Akai

9 Capítulo 8: Sunset


Notas iniciais
- Por do sol! ♥
- Itálico = lembranças, como tem vezes que elas aparecem sem aviso, então não se confundam >_
- Enjoy!

Plano de resgate: Mail Jeevas ruivo gostoso (alteração feita por Mello).

— Localizar a base secreta de B.B – ok

— Identificar modos de defesa do lugar e desarmar todo e qualquer tipo de arma – pendente.

— Tentar entrar em contato com a vítima sem chamar a atenção de B.B – pendente

— Encontrar todas as respostas necessárias – pendente

— Capturar B.B e salvar a vítima – pendente.

- Ou seja, não temos porcaria nenhuma ainda _Mello bufou ao ler a listinha feita por Light _e o segundo item é sempre trabalho do Matt.

- É tão incapacitado assim que não pode cumprir um dos itens você mesmo? _seus lábios se curvaram para um sorriso maldoso _coitado do ruivo.

- Light, não irrite-o... já quase não sobraram coisas para ele quebrar _L assistia a cena da cozinha, onde cortava um grande pedaço de torta de limão feita pelo marido.

- O que tanto esperamos? _o loiro bufou e sentou no sofá encarando a tv desligada, fazia décadas que não assistia qualquer porcaria nela.

- Bom... pensamos em entrar na defesa com os computadores do Matt, mas veja bem, ele é um de nós e por ser tão genial simplesmente está impossível acessar seus dados, por enquanto _ completou a frase dando um breve sorriso.

- ...ele não é um de nós, ele é modesto _fez uma careta para Light _não vão conseguir nada, eu já tentei entrar no sistema que ele criou... é impossível _deu os ombros.

- Nada é impossível, Sr sabe de quase tudo _retrucou enquanto digitava rapidamente no notebook a sua frente.

- E como pode ter certeza ein?!

- Por que eu sou o Sr sabe tudo _respondeu distraído.

L tossiu, a piada fora tão ruim que resolveu terminar sua torta no quarto enquanto Mello simplesmente fechou os olhos para uma soneca.

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Matt deu um suspiro de alivio ao sentir o liquido gelado em seus machucados, de olhos vendados não era possível saber quem estava cuidando de si, mesmo assim agradeceu mentalmente. Ironicamente ele agradecia por estar no momento, numa cama confortável, recebendo comida e cuidados com suas feridas e por isso, a raiva por ter sido sequestrado havia diminuído; raiva, para onde ia esse sentimento afinal?! Por que diabos seu coração estava tranquilo diante sua situação de cárcere?

O ruivo não se atrevia a falar a não ser que falassem com ele, aprendera logo de inicio que audácia custava caro. Ultimamente tudo estava bem silencioso, desde a sua ultima conversa com Beyond, ele aparentemente sumira. As mãos que cuidavam de si eram macias e pequenas, lembrava as mãos de Mello.

Mello, será que ele estava bem? Será que estava procurando por si?

O ruivo abriu um meio sorriso, mas que pergunta mais ridícula, é claro que o outro estava procurando por ele e mais, no momento poderia estar ali fora só esperando B passar para atirar até que desfigurasse seu corpo.

- Que saudades... _murmurou.

Ouviu passos largos indo á direção oposta, a porta fora aberta e depois fechada com um pequeno “clic” e novamente mais passos dentro do cômodo, o ruivo fingiu ainda estar dormindo – era melhor do que encarar mais algum estupro ou violência logo de cara, como de costume quando demonstrava sinal de vida. A pessoa acariciou os fios maltratados de sua cabeça e em seguida puxou a venda dos olhos para baixo, pode abri-los de imediato logo que o cômodo estava na completa escuridão.

- Como se sente?

- ... _piscou varias vezes até que finalmente se acostumou a ficar com os olhos descobertos, um pouco atordoado, olhou rapidamente para o local onde estava antes de se virar a pessoa ao seu lado.

No quarto havia apenas uma cama e um espelho na parede oposta, não pode ver se tinha cores ou outros objetos menores pela falta de luz. O homem ao seu lado era estranhamente parecido com L, não pode deixar de sentir um arrepio pelo tal fato, a única diferença era seus olhos carmesins e o olhar extremamente frio.

- Então? _insistiu na pergunta, agora alguns centímetros mais perto.

- ...bem eu acho _respondeu calmamente, seus olhos estavam pesando de sono e a falta de comida adequada fazia seu corpo fraco.

