Akai

15 Capítulo 14: Um Malboro vermelho, por favor


Notas iniciais
Sutítulo: Malboro é uma marca de cigarro bem famosa e vermelho é o mais forte. Mas não fumem, ok?

Cap rápido! Só para dar um choque xD estou em meio ao trabalho de conclusão de curso, logo estou sem tempo T___T

Enjoy.

As cortinas brancas esvoaçavam por causa do vento forte dando ao cenário um clima de terror e apesar da forte corrente de ar, a temperatura estava anormalmente alta naquela noite de terça-feira, fazendo os ocupantes do quarto não se importarem em fechar as enormes portas de madeira. Matt mirava o balançar dos tecidos sem entusiasmo, seu pensamento estava tomado por um certo loiro que não abrira a boca para falar desde que se acomodaram na mansão; ele estava quieto e ignorante, mas não era de se esperar outra coisa apesar de tudo. Matt tinha acabado de fazer o maior discurso a favor de Beyond, não foram liberados á voltarem para casa e o pior, estavam de frente com a pessoa mais detestável na vida do loiro, Near.

Era verdade que o ruivo precisava ter a maior paciência do universo naquele momento, mas poxa, seu amante podia cooperar afinal não era o único estressado. Pensou que se entenderiam melhor agora que finalmente tinham ficado a sós, porém ficou sozinho sentado na cama enquanto o outro fora para o banho sem dizer nada...

Podia ter um sexo de reconciliação, não?

- Droga, Mello... _reclamou para o nada, sua mão foi inconsciente para o bolso á procura de seu maço de cigarros, mas não encontrou _legal, nem isso eu tenho.

- Falando sozinho?

- ..._rolou os olhos para não dar uma resposta mal criada evitando assim uma discussão sem hora para terminar.

O loiro deitou ao seu lado e repousou o braço sobre os olhos, sem indícios que ia receber alguma atenção, o ruivo rumou para o banheiro não se controlando ao bater a porta. Matt se arrependeu no mesmo instante do ato desmedido, demonstrando assim uma frustração que era um tanto injusta, mas ao mesmo tempo ele precisava dar espaço aos seus sentimentos e as lágrimas teimosas que vieram a seguir era a prova de que não estava bem.

Ignorando-as por um segundo, tirou a camiseta e desabotoou a fivela do cinto de couro; pouco importava o que estava sentindo, tinha que voltar para aquele quarto e...

- Matt? _o loiro abrira a porta sem cerimônia, em seu ombro, no lugar da camiseta, apenas a toalha molhada.

- ...precisa usar o banheiro? _fez a primeira pergunta que lhe veio a cabeça, ainda de costas para ele.

- Sim.

- Ah, eu vou sair...!

- Imbecil.

O loiro agarrou a cintura de seu amado e afundou a cabeça nas costas largas do mesmo. Sem ação, Matt apenas esperou com o coração batendo forte e o rosto rubro.

- Desculpas, eu estou tão confuso.

- Mel... _se virou retribuindo não somente com o mesmo gesto, como também depositou um beijo em seus lábios.

O beijo que começou calmo, logo deu espaço para os gemidos e em seguida a falta de ar. A necessidade do contado era tanta que ambos não podiam simplesmente interromper ali o que tinham começado, silenciosamente, os amantes se despiram por completo e voltaram ao quarto na intenção de usarem a cama como apoio.

Os pensamentos sobre B., assim como os atos de cada um ainda eram confusos aos mesmos, porém o sentimento nunca deixou de ser forte, um laço indestrutível chamado amor. E era isso o que sentiam naquele exato momento, não dando espaço para mais nada que poderia vir de fora.

- Eu quero apenas... te amar para sempre e sempre _disse Mello afobado, marcando o pescoço pálido do outro.

Mas ele mesmo parou, ainda ofegante, e desviou o olhar por alguns segundos.

- Por que parou?

- ...não dá, eu preciso te dizer algo... eu não consigo continuar _empurrou-o minimamente.

- O que? Me diz logo... _já com o desejo lhe tomando a consciência, não deixou ser afastado.

- Matt... espere, Ma...

O loiro fora embriagado com os beijos doces de Matt por toda a extensão de seu corpo, a mão ágil arranhava de leve sua pele fazendo o mesmo se arrepiar; o desejo era mais forte do que a razão naquele momento.

O sexo era bom, as caricias e o palavreado obsceno agradava a ambos, logo não se ouvia nada além dos corpos batendo num ritmo acelerado e os gemidos incontidos do casal que a tanto não se tocavam. Não demoraram mais do que o necessário para o ápice, Mello debruçou sobre o corpo macio de seu amante e suspirou aliviado, calmo; assim como ele, Matt o abraçou dando beijos carinhosos em seu rosto suado, sentindo o efeito da diminuição de adrenalina.

