Akai
16 Capítulo 15: Color of insanity
Notas iniciais
- Especial de Halloween, quem sabe não?! Ainda tenho 5 dias XD se der tempo vamos ter mais um pouco de Beyond nas nossas vidas.
- Se o Mello desistiu de lutar contra o kira, então qual a razão de tanto sofrer sozinho naquele orfanato? Rezando dia e noite para que ele voltasse vivo... no que eu acreditei esse tempo todo?... do que adiantou minhas lágrimas quando fui abusado no seu cárcere, pensando naquela promessa que fizemos, se ele mesmo já a tinha quebrado inúmeras vezes?
- Se você deseja a perfeição, viva por si mesmo, Jeevas _B. deitou no gramado gelado e passou os braços atrás da cabeça _se bem que, mesmo vivendo assim, você acaba entrando em cada situação... _revirou os olhos pensando novamente na situação que o próprio se encontrava.
- ...Beyond, em que você acredita? Todos deveram acreditar em alguma coisa para viver, não?
- Hum _pensou por um momento _acredito apenas em mim, você já entendeu por que estou aqui?
- ...para ver o L? _respondeu com outra pergunta, se sentindo um tolo por sua simplicidade.
- Eu não poderia vê-lo quando bem entendesse? _riu
- Ei, isso não é o assunto que eu quero tratar agora! _mesmo assim ele riu e o cutucou, curioso para saber a resposta.
- Acredito que estar aqui não é errado, é apenas... diferente _completou fazendo um gesto com as mãos _coisas que nunca fiz na vida, entende. Bom, e é isso _cortou a conversa fazendo Matt soltar um suspiro de desanimo _você acredita no Mihael, sempre acreditou.
O ruivo olhou para o céu a procura da lua, mas as nuvens de chuva ainda estavam firmes ameaçando uma nova leva de água. B. levantou da grama molhada – o que não fazia grande diferença, já que tinham saído na chuva momento antes – e tirou a camiseta torcendo-a.
- Se perder isso, vai se tornar nada neste mundo. Mail, você foi a única vítima que não se deixou levar por mim, pensando por si mesmo, pois a coisa no qual acredita se tornou mais forte do que Beyond Birthday.
- ... _deixou escapar um risinho que foi abafado pelas mãos _nos tornamos amigos.
- Ah não, eu preciso te matar logo _enrolou a camiseta e bateu no topo da cabeça desse.
- Estou recebendo conselho do assassino em série numero um! E não é para matar ninguém!! _exclamou, agora dando gargalhadas.
- Oh... _abriu um sorriso maldoso e chegou perto do outro _não vejo o porquê de tanta felicidade.
- Como assim? _agora com o rosto mais leve, encarou o moreno.
- O que acontece com os seres humanos, quando suas crenças se tornam mentiras?
- ...não entendi
- Você passa a procurar outro Deus, alguém mais confiável que não vá trair seus sentimentos. Alguém que você possa entregar sua mente e seu corpo sem medo de cair novamente.
- Mas você acabou de... falar para eu não desistir...
- Não, eu não disse _seu sorriso agora mostrava todos seus dentes brancos _disse que você não pode deixar de acreditar, seja no que for.
Beyond se aproximou de Matt, como em câmera lenta, e colou seus lábios ao dele. Não era forçado, porém, também não era esperado e por longos segundos os homens ficaram de olhos fechados, com a mente vazia. O moreno tentou pedir passagem com a língua e assim que começou a ser correspondido, interrompeu o beijo.
O ruivo engoliu seco ao finalmente perceber a gravidade de seus atos, se levantou rapidamente dando passos para trás, desacreditado. Era necessário dizer algo, aquilo fora um erro, mas ele ficou apenas paralisado observando B. dar as costas e caminhar de volta para a entrada da mansão.
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Quando finalmente todos desceram para a sala de estar, o enorme relógio de ouro que enfeitava o hall de entrada já marcava duas horas da manhã. Near, porém, não parecia se importar com o horário e o mesmo fizeram suas visitas.
O silencio já tão conhecido pelo pequeno, era quebrado apenas pela chuva de granizo que batia insistente nas janelas do cômodo; não era de esperar outra coisa diante aquela situação inusitada.
