Akai
5 Capítulo 4: Rose of Pain
Notas iniciais
- As cenas de sexo não ficarão mais quentes do que as já descritas aqui, não é a minha praia escrever coisas tão explícitas.
- Tem alguma criança gritando como se fosse a própria morte chegando aqui perto, socorro! o.o
“Não caminharei a sua frente para te proteger, nem a suas costas para te seguir, mas sim ao seu lado, pois acredito que apenas juntos chegaremos até o fim. Estendo para ti a minha mão agora, você irá segurá-la para sempre?”
O assunto sobre o estranho comportamento de Mello naquele apagão não fora mais discutido, o loiro em particular ficou aliviado por não ser bombardeado de perguntas, tudo tinha sido apenas uma coisa de sua cabeça e ponto final. Mesmo assim a figura de Beyond ainda estava muito presente, era fato que realmente nunca presenciara os crimes e nem ao menos tinha um envolvimento mesmo que indireto, mas uma única vez vira o rosto daquele que L chamava de irmão, e ao ir de encontro com os olhos num tom raro de vermelho, seu coração falhou várias batidas; medo, desespero, insegurança, tudo fora transmitido naqueles singelos 30 segundos.
Mello balançou a cabeça com força como se isso fosse levar para longe aquelas memórias que vieram na calada da noite sem aviso. Voltou a deitar abraçando Matt, esperava ter algum sonho bom depois daquele terrível pesadelo.
O relógio digital estava marcando exatos 2 horas e 37 minutos, o luminoso azul claro estava disposto acima da cabeleira ruiva na cabeceira da cama e isso começou a incomodar o já desperto Mello – que após o pesadelo, não mais conseguiu dormir – levantou com cuidado para não acordar o companheiro e o cobriu gentilmente, apanhou o roupão azul marinho ao pé da cama e foi até a sala em meio ao escuro. Espiou a rua através das cortinas do cômodo, estava tudo extremamente vazio e silencioso – suspirou.
Insônia era algo realmente difícil de acontecer, o andar leve e despreocupado no meio da madrugada era uma cena rara no apartamento. Sem saber o que fazer numa situação assim, o loiro ficou a observar os retratos que Matt fez questão de colocar na estante de TV. O ruivo estava sorrindo na maioria delas, suas roupas também eram bem diferentes das usuais, a de smoking preto usado no casamento era de longe a mais elegante e sexy.
O loiro abriu um sorriso gentil ao se lembrar daquela tarde de outono, um pouco mais quente do que o normal para aquela estação, proporcionando assim um clima agradável combinando perfeitamente com o esplendido céu azul tão raro na capital. A pequena cerimônia fora realizada num clube, presente do Sr Roger que tinha tanto carinho com seus alunos – ex alunos na verdade, pois já não mais moravam no orfanato. A decoração em vinho, branca e dourada encheu os olhos dos convidados, até mesmo Near teve que admitir ciúmes de uma festa tão luxuosa, apesar de pequena; os noivos no altar pareciam uma pintura renascentista, impecáveis, imponentes e o mais importante, eternamente apaixonados.
- Não consegue dormir amor? _apenar de suave, a voz repentina fez Mello dar um leve sobressalto.
- É... perdi o sono _devolveu o porta retratos no lugar e abraçou o ruivo _e você?
- Senti sua falta _riu _sabe... de algo me cutucando atrás.
Ambos riram, o loiro sentiu suas bochechas afoguearem, era verdade que sempre se excitava ao ficar perto do esposo numa forma tão intima mesmo depois de todos aqueles anos juntos.
- Estava lembrando o nosso casamento.
- Você ficou tão lindo de cabelos presos e smoking _mordeu o lábio inferior inconscientemente.
- Digo o mesmo pra você.
- Nossa lua de mel no Japão foi a viajem mais perfeita! Acho que realmente poderíamos visitar L e Light algum dia desses _a animação em sua voz era evidente.
- Sim, além de comprar mais e mais jogos para seu vicio _afirmou ganhando um riso contido do outro.
