia hora para que finalmente o homem de cabelos claros dormisse, agora tinha a expressão tranquila e respirava com calma e harmonia.
- ...Mihael, como isso foi acontecer? _L murmurou para si mesmo enquanto afagava os fios maltratados da cabeça de seu ex pupilo.
- Não acredito que se escondeu _Light olhou de canto para o loiro e estalou a língua, irritado _isso é ridículo.
- Se tratando de Beyond... Light, B não apenas raptou Matt, mas também está mantendo Mello refém de seus próprios medos _se levantou e andou até a mesa da cozinha, um dos únicos moveis do lugar.
Nela pode encontrar o que procurava e tentar explicar ao companheiro a gravidade da situação. Tirou um maço de fotos e um punhado de cabelos, mechas loiras e ruivas – curiosamente, B teve acesso ao Mello sem o mesmo perceber. As fotos mostravam Matt criança, ainda no orfanato e a maioria delas estava rasgada na altura do peito, indicando que o pequeno não tinha lembranças, não tinha um coração.
Outras eram de Mello, também criança, rabiscadas no rosto, com facas e sangue, fantasmas, monstros e demônios. Mas ao contrário do que Light concluíra, L explicou que o loiro era um tanto sensitivo e constantemente via espíritos e pressentia coisas ruins. Eram pequenos detalhes que somente eles próprios podiam saber, como o psicopata tinha todas aquelas informações? As próximas fotos eram de Matt preso, sendo estuprado por alguém cujo rosto não aparecia – era musculoso e bem mais alto que L, logo descartou ser o próprio B.
Junto a todo esse material, ainda tinha uma carta escrita a mão que dizia para Mello desistir de sua própria vida para que assim, Matt pudesse enfim descansar também.
O casal olhou as evidencias com certo pesar, se fossem pessoas desconhecidas talvez fosse menos doloroso encarar os fatos, mas sendo amigos tão próximos e ainda com todas aquelas informações...
- L...? _Mello o chamou fraco ao despertar _me desculpe.
- ...sinto muito por ter batido em você, fiquei preocupado.
- Eu sei... traga-o de volta, por favor, traga-o de volta! _segurou em seus ombros assustando o detetive mais velho.
- ACALME-SE!
Light afastou o loiro de seu marido segurando seus pulsos frágeis.
- Onde está o Mello?! Onde está o homem forte e inteligente que conheci anos atrás?... é um absurdo alguém ter que dizer isso á você, Keehl.
- Cale a boca! Veja todas aquelas coisas!! Ele sabe de tudo, nos seguia desde sempre e eu nunca percebi.
- Ótimo, então temos que prendê-lo o quanto antes, não sei o que faz nesse lugar imundo, se punindo por algo que não teve culpa. Você é desprezível, Mihael.
Era uma psicologia barata, todos sabiam, mas talvez fosse a única coisa a ser feita no momento; enquanto Mello não reagisse, o trabalho não seria possível. Relutante, com medo, inseguro e muito cansado, o loiro cedeu aos gritos de Light e recolheu as fotos; guardou-as de qualquer maneira dentro de uma pasta azul esquecida no chão ao lado do sofá, as lágrimas caíam teimosas o tempo todo.
- Vamos embora...
- Hn _Light deu um resmungo e abriu a porta sem delongas.
Sem aviso, L abraçou o pupilo e encostou a cabeça em seu ombro caído. Não foi preciso palavras, o gesto raro de carinho confortou – mesmo que minimamente – o coração do homem tão judiado.
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Três dias e três noites de incessantes buscas por pistas, sem dormir, sem parar por um singelo momento.
Nada.
Na madrugada do terceiro dia, Mello surtou mais uma vez: quebrou copos e vasos espalhados pela casa, socou as paredes até os nós dos dedos verterem sangue. Acostumado com os acessos de raiva do mais novo, L apenas assistiu entediado a cena, realmente ele voltara a ser quem era.
- Não pode tudo estar perdido simplesmente _Light balbuciou cansado deitado de qualquer forma no sofá.
- Eu já disse, B não deixa pistas.
