Akai
14 Capítulo 13: Love hurts
Notas iniciais
esse capítulo está bem de boa, diferente do outro que quase matou muita gente do coração auhauahauhaau ~
Daqui pra frente vai ser só porrada -nnn brincadeira.
- ...sei lá por onde começar, tenho medo de dizer qualquer coisa agora... _confessou tímido, suas bochechas tomaram um leve tom carmesim.
Matt estava com muita vontade de abraçar seu grande amor, não só isso, também queria beija-lo, dizer que sentia sua falta e de mãos dadas, deixar aquele lugar horrível, mas sabia que nada disso seria possível naquele momento. Talvez nunca mais...?
- Apenas comece do começo e diga o que tem para dizer _roubou o cigarro do mesmo e tragou fundo, o aroma mentolado junto do tabaco invadiu seus sentidos dando a sensação de leveza.
- Você vai me perdoar?
Em seu peito podia sentir um aperto terrível, o medo de perdê-lo era tanto que chegava a sentir o ar sumir a sua volta. Aproveitando a deixa do cigarro, o ruivo fez a pergunta que mais soou como um pedido desesperado; Mello tinha que entender seus motivos, depois de tudo não podia existir um mundo sem ele.
- Eu não sei _respondeu monótono, cansado.
- B. pediu por ajuda, ele implorou por alguém que pudesse o tirar daquela escuridão... Mello, nós já fomos assim, eu não podia negar!
O loiro fechou o punho e desviou o olhar das duas esmeraldas que brilhavam pelas lágrimas. Ele de fato não podia ir contra o argumento de Matt.
Depois de sair do Wammy’s house, em busca de kira¹, Mello deixou Matt sozinho no orfanato – ele não queria olhar para trás, seu egoísmo falou mais alto quando encontrou a chance de superar L e Near. O loiro vagou dias, semanas rastejando para os superiores em busca de uma chance de conquistar seus objetivos; humilhou-se por comida, matou por poder... e mesmo quando tudo parecia estar o ruim o suficiente para desistir, não voltou para buscar o que lhe era mais precioso – Matt.
No dia que chegou ao êxtase de seus planos, quando finalmente estava com o Death Note em mãos, aconteceu o inesperado: uma explosão que traria á si cicatrizes eternas, marcas de um fracasso que ficariam estampadas em seu corpo para sempre. Foi então que o garoto Jeevas lhe estendeu a mão, com o coração bondoso que sempre teve, com um sorriso doce nos lábios.
Não era justo condená-lo por ter ajudado Beyond, sabia que não era. Mas o ciúme de ter que dividir e o ódio por ter sido incapaz protegê-lo eram seus inimigos constantes. Perdoar estava longe de ser uma opção, pelo menos no calor do momento.
- Se temos a chance de salvar uma pessoa, por que não fazê-lo? _disse Matt num suplico.
- ... _observou as inúmeras marcas das torturas no corpo de Matt, enquanto se perdia em pensamentos, o cigarro ia queimando lentamente entre seus dedos _onde foram depois da explosão?
- AH! Você reparou no tecido amarrado no braço dele?!
O ruivo deu um salto, como se aquilo fosse a informação mais importante do mundo, o outro se assustou de tal forma que o cigarro lhe escapou por entre os dedos caindo no carpete escuro do corredor.
- O que?! Eu não lembro, sei lá!! _fez uma careta acreditando por um momento que Matt havia sido contagiado pelas loucuras de B.
- Nós explodimos a cabana e saímos para o centro da cidade, o B. já sabia onde ficava o esconderijo... por alguma razão, os animais não gostam dele, desde que saímos pude observar que cães, gatos e até mesmo os pássaros o evitam. Já perto do centro, um cão de guarda, enorme, veio ao nosso encontro _enquanto falava, gesticulava em gestos largos os acontecimentos _ele tinha escapado, a coleira estava rompida! Um cão de guarda que deveria estar adestrado!! Ele nos atacou e o Beyond segurou o animal até sufocá-lo para que não nos machucasse. Mello, você entendeu? Ele não é uma pessoa ruim, só precisa entender o que é o mundo onde ele vive. Confie em mim, vamos dar uma chance...
- Chega, eu estou... irritado _interrompeu com um gesto de mãos _eu não consigo olhar para todos esses machucados e não sentir ódio. Não da para pensar em tudo o que passamos e agora perdoar, eu preciso de tempo para assimilar... ainda nem caiu a ficha que você está na minha frente.
