Akai
19 Capítulo 17: Shinigami
Notas iniciais
– Near, deixaremos tudo em suas mãos daqui para frente _o tom de voz era firme, mas L ainda podia sentir o coração agitado, como se a calmaria fosse ser interrompida á qualquer momento para um mundo de caos extremo.
O albino concordou com um aceno e então se retirou para voltar aos seus afazeres. A partir daquele momento, Beyond passaria á morar na mansão protegida de Near e ficariam á sós enquanto L e Light iam atender um pedido especial da policia japonesa; antes de partirem em busca de Beyond, meses atrás, os detetives estavam atrás de uma conquista: acabar com a máfia envolvida no tráfico de armas de alto nível, ou seja, armas biológicas e nucleares. Isso não podia exatamente ficar para depois e assim, eles partiram.
Near era totalmente confiável para tomar conta do psicopata, tinha que mantê-lo dentro da mansão, sua missão obviamente ia muito mais além – precisava saber exatamente quais foram todos os crimes cometidos e estudar seu psicológico para então prendê-lo ou matá-lo. Infelizmente, L era a justiça que escolhia proteger a maioria e não priorizar alguém mesmo que da família. Quando Lawliet finalmente descobrisse tudo sobre Beyond e á si mesmo, acabaria inclinando para sua justiça de modo proteger o mundo.
Obedecendo as ordens do numero um, mandou reforçar a área vigiada e cortou toda e qualquer comunicação que poderia existir entre eles e o mundo lá de fora; afinal, tudo tinha sua desvantagem, todos tinham a plena certeza que o moreno era tão capaz quanto qualquer um de arquitetar o maior dos planos, mesmo preso.
Sem pressa e um tanto pensativo, parou á porta do quarto onde se encontrava B. e forçou a maçaneta, estava trancada. Mais uma vez resmungou antes de sair, ainda era cedo para começar o seu trabalho.
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O dia começou com um Mello de ressaca, sonolento e faminto zanzando pela sala em busca de uma resposta para aquele código.
– Mas que diabos era isso mesmo? _bocejou até sentir lágrimas se formarem no canto dos olhos deixando sua visão ainda mais embaçada.
A carta de Jôjo tivera que esperar a manhã toda para ser notada, quando o loiro viu o pedaço de papel sentiu seu sangue gelar, tudo bem que ele tinha mil explicações para aquilo, porém não esperava um contado de seu chefe tão cedo. No mínimo, era uma bronca das grandes e um trabalho pesado para compensar o tempo que ficara fora, sem prestar serviços e sem dar sinal de vida.
Para um mafioso, sumir era sinônimo de duas coisas: morte ou traição. Por sorte, o Keehl não era um nome pequeno e esperava ter tido um crédito; se os membros lá de cima concordassem, sua pena seria “aceitável”. O problema atual era apenas, APENAS ler a tal carta que fora mandada em códigos bizarros e sem sentido.
– Matt, acorda ai _cutucou o ruivo com a ponta do pé _vai logo, acorda seu preguiçoso!
– O que... foi? _disse embolado, com a garganta seca.
– Se a vida fosse fácil estaria dormindo ainda, pode ter certeza _jogou o papel no rosto do outro que fora obrigado a abrir os olhos.
– Hum? Criptograma russo dos anos 70, não acha que é muito cedo pra essas coisas? Comece o dia vendo algum anime porra.
– O que diz ai? _coçou a cabeça, nervoso com o descaso do outro _vai Matt!!
– ‘Tá certo, vamos ver o que a donzela quer _resmungou sentando no colchão improvisado _aqui diz: “23 horas no galpão leste, tráfico de carga de explosivos para o porto. Trabalho para duas pessoas”.
Mello tentou, mas não conseguiu encontrar um palavrão grande o suficiente que expressasse sua revolta, optou então por engolir seco e serrar os punhos.
– O que isso quer dizer? _perguntou o ruivo, voltando a deitar para mais algumas horas de sono.
– Eu não sei _disse seco, indo para o banheiro.
– ... _olhou de canto o marido bater a porta, foi impossível não comparar essa cena com uma de anos atrás, quando Mello decidiu ir atrás de kira pela segunda vez, depois da explosão. O que Matt tinha, não chegava ser fé, mas pela primeira vez pediu á Deus que aquilo não fosse o que estava imaginando.