- Quer um chá? Se não descansar bem amanhã vai ficar exausto para trabalhar _deu um bocejo.
- Como poderia uma pessoa como eu viver sem ti? A imagem de seu sorriso pela manhã, o toque de seus lábios sobre os meus, o calor do seu corpo, paz, proteção, felicidade. Eu te amo, Mail.
- ... _foi envolto por um abraço leve, escondeu seu rosto no peitoral do loiro um pouco envergonhado pelas palavras tão afetuosas _eu também te amo.
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O sol acariciava os cabelos claros de Mello os fazendo brilhar, adormecido, seu rosto transmitia paz podendo ser confundido facilmente com um anjo.
14 de fevereiro
O aroma doce do chocolate que estava sendo derretido na cozinha por Matt, fez o outro despertar quase que imediatamente, sorrateiro olhou pelo vão da porta encostada tentando saber o que de bom estava por vir.
- Pode sair daí Mels, eu já te vi _o ruivo riu enquanto mexia uma pequena panela no fogão _vá se trocar para ir trabalhar, eu vou com você para passar no centro.
- Posso entrar?
- Não, anda vai logo _fingiu estar bravo e fechou a porta girando a pequena chave _isso é SURPRESA!
- CHATO!!! _lançou um dedo do meio mesmo que o outro não fosse realmente vê-lo, rumou para o banheiro ainda mordido de curiosidade.
Mello tinha mais um encontro com os traficantes – nada fora da sua rotina – e, apesar de detestar sair de casa, o ruivo tinha que passar no mercado e em algumas outras lojas, afinal alguém tinha que fazer a compra do mês se não quisessem morrer de fome. Ao mesmo tempo em que pareciam ser legais e descolados, também faziam o serviço doméstico, um tanto quanto contraditório e cômico.
O supermercado, correção, o hipersupermegamercado como Mello falava, estava fazendo o ruivo tremer dos pés á cabeça – por que diabos eles ligavam o ar condicionado se estavam em Londres?! – percorreu rapidamente a sessão de congelados pegando alguma lasanha e torta e logo desapareceu entre outros corredores visando agora chocolates. Amargo, meio amargo, ao leite, teria meio ao leite também? Ultimamente estava tentando novos sabores para agradar o companheiro, mas nada parecia ser algo “novo” pra ele e o pior, devorava todos com a mesma vontade.
- Droga, assim o Valentine’s Day fica sem graça _fez um bico, esse ano faria algo em casa.
Pegou um confeito colorido para fazer alguma decoração, era só o que faltava para o doce que estava sendo esfriado nas forminhas em casa. Já ia se dirigindo para o caixa quando viu verduras e legumes, suspirou, eles não podiam viver só de coisas gordurosas, não é? Assim ele deu meia volta e começou sua busca por tomates entre outras coisas.
- Mello com a barriga saliente não seria nada sexy... ah, acho que isso se aplica a mim também _fez um bico pegando agora maçãs e uva.
As negociações ainda seguiriam até a noite, Jôjo estava presente e se tudo desse certo, Mello estaria a um passo de matar aquele infeliz e tomar posse dos negócios – sucesso de vendas, frase que Matt pegara mania e usava para tudo. Diante disso, o ruivo fora para casa de taxi e já de volta na cozinha, terminava os chocolates em forma de coração escrevendo MxM em cada um. Não fora uma tarefa muito fácil no começo, mas agora no quinto já pegara o jeito e arriscou até uma carinha.
- Pronto! Estão lindos e deliciosos, né Sr Patas?!
Deixando metade de louça suja dentro da pia – e a outra metade já limpa no escorredor – alimentou o cão e correu para um banho, tinha chocolates até nos cabelos. Bom, talvez não fosse má ideia que o Mello tirasse todo ele espalhado pelo corpo...
- FOCO _saiu do devaneio já meio excitado, a crença que chocolate aumentava a libido estava se provando verdadeira.