- B., Near e eu temos o poder de decisão, em questão de hierarquia, mais alto. Nenhum governo contesta o que dizemos e se contestarem, podemos fazê-lo mudarem de ideia obviamente_ disse L alcançando uma bala de alcaçuz sobre a mesa de centro _terá que nos responder apropriadamente se quiser continuar a viver livre... hum, livre é muito, continuar a viver é o bastante.
- Você nunca me quis morto _disse B. com firmeza, em seus lábios um sorriso prepotente.
Realmente o detetive não tinha o que argumentar, voltou sua atenção ao prato de doces e pensou sobre o que dizer; gastara seu tempo livre com o esposo e não teve tempo de refletir sobre a reunião, oras, Light o tratou com tanto carinho que foi impossível dizer não a hora extra de sexo. Mas esse era o menor dos problemas, de qualquer forma, conversar com Beyond Birthday sempre será uma surpresa, independente dos planos.
- Estou sob a custódia de vocês _disse divertido_ a pergunta é: o que farão comigo agora?
- Está sendo divertido ser preso? Achei que até mesmo um homem como você, entendia o sentido de liberdade _Near perguntou sem prestar real atenção nos olhos escarlates virados para ele.
- ... não seja tão ingênuo garotinho _o tom de raiva transpassou sua voz por um momento, mas logo voltou a sua expressão leve.
- B... você prometeu _disse Matt numa súplica ao ver o clima começar a mudar.
O moreno mais velho fechou os olhos e sorriu, ele concordou com um aceno e segurou as mãos de Matt.
- Sim, eu pro-me-ti _a indireta, que somente o ruivo percebeu, atingiu Mello que estava sentado na ponta do sofá. O loiro se fez de desentendido, mas lá no fundo teve vontade de soca-lo apesar de não saber se realmente aquilo fora para ele, afinal Beyond não sabia de sua confissão... não é?
- A questão é: Mello e eu podemos voltar ao apartamento? A situação mudou tanto de rumo que já nem sei mais o que faz e o que não faz parte da nossa vida.
- Bom... acho que vocês devem voltar _Light se pronunciou ganhando pontos com o loiro pela primeira vez na vida.
- Não, não podem _Beyond riu mostrando todos seus dentes, obviamente recebeu olhares de censura dos presentes, mas não se importou _eu quero que o Jeevas fique, quero que todos fiquem! Vamos viver dias de insanidade, como vocês dizem!
I'd fuck you because you are famous
I'd fuck you for your money
I'd fuck you to control you
I'd fuck you so someday I can have half of everything you own
I'd fuck you to fuck you over
I'd fuck you until I find someone better
Then fuck you in secret
I'd fuck you because I can't remember if I'd already fucked youbefore
Beyond exibia um brilho de ansiedade nos olhos, mais do que isso, chegava a ser talvez a própria insanidade. Os meninos se remexeram desconfortáveis em seus lugares, querendo que a reunião de repente tivesse um fim, até agora não tinham visto ao vivo o moreno agir daquela forma; sabiam apenas por relatos.
- Tem espaço para todos vocês, meus amados amigos _disse sínico _no mundo de Beyond Birthday todos são bem vindos! Iremos comemorar com o sangue de crianças inocentes, foder as virgens de nobres famílias e colocar a cabeça do papa numa bandeja de prata. Quem nunca difamou? Afinal, desejar acabar com a vida de alguém já se torna pecado.
I'd fuck you out of boredom
I'd fuck you because I can't feel anything anyways
I'd fuck you to make the pain go away
- Meu querido irmão, quantas vezes já desejou destruir alguém? Bom ou mal... correto ou errado, ele ainda era um ser humano, sabia? E ah... Mello, você sabe que matar, na verdade, não é ruim; você quis me matar, você ama o cheiro de sangue.
E quanto mais B. falava, o silencio aumentava entre os presentes, nem mesmo a respiração pesada era ouvida. O loiro levou as mãos á boca, tinha se esquecido do quanto Beyond sabia sobre eles, era verdade que o cheiro do sangue fresco despertava seus sentidos, além disso, nunca hesitara em matar nenhum dos seus inimigos – até onde eles eram diferentes agora?