Mello molhou os cabelos na pia, seu tom de pele estava pálido como gesso, motivo? Medo. A máfia era sua quando tinha Kira em mãos, depois de todos os acontecimentos, perdeu seu cargo de chefe e aceitou ficar apenas como capanga – claro, ele queria a gloria novamente, mas faria tudo de modo seguro e lento. Jôjo tinha ciência das ambições de Mello, mas felizmente achava que o loiro era pequeno demais para conseguir algo, assim como todos os outros membros; para ele, não passava de um ser humano caído. Um trunfo grande para o loiro, certamente.
Pelo seu deslize, recebera um trabalho de extremo perigo, tinham muitos outros mafiosos competentes e menos importantes para o carregamento de armas daquela classe, afinal, Mello era recrutado apenas para negociar e não entregar. Ele seria testado, até ai tudo bem, porém ele exigia a presença de duas pessoas – Matt, queriam envolver seu bem mais precioso para assim, provar sua lealdade. Só que envolve-lo nunca fora seus planos, alias, depois de voltar do pesadelo Beyond, estava até querendo dar o fora daquele trabalho; mesmo que para isso tivesse que matar seu chefe, é claro.
– Matar... _repetiu em voz baixa.
Matar não era exatamente uma opção em sua vida, mas se fosse para deixa-los em paz, faria, e faria na noite da entrega dos explosivos.
O porto era o lugar mais protegido atualmente e sendo assim, também era o mais cobiçado pela justiça corrupta, uma boa parte aceitava propina para o recebimento de mercadoria ilegal vindo de fora e vice versa. Jôjo, porém, não pagava para trabalhar, por isso tinha em sua equipe pessoas competentes; ele pretendia furar o sistema de proteção com hackers, fazer a entrega para comerciantes estrangeiros, receber toda a quantia estipulada, caso contrário era necessário um terceiro grupo com dever de apagar esses caras, tudo isso sem chamar atenção num espaço de no máximo 15 minutos.
O loiro respirou fundo mentalizando o plano mais uma vez, já tinha visto aquele esquema dar errado 12 vezes e em todas elas, não houve sobreviventes de ambos os lados. Abriu o registro do chuveiro e se despiu, se sentia furioso, por que estava acontecendo aquilo justo agora?! Não teria tempo para arquitetar a morte de seu chefe do jeito ideal.
– Mel? _a voz rouca de Matt o fez despertar de sua linha de raciocínio.
– ...vem _estendeu os braços fazendo um convite bem tentador aos olhos do outro.
– Por que está preocupado?
Mas ao invés da resposta, ganhou um abraço carinhoso complementado por um afago nos cabelos. Matt que estava apenas de bermuda, aproveitou para acariciar o corpo macio do outro e sentir o calor do contato.
– Vou proteger você, vai ficar tudo bem.
– Você é o meu anjo _tirou a mecha de cabelo que cobria os olhos cor de safira e depositou um beijo em sua testa_ mesmo que diga que é fraco, mesmo que insista na besteira de dar sua vida para me proteger, Mihael, eu estou aqui como sua metade e não iremos nos separar; somos um só.
Depois da declaração sincera, de mais uma boa rodada de sexo, muito desperdício de água e duas pessoas extremamente relaxadas; o trabalho finalmente teve inicio. Matt se encontrava sentado no tapete com seus dois fieis consoles – um psp e um 3DS – e seu notebook entre as pernas digitando ferozmente para entrar no sistema de proteção. Mello tirava de seu esconderijo algumas armas pesadas, incluindo sua própria dinamite de fabricação caseira para levar consigo até o local.
– Como iremos matar o cara, se não sabemos onde ele está? _falou entre dentes, segurando o cigarro nos lábios.
– Eu sei onde fica o esconderijo... Matt, acha que eu sou quem dentro daquele lugar ein?! _recebeu um risinho de canto _hoje é dia de entregas e muita, muita grana! O canalha estará nos esperando.
– Oh todo poderoso, vou traçar nossa rota de fuga depois.
– ...mas vamos matar todos! _disse simplista, fazendo careta para o ruivo.
– Da ultima vez que você quis matar todos, saiu com metade da cara estourada.
Foi o argumento final para ambos calarem a boca e voltarem aos seus afazeres.
A noite caiu e junto dela um frio intenso, concentrado, Matt não reparou que suas costas estavam congelando devido a falta de roupa. Fora coberto gentilmente pelo outro antes de parar para respirar.
– Obrigado... isto está demorando mais do que eu previa _olhou com desanimo _acho que estou desatualizado, meu programa pessoal não consegue entrar na porra do sistema.
– Relaxa, temos 72 horas, mas já foram 12 viu.
