Akai
8 Capítulo 7: Crying in deep red
Notas iniciais
Almas gêmeas: amor absoluto entre duas almas, ligação forte de pensamentos, desejo constante um pelo outro, sentimento recíproco.
Beyond alcançou a ultima porção da geleia de morango com o dedo indicador, lambeu sem pressa até o gosto doce sumir por completo deixando apenas um melado no canto de sua boca. Suspirou, aquilo poderia ser chamado de uma das sete maravilhas do mundo se não tivesse um pequeno defeito, acabava tão rápido quanto começava.
O moreno caminhou lentamente até a janela e mirou o céu pálido daquela quarta-feira de cinzas, não era ligado a religião alguma, mas se divertia com os feriados aleatórios que deveras eram importantes para algumas de suas vítimas.
- Matt, você sabia que... existiu um ser capaz de sacrificar a si mesmo pelo bem de outras pessoas? O supremo.
Perguntou lançando um olhar furtivo ao prisioneiro que estava, no momento, sentado em uma grande cadeira de balanço com seus punhos e tornozelos amarrados, os olhos como de costume, sempre vendados.
Matt não respondeu, talvez tivesse desmaiado devido às intensas torturas que sofreu horas antes.
- Para que fossem perdoados de seus pecados, tomou todo o peso de uma cruz sobre seus ombros, sozinho, sem lamentar. Mail, o que isso significa? Que palavras são essas que eu li...?
Beyond tirou no bolso um pequeno livro surrado de capa azul em algo que lembrava couro, acariciou as páginas finas e macias e sentiu o cheiro de tinta contida nelas.
- Responda, Jeevas! _rangeu os dentes pelo silencio incomodo que o outro fazia, estapeou a face já judiada do ruivo deixando uma fina linha de sangue feita por suas longas unhas.
Sem forças, o ruivo apenas abriu e fechou a boca sem conseguir dizer uma única palavra – sua mente, porém, estivera pensando no que o outro dizia.
O que significava aquelas palavras? O ruivo também nunca fora ligado a religião alguma, diferente de Mello que por algum motivo, andava com um rosário junto a ele e o mesmo dissera que era para proteção. Sabia pelo popular que Deus era o centro de todas as coisas, a Terra, e tudo além dela, existia apenas por sua vontade. A passagem que B recitara era desconhecida em detalhes por Matt, mas sabia que Jesus seu filho viera ao plano terrestre para pregar as palavras do Senhor e pela ignorância humana, acabou se sacrificando em prol dos filhos que tanto amava. Tudo isso era regido pelo amor, mas o que seria o amor depois de tantos anos? E o que era antes desse acontecimento?
- Amor... _balbuciou Matt depois de um tempo, ainda podia sentir o sangue escorrer por sua bochecha.
- Exato _sorriu de canto _e o que seria esse sentimento? Por que você e o Mihael são tão fortes e ao mesmo tempo tão frágeis quando sentem isso?! Eu não entendo... não entendo.
Andou em círculos pensando no que acabara de dizer, suas mãos ficaram tremulas pela ansiedade e desejou um pote de geleia maior que o anterior para se satisfazer. Ofegando, correu até o armário do outro lado do cômodo e abriu com um estalo o segundo pote de vidro.
- Conte-me sobre isso, Mail _se sentou no chão ao lado do ruivo e balançou a cadeira com o pé, como se aninhasse um bebê.
- ...é algo... quente, que vem do coração... _disse a primeira coisa que lhe veio a cabeça, o cansaço e seu estado psicológico estavam fazendo-o divagar _que faz... dar o impulso de viver.
- Quente? _olhou para suas mãos pálidas _eu não entendo.
- ... _abriu um singelo sorriso ao visualizar Mello em seus pensamentos, o tornando real por uma fração de segundo _é o que te faz sorrir.
Beyond estalou os lábios, ver sangue o fazia sorrir, os corpos de suas vitimas quando estavam sendo estupradas eram quentes; então o que estava errado? Desde pequeno, o moreno tinha o intuito de fazer tudo para se sentir bem – seja egoísta ou não – descobriu então que sorrir era algo bom e sangue o fazia sorrir. O choro desesperado, gritos ensurdecedores, palavras sem nexo, tudo aquilo era motivos de risos; passou então a ser perseguido e sem entender o porque de outras pessoas não terem o mesmo destino que ele, procurou sair de sua pequena redoma de vidro e observar o mundo. Anos a fio pesquisou os seres humanos e suas relações um com o outro, alguns sorriam por motivos diferentes dos seus, por que? O que era aquele sentimento oposto? Voltando atordoado para sua realidade e se afundando em seu passado, se perdeu em sentimentos confusos – nunca tivera ninguém para lhe dizer o que acontecia.