- Mel...
Matt deu um passo a frente, um pouco vacilante, mas não parou enquanto seus braços não alcançaram o corpo magro de Mello.
- Eu sinto tanto, tanto ódio dele!
- ...sente tanto ódio ao ponto de chorar? _secou as lágrimas que corriam volumosas pelo rosto dele.
O loiro fez um gesto positivo com a cabeça e trincou os dentes, tão surreal era a ideia de seu amado, que a contradição fazia seu coração doer.
- Como pode se sentir assim depois de tudo? _sua voz saiu rouca pelo esforço de conter o choro.
- Eu não sei, simplesmente sou assim...
Novamente abraçou o homem á sua frente, uma de suas mãos, porém, percorreu o peitoral até encontrar o rosário escondido sob as roupas apertadas. O retirou com delicadeza, fazendo os fios loiros se bagunçarem um pouco; o rosário de contas vermelhas que Mello carregava como lembrança de sua tão querida mãe, era mais do que um presente, era um símbolo do amor do criador por todos os seus filhos.
- Real ou não esse Deus em que acreditam, é por sua essência que ainda estamos vivendo nesse mundo de egoísmo... é por perdoar e amar que conseguimos ter a força de querer viver.
- Mail... _olhou para o objeto antes esquecido.
Se lembrou de sua mãe, a doce mulher de cabelos ondulados com cor de mel, pele branca, macia, lábios vermelhos. Sempre que estavam sozinhos, ela o aninhava no colo e rezava o terço contando cada conta com as pontas dos dedos. Fazia muitos anos que Mihael não pensava em sua mãe, religiosa, dera a ele o nome de seu anjo preferido, no qual pedia todas as noites proteção.
Quando garotinho, ainda com cinco anos, frequentava aulas de catecismo com o padre da cidadezinha onde moravam, seu irmão, quase 15 anos mais velho já tinha concluído a crisma e se encaminhava ao teologismo como área de trabalho. Curiosamente, o loiro não se recordava de outras coisas mais além, apenas alguns fatos como estes.
O dia do incêndio estava marcado em sua mente como o ponto inicial de sua nova vida, a partir dali fora morar no Wammy’s house, com o sentimento de revolta e dúvidas do porque Deus não ter salvado sua gentil família. Cresceu longe das crenças de sua mãe, não querendo mais seguir com seus estudos religiosos e até mesmo parou de ler a bíblia como de costume, se afastou, mas não deixou de seguir os poucos ensinamentos que lembrava. Como um ser humano pecador, acabou matando, roubando, entre outras injúrias no caso kira, se arrependeu quando se viu feliz ao lado de Matt.
Mas ao ver Beyond em sua frente...
- Tsc... por que o mundo é tão injusto? Por que pessoas boas são punidas de formas cruéis? _tirou o terço das mãos de Matt, ainda em nostalgia com sua infância.
- ...eu não sei, todos temos nossos pecados afinal.
O silencio incomodo permaneceu entre o casal, aos poucos Mello pode ir percebendo que, apesar de quando criança ter aprendido muitas coisas sobre o criador, ainda tinha dúvidas incapazes de serem respondidas; e isso era um peso enorme em sua mente, sua alma parecia inquieta com tantas contradições. Então será que B. é tão culpado assim por tudo que fez? Até mesmo o convencido Mihael Keehl era dominado por sua incapacidade.
- Ainda é cedo para isso... _o ruivo suspirou e pegou na mão de seu amado, como um príncipe, e depositou um beijo carinhoso _mas vamos nos entender ao passar do tempo. Beyond provará por si mesmo seu valor.
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- Watari-san, eu não sei o que faremos agora, me sinto realmente perdido _desabafou L, enquanto recebia carinho em seus cabelos por Light.
- Viajar com B. para o Japão, acho que seria demasiado... incompatível _completou a frase sem ter certeza da escolha das palavras _Matt e Mello estão com o apartamento inabitável, como solução, posso sugerir o lar “dele”.
- ...dele?! Então finalmente saiu do orfanato?
- Não exatamente, mas tem uma bela residência não muito longe daqui. Podemos todos passar o tempo necessário lá para que nos organizemos. Deixar B. longe de Matt no momento não me parece o mais sensato, o garoto pode nos dar alguma segurança afinal.