Em poucos minutos, tudo o que se ouvia era o ruído do vento que ainda entrava com força pelas portas das duas varandas; ruído que encobria a respiração pesada de Mello.

- Mel...? _o chamou para só então reparar que o mesmo havia adormecido, com um sorriso nos lábios, arrumou as madeixas que caiam sobre seus olhos _queria tanto um cigarro _falou consigo mesmo, mas sem forças o suficiente para levantar de fato.

Com a mente um pouco mais relaxada, o ruivo pensou e repensou no que estava fazendo; defender Beyond estava sendo um erro? E se por fim estivesse colocando todos em perigo...? Não, aquela não era uma questão particular, agora todos estavam envolvidos e com poder de escolha. Ia seguir até o fim com a sua intenção de salvá-lo.

- ...desculpas _disse um Mello, agora acordado e calmo.

- Por que está me dizendo isso? _saiu de seu devaneio focando a atenção no outro.

- Eu não consegui te proteger... todas as vezes, fui incapaz _mordeu o lábio inferior num gesto de frustração e arrependimento _não te tirei de lá, mesmo que a força, quando chegamos ao esconderijo, depois não corri atrás de você quando vi a explosão... mas que droga, eu não tenho coragem de te encarar!

- Che... chega, eu estou bem agora! _segurou seus ombros com força, assustado pelo desabafo.

- Não! Você não entende como é se sentir fraco! Eu quase te perdi tantas vezes, te deixei para trás naquele orfanato... foi naquele dia, naquela maldita de decisão que tudo começou!!

Apesar da aparente calma de minutos atrás, o clima voltou a ficar pesado, cheio de mágoas pelos fantasmas do passado. Mello se levantou e encarou Matt do alto, respirou fundo e tomou coragem para finalmente dizer o que há muito tempo estava trancado em seu coração.

- Eu... me arrependo de não ter levado você comigo quando sai do Wammy e eu quebrei a nossa mais sincera promessa... aceitei sua ajuda, pois eu estava cansado de lutar sozinho... não, eu estava cansado de lutar, queria alguém para me levantar sem fazer esforço algum. Depois tudo se tornou tão cômodo, que eu me vi sem chão ao te quase perder para uma pessoa qualquer; fui medíocre deixando L levar a situação sendo que você estava diante dos meus olhos, á 10 centímetros de distância atrás daquela parede.

Você já se perguntou o que ele está fazendo?

Como tudo virou mentiras?

Às vezes acho que é melhor

Nunca perguntar por quê

- ...Mello, do que está falando? _o ruivo se perdeu em tristes memórias enquanto ia ouvindo as passagens, mas algo nelas estava diferente.

- Você percebe o quanto... eu menti? E agora, como eu não consigo mais olhar nos seus olhos?

- Nossa promessa...? Cansado de lutar? Se deixou levar por L... Mello, você nunca foi assim, essas coisas nunca aconteceram dessa forma! Eu sei que saiu do orfanato...

- Não _interrompeu o mais novo _achei que podia esconder tudo, mas parece que tudo não passa de um castelo feito com cartas de baralho.

A confissão de Mihael Keehl

Quando éramos pequenos, nos apaixonamos, tínhamos apenas um ao outro e assim os anos se passaram como um conto de fadas. Nunca imaginamos que chegaria um dia em que o egoísmo fosse tomar forma... mas aconteceu, eu vi uma chance de me mostrar superior ao Near e assim chamar a atenção do detetive numero um do mundo! Eu estaria á altura de L, pegaria Kira. Onde você ficou, Matt? Diante todos esses sonhos fúteis?... para trás, sozinho, eu não tinha percebido que ainda era uma criança, que ainda éramos crianças!

Mas antes de partir, fizemos uma promessa.

Eu jamais entregaria meu corpo a ninguém que não fosse você e o mesmo valia á você. Volto a repetir que nos apaixonamos e que éramos apenas crianças, então eu prometi... e fui embora como um soldado de guerra, esperando voltar com uma medalha em mãos. NADA ocorreu como eu achei que seria, fui obrigado a usar de todos os truques para subir ao poder, inteligência não é tudo... precisei de coragem, força, de falsos sentimentos e também de quebrar a promessa.

Quando achei que finalmente tinha sido derrotado, estava aliviado, eu sou fraco, Mihael Keehl é fraco e se rendeu. Porém, Matt, quando me salvou, fiquei com vergonha de admitir isso e me levantei para continuar a lutar; não tive coragem de olhar para os seus olhos e dizer que tinha me entregado á tantos outros e por você me admirar tanto, me elogiar como seu herói, também foi impossível dizer que eu, na verdade, tinha desistido.