Riu de si mesmo, era incrível que mesmo depois de todos esses anos juntos, a vontade de transar a todo o momento, em todos os lugares e todos os jeitos não tinha diminuído nenhum pouquinho; isso desbancava qualquer estudo sobre casamentos. Só de imaginar ou lembrar, um pouco que fosse, de Mello com toda aquela sede de prazer, fazia seu corpo reagir da melhor forma possível. Nunca fora tarefa fácil resistir ao toque de seus lábios, as palavras sem pudor ao pé do ouvido, seus dedos ágeis percorrendo os lugares mais sensíveis; era sempre assim, mesmo que estivessem atrasados para algum compromisso ou em algum lugar indevido, se começassem com o jogo de sedução, parar era praticamente impossível.
Mais uma vez nos devaneios, sentiu a calça ficar apertada e soltou o botão do jeans necessitando de alivio. Não hesitou ao levar as mãos aos lugares onde mais lhe davam prazer, seus joelhos ameaçaram ceder aos primeiros toques então se recostou na parede.
- Mello... _arfou
Não conteve o primeiro gemido, nem o segundo, nem o terceiro, logo eles ficaram constantes e preencheram o cômodo. Decidido a gozar sem perder a concentração, imaginou mais algumas cenas do loiro que mais gostava e logo ficou impossível simplesmente parar naquele ponto, por isso, quando viu a sombra de Mello passando pela porta, ignorou, ou melhor, fez um pedido mudo com os olhos para que ele viesse rápido ao seu encontro.
Mello jamais imaginou chegar em casa e dar de cara com Matt naquela deliciosa situação diga-se de passagem, seus orbes claros arregalaram e sem que pudesse controlar, sentiu a ereção crescer levando sua mão quase que inconscientemente e começando a ele mesmo massagea-la. Os olhos verdes cheios de luxuria o atraiu como imã, não era preciso ser dito palavra alguma, apenas foi com gula ao membro já pulsante do outro o engolindo por inteiro.
- Senta aqui Mello, rápido... _segurou a cintura fina com força, mas o outro resistiu.
- Acho que está na hora de te castigar por ter me deixado assim sem aviso... _abriu um sorriso malicioso e praticamente arrancou a calça junto da boxer azul de Matt.
O mais novo ofegou diante ao ato atrevido do amante, sabia que tinha o provocado num outro nível dessa vez.
- Mels... _suplicou, não para parar ou ser delicado, mas sim para fazer o que ele fazia de melhor.
Os olhos tomaram um tom de azul mais escuro, ele pegou o ruivo sem cuidado algum e o fez sentar em seu colo de costas para si, não pode deixar de cravar suas unhas na pele macia antes de perder totalmente o controle dos seus pensamentos.
Levei um tiro no coração e você é a culpada
Querida,você deu ao amor, má fama
Como um tiro no coração
E você é a culpada
Você dá má fama ao amor
Eu faço a minha parte e você faz seus jogos
Você dá má fama ao amor
Você dá má fama ao amor
Matt cantarolou parte de uma musica antiga que tocava no radio – You give Love a bad name de Bon Jovi – o loiro sorriu ainda agarrado a sua cintura.
- Mels, vou pegar sua surpresa, espera aqui _bateu as cinzas do cigarro num cinzeiro improvisado ao lado do sofá e se levantou, pode sentir olhos curiosos o seguindo até a cozinha.
O loiro procurou o controle da TV e deitou no sofá, preguiçoso, nem tivera tempo de contar como fora as negociações, mas deu os ombros, falaria disso mais tarde. Assim que finalmente encontrou o que procurava, voltou a se aconchegar debaixo da coberta – que sempre estava lá jogada – mas assim que se cobriu, sentiu um arrepio sinistro como se alguém estivesse atrás de si com os olhos em sua nuca. Antes que conseguisse se virar, sentiu uma forte pancada na cabeça, sua vista ficou turva, ouviu ao longe o grito de Matt, desesperado, mas sua consciência fora tomada de si em seguida.
Como um tiro no coração
E você é a culpada
Você dá má fama ao amor
Eu faço a minha parte e você faz seus jogos
Você dá má fama ao amor
Você dá má fama ao amor
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