Aishiteru
49 Nem tudo o que acaba tem final!
Notas iniciais
Hinata corria pelo jardim rindo feliz porque tinha avistado uma borboleta azul com pintinhas amarelas. Quando criança Hinata se disperçava facilmente com tudo que era belo e puro. Seu pai sempre a repreendia por isso, mas a menina não conseguia se controlar. Era apaixonada por coisas belas, simples e pequenas. Como gotas de chuva sobre as folhas, o orvalho numa manhã fria, a neblina numa manhã de céu nublado. Adorava os animais, os elementos, o sol e tudo ligado a natureza.
– Hinata-sama! Ayume a repreendeu correndo atrás de Hinata, porém a menina além de ter muito mais saúde e menos idade que a anciã, era muito rápida apesar das pernas pequeninas por só ter cinco anos.
– Olhe Ayume-sama! Borboleta! Azul! Ela dizia cada palavra olhando para trás com um brilho contagiante no olhar dizendo cada palavra como se tivesse feito a maior descoberta. Então parou de correr quando viu a borboleta pousar e ficou de joelhos admirando a mesma fascinada.
– Hinata-sama se seu pai nos pega aqui fora. Você deveria estar estudando. Sussurrava cansada se apoiando nos joelhos.
– Ela é tão linda Ayume! — Disse pendendo a cabeça para o lado e se aproximando com cuidado para vê-la melhor — Queria ter asas para voar. Confessou suspirando.
– Minha querida. — Disse Ayume ficando de joelhos do lado da menina que lhe encarou com seus olhos enormes perolados e as bochechas super coradas lhe dando uma coloração fascinante na pele pálida. — Um dia não precisará de asar para voar. Será livre e muito feliz, acredite em mim.
Hinata esboçou um enorme sorriso e abraçou a mulher que correspondeu surpresa com o ato. Não era comum, na verdade, aquele momento era único. Uma futura líder do clã abraçando uma relis empregada da família secundária.
– Te amo Ayume! Hinata confessou pela primeira vez deixando a mulher emocionada. Então lhe beijou as bochechas e voltou a fitar a borboleta. Ayume enxugou uma lágrima de emoção que por sorte Hinata não viu.
– Melhor entrarmos menina. Disse Ayume com a voz embargada, mas Hinata não percebeu.
A pequena Hyuuga estendeu a mão deixando que a borboleta pousasse em seus dedos por alguns segundos então riu feliz por aquele momento novo. Depois que a borboleta voou as duas caminharam lado a lado para dentro da mansão.
– Ayume. Chamou Hinata segurando a mão da mulher como sempre fazia e entrelaçando seus dedos aos dela.
– Sim, Hinata-sama.
– Eu li num livro que as pessoas quando morrem podem se transformar em animais, ou plantas. Qual animal você acha que minha mãe poderia ser.
– Hm... — A mulher pareceu pensar um pouco enquanto Hinata esperava ansiosa. — Com certeza ela seria um pássaro lindo, pequeno e colorido.
– Ou uma borboleta. Disse empolgada.
– Sim, um borboleta. Confirmou Ayume sorrindo com a ideia.
– Como minha mãe era? Perguntou pela milésima vez. Hinata não tinha nem a mais vaga lembrança de como era sua mãe.
– Linda! Doce, gentil e tão carinhosa quanto você.
– Acha que ela teria vergonha de mim? Sussurrou fitando o chão. Ayume olhou para a menina, os olhos beirando a incerteza, dúvida. Então ela sorriu e finalmente respondeu.
– Não! Por que ela teria vergonha de você Hinata-sama?
– Papai sempre diz que sou fraca, uma vergonha para o clã. Que sou frágil demais e boba demais. Que nunca vou aprender e não sou digna de comandar o clã. Sussurrou com os olhos cheios d'água.
– Sua mãe teria muito orgulho de você Hinata-sama tenho certeza disso. Disse ficando mais tranquila ao ver um pequeno sorriso se formar nos lábios infantis.
– Jura? Perguntou enxugando os olhos úmidos.
– Sim, minha querida. Ela te amava mais que tudo e quando você nasceu foi o dia mais feliz da vida dela.
– Mesmo? Perguntou de novo agora com um sorriso maior.
– Mesmo. Ela me disse que você era linda, parecia um anjo, era o amor da vida dela e que ela sabia que você um dia faria grandes coisas. E eu também acredito nisso Hinata-sama.
– Sinto falta dela... Sussurrou.
Então a imagem de Ayume sumiu aos poucos e Hinata se viu sozinha na grande mansão.
– Sente tanto que se entregou para o Uchiha! Acusou uma voz conhecida. Hinata olhou ao redor, mas não havia ninguém.
– Como é?
– Isso mesmo. Tornou-se uma prostituta envergonhando seu clã e a memória da sua mãe.
– Não! Gritou andando pela casa. Então quando viu seu reflexo no espelho estava grande.
– Você nunca serviu para nada! Sempre foi uma inútil. A voz ecoava pela casa, mas ela não via a figura do pai em lugar nenhum.
– Não passou de um brinquedo em minhas mãos. Então ela ouviu outra voz.
– Sasuke? Perguntou olhando em volta desesperada.
– Nunca te amei Hinata. Só queria te ter por uma noite. Afinal, uma virgem sempre terá seu valor, por uma noite. Disse sarcástico rindo em seguida.
– Pare! Gritou tampando os ouvidos com as duas mãos.
– Você sempre será fraca... Ouviu a voz de Hiashi ecoando a frase sem parar.
– Não! Gritou fechando os olhos.
– Nunca te amei Hinata! Nunca poderia amar alguém tão desprezível e fraco como você. Sua estúpida.
– Parem! Gritou de novo. A voz dos dois repitindo a mesma frase cada vez mais alto.
Então Hinata acordou assustada olhando ao redor com a respiração ofegante. Seu corpo estava completamente suado e os lençois estavam bagunçados assim como a camisola de Hinata e seus cabelos. Ela respirou fundo.
– Hinata-sama! — Gritou Ayume ao abrir a porta do quarto. — Aconteceu alguma coisa? Ouvi seus gritos do corredor.
– Não foi nada Ayume. Só um pesadelo. Mentiu se levantando e correndo até o banheiro na tentativa de fugir do olhar inquisitivo da anciã. Não iria deixar que ninguém mais a visse chorando por ele, ninguém.
Fale com o autor