Akademie Chasse

1 Arco zero - Capítulo 1: Memórias remotas


O caos refletia no céu, consumido pela imensidão púrpura, nas ruínas de um castelo, assemelhando-se a um deserto. O desespero era ilustrado por sangue, daqueles que partiram, ou dos que ainda agonizavam.

–- Ahhn… a-acabou…? — apoiada somente aos joelhos, o gosto de ferrugem parecia interromper a fala.

Lâminas largadas ao chão projetavam a imagem de rostos confusos, amedrontados, maltratados pelo vento, por noites em claro, pelas batalhas. Um emaranhado de cabelos chamuscantes parecia se desfazer ao vento, e em meio a um turbilhão de emoções, lágrimas — dissolvidas em tantos tons de vermelho — escorriam, revelando o mais puro e tímido dos sorrisos. Uma luz que pareceu tão distante por tanto tempo, enfim ali brilhava: esperança.

Finalmente, acabou.

Gradualmente, o sentimento contagiava os que respiravam — e quem sabe, talvez, as almas dos que partiram — e ainda que em grandes dificuldades, levantavam-se um a um. Sangue gotejava de todos, a dor — tanto física quanto psicológica — não cessava, no entanto o nascer do sol ofuscava tudo isso, de tal modo que nenhum tipo de feitiço curativo pudesse sequer comparar.

Na guerra, a vitória traz — ainda que momentaneamente — uma sensação que acalma. Diante de olhos que presenciaram das maiores barbárias — atos não só de inimigos como também os próprios — esse momento representava tudo o que mais se almejava: paz.

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As perdas eram um fato, e esse era o momento de luto. Não apenas isso, era tempo de continuar, de salvar aqueles em estado grave, de viver por aqueles que se sacrificaram. Passos quase que ritmados eram abafados sobre a areia. Choros, gemidos e sons de todos os tipos podiam ser ouvidos.

–- Passamos pelo pior, é hora de continuar, de viver. Tempos novos virão, e agora devemos construir essa nova era! — olhos carmesim chamuscavam determinação, lábios rachados impunhavam liderança e por fim, cortando os céus, a espada da líder dos cavaleiros vermelhos contagiava a todos com confiança, esperança e fé.