Claro, para o loiro era simples forçar a passagem no chão da cozinha e retirar as armas do esconderijo improvisado; o trabalho pesado vinha de outra fonte e essa fonte estava faminta, com os olhos ardendo, morrendo de sono e é claro, querendo sexo. Infelizmente Mello não iria ser a favor nem da metade de seus desejos, com um longo suspiro, se espreguiçou e alcançou seu 3DS para um joguinho rápido; ignorou o celular quando começara a vibrar de repente, pendendo no braço do sofá.
– Atende ai vai _deu os ombros.
– ...é o Near ou o... é, é o L.
O celular era programado para receber apenas três números, Mello, L e Near, obviamente um aparelho singular bloqueado e muito bem protegido. Além do Detran, da Companhia de água e energia, as Companhias telefônicas também eram vitimas daquele ruivo genial.
– Mello falando... oh, não quer falar comigo _ respondeu azedo, passou o aparelho para o outro e rumou para a cozinha bufando.
– Deixou o Mello bravo _riu.
– Beyond está com Near, estou atrás de um caso importante agora e não posso me distrair _disse o moreno com sua voz de tédio habitual.
– Oi para você também, como ele está? _a curiosidade em sua voz foi notada á distancia, dando animo ao detetive.
– Desde que foi embora, ele está bem mais calado e fica o tempo todo sozinho.
– ...fez isso no cárcere também, acho que o B. está chateado... sabe, ele não entende muito bem essas coisas.
– Não se sinta culpado, enfim, nos encontraremos em breve Matt.
A ligação fora cortada, o ruivo ergueu uma sobrancelha, curioso com o “em breve” que recebera. Não tinha planos de voltar á mansão por um tempo, ainda mais agora com aquele problema da máfia.
– O que ele disse?_ voltou com duas xícaras de chocolate quente.
– Que o B. está sozinho com Near _resumiu aceitando a bebida.
– Ótimo, quem sabe eles não casam e nos deixam em paz, os dois, numa cajadada só.
– Quanto amor!
Mello ficou vermelho e Matt ria como uma criança.
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O porto estava, no bom popular, pipocando. Containers eram carregados para todos os lados em guindastes enormes, operados por pessoas cansadas e concentradas ao máximo; por todos os lados, podiam-se ouvir homens e mulheres gritando em línguas estrangeiras tentando abafar o barulho intenso dos motores vindos de mais de 20 navios aportados.
O casal seguia ás pressas para o lugar marcado, tentavam ao máximo não esbarrar nos brutamontes mal encarados e pelo tamanho da tatuagem, provavelmente era de alguma máfia por ai. A rixa entre elas existiam á anos e não se intrometer, com certeza era a coisa mais inteligente a se fazer.
– Mels... _acendeu um cigarro em meio ao desespero _está cheio de gente aqui, podemos ir mais de vagar também?
– Ah, só vamos logo! _respondeu entre dentes dando um passo á frente.
O ruivo resmungou fazendo birra, sempre que precisava andar no meio de multidões começava a soar e se sentir desconfortável. Mello se esgueirava com tanta pressa entre os obstáculos que ficou difícil acender um mero cigarro, ser um nerd tinha lá suas desvantagens ás vezes. Alcançou o outro colando em seu ombro, estava decidido tornar aquela noite o menos desesperadora possível.
– Por que você não tem tatuagem? _procurou algum assunto interessante e de repente se lembrou de uma pergunta que sempre quis fazer, mas nunca se lembrava.
– Porque depende do mafioso, o nosso grupo não se interessa em marcas, mas posso tatuar meu nome e sobrenome na sua bunda se não calar a boca.
E com a segunda lavada, ele se calou; passou a olhar para todas as bundas gostosas que passavam por ele como uma infantil vingança pessoal. Ao passar de 20 minutos, o casal entrou sorrateiro no galpão; o lugar se encontrava bem iluminado, organizado de um modo que apenas Mello entendeu, o loiro caminhou por entre as empilhadeiras até encontrar sua carga de destino.
– Vamos, é esta aqui _apontou para a quarta máquina.
– ...Mello, espere um segundo por favor.
O tom sério do ruivo deixou o outro em alerta, Matt não era a pessoa mais astuta do mundo, mas tinha bons palpites quando corriam risco de vida. Observou por alguns segundos as caixas empilhadas com cuidado, bateu de leve na madeira clara prestando atenção no ruído e sentiu com as pontas dos dedos o material.
– Definitivamente, não se trata de explosivos _balançou a cabeça num gesto negativo _vamos embora.
– Está maluco? Se não fizermos a entrega conforme o combinado, Jôjo vai desaparecer, vamos ser executados em dois dias!
