Aishiteru
50 Aishiteru!
Notas iniciais
Assim que Hinata abriu os olhos e seus olhos encontraram o foco ela teve certeza, levaria muito tempo para se acostumar com aquele lugar de novo. A sensação de estar de volta ainda era estranha e assustadora. Sentia falta do café amargo que Tenten fazia todas as manhãs, os bilhetinhos que ela deixava e sabia também que ainda sentiria falta de muitas coisas como da kunoichi lhe acordando no sábado e das duas saindo para comer panquecas.
Sentiria saudades do jeito brincalhão e carinhoso de Naruto. Das rápidas, e ainda assim interessantes conversas de Gaara, e os conselhos e o companheirismo de Temari que sempre a protegia e lhe ensinava sobre a vida. O jeito espontâneo e eufórico da Ino que mesmo sendo sua amizade mais recente já havia se tornado especial. Amizade? Ela não feito amigos de verdade, apenas pessoas que se aproximaram por interesse, como os poucos jovens e crianças que Hinata chegou a conhecer nos coquetéis em que seu pai a levava, que fingiam gostar dela por causa do que seu dinheiro poderia comprar.
Ela se espreguiçou afastando a vontade de permanecer deitada ali para sempre. Então olhou no relógio: 4:30. Seu pai já estava de pé desde as 4:00 assim como os outros anciãos e conselheiros do clã. Logo ela seria líder por tanto tinha que se adaptar a sua futura rotina. Levantou-se e foi até o armário pegando um kimono branco com flores vermelhas, azuis e amarelas bordadas na ponta do lado esquerdo. Outra tradição de seu clã era usar kimonos, tanto mulheres quanto homens do clã. Só usando roupa comum em festas fora do clã. Desse costume Hinata até gostava. Adorava o jeito como o quimono modelava seu corpo, o tecido, as cores e flores eram mágicas.
Então prendeu o cabelo em um coque perfeito e respirou fundo. Seria um longo dia, o primeiro de muitos. Seus olhos buscaram o envelope que jazia guardado na mesinha de cabeceira, sua única lembrança do que deixou para trás e que tem carregado consigo desde que ele lhe deu. Ela abriu o envelope e retirou a carta. Suas mãos tremeram de leve e seu peito doeu. Aquele desespero lhe preenchendo novamente. Então sentou-se na cama e releu a carta pela milésima vez.
Antes de mais nada, já te peço desculpas por escrever uma carta tão estranha, mas é a primeira vez que faço isso e que também confesso meus sentimentos, até então inexistentes, por alguém.
Nem eu sei direito explicar o que eu sinto, talvez tenha medo de admitir. Também não sei dizer coisas bonitas e românticas. Aquelas palavras que você mais do que ninguém merece ouvir.
O que eu sei é que você mexe comigo, você me acalma, me faz tão bem. Você me traz paz e me faz agir como um moleque bobo, idiota. Você faz minhas mãos suarem, meu coração bater mais rápido, você me deixa louco, tira o meu juizo, o meu sono e a minha razão. Você me faz acima de tudo ser alguém melhor. Acredite é difícil pensar que encontrei alguém capaz de me fazer sentir feliz, simplesmente feliz, e é assim que me sinto com você.
Não quero te fazer promessas, das quais eu não vou poder cumprir. Não posso te prometer que vou mudar. Eu vou agir como idiota, serei estúpido, perderei o controle por causa dos ciúmes porque te quero só para mim e a idéia de que possa amar outro homem ou ser tocada por alguém que não seja eu me alucina, me tira o controle. Não posso te prometer que não farei você chorar de novo, que não irei brigar, sumir, ser frio ou estúpido até mesmo sem querer. É o meu jeito, estou aprendendo aos poucos o que durante toda vida eu nunca imaginei viver.
Se você puder, desde já te peço que me perdoe por ser esse monstro, este homem que tanto tempo viveu errante e agora está tentando mudar por você, me perdoe por te querer sem medidas e nessa insanidade me perder nos ciúmes, na possessividade, na insegurança. Me perdoe se não sou capaz de dizer aquelas três palavras, se não te dou o mundo todos os dias porque é isso que você mereçe. Me perdoe por não dizer o quanto você é linda, perfeita todos os dias. Me perdoa pelas lágrimas que causei, pela dor e tudo o que te fiz passar. Apenas me perdoe por eu ser quem sou, e não me deixe porque...
Eu confesso que estou apaixonado por você.
Suas mãos tremiam mais enquanto ela chorava soluçando. Suas lágrimas rabiscaram a escrita no papel. Ela piscou algumas vezes e dobrou a carta com cuidado. Guardo-a na gaveta novamente como se fosse algo preciso e então se permitiu chorar sem receios. As mãos aflitas em uma tentativa aflita de enxugar as lágrimas que não paravam de cair. Sentia tanta falta dele e para sempre sentiria. Ela cerrou os punhos se concentrando no momento atual, toda a raiva que sentia, toda a dor. Usaria isso para esquecê-lo.
E prometendo a si mesmo que ela nunca mais falaria isso em voz alta ela confessou com todo o seu coração:
Aishiteru
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