Aishiteru

34 Duas vítimas, vários suspeitos!


– Alguma notícia dela?

– Está em Nova York, trabalhando em uma peixaria de quinta e morando com uma garota em um apartamento alugado num bairro de classe média baixa. Respondeu Neji entregando o relatório completo do detetive.

– Hinata... Suspirou decepcionado.

– Quer que eu tome uma atitude? Basta dizer Hiashi-sama.

– Não! Ainda não. Deixe ela brincar mais um pouco. Quem sabe a pobreza a torna mais forte.

– Há algo mais que precisa saber... Neji pigarreou algumas vezes pensando em como contaria isso ao seu tio.

– Diga... Hiashi franziu o cenho prestando atenção total no sobrinho.

– Ela fez amigos.

– E dai?

– Um deles seria um Uchiha. Neji lhe estendeu a última foto.


Hiashi olhou a fotografia arregalando levemente os olhos. Tomado pela revolta ele fixou seus olhos na figura masculina que abraçava a cintura de sua filha possessivamente.


– Não pode ser...

– Também fiquei surpreso.

– Como ele a encontrou?

– Segundo o detetive ele sempre morou em Nova York. Seria uma coincidência. Amigos em comum.

– Eles estão juntos.

– Difícil dizer...

– Parece bem fácil, olhando para essa foto. Hiashi apertou o papel entre as mãos.

– Eles estão, se conhecendo...

– Hm...

– Devo intervir agora?

– Ainda não.

– Se contarmos a ela será mais fácil.

– Não! Se contarmos Hinata não acreditará. Não sabemos o quanto esse rapaz está interessado nela, mas é visível que ela está completamente apaixonada.

– Uma intervenção tardia poderia...

– Melhor uma decepção amorosa do que intervirmos e ela desaparecer com ele.

– Hai!

– Não quero que ninguém mais saiba disso Neji. Poderia causar muita dor de cabeça.

– Certo Hiashi-sama.

– Vamos esperar e continuar de olho. No momento certo, eu mesmo cuidarei disso pessoalmente. Hiashi rasgou a fotografia e jogou na lareira observando-a queimar no fogo. A imagem se distorcendo aos poucos.

– Com sua licença Hiashi-sama. Se não precisa mais de mim.

– Pode ir.


Hiashi andou pela biblioteca até sua mesa e abriu a gaveta pegando uma foto até então esquecida.


– Até nisso ela se parece com você. É uma traidora, mas não vou deixar que ela se perca, não vou deixar que ela envergonhe meu nome. Ela vai pagar, já que você morreu antes que eu pudesse lhe punir com minhas próprias mãos. Disse com o olhar fixo nas orbes peroladas. O mesmo sorriso doce, o olhar amável. — Maldita seja! Espero que esteja queimando no inferno. Praguejou antes de guardar a fotografia novamente.


...


Itachi conversava a horas em busca de uma solução para o problema de Sasuke.

– Ele não vai deixá-la.
– Tem que haver uma maneira! A culpa é sua! Você só tinha uma missão... Cuidar dele, e falhou nisso também! É um imprestável. Acusou Orochimaru. Itachi se levantou e o segurou pela gola da blusa erguendo-o no ar.
– Eu fiz tudo o que podia. Dediquei minha vida a ele. Não fale bobagens.
– Estava escrito Orochimaru. — Comentou a mulher de vestido vermelho e seios fartos. — Não há nada que possamos fazer.
– Deve haver um jeito. Disse o outro homem que usava uma máscara estranha que deixava apenas seu olho amostra. A mesma orbe vermelha rodeada de vírgulas negras como a de Sasuke quando ficava fora de si.
– Parem vocês dois! Violência não nos levará a nada. O homem de longos cabelos grisalhos gritou encarando Itachi e Orochimaru que se fuzilavam com o olhar.
– Solte-o Itachi! Ordenou a mulher. Itachi respirou fundo e o soltou. Os dois se encaravam com altivez travando uma batalha muda.
– Deixe-me levá-lo... Sugeriu Orochimaru, porém foi interrompido.
– Nunca! Itachi não confiava naquele homem e seu olhar sombrio, mesmo Orochimaru fazendo parte do conselho e sendo amigo antigo de seus pais.
– Vamos esperar mais um pouco. Não vai adiantar tirá-lo de perto dela. Não agora, isso pode piorar tudo. No momento certo, sei que Hiashi irá intervir. Respondeu o mais velho com sabedoria.
– Acha mesmo? Perguntou ela.
– Com certeza. Ele não vai deixar sua doce e inocente herdeira por muito tempo por ai brincando de proletariada. Logo ele se mete, e então vamos estar lá para defender o Sasuke e guiá-lo pelo caminho certo. Será mais fácil.
– É capaz de ficar de olho nele? Perguntou Orochimaru sarcásticamente.
– Vá se ferrar! Respondeu saindo do escritório.
– Ainda vamos ter muitos problemas com esse casal. Comentou a mulher sentando-se na poltrona longa de lider.
– Ficarei por perto dos dois por via das duvidas. Disse o mais velho revirando os olhos.
– Tenho que ir... Há muitas coisas importantes para resolver.
– Eu também, me mantenha informado. E se precisarem sabem onde me encontrar afinal, ele é sangue do meu sangue, mesmo que não saiba disso.
– Claro.