- Você pensou sobre o que eu perguntei, Mail? _abriu um sorriso macabro levando os dedos ao rosto de Matt, as mãos que sentira mais cedo eram de BB com certeza. Seus dedos finos e macios eram como os daquela hora, mas a característica mais marcante era a pele fria, anormal para qualquer pessoa.

- Eu... não sei como posso fazer isso _balançou a cabeça num gesto negativo, rezando para não levar alguma surra. Não era moleque, aguentava qualquer violência física numa boa, mas depois de dias sofrendo abusos de todos os tipos, nem mesmo seu corpo bem preparado aguentava mais.

- Essa é a sua lição, se não cumpri-la pode ser nunca saia daqui para descobrir o que aconteceu ao Mello _disse com uma voz amena, como se fosse doces palavras.

- ...o que... fez com ele? _mordeu os lábios.

Na noite do sequestro, o ruivo vira Mello ser acertado na cabeça por um dos capangas B e sem seguida desmaiou. Era fato que o mesmo não ficara sabendo do desfecho, apenas tinha uma leve noção que o loiro não estava no mesmo lugar que ele – se não já teria ouvido pelo menos sua voz. Desesperado, ficou dias a fio gritando querendo respostas, mas os castigos violentos o fizeram se calar guardando toda a angustia em seu peito e implorando por um milagre.

- Onde ele está, me diga B, por favor... _suplicou, as lágrimas corriqueiras escorreram bochecha abaixo.

- Oh, e como eu poderia saber? _deu os ombros _não o trouxe comigo.

Beyond abriu mais um de seus sorrisos sádicos ao ver a expressão de espanto do ruivo, sendo B a pessoa em questão, isso podia significar duas coisas: ou Mello estava morto ou tinha sido poupado do sequestro.

- ...o que isso quer dizer? _perguntou se fôlego.

- Você tem dois dias para planejar o assassinato.

- BEYOND! _gritou desesperado, a dúvida que o moreno tinha deixado no ar o corroeu rapidamente.

- Seja bonzinho Mail.

Com uma força descomunal, Beyond prensou Matt na cama subindo em cima de seu corpo e agarrou o pescoço fino com uma das mãos. Atado, o ruivo nada pode fazer a não choramingar de dor pelo peso e pelas feridas que se abriram. O moreno deu um beijo forçado em sua vitima ganhado um corte no lábio inferior, não ligou, muito pelo contrário, parecia apreciar o gosto do sangue que escorria da ferida. Audacioso, arrancou a única peça de roupa que ainda se fazia presente no corpo do ruivo; a calça de moletom azul fora arremessada para o outro lado do quarto.

- Ah Matt... sempre depois de um tempo, as vitimas acabam perdendo o tato e o prazer já não corre mais por todo o corpo _acariciou os pescoço alvo abaixo de si contando mentalmente o número de roxos ali presente _a ereção falha, os gemidos morrem na garganta... isso é realmente triste, é nessa hora que eu me canso.

Deu um longo suspiro deixando seu corpo cansado cair ao lado do outro, fitou o teto branco por um momento perdidos nas palavras que diria a seguir.

- Mas agora me diga, por que? Por que você e Mello nunca deixaram de sentir tal desejo?

Outra vez aquelas perguntas sem sentido, toda vez que se via obrigado a respondê-las sentia seu estomago revirar – a ideia de ter alguém tão incapaz de sentir emoções primárias ainda lhe era absurda. Indo mais além, isso poderia significar que B.B então não fosse de todo mal, trazendo uma confusão em seu psicológico que o deixava exausto; aquilo beirava a loucura isso se já não estivesse perdido nela.

- Eu não posso te explicar como sentir amor, isso é impossível... _respondeu por fim, derrotado.

- Está mentindo! Como pode sentir ódio, amor, medo se é incapaz de explicá-las!

- ...veja... Beyond _fechou os olhos automaticamente, sua cabeça estava zonza _eu senti ódio por você quando cheguei, pois você soube demonstrar tal sentimento. Entende? Quando algo acontece de uma pessoa para outra, isso se torna recíproco... isso só não acontece com seres humanos, como também com os animais.

- Demonstrar? Então por que não sentiu prazer como eu quando separei você do Mihael? Eu não entendo, continuo sem entender, continuo perdido... ei, Mail, acorde, Mail?

