Aishiteru
33 Um novo recomeço...
No outro dia Sasuke se espreguiçou sentindo falta de algo. Claro, o corpo frágil e delicado dela. O cheiro de jasmim e a mão macia entrelaçada a dele. Olhou ao redor enquanto coçava os olhos, mas não havia sinal dela. Sasuke se sentou no colchão tentando imaginar onde ela tinha ido. O sol ainda estava nascendo no horizonte.
Então sentiu o cheiro de cookies. Sasuke relaxou no colchão com um sorriso relaxado nos lábios. Ela voltaria logo. E se ela soubesse o quanto ele é fascinado por cookies. Sasuke relembrou da noite anterior e de como foi bom dormir com ela agarradinho. Há anos não tinha uma noite de sono tão tranquila. Nem se sentia tão disposto e com uma vontade estranha de sorrir sem motivo.
- Bom dia! Ele olhou ao redor a procura dela que estava parada ao seu lado com uma bandeja.
— Bom dia! Respondeu bagunçando os cabelos. Hinata se sentou do lado dele que observou a bandeja e aspirou o perfume delicioso de cookies de chocolates.
— São meus preferidos. Confessou pegando um.
— Eu sei. Ele a encarou surpreso.
— Como?
— Reparei que sempre pede cookies quando vai a cafeteria.
— Hm... — Ele começou a comer e Hinata apenas o olhava adorando a maneira infantil como Sasuke devorava os biscoitos. Ao mesmo tempo ele não deixava de ser sedutor, como sempre era em tudo o que fazia, cada gesto, cada timbre de voz, cada olhar dele alteravam completamente seu lado racional.
— Não vai comer? Perguntou ao perceber que ela o olhava fixamente.
— Hm... É tem razão. Os dois comeram e Hinata serviu o chá. Os trejeitos dignos de uma kunoichi que honra seus costumes.
— Sua família é muito tradicional não? Perguntou subtamente curioso pela história dela.
— Hai! Somos um clã que vem de várias gerações de tradição e hierarquia. Um dos poucos que manteve seus costumes, tradições e regras.
— Como era sua mãe? Hinata suspirou saudosa e pendeu a cabeça para o lado, atitude que Sasuke achou fascinante.
— Não me lembro muito, mas meu tio me dizia quando era pequena que eu me parecia muito com a minha mãe. Que ela era tão doce e meiga como eu. A mesma pele pálida e os traços delicados, os movimentos suaves.
— Qual o nome dela?
— Meijan, mas todos a chamavam de Mei.
— Hm... E seu pai, no que se parecem?
— Quando estou nervosa, irritada, ou quando chego ao meu limite, me pareço com ele. Fico fria, rancorosa, destemida e um pouco arrogante.
— Acho que já conheci esse lado. Hinata lhe deu um tapa no peito e colocou a bandeja no chão. Sasuke afastou as pernas e puxou Hinata que se sentou de costas para ele, entre suas pernas.
— Sente falta de casa? Ela ficou em silêncio um tempo, o que causou medo em Sasuke. Medo de que ela pudesse um dia deixar tudo para trás e retomar sua antiga vida.
— Sinto falta da minha irmã, muita falta. Ela era a única com quem eu tinha um relacionamento fraternal. Já meu pai e meu primo, meu clã... Bem, a saudade não é maior do que a alegria de ser livre.
— Hm... Ele a abraçou relaxando aliviado. Desde quando tinha medo de perder alguém? Perguntou a si mesmo.
— Não acha que seu pai deve estar lhe procurando?
— Sim, com certeza. Todos os dias tenho medo quando toca a campainha de que seja ele ou meu primo me entimando a voltar para casa.
— Eles não tem o direito.
— Não é tão simples Sasuke-kun. Minha empresa, meu clã depende de mim entende? A família Hyuuga é quase uma seita. Não deixavamos que estranhos convivam conosco, não nas nossas propriedades. Vivemos todos pertos em um bairro somente dos hyuuga e nossas empresas, são administradas por Hyuugas da família primaria. Os secundários trabalham nos serviços que meu pai chama de segunda classe. Hinata fez careta reprovando a atitude da família principal.