- Então o que estamos fazendo?! _o loiro esbravejou puxando seus próprios cabelos _esperando?!
- Mais ou menos, esperar faz parte do plano sim _coçou os olhos e bocejou, até mesmo o detetive estava sentindo falta de uma noite de sono _estamos... como posso dizer, esperando por uma brecha. B não deixa pistas, mas ele não controla o mundo todo e outra, estamos montando uma armadilha.
- Não estamos montando nada _retrucou ainda mais irritado.
- Estamos sim, em três dias consegui fazer a pressão psicológica de Beyond sumir quase por completo de você, um dos reféns _deu os ombros_ se bem que o mais provável é que EU seja seu alvo principal.
- ...você é tão complexo L.
- Apesar de seu descontrole... não está vegetando, como B gostaria e só pelo fato de eu estar na investigação já prova que ele conseguiu parte do seu plano, chamar minha atenção. Agora, como ele conseguiu encostar um dedo em vocês, é o que me deixa curioso.
Mello coçou a nuca, preocupado, nada fazia muito sentido.
- É muita loucura para minha cabeça.
- Exato _levantou o pirulito sabor amora na altura de seus olhos _loucura é a palavra chave. Quando mais louco, mais insano, melhor. Beyond é esse tipo de ser humano.
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Mello sentou no beiral da janela de madeira e ergueu seus olhos cansados para a lua, sentiu certa nostalgia; em seu antigo lar era de costume o mesmo ato e nisso seus pensamentos se perderam em doces lembranças.
Matt
Sentiu um leve arrepio ao pensar no estado em que deveria estar seu amado, estaria comendo? Podendo ver a luz do dia? Podendo caminhar? Fumar seus cigarros? Provavelmente não, mas até os menores detalhes eram importantes para si. Beyond mandara fotos do ruivo sendo estuprado, seu coração deu um salto ao lembrar, Matt era extremamente leal, apaixonado, seu coração era dono de uma só pessoa; essa era a única forma de machucá-lo, rasgar sua alma – e B sabia.
Apertou o lábio inferior com o canino até sentir o sangue escorrer para o queixo, a ideia de não poder salvá-lo no exato momento era perturbadora, mas tinha que ser paciente.
L explicara a ele, Beyond não faz apenas um refém, ele quer destruir tudo ao seu redor; machucar Matt é a melhor forma de torturar o loiro – justamente por seu gênero explosivo, deixá-lo de mãos atadas é a pior coisa. Se B pegasse Mello como refém, não seria a mesma coisa, o paciente Matt sabe o quando seu amado é forte e aguenta qualquer tranco; então estaria com o psicológico protegido.
Em contrapartida, raptar Matt é fazer Mello se autopunir por uma culpa insana de não ter o protegido e perder o controle sempre que a solução do caso fique um passo mais distante. Detalhes que somente alguém intimo saberia, Mello era superprotetor desde criança para com Matt.
O loiro parou de morder o lábio e suspirou, graças a L pode entender um pouco mais sobre BB e assim se controlar – não iria sucumbir ao inimigo. Tirou uma barra de chocolate do bolso e a mirou por alguns segundos, seu precioso doce não era consumido á dias.
- Agora você acredita, Matt...? Eu consigo viver sem meus preciosos chocolates, mas não sem você _disse quase num sussurro dando a primeira mordida no doce até então intacto.
Encostou a cabeça na madeira atrás de si, tentou pensar em coisas boas e talvez dormir um pouco. Não pode conter um pequeno sorriso ao se lembrar de Matt, até hoje sentia as tais borboletas no estomago, perdia o foco de sua atenção para com qualquer coisa que estivesse fazendo e um frio gostoso na espinha percorreu toda ela.
- Eu te amo... não, isso é tão pouco para você _pensou, agora de olhos fechados se entregando pouco a pouco para o sono _... meu anjo.
Notas finais
- Rei de copas: copas = amor, rei = supremo. Foi só uma analogia que surgiu na minha cabeça... é, dentro dela isso parece bem mais descolado UHAUHAUHAUHA. Parece que cada vez mais fica difícil expressar o quanto eles se amam!
- Thanks ♥
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