O ruivo esboçou um pequeno sorriso antes de perder a consciência novamente, talvez estivesse pensando em Mello, ou talvez estivesse mais uma vez com pena de Beyond; o moreno nunca tivera certeza do motivo daquele repuxar de lábios.

Horas mais tarde Matt voltou a abrir os olhos, para sua infelicidade estava de volta naquele pesadelo sem fim. A venda retirada mais cedo estava esquecida no chão e pela primeira vez viu seus pulsos e tornozelos livres, sentiu seu coração dar um pequeno pulo, era sua chance de fugir.

Levantou da cama apressado, estava nu então teria que encontrar pelo menos algum tecido para se cobrir em primeiro lugar. Atravessou o cômodo encontrando sua calça de moletom – respirou aliviado – alcançou a maçaneta da porta, a angustia crescendo em seu peito, antes de partir tinha que ter certeza que Mello não estava preso em algum lugar. Assim que alcançou o corredor o moreno de olhos vermelhos se posicionou a sua frente, imediatamente Matt ficou em posição de luta, era tudo ou nada.

- Acalme-se, eu te soltei para que não definhasse naquele lugar escuro, mas isso não significa que conseguirá escapar daqui.

- Cala a boca, vou te arrebentar aqui mesmo!

Beyond deixou expostos seus dentes brancos, os caninos mais afiados do que o normal davam um ar ainda mais assustador. Com maestria, o moreno prensou o outro contra a parede ao seu lado prendendo os pulsos acima da cabeça e encaixando suas pernas entre as de Matt; o ruivo ficou sem ação.

- Não seja teimoso, honey _com a mão livre apertou a traqueia de Matt parando sua respiração momentaneamente _assim como você se sente bem beijando o Mello, eu me sinto bem tirando o ar das pessoas.

- ...pare... _não emitiu som, apenas gesticulou com os lábios a súplica.

- Ótimo _soltou a garganta agora com marcas de seus dedos e estalou um beijo nos lábios vermelhos _Ah Mail... eu queria tanto entender o mundo.

Os olhos antes carmesins, agora estavam num preto opaco, as mudanças de humor do vilão eram constantes o que deixava tudo ainda mais perigoso. Ele era frio, ameaçador, o prazer do sofrimento alheio era vívido em seu olhar e de repente, sua respiração acalmava, uma tristeza sem fim parecia tomar conta de si o puxando para o abismo, os olhos ficavam negros como a noite escondendo o tom avermelhado. Era nessa hora que Matt ficava confuso, a raiva lhe escapava do coração dando lugar ao sentimento de pena; as perguntas inocentes de B.B o faziam parecer um ser livre das malicias humanos, pensava como seria se o moreno, no lugar das torturas, desse carinho e no lugar de perguntar o que era amor, perguntasse o que era ódio. Poderia ele mudar aquela pequena criatura nascida com defeito? Poderia ele já ter sido diferente?

- Você nunca conheceu o amor, não é mesmo? Ninguém nunca demonstrou isso á você... tem razão, B... é difícil entender todas as coisas do mundo.

- Por que existem pessoas que, mesmo não tendo feito nada, te olham superiores? Ameaçam sua existência apenas pela aproximação.

- Isso... hum... elas têm medo ou as vezes é algo chamado prepotência, arrogância, egoísmo. Existem várias definições.

- Seriam nossos pais egoístas? _devolveu agora com uma pergunta que fez o ruivo baixar a cabeça.

- Eu não sei, os pais não pensam todos iguais _um sorriso sínico desenhou em seus lábios finos _mas dizem por ai que todos eles amam por igual seus filhos.

- De novo isso... _estalou a língua _então nos abandonaram por que nos amavam?

- ...ah... não, sempre tem um conjunto de fatores...

- Se não for a morte, então existe outras coisas mais fortes do que “amar”, isso não parece válido quando via vocês juntos.

Matt olhou para o final do corredor distraído, era verdade, o amor era seu laço mais forte e por isso mesmo ainda resistia naquela prisão. Pelo amor, poderia proteger Mello de uma bala, poderia achar a cura para uma doença rara, poderia até aprender a voar se fosse necessário. Então, então... como explicar ao moreno que esse sentimento tão importante era dito pelas pessoas de uma forma tão banal durante a vida? Tantos casais que dizem “eu te amo” para semanas depois estarem se odiando ou pior, indiferentes um com o outro. E seus pais, como explicar que talvez tivessem os abandonado por colocar as dificuldades acima do que chamam ser amor, desse jeito ele jamais entenderia o mundo. Jamais.