Enterrei esses segredos comigo, segui em frente segurando sua mão e me embriagando com seu sorriso... com seu coração sincero, tão diferente do meu. Tomei seus sonhos pra mim, nos casamos, vivíamos juntos na minha mentira... eu não podia, mas me apaixonei por você novamente.


Engraçado como o coração pode iludir

Mais do que apenas algumas vezes

Por que nos apaixonamos tão fácil?

Mesmo quando isso não é certo

Tudo começou a voltar, quando ele apareceu. Beyond te levou, me lembrou do quando sou fraco e me forçou a agir contra meus medos. Mas, me deixei ser levado por L; por que ele é superior a mim e sua visão da situação era melhor do que a minha.

A explosão mostrou o quanto L estava errado.

Ele não é superior, ninguém é superior a ninguém, senti tanto ódio que tentei mata-lo... besteira, o the last one jamais deixaria ser morto por alguém como eu. FRACO.

Quando achei que tinha morrido, quando todas as pistas sumiram novamente, eu cai e fiquei sem me mexer. Desisti de Mail Jeevas mais uma vez. O mundo... ah o mundo... quando apareceu diante dos meus olhos, a vergonha me possuiu, você entende? Seu olhar naquele momento era como facas em meu coração e quanto mais o tempo passava, mais eu queria apenas fugir de você! Usei Beyond como desculpas para te afastar, fazendo perguntas tolas, jogando nele toda a culpa dos meus sentimentos.

Matt, eu não suporto mais ficar ao seu lado, não quero perdão, quero apenas que me deixe como eu te deixei. Apunhale minhas costas, para que a culpa diminua, eu imploro... isso tudo, por que eu te amo.

Onde há desejo, haverá uma chama

Onde há uma chama alguém está sujeito a se queimar

Mas só porque queima não significa que você vai morrer

Você tem que se levantar e tentar, e tentar, e tentar

Você tem que se levantar e tentar, e tentar, e tentar

Você tem que se levantar e tentar, e tentar, e tentar

Matt ouviu seu amado até o fim, de todas as coisas que poderia ter dito naquele momento, ele escolheu talvez a... só talvez, a correta: ficar em silencio. E assim se estendeu por mais algum tempo, o ruivo derramou algumas lagrimas; lágrimas que á tempos não vinham em seus olhos; lágrimas de tristeza.

A chuva que ameaçava a tempos do lado de fora, finalmente começara e era necessário fechar as grandes portas de madeira. Agora com um choro incontrolável, Mail rapidamente as fechou num estalo e saiu do quarto.

---------------------- + --------------------------------

A mansão estava bem mais cheia e barulhenta do que normalmente se encontrava em dias normais. Near e Watari mantinham uma conversa animada no térreo diante a lareira, a tempos o pequeno não recebia visitas e esse era um dos principais motivos por não sair do Wammy; por incrível que pareça, se acostumara com a presença de outras pessoas. Isso não o tornava mais sociável, é claro, era apenas uma questão de “presença” mesmo.

Curioso, Beyond deixou seu quarto para explorar o lugar, afinal ainda era o mesmo Beyond de sempre. Desceu as escadas como um gato, nunca fazia barulho por onde passava, mesmo se as tábuas da escada de madeiras estivessem soltas; quase como uma assombração vagando por ai. Passou pelo quarto de seu irmão, mas ainda era cedo para incomodá-lo, seguiu até o quarto de Matt e antes mesmo de chegar perto da porta, sentiu o clima estranho.

O moreno tinha o estranho senso de sentir aquele tipo de coisa, talvez fosse um pouco sensitivo ou algo do assim. Atravessou rapidamente o corredor alcançando o segundo lance de escada e foi ali que topou com um Matt.

Estranho senso é? Por alguma força maior, ele nunca sentia quando o ruivo estava perto.

- Caramba, virou ser de outro mundo é? _B. exclamou tentando entender o motivo de não tê-lo percebido antes.

- ...talvez eu seja mesmo _respondeu sem motivação, olhando para o outro agora sem nenhuma expressão.

- É a primeira vez que vejo olhos como os meus, venha, vou te mostrar que seu mundo é tão frágil quando o meu está aparentando ser.

A risada sínica ecoou pelo ambiente, naquele momento era impossível afirmar o que se passava na mente insana de Beyond Birthday.

- ...claro, por que não _deu os ombros _tem um Malboro vermelho, por favor?

Notas finais
Música: Try - Pink. Essa música é tão linda!!

Obrigada ;**

ern.... nem ficou tão pequeno assim aliás uhauaauhauhhuaa.