Desesperado por mais e mais, um casal lhe chamou a atenção – ele não soube explicar exatamente o porque – Matt e Mello era seu modelo ideal, com eles suas duvidas iriam ser respondidas de uma vez por todas e esse martírio finalmente acabaria. De longe, pesquisou suas vidas e aprendeu muita coisa sobre convivência e psicanálise, afinal era um gênio tanto quanto L; mas algo ainda lhe era vazio.
Nunca aprendeu nos livros como sentir tal coisa chamada amor e era esse seu propósito.
- Matt me diga! _disse ansioso depois de um longo tempo de reflexão, por um segundo ficara com medo de não ter sua resposta, mas confiava em seu “amigo” de infância como ele sendo um gênio _como sentir o amor?!
E ele riu, riu como se não houvesse amanhã. Sentiu sua garganta rasgar e perdeu o fôlego rapidamente tamanho sua excitação, agora tudo fazia sentido, Beyond era apenas uma criatura abandonada por Deus.
- Como... sentir... amor? _repetiu a pergunta entre uma puxada de ar e outra, o moreno por sua vez apenas balançou a cabeça esquecendo que os olhos esmeraldas de Matt estavam cobertos _...ah pobre criança... _balançou a cabeça negativamente.
Depois do momento de adrenalina, um nó se formou em sua garganta; que diabos era aquela pergunta? Sua voz soou tão inocente e cheia de esperança que não pode deixar de rir, como se o seu cérebro tivesse dado um “tilt” e agora tudo voltava ao normal, lentamente.
Ainda lhe era estranho o pensamento de alguém incapaz de amar, era insano, louco; mas algo lhe incomodava minimamente.
Talvez fosse pena, talvez tivesse ficado louco também.
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Mello abriu os olhos lentamente, lutava com seu inconsciente para não acordar, não queria acordar. Ao longe ouviu a voz de Light e soltou um palavrão, perdera sua já inútil luta.
- Mello! Conseguimos uma pista _afobado, entrou no quarto sem esperar resposta.
Ao ouvir a noticia, seus olhos se arregalaram como duas safiras que logo brilharam pelas lágrimas.
- O... onde?! Mostre-me Light!! _ o loiro levantou rapidamente ignorando a tontura que sentira pela queda repentina de pressão.
- L conseguiu encontrar algo peculiar no interior, um lugar esquecido e ruralizado... aqui mesmo na Inglaterra! _tentava manter uma calma que se mostrava apenas aparente _uma senhora ficou famosa por vender geleias de morango, de repente, sua produção aumentou e estourou; saiu nos jornais da região e veio parar em Winchester.
- ...o que? _puxou os cabelos sem entender _o que geleia tem a ver com o Matt?!
- Estávamos atrás de tudo relacionado ao B desde que sabemos que Matt fora raptado, o menor detalhe. Provavelmente ele próprio não tem o conhecimento da manchete, não cometeria tal falha! É a nossa chance antes que ele perceba.
Mello parou no meio do caminho a ponto de tacar o primeiro objeto que encontrasse na cabeça de Light, não estava entendendo nada e o outro também nada fazia para ajudá-lo. Alcançou um inocente porta retrato que estava em cima da mesinha de canto e mirou sem dó no homem a sua frente.
- Não faça isso Mello, eu ainda preciso da cabeça do meu marido no lugar _L disse tedioso quando saiu da cozinha _já explico que aconteceu.
- Hn... _resmungou largando o objeto no lugar anterior.
- Resumindo Mello, B tem um vicio – assim como todas as pessoas têm – geleia de morango foi a prova de seus crimes anos atrás e isso não mudou, um detalhe sutil que deixei apenas para mim.
- ...a policia desconhece de tanta coisa assim? _Light olhou curioso para L _por que?
- Precaução, caso voltasse a ser um criminoso procurado, apagaria esses detalhes sabendo que a policia tem tal conhecimento. Oras, BB é o meu irmão _ficou irritado em ter que explicar o óbvio _sou obrigado a pensar como ele, não... ele pensa como eu.
- Graças a Deus está do nosso lado _Mello bufou _e então pegamos ele?
- ...o que me deixa curioso é saber agora a razão de ter raptado Matt, fazer a gente sofrer é tão óbvio quanto clichê.
- Ele é um psicopata! _o loiro se exaltou _o que mais ele iria querer?!
