Aka 06

1 Ascenção de Catársis-01


" — Os Estados Unidos quer impor seu lugar. China e Japão foram longe demais nessa disputa, é nosso direito interferir para não ocorrer grandes baixas! Fique agora com nosso presidente, que neste momento promove nossa entrada na guerra, para nós cidadãos e nossos guerreiros.
— Presados cidadãos! Soldados! Todos já devem saber do conflito entre China e Japão. No entanto, não é mais uma sugestão de algo maior! Virou uma guerra. A qual é nosso dever interferir. Não peço que lutem para eles... Para que vejam seus erros a este ponto. Peço enfim que lutem por nós, para nós, para cada um daqueles que não podem lutar como nós; como vocês! Eu sei que podemos fazer isso. Vocês são os melhores soldados. Eu acredito em vocês... O PAÍS... ACREDITA EM VOCÊS!"

Ao ouvir tais palavras, um certo medo se instalou em meu peito. Certamente tal receio era refletido em meus olhos, o suficiente para que meu marido notasse.
— Kasillyn... — ele se virou completamente — Vai ficar tudo bem, querida — soltou um sorriso bobo — Confie no que eu digo.
— Eu quero tanto acreditar em você, Morgan — fui sincera não desviando meu olhar — Mas... É tão difícil, quando eu esperei tanto tempo para formar uma família com você, e agora... — passei minha mão levemente em meu ventre — E agora, eu só quero que nada aconteça, nem com você, comigo ou nosso bebê.
Eu ainda estava incerta, minha mente era um profundo vazio, até que ele me despertou com um beijo na testa.
— Vai ficar tudo bem — me confirmou estando ainda com os braços ao redor do meu corpo.
Ele voltou seu olhar ao meu, este brilhando, não sei se por emoção ou tristeza, mas era tão firme e me passava o que ele não disse em voz alta, pelo menos, não nesse momento.
— Eu também te amo — levei minhas mãos ao seu rosto — Eu posso... Posso acreditar em você.
Ele abaixou a cabeça abruptamente, passando uma de suas mãos em uma parte do rosto. Tão rapidamente quanto abaixou ele a levantou, me mostrando o sorriso em que tantas vezes contemplei. O que mudava? Esse sorriso era tão belo e puro, me deu a certeza de que tudo ficaria bem.
— Eu realmente te amo, sabia? — ele selou nossos lábios simplesmente.
— Mas enfim, mudando de assunto — suspirei me recompondo — Você tem falado com Elis e Valden?
— Sim. Aliás, eu estava pensando em convidar eles para o jantar algum dia.
— Seria ótimo!

***

— Está uma delícia Kasillyn! — Elis exclamou ao dar a primeira mordida.
— É claro — falei orgulhosamente — minha mulher é incrível.
— Assim eu fico com vergonha — ela falou colocando as mãos no rosto em um ato de vergonha.
Eu sempre admirei o fato de que Kasillyn, apesar de ser forte, ao meu ver, a melhor mulher do mundo, raro algo que não podia fazer, ainda assim, era humilde o suficiente para não menosprezar as outras pessoas, e mal sabia reagir a um elogio.

Eu realmente nunca vou amar alguém como eu amo ela.

— E então Morgan — Valden me tirou de meus pensamentos — está ansiosa pela vinda do bebê?
— Mais impossível! — Kasillyn respondeu no meu lugar — Até parece que é ele quem está grávido.
— Eu digo o mesmo — Elis soltou — Valden é igual.
Meu garfo parou a meio caminho da boca.
— O que quer dizer com isso? — Kasillyn perguntou no mesmo estado que eu.
— Não falamos? — Elis perguntou entrelaçando uma mão com a de Valden — Eu também estou grávida.
— Quantos meses?
Elis teve um sorriso brincalhão no rosto.
— Cinco meses — olhou para Valden que sorria maroto.
— Como assim?! — minha mulher ainda estava incrédula — a mais tempo que eu? Eu nunca soube.
— Ah Kas — suspirou ainda com um sorriso leve — Apenas dois meses a mais. E... Surpresa?
— Tudo bem — Kasillyn concordou — De qualquer maneira — ela se levantou e abraçou Elis — Parabéns — sorriu balançando ambas.
Notei Valden com olhos brilhantes olhando sua esposa, agora sozinha.
— Parabéns! — Falei apertando sua mão.
Após o jantar decidimos ligar a televisão e ter uma conversa, como a muito tempo não tivemos.
— Ele é o assassino! — Valden falou assistindo — Eu sabia!
Sua exclamação foi tão cômica que todos nós começamos a rir.
— Eu também... — Elis foi interrompida por, aparentemente, um curto circuito.
Isso quase nunca acontecia.

Estranho!

" — Interrompemos essa programação para dar um anúncio urgente."

Minha mulher aproximou seu corpo ao meu em um ato de segurança, peguei sua mão e apertei confortavelmente. Todos estamos confusos e ao mesmo tempo com um certo medo. Subconscientemente sabíamos sobre o que era.
— Estou com uma sensação ruim — Kasillyn me olhou assustada.

" — O país está em alerta! O Japão entrou em modo de ataque... Pedimos a toda população estadunidense que encontre uma base de refúgio mais próxima ou saiam imediatamente do país... Vocês tem menos... 14 horas..."

Elis se levantou com as mãos na cabeça e foi em direção a porta.
— Elis! — chamamos todos em uníssono nos levantando também.
— Não... — Ela parou se virando para o marido — Nós temos que ir embora! — pegou as mãos de Valden olhando desesperadamente em seus olhos.
— Morgan... — ouvi meu nome ser chamado, como se fosse longe, muito longe me chamavam — MORGAN!
— Kasillyn! — sussurrei olhando atordoado procurando ela.
Notei minha mulher procurando nossa mala de suprimentos enquanto acenava freneticamente tentando chamar minha atenção. Olhei em seus olhos e percebi seu medo em cada lágrima que descia.
— Morgan, eu preciso de ajuda — ela implorou puxando minha mão.
Voltei aos meus sentidos vendo o que acontecia ao meu redor. Elis e Valden estava a minha direita, ele tentando acalmar ela.
— Kas — peguei seu rosto e dei um sorriso leve — Vai ficar tudo bem, ainda temos 14 horas, nós vamos conseguir — falei para ela, tentando me convencer.
— Não! — ela saiu do meu alcance, ainda procurando nossa mala — Você... Você não ouviu direito, nós não ouvimos! Não sabemos quando vai ser. Vamos sair. Agora!
— Elis, Valden! Vamos conosco, sua casa está longe. Temos o bastante para todos — Peguei a mala que estava no armário ao lado da porta.
— Vamos Elis — Valden chamou.
Corremos para a porta da frente, sendo brutalmente interrompidos por um tremor na casa. Sem ter onde nos firmar, acabamos caindo.
— Morgan. Eu vejo agora — Kasillyn se levantou e caminhou para a grande janela de vidro que cobria nossa sala.
Eu não sabia o que pensar, meu olhar voltado apenas para a mulher da minha vida colocando a mão calmamente no sólido transparente.
No momento em que notei o que ela estava olhando fixamente, entrei em desespero.
— KASILLYN! — gritei tentando chamar sua atenção, recebendo nada em troca.
A última coisa que me lembro? O calor que inundava meu corpo e a luz que invadia minha visão.