Fuck you because I loved you
Fuck you for loving it, too
I don't need a reason to hate you the way I do
- Vamos ser obsenos, por que tudo o que é errado, nos chama atenção... me deixe beijar seus pés e depois te chupar bem gostoso. Não existe a justiça dentro da própria mente, é o seu momento de liberdade e eu sou a liberdade... você me inveja.
- Já chega! _Light se levantou, atordoado _vamos te manter na cadeia, é o mais certo á fazer.
- Dou os cinco dedos da minha mão se conseguir convencer L e Near... eles me querem, eles me desejam por que nunca tiveram asas e comigo, eles podem voar com essas asas emprestadas.
- Isso não é verdade, L! Me deixe levá-lo sob custódia agora... Lawliet!
Light não conseguiu sua resposta, o desespero tomou conta de si se vendo momentaneamente perdido.
- Beyond, onde quer chegar? _o albino perguntou sem emoções, brincando com uma pequena mecha de cabelo como de costume.
- Achei que... vocês é que tivessem um objetivo.
I'd fuck you so I could feel something instead of nothing atall
- …ah... _de repente o moreno parou de caminhar pela sala e mirou o rosto de cada um, encontrou um misto de nojo e raiva, mas particularmente em L, viu o desprezo. De alguma forma isso o fez relembrar deles quando pequenos, ainda no orfanato _não me olhe desse jeito! Eu nunca fiz nada para me rejeitar assim!! Lawli!
Choramingou como uma criança, dando a volta no sofá e se escondendo atrás do mesmo.
- Mas que diabos...? _Mello exclamou olhando atrás do móvel onde estava sentado.
- Eu prometo que não faço mais isso, eu prometo _disse o moreno para o nada.
L se levantou, meio confuso, na verdade estava tendo um dejavu; quando era criança fora sim levado ao Wammy junto de seu irmão mais velho, se interessou pelos livros e ficava muito tempo com Watari – se lembrava disso – não tinha lembranças de Beyond, isso também era de sua consciência, então por que agora estava tendo aquela sensação de nostalgia?
....
O pequeno correu para dentro do orfanato com pressa, em suas mãos, muito sangue; ele precisava lavar por que estava cheirando forte e aquilo o enjoava. Passou correndo pelos corredores e alcançou o quarto, quando finalmente estava chegando ao banheiro, seu irmão mais novo apareceu e olhou para ele.
Era a primeira vez que Lawliet via sangue naquelas proporções, mas ao invés de ficar assustado, sentiu desprezo pelo mais velho.
- Quem você machucou?
- Eu matei.
Beyond abriu um sorriso tímido, sem entender o porquê da expressão fechada do outro; o que ele tinha feito de errado afinal? Sem respostas, fora deixado sozinho pelo outro que agora passava sem pressa pela porta de entrada do quarto.
...
- Watari... eu estava lá quando ele matou pela primeira vez, não estava? _perguntou sem rodeios, agora com aquela memória em mente.
- ... _apenas concordou com um aceno.
Naquele momento L percebeu que, se tivesse dado atenção á confusão do irmão, talvez ele não tivesse se tornado o que era hoje. Seu olhar de desprezo tinha despertado nele o medo e a curiosidade sobre o que tinha feito... e sem ajuda, continuou seguindo seus instintos.
Apagou totalmente seu irmão de sua mente depois do incidente, tudo se encaixava agora, sozinho, Beyond deve ter sofrido amargamente por não conseguir entender a justiça de L.
- Outra vez essa sensação de que a minha justiça não vale de nada quando se trata de você... _foi até o outro e tocou em seu ombro _B., me desculpe.
O momento poderia ser tratado como um lindo encontro entre irmãos, como uma reconciliação depois de anos ou o perdão pela vida desmedida que levara o mais velho.
Mas Beyond não era um ser humano comum e não tinha razões para tal.
A risada incontida do psicopata soou no cômodo projetando-se pela casa com um eco. O detetive fora amparado por seu marido que o afastara do outro, até mesmo o apático Near se assustou com o ato desconexo de seu hóspede.
