Ajna

1 Apresentação


Notas iniciais
Bom, essa apresentação é pra explicar um pouco sobre os Deuses e Ajna. A Clarinha vai demorar um tantinho pra aparecer ainda...

Em tempos remotos, havia apenas Energia, e sua origem ainda é um mistério a ser desvendado por nós, meros mortais. Ela estava no Caos e vagava pelo o que ainda não existia, atraindo para si toda poeira cósmica e vestígios de outras Energias que cruzassem seu caminho, concentrando-se cada vez mais em si mesma, o que fez com que — ao longo dos anos — algo novo surgisse em suas entranhas: primeiro, um céu estrelado, inúmeras luas e sóis; depois vieram os reinos — alguns de fogo, outros de terra ou gelo. As plantas e animais vieram depois.

Por último, do mais íntimo dessa Energia, com uma força avassaladora, que supera qualquer outra já testemunhada, vieram seus filhos, os três supremos: Destino, Luz e Sombra, as três forças que regem o universo.

Os mestres recém-nascidos viviam em Era Vita, um lugar de onde conseguiam vigiar e conhecer todos os mundos, especialmente o Terceiro Reino — onde habitavam os humanos. Por acreditar que os homens eram especiais demais para serem apenas vidas gastas pelo tempo, eles completaram seus corpos com Sobbuh (a Energia que gerava a própria vida), de forma que os espíritos não se perdessem e evoluíssem, enquanto a matéria, o invólucro da alma, perdesse a vitalidade.

Em Era Vita, todas as vidas se encontravam, pois ali eram selecionados os Resmah (humanos mortos fora de seu tempo, ou que ainda não tinham o espírito preparado para a evolução) ou Zettai (espíritos evoluídos o suficiente para tornarem-se Guardiões ou Mensageiros, que serviam Era Vita e os outros mundos).

Luz e Destino cresceram em sabedoria e desenvolveram a Lummini, uma espécie de "magia" que consistia na transmutação da Energia, de forma que fosse possível utilizá-la para outros fins: criação ou destruição. No entanto, Sombra viveu sempre sozinha, distante dos irmãos, seja porque lhe faltava a beleza dos outros, ou talvez seu instinto maligno de se alimentar de Energia os mantivesse afastados.

O tempo correu apressado, e a fome de Sombra aumentou desgovernadamente — assim como o rancor pelos irmãos — de modo que ela passou a devorar também o Sobbuh. Quando Destino e Luz deram-se conta do que estava acontecendo, tentaram impedi-la de todas as maneiras possíveis, porém nada foi capaz de parar o apetite da irmã, que estava cada vez mais poderosa. Como um último esforço desesperado para conter Sombra, os mestres travaram uma longa e solorosa batalha contra ela, utilizando o poder da Lummini para, enfim, subjulgá-la.

Essa foi a primeira vitória do bem contra o mal registrada na história: Sombra ficaria trancafiada em Era Vita, uma vez que Destino se recusou a matá-la, enquanto Luz permanecia em choque desde o fim da luta: ela se culpava pela cruel história da irmã rejeitada. Como podiam tê-la ignorado a ponto de não perceber sua evolução? talvez Sombra fosse apenas vítima do descaso e rejeição que sofrera desde o seu nascimento, talvez a culpa fosse dela e do Destino, que sempre foram irmãos ausentes e desprevenidos, pois nunca imaginaram que Sombra fosse capas de elevar sua força e, com ela, sua fome instintiva por Energia.

Tentando entender o ocorrido, Destino comunicou sua decisão de vagar um tempo pelo Universo, reencontrar sua essência, reconectar-se à Energia que lhe criara e pensar sobre tudo o que acontecera sob seus olhos e lhe passara despercebido, pois sentia-se tão responsável e culpado quanto Luz . Sua despedida foi rápida e ele viajava por todos os reinos, voltando à Era Vita de tempos em tempos, quando lhe era conveniente ou quando sentia a necessidade de vigiar as irmãs de perto.

Sozinha em Era Vita, Luz passou a ensinar a Lummini para os Zettai, como uma ferramenta para ajudá-los a desenvolveram ainda mais suas habilidades e aumentar sua proteção. Enquanto Sombra era puramente instintiva e Destino era passional demais, Luz era a irmã racional, quase nunca demonstrava suas emoções, e por isso decidiu não mostrar a seus aprendizes todo o seu poder, pois tinha medo que Sombra pudesse corrompê-los com seus poderes das trevas. Mesmo aprisionada, estava próxima e a evolução de sua força era desconhecida.

No entanto, havia um mensageiro que conquistara a total confiança da mestra do Conhecimento (como Luz era conhecida): seu nome era Lumm e, mesmo sendo apenas um Zettai, exercia a função de Conselheiro e melhor amigo, estava sempre presente para lhe ouvir e aconselhar em todas as questões sobre Era Vita, além de exercer forte liderança sobre seus Defensores. Ele era tão dedicado à sua missão que não se cansava de aprender e praticar a Lummini, além de aprimorar cada vez mais seu Sobbuh.

Luz tinha um carinho especial por todos os humanos e passava seu tempo livre a observá-los, buscando entender seus costumes, crenças e paixões. Ainda não compreendia os seus sentimentos, pois mesmo que seus espíritos vivessem pelo Sobbuh, eles eram regidos pela Energia-criadora, e apenas ela tinha capacidade para decifrar todos os mistérios da vida que havia gerado.

A mestra do Conhecimento nunca mais havia encontrado sua "mãe", desde o seu nascimento, mas acreditava que Energia se divertia demasiadamente à custa de sua criação, pois os humanos eram tão complexos, tinham tantas manias e questionamentos, que seria impossível não rir das situações em que se colocavam nas tentativas de aprender a utilizar as ferramentas da terra para se alimentar, se defender e sobreviver.

Milhões de anos se passaram e os homens conseguiram se desenvolver, vivendo em comunidade e criando cada vez mais facilidades para sua vida (embora Luz tenha precisado dar muitas pistas sobre o fogo, "descoberto" após inúmeros experimentos frustrados). Porém, alguns indivíduos começaram a exercer certo tipo de dominação sobre os demais, como se fossem maiores ou melhores, ignorando o Sobbuh de seus espíritos e se deixando corromper por algo ainda desconhecido, mas que apagava lentamente tudo de bom que existia ali. Essa influência machucava os demais, e enquanto uns engrandeciam e prosperavam, outros eram subordinados a todo tipo de miséria, privados da vida plena e feliz que os supremos planejaram para os homens.

Notas finais
E aí? O que acharam??