- Eu posso... te mostrar...

A frase morreu sem sua conclusão, o ruivo caiu no chão com um baque fazendo o barulho ecoar pelo lugar vazio.

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Mello sentou no beiral da janela, como de costume, abriu a barra de chocolate ao leite e suspirou, o sol se pondo era o espetáculo natural que mais amava na vida. Poderia ficar horas a fio ali sentado, apenas respirando as maravilhas da natureza, e logo o sono forçou suas pálpebras se fecharem; divagou em campos verdejantes e chegou a alcançar as nuvens com as pontas dos dedos.

Matt entrou no quarto cauteloso, não queria dar um susto no loiro, ao vê-lo adormecido abriu um singelo sorriso. Quando seu amado se daria conta de que ele era tão belo quanto o sol que tanto amava? As imagens se fundiam dando a impressão de um belo anjo na sua mais profunda paz. O ruivo alcançou o violão encostado na parede atrás de si e tocou uma melodia simples e lenta, pode ver um sorriso esboçar nos lábios finos do outro.

Olhando para o céu

Para não derramar lágrimas

Lembro, em um dia de primavera

Numa noite solitária...

Olhando para o céu

Contando as estrelas brilhantes

Lembro, em um dia de primavera

Numa noite solitária...

A felicidade está em cima das nuvens

A felicidade está em cima do céu...

Mello acompanhou o outro na música com sua voz um tom mais baixo, para não atrapalhar a melodia. A voz macia de Matt o fazia querer ouvi-lo cantar para sempre.

Olhando para o céu

Para não derramar lágrimas

Chorando, eu caminho

Numa noite solitária...

Lembro, em um dia de outono

Numa noite solitária...

A tristeza fica na sombra das estrelas

A tristeza fica na sombra da lua...

- Essa música é muito triste... _comentou em meio aos acordes _mas ao mesmo tempo eu amo a melodia.

Agora sorrindo, Matt assoviou o finalzinho tão conhecido, fechou os olhos numa expressão calma e divertida.

- Eu te amo... _declarou Mello apenas com um mexer de lábios, quando seu amado finalmente repousou o vilão ao seu lado, o abraçou estalando um beijo em sua bochecha fria _fazia tempo que não cantava.

- Sempre que você se sentir sozinho, erga a cabeça para o céu e impeça as lágrimas, pois eu estarei pensando em você... sempre e sempre.

...

- Sempre e sempre, meu amor... _repetiu as palavras de Matt, e então impediu as lágrimas teimosas fechando os olhos com bastante força, para em seguida levantar a cabeça e adentrar ao pequeno apartamento que um dia chamou de “lar”.

As coisas pareciam ter parado no tempo, a manta jogada no chão, o vidro quebrado na cozinha, sua cama ainda por fazer. Tudo que antes era tão organizado e cheio de vida, agora abandonado; podia até mesmo ver Matt com suas roupas largas e a faixa prendendo os cabelos, pronto para tirar a camada espessa de pó que tinha acumulado sobre os móveis lustrosos.

- Em breve _murmurou antes de pegar alguns pertences na gaveta do quarto e sair para o encontro de Light e L.

Em sua mão: um molho de chaves, um maço de cigarros, o capacete e sua inseparável Glock preta.

- Isso é tudo? _L o mirou com curiosidade _vai precisar de um isqueiro também.

- Não tem problema, o Matt sempre anda com um no bolso.

Ambos abriram um sorriso, satisfeitos, Mello subiu em sua moto e partiu a frente da Ferrari preta de Light.

Em algumas horas chegariam até o local onde Matt estava sendo preso, ainda era desconhecido parte do sistema de defesas, mas pelo que parecia tudo estava livre – apenas com algumas câmeras e uma ou duas pessoas ajudando na entrega de alimentos e armamentos. O trio até abriu uma garrafa de vinho esquecida no fundo do armário quando viram que não seria complicado entrar no “ninho” como denominara Light. Por hora se abasteciam de armamento e L preparava seu psicológico, falar com B não era simples – tinha que entrar na mente de um psicopata.

Notas finais
- Música: Ue o muite arukou - Kyu Sakamoto (pensem numa música VELHA! Mas a letra é muito linda).
- Eu sempre imaginei o Matt fazendo várias coisas... cantando, tocando violão, pintando, desenhando o amo muito escrever cenas do tipo. Coisas que somente o Mello tem o prazer de estar perto!
- bjOOs ;** amo todos vcs ~