- Então é assim? _ele se virou para L estendendo a mão esquerda _de repente você me perdoa? Hum... mas eu não preciso disso agora, Lawli.
Light estreitou os olhos devido a raiva que sentia naquele exato momento, percebeu nos olhos de L uma tristeza profunda pelas palavras duras do outro; o moreno estava certamente muito arrependido de não ter ajudado o irmão quando mais novo e ser humilhado assim o machucou instantaneamente.
- Eu não sinto mais nada _seus lábios finos desenharam um sorriso maldoso.
- Não pareceu teatro sua cara de gatinho assustado _o albino alfinetou, levantando calmamente do seu lugar e caminhando até o sofá onde Beyond se esconderá segundos atrás _sua microexpressão facial mostrou que seu medo era bem real, ou eu estou errado?
- Não _disse com franqueza _senti o desprezo de L bem aqui _apontou para o seu peito _mas quando ele pediu desculpas, tudo foi embora e agora não sinto mais nada. Nem que gosto mais, nem que gosto menos. Nada. A partir do momento que você abaixou sua cabeça, ficou mais fraco.
- ...você é um insano _bradou Light _ não entende o nosso mundo, vá embora daqui sua aberração!
B.B. fez um reverencia, como um príncipe, e subiu as escadas de madeira sem bater os pés. Os amigos acompanharam com os olhos a movimentação do outro até que, pela falta de luz, ele sumisse nos degraus acima.
Light murmurou um palavrão antes de se jogar novamente no sofá, aqueles poucos minutos o deixaram exausto. A reunião infrutífera não agradara ninguém, muito pelo contrário, os ocupantes agora pareciam mais nervosos do que antes.
- Muito bem, fiquem o quanto for preciso. Beyond só sairá daqui preso ou na minha companhia... _Near retomou a linha de raciocínio _eu não sairei daqui e ele não será preso _concluiu.
- Espera que fiquemos aqui por quanto tempo mais?! Não quero estar a mercê de um insano, tenho uma vida! _Mello se exaltou, sendo puxado novamente para o sofá pelo ruivo.
- Nós ficaremos, é perigoso deixar Near sozinho por enquanto. Temos que ver analisar com mais cuidado a personalidade dele _Matt interviu, indo de frente com as palavras do companheiro.
O silencio se refez, nenhuma vez em quase 25 anos, o ruivo tinha ido contra Mello com tanta certeza. Era quase tão espantoso quando as ações de beyond. O loiro o olhou de cima a baixo com os olhos arregalados, se fosse um pouco menos absurdo teria forças para reagir e socar o homem á sua frente; mas depois de tudo o que acabou desabafando horas antes não pode pensar rápido o suficiente para reagir.
O peso da culpa e seu mal estar para com o ruivo, fez Mihael balançar a cabeça minimamente em concordância antes de subir as escadas anunciando que iria dormir. Os outros, apesar de perceberem que algo estava errado, não quiseram tocar no assunto.
- Uma semana, se em uma semana não chegarmos numa solução, ele irá preso.
Light se pronunciou, ignorando os olhares de censura do trio. Engoliu seco antes de se retirar e por um momento sentiu medo que L não fosse lhe acompanhar, felizmente o moreno o seguiu depois de alguns segundos.
Assim, restou apenas Matt que estava sentado no sofá, com o olhar perdido na lareira. As chamas alaranjadas dançavam suaves hipnotizando o garoto, Near pode perceber algo de diferente na sua expressão e não era preciso seu conhecimento profissional de leitura corporal para ver que algo grande estava o atormentando.
- Parece que viu um passarinho azul _Matt mudou seu foco para Near, com um pequeno sobressalto.
- Ah... n... _ia mentir, mas sabia que seria em vão _é, talvez eu tenha visto. Um passarinho e um urubu _colocou os goggles no rosto para evitar outras leituras do albino.
Near pareceu entender o desconforto e desistiu de abordar o amigo, juntando toda a gentileza que existia dentro de si, murmurou “boa noite” e o deixou sozinho.
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Notas finais
- Obrigada ;**
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