Orochimaru e o homem estranho sairam juntos. Quando o elevador se fechou os dois trocaram olhares.

– Pretende mesmo ficar distante apenas esperando.
– Claro que não. Acredite meu caro, eu nunca estou apenas esperando. Respondeu sorrindo enquanto apertava o botão do elevador.
– Ainda acho que devia ter ficado com a guarda dele.
– Não sabiamos quem nasceria com o dom. Ele ou o irmão metido. Confesso que prefiro que seja o Sasuke.
– Dom? Isso soa mais como maldição para mim.
– Depende de como você usa suas habilidades e acredite em minhas mãos, Sasuke terá um grande futuro. Os dois ficaram em silêncio se perguntando a mesma coisa: Quanto tempo levaria para que Sasuke sucumbisse.


...


– Tenho novas ordens para você! Disse friamente olhando pelo arranha-céu da janela do escritório.
– Diga.
– Quero que fique vinte e quatro horas de olho nesses dois.
– Vou precisar contratar mais alguém. E o trabalho sairá mais caro.
– Não importa. Quero saber tudo o que eles fazem. Com quem andam, o que comem, com quem falam e acima de tudo, em quanto tempo estaram juntos. Entendeu? Você será meus olhos e me enviará relatórios todos os dias.
– Hai! Por que a mudança súbta e o interesse nos dois agora?
– Não lhe interessa, apenas faça o que mandei e será recompensado.
– Certo. Contratarei hoje mesmo um ajudante.
– Ótimo... Respondeu desligando a ligação e acendendo o cigarro.
– Dê adeus aos seus dias de liberdade. Sussurrou para si mesmo fitando o céu nublado, então sorriu vitorioso.


–--

Hinata caminhava alegre pela rua. A melhor noite de sua vida tinha ocorrido horas atrás. Ainda era díficil acreditar que depois de tantas lágrimas, finalmente estava alcançando Sasuke e ele estava correspondendo. Até então não tinham brigado, porém não ia sonhar alto demais, estava pronta para qualquer briga, o que no caso dos dois já era quase normal. Respirou fundo enquanto olhava em seu bloco. Tinha riscado mais uma de suas metas. Tudo parecia bem, até demais. Sua família ainda não a tinha encontrado, mas concerteza a procuravam. Hinata sabia que eles não desistiriam dela, jamais.

Sentiu um aperto no peito, uma brisa fria atravessou seu corpo lhe causando arrepios. Ela olhou em volta assustada. Estava tendo um daqueles pressentimentos, os quais ela nunca sabia explicar. Acelerou o passo olhando em volta a procura de algo suspeito. Estava sendo observada, seguida talvez, por Neji... Quem sabe. Ela respirou ofegante, o coração acelerando. Agora já corria gemendo baixinho como se algo muito ruim tentava lhe capturar, mas não via nenhum rosto conhecido, muito menos suspeito. Então esbarrou em alguém e gritou fechando os olhos.

– Calma Hinata sou eu! Ela abriu os olhos e suspirou alivida se jogando nos braços dele.

– Sasuke! Ainda bem.

– O que houve? Perguntou olhando para onde Hinata tinha o olhar fixo antes.

– Não sei. Tive a sensação de ser seguida. Um sentimento ruim, estou com medo. Ela escondeu o rosto no peito dele que lhe afagou as madeixas e beijou-lhe a testa.

– Não foi nada, estou aqui. Deve ter sido a conversa de mais cedo. Agora relaxe sim? — Ela acenou com a cabeça. — Por que não me esperou? Eu ia te buscar.

– Ia?

– Sim.

– Você me disse? — Perguntou ainda confusa. — Desde quando vamos juntos para o trabalho?

– Desde hoje. Talvez não tenha te avisado. Não me lembro. — Respondeu dando de ombros. — Vamos! Segurou a mandou dela e os dois saíram andando juntos. Hinata ainda se sentia estranha, porém agora estava segura, estava com Sasuke.


– Tenho que tomar mais cuidado com você Hinata... Sussurrou se misturando a multidão.