- Dele quem? _perguntou Light um tanto perdido na conversa, obviamente que não era da casa de Beyond que ambos falavam.
- Oh... você verá quando chegarmos.
E mais tranquilo, L levantou em direção ao celular que o senhor oferecia ao mesmo, digitou rapidamente três ou quatro frases e enviou ao velho amigo.
- Vamos partir _anunciou devolvendo o aparelho ao dono.
Em menos de meia hora, Watari desceu para a portaria depois de um telefonema, passou pelo casal que mantinha uma conversa baixa no corredor pedindo que ambos entrassem para dar assistência aos homens dentro do apartamento; apesar de estar com o plano decidido, ninguém estava disposto á entrar no quarto onde Beyond se encontrava desde então.
Matt bateu com os nós dos dedos na porta de madeira, ele sabia que o moreno provavelmente estava acordado, mas não tinha ideia do que o mesmo poderia estar fazendo. Sem resposta, abriu cauteloso e adentrou apenas a cabeça no cômodo, o silencio era perturbador e tanto mistério se fazia, que pode sentir borboletas do estomago.
- Beyond? _o chamou baixo, com a janela fechada, o escuro não permitia que sua visão fosse além de dois palmos _vamos partir... B.!!!
Assim que acendeu a luz, viu o homem sentado na cama brincando com um caco de vidro, seus lábios e parte do antebraço estavam sangrando, mas o mesmo não parecia se importar.
- Pa... pare com isso, está se machucando! _fez menção se chegar perto, mas foi puxado de volta para a entrada por Mello.
- Não quero que entre ai! Ei, seu estranho, vamos embora.
- Mel _se soltou dando um passo á frente.
Beyond apenas olhou a cena e se levantou indo em direção ao casal, pediu licença num tom morno e passou caminhando até a porta de saída.
- ...loucos _Mello bufou indo na mesma direção.
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O grupo viajou num voo particular até a mansão, cansados, físico e mentalmente, L e Light dormiram abraçados. Mello sentou ao lado de Watari, já que Beyond se recusou a ficar perto do mesmo e por fim, Matt fazia companhia ao moreno.
- Mels, procure dormir, eu vou ficar bem _e com um aceno afirmativo do outro, pode voltar ao seu lugar. Mas não antes de pegar dois copos de água e doces _o céu está bem estrelado _olhou para a janelinha ao lado de B.
Abriu o pacote de bolacha amanteigada e apoiou na mesinha acoplada ao banco para então, brigar com a tampa da geleia.
- Você... costumava a falar mais... caramba, isso não abre _olhou com indignação ao objeto.
- Isso que dá ser um nerd fracote _tomou o pote de suas mãos e abriu com um estalar.
- ...oh! Tinha esquecido que você é forte.
Nos lábios do ruivo, um sorriso descontraído, nos de Beyond um sorriso meio sarcástico, meio convencido, mas ainda sim um sorriso.
- Sei que é a sua preferida _disse numa oferta indireta para que ele se servisse.
- É a única coisa que gosto de comer, o resto é... resto _deu os ombros _...por que você está tão descontraído ao meu lado?
- Hum? _olhou sem entender, já de boca cheia.
- ...deixa pra lá _ergueu uma das sobrancelhas e pegou a geleia para si sem cerimônia; iria devorá-lo em questão de minutos.
- Eeei! Seu ser de alma gorda _reclamou fazendo alguns farelos voarem se sua boca.
Dois bancos á frente, Watari tentou, mas não conseguiu segurar o riso.
A noite mal tinha caído, quando chegaram a seu destino, do lado de fora, dois seguranças os esperavam. L e Light desceram primeiro indo em direção á porta de entrada, Matt, Beyond e Mello foram em seguida e Watari veio escoltando todos e agradecendo pela hospitalidade.
- Cá estamos _disse o moreno coçando a parte de trás da cabeça _achei que ele ia pelo menos sair aqui fora para nos recepcionar.
- Ele quem? _disseram em coro, impacientes.
- ...Near é claro.
A surpresa foi geral, mas era bem obvio que apenas o pequeno podia ajudá-los numa situação tão inusitada dessa. Near, mesmo sendo apenas uma criança, ficara curioso com o caso Beyond Birthday e achou que a oportunidade de recebê-los em sua mansão era perfeita para pesquisar um pouco mais sobre psicopatas; mal sabia ele que o moreno estava bem longe de ser apenas um psicopata.