— Parece cruel e preconceituoso...
— E é... A família secundária nunca chegaria a ter o que a família principal tem, como status, carros importados, uma mansão, ou seus filhos estudando nas melhores escolas. O único que ultrapassou essa barreira foi meu primo, que é braço direito do meu pai, graças a minha fraquesa e incapacidade de governar, como dizia meu pai.
— Ele parece um idiota Hina.
— Quem?
— Seu pai. Disse Sasuke a fitando incomodado com os insultos do velho abusado. Não deixaria que ninguém a maltratasse, não se ele estivesse perto. Hinata riu e fechou os olhos jogando a cabeça para trás.
— Como primogênita é meu dever assumir o comando, mesmo que eu não queira. — Sua voz entristecendo a medida que ela falava relembrando do pai.
— E sua irmã?
— Ela é mais nova que eu. Seria uma vergonha para a família principal e para meu pai que ela assumisse em meu lugar, ou pior que caso meu pai morra, Neji assumisse enquanto eu não estou pronta. É minha missão assumir meu clã, controlar os negócios e tentar acabar com tudo de errado que sempre vi desde pequena. Não existe escolha.
— Isso é tolice! Retrucou apertando-a mais forte entre seus braços.
— Eles precisam de mim Sasuke, e eu sei que um dia vou ter que voltar. Mesmo sendo fraca e uma vergonha para a família Hyuuga eu preciso mudar, me fortalecer e assumir o que é meu destino. Por isso fugi, porque eu precisava enfrentar a vida para amadurecer.
— Então um dia vai deixar tudo pra trás? Perguntou Sasuke com a voz fria, no timbre que Hinata odiava.
— S-sim... Sussurrou.
— Hm... Resmungou ele afrouxando o abraço.
— Desde pequena eu fui criada para isso. Já não basta ser mulher, ser fraca e ainda ter sido a causa da morte da minha mãe... Sussurrou Hinata fungando tomada pela tristeza e pela culpa.
— Ei que bobagem é essa Hina? Disse virando o rosto dela em sua direção e segurando-o com as duas mãos.
— Minha mãe morreu para me salvar. É uma longa história, da qual não quero falar. Seria melhor se eu tivesse morrido, todos estariam melhor sem mim. Confessou chorando.
— Não diz bobagens. Não seja irritante como a Sakura. — Brincou ele e Hinata sorriu. — Você não é fraca, só é boa demais, isso não é de todo o ruim Hina. E bom ainda bem que é mulher, senão eu seria gay... — Ele fez careta e Hinata riu de novo. — Quanto a sua mãe... Sei que ela fez isso porque te amava e achava que sua vida valia a pena em troca da dela, se for mesmo esse o caso.
— Não quero mais falar disso. Sussurrou fazendo bico enquanto ele enxugava suas lágrimas com as palmas das mãos.
— Está bem Hime, vamos esquecer disso tá? Ela fez que sim e o abraçou se escondendo no abraço dele a procura de colo. Sasuke estava triste mesmo que não demonstrasse, ela iria embora um dia... E ele faria o que? Como seria se ela realmente sumisse do nada? Ele não deixaria, não poderia perdê-la.
Os dois ficaram em silêncio observando o sol nascer e então Sasuke foi embora. Hinata sabia que algo naquela conversa havia incomodado Sasuke, porém ela não tinha coragem de perguntar. E também estava abalada por relembrar seu passado, sua família e seu futuro certo. Não tinha escolha, haviam coisas maiores do que aquele sentimento, seus deveres, sua missão. Porém, Hinata não pôde deixar de se perguntar se seria capaz de deixar sua nova vida, seus amigos, e Sasuke. Seria capaz de voltar aquela vida vazia depois de tudo o que tinha conquistado, depois de ter aprendido o sabor doce da felicidade.
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