– O combinado era carregar explosivos! Essas caixas estão preparadas para outro tipo de arma, o som está saindo abafado... e veja como está gelado! Isso deve estar conservando alguma coisa, e eu sei como se guarda coisas que explodem. Vamos embora Mello _suplicou, chegando a puxar o braço do loiro em direção á saída.
O loiro pensou por um momento. Ir embora não era uma opção, carregar aquilo poderia matá-los, pois não sabiam do que realmente se tratava, o tipo de negocio e estratégia mudaria completamente com aquele elemento surpresa, mas se saíssem vivos poderiam seguir com o próprio plano e matar o chefe.
– Vamos fingir que não sabemos de nada até onde for conveniente _subiu na empilhadeira assim que vestiu parte do uniforme deixado como disfarce, esperou por Matt estendendo a mão como incentivo _ei... vai ficar tudo bem.
Diante o sistema geral de entregas do porto, estava programado o carregamento de 5 caixas para o navio estrangeiro “Izverg”. Os russos pagariam pela quantia em dinheiro vivo e aportariam em seguida, seguindo viajem para seu país de origem. Até ai, tudo seria á prova de falhas se o ruivo tinha feito um bom trabalho.
– Veja, ali está o navio _apontou para o encouraçado negro, enorme, parado distante dos outros _Mello, aquilo é um navio blindado! Isso com certeza não é explosivos!!!
Mais três metros e a dupla parou, o loiro desceu da maquina fazendo sinal para o outro esperar. Uma mulher de salto alto e cabelos ruivos foi recebê-lo com um sorriso sínico nos lábios, ao lado dela, dois homens começaram o carregamento da mercadoria.
– Engraçado como os Ingleses assinam sua própria sentença de morte _sussurrou para que o outro não ouvisse _como se chama? _perguntou num inglês arrastado.
– Mello, onde está a grana?
– Você parece uma menininha assustada _estendeu a maleta que carregava com cuidado _conte o dinheiro aqui mesmo, está protegido enquanto não der mais do que 10 passos.
Contar milhões não era tarefa para um ser humano normal, Mello passou os dedos em cada maço afim de encontrar notas falsas e observou com cuidado o volume total de papel.
– Parece estar tudo aqui, mas independente disso sabe que mataríamos vocês mesmo depois de partirem.
– Com certeza...
A ruiva estremeceu por um momento ao observar Matt esperando. Ela queria dizer o que lhe estava entalado na garganta, mas isso seria o mesmo que matar todos eles. Seus olhos verdes, falsos, se chocaram uma ultima vez com o homem á sua frente, neles Mello percebeu ódio e frustração.
– Miss Fortune¹ _chamou Mello prestes á entender o que estava acontecendo finalmente.
– Vocês caíram numa armadilha _disse por fim, quase sem mexer os lábios como fazem os titeriteiros².
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– Vocês deixaram ele escapar? _Near perguntou pela segunda vez aos seus seguranças.
– Senhor, esse homem simplesmente desapareceu de nossos radares, de nossos olhos e até mesmo de nossos narizes! _exclamou o loiro, fazendo um gesto exagerado com os braços.
O albino respirou fundo antes de entrar no quarto de seu hospede, sobre a cama uma camiseta rasgada e sangue, no banheiro, o espelho dava falta de um pedaço fino. Era como somar 2+2 na mente do pequeno.
– Retirou o chip!? Impossível, ele não sabia a localização e foi uma incisão subcutânea!
– Ele arrancaria o próprio braço para se livrar de nós _respondeu Near, cansado _atrás dele imediatamente, quero olhos e ouvidos nos números 3 e 4 (Matt e Mello).
– Senhor!! Todos... todos os animais estão mortos _a voz rouca da mulher desapareceu e deu lugar a um soluço sôfrego _todos agrupados no portão leste... até mesmo... a Julye, que era apenas um animal de estimação.
– Ainda não conseguiram entrar em contato com o the last one?!
Pela primeira vez os espiões estavam presenciando um Near fora de controle, esbravejando. Rangeu os dentes ao constatar o quanto fora ingênuo, Beyond não era um ser humano qualquer, talvez ele tivesse até mesmo a companhia de um shinigami. Subestimou o moreno que agora certamente estava rindo de si, isso amargurava profundamente o detetive considerado o segundo mais inteligente do mundo.
– Aquele desgraçado _resmungou _procurem por Matt, Mello, L e Light agora mesmo, vão! Quero que cada um tenha um agente meu disposto á dar sua vida, isso é uma ordem.
Os homens estremeceram e saíram do quarto trotando, Beyond estava atrás de um deles novamente e se não corresse contra o tempo haveria mortes.
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