L não respondeu, alcançou o doce na mesa de centro e o devorou rapidamente – uma inocente paçoca. Mais calmo, olhou para seu marido num pedido mudo que continuasse as explicações; andava cansado por causa das investigações e tudo o que não queria era ter que discutir com Mello.
- Todas as possibilidades são reais se tratando de um gênio. Psicopata ou não, as pessoas têm desejos que nem imaginamos e... L está usando um pouco de instinto também. Ainda é impossível saber onde ele está, mas até que perceba o perigo, devemos encontrá-lo; ele pode fugir ou resolver matar Matt dependendo de seu objetivo. Se for apenas pelo prazer do sofrimento, assim que se sentir acuado o matará, se o objetivo for outro ainda temos tempo... depende de vocês.
- Hn, como assim?_cruzou os braços agora sorvendo cada palavra, esqueceu de sua raiva momentaneamente.
- Depende da cooperação do Matt, talvez quanto mais ele tente fugir, mais B o castigue... talvez não também _deu os ombros _se ele não medir seus atos, pode irrita-lo ao ponto de um assassinado ou deixa-lo entediado levando também ao assassinado. Temos que ter em mente que, com o B tudo é possível.
- Logo o tempo é precioso _Mello concluiu sem esforço algum.
- Sim, se o alvo for você também, estamos na mesma situação.
- Hn... se o plano dele era me fazer sofrer (numa escala de 10 á 0), nível 9 á 10, então parece que perdemos pontos.
- É mais inteligente do que parece _Light abriu um sorriso prepotente, mas fora censurado por L.
- Vamos partir quando? _perguntou ansioso ignorando a provocação, mais tarde daria o troco.
- Mandei Watari falar com a senhora das geleias _L se manifestou _em pouco tempo estaremos o rastreando, mas ainda não podemos simplesmente bater na sua porta e dizer “hey, viemos pegar o Matt de volta”.
- ...e por que caralhos não podemos?
Light suspirou e se retirou, a resposta de L faria Mello surtar com certeza e não estava com paciência para ouvir seus berros e palavreado chulo.
O moreno remexeu desconfortável no sofá, se possível queria não responder, mas era parte do plano e tinha que compartilhar com o homem a sua frente.
- Pois eu quero saber os motivos do sequestro, como ele fez e se tem mais pessoas envolvidas. Se eu simplesmente capturar o BB ele nunca irá falar.
- Não! Você só pode estar de brincadeira!!! A vida do Matt está em RISCO e você só quer saber de ser egoísta?! Quanto tempo mais o deixaremos preso com um psicopata, sendo torturado?!
Desacreditado nas palavras de L, Mello sentiu seu rosto afoguear de raiva, seu punho errou por milímetros o corpo magro desse.
- Você tem a minha palavra que, assim que o encontrarmos, Matt não sofrerá mais um singelo tapa no rosto. Precisa confiar em mim.
- Vocês são todos loucos! Loucos!! Como posso confiar em alguém que coloca a curiosidade antes de uma vida?!
- Está decidido assim _disse firme, mas ao contrario de suas palavras, seus olhos deixaram cair espessas lagrimas _Mail não irá sofrer, eu prometo.
Mello olhou atordoado para os atos de L, ficou confuso. Seu desejo era ter Matt ao seu lado o quanto antes, atirar incontáveis vezes em B até o desfigurasse por inteiro.
Mas
Que lágrimas foram aquelas que mexeram tanto consigo? Será que L tinha razão afinal? Que B tinha outro objetivo, que Matt não sofreria enquanto o moreno estivesse á frente das investigações...
Seu coração apertou, tudo parecia neblina em sua mente; realmente Beyond sabia como desfazer suas defesas. Mesmo no caso kira¹, nunca sentira suas mãos atadas como naquele momento, o medo de morrer não era nada comparado ao medo de perder seu bem mais precioso.
- Vamos Mello, força _murmurou para si mesmo.
- O que? _agora já livre das incomodas lágrimas, voltou a sua expressão normal. Faria de tudo para fazer o pupilo entender a situação.
- Você tem apenas uma chance, se ele for vitima de mais um ato de covardia, eu não posso garantir nem mesmo a segurança de vocês dois. Matt é a única pessoa pra mim no mundo, tenha isso em mente.
L sorriu minimamente, oras, ele tinha confiança o suficiente para aceitar o desafio. A reação do moreno fez Mello se acalmar – indo de “Mello” para “pessoa normal”.
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Notas finais
- 1: Ern, eu falo do caso kira e da participação de MxM em fics passadas. Quem tiver curiosidade cola no meu perfil e enjoy!
- É cara... o B.B tá me deixando louca! auhauhaauhuha.
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