Enorme era pouco para o tamanho do lugar onde tinham pousado, enquanto esperavam pelo albino, o grupo ficou olhando ao redor e por causa da escuridão, puderam ver apenas: o pomar, o jardim, uma outra casa atrás desse jardim e a pista de pouso para o jato. Apenas isso.
- Quando eu acho que pode ficar pior... e quando eu acho que posso ficar rico... _balbuciou Mello para o nada.
- Caramba, isso tudo é grana por resolver casos? Mas esse mundo tá corrupto ein _exclamou Matt rindo ao lado do loiro.
- ...é, isso ai _concordou mesmo sabendo que não tinham direitos algum de reclamar, afinal, só trabalhavam por meios ilegais.
- Com licença, entrem antes que eu me arrependa.
Um Near apareceu de surpresa, aparentemente abriu a porta sem que os outros percebessem. Olhou com calma para os companheiros, seu professor não tinha mudado em nada, diferente de Mello que parecia mais alto e encorpado; Light e Beyond eram pessoas á descobrir e Matt...? Bom, ele mal sabia que Matt ainda existia até momento antes quando fora avisado que estariam indo seis pessoas ao seu encontro.
- Boa noite _disse com cordialidade e se afastou minimamente para que entrassem _vamos nos reunir em três horas.
Apesar da ansiedade, o estado lamentável o forçou a dar um tempo para que eles se recompusessem. Um banho, roupas limpas, comida e quem sabe até um cochilo faria bem á todos antes de colocar os fatos na mesa.
Conversando ao acaso com L e Watari, os guiou aos quartos deixando cada dupla – no caso dos casais – nos quartos do segundo andar, pediu que o moreno ficasse no andar de cima e que Watari o acompanhasse para a sala de estar.
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Beyond adentrou o quarto sozinho, deixando o anfitrião para trás. O ambiente era espaçoso e arejado, com duas sacadas escondidas atrás de cortinas brancas.
- Talvez eu as manche de vermelho, odeio branco... odeio coisas brancas que dão claridade _disse consigo mesmo, apesar de não falar muito quando acompanhado, era costume dialogar consigo mesmo _assim como eu também odeio hospitais.
Sem nenhuma regra de etiqueta, tirou a camisa atirando-a sobre a cama e abriu a porta do banheiro; mais branco, mais claridade o que fez o moreno se irritar. Terminou de se despir logo depois de abrir o chuveiro tomando cuidado para deixá-lo bem quente, ao contrario de sua pele que geralmente estava tão fria quanto de um cadáver.
O moreno tinha algumas cicatrizes espalhadas pelo corpo, mas no geral, sua pele macia e branca era muito atraente. O peitoral não era totalmente definido, mas estava na média, assim como as coxas bem torneadas, Beyond era um homem muito bonito. Nunca ligara para esse tipo de coisa obviamente, para ele, homens e mulheres serviam á ele quando bem entendesse caso precisasse de sexo; força era o nome de suas conquistas, além disso a opinião alheia é, e provavelmente sempre será, totalmente descartável para si.
Molhou os cabelos notando que os mesmos estavam compridos, os cabelos sim ele cuidava com frequência, sempre tivera a ideia de querer parecer muito com L fisicamente; mesmo que isso seja um tanto desnecessários já que são gêmeos. Os cabelos de B, porém, eram mais macios e isso dava uma pequena diferença, um pouco decepcionado espalhou o shampoo começando finalmente o seu banho.
Inesperado, como era inesperado estar na casa de alguém tomando banho sem a necessidade de ter matado... estar no mesmo espaço de pessoas que confiavam, pelo menos um pouco, naquele homem que fugiu por anos. Que droga estava acontecendo no seu mundo? Não parecia, mas Beyond Birthday se sentia, pela primeira vez, inseguro e ainda mais confuso; antes o que eram apenas perguntas, se transformou em realidade. Aquele Jeevas teve o poder de trazê-lo para aquele ambiente diferente, sem hostilidade, totalmente contrário de si. Por que? Como? Até quando...?
Notas finais
- E não pensem que MxM acabou, o Mello está só começando a ser ele mesmo UHAUHAUHAUHAA
- Obrigada ;** meus leitores lindos!!
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