Aishiteru
8 Arigatou!
Notas iniciais
No outro dia depois de um café bem forte e um banho gelado Hinata já estava disposta novamente. Tinha conversado com Tenten quando a mesma chegou em casa e por fim decidiu ignorar o que os outros pensavam a seu respeito. Ela era a prova viva de que por mais que se tente agradar a todos, ou até mesmo a uma pessoa só, no fim nunca se consegue. Passou sua vida sendo submissa, ignorando suas vontades por tanto que nem ao menos sabia ao certo quem era Hyugga Hinata. Agora estava descobrindo dia após dia sobre si mesma.
Quando Tenten acordou Hinata não estava mais lá. Havia apenas um bilhete preso a geladeira da cozinha que dizia:
Tenten, obrigada pela conversa e pelo chá de ontem! Sinto-me bem melhor hoje e sei que em breve vou conseguir um emprego. Sai cedo, pois como diz o ditado que escutei ontem numa barraca de frutas, muito ajuda quem cedo madruga, ou algo assim... Enfim, não se preocupe vou ficar bem. Até mais tarde.
Hinata!
Tenten sorriu respirando aliviada. Tinha certeza de que não poderia escolher alguém melhor para morar com ela. Hinata era alguém de confiança, corajosa e persistente, alguém de bom coração. Sua consciência não tinha lhe enganado dessa vez. Só não entendia muito bem ainda porque alguém tão rica largaria tudo para viver uma vida de miséria comparada a que ela tinha, batalhando por um emprego quando poderia ter tudo o que quisesse a hora que quisesse com um estalar de dedos.
Infelizmente depois de uma semana procurando Hinata ainda não tinha conseguido nada e seu dinheiro tinha praticamente acabado, restando apenas o que tinha que dar como ajuda nas despezas e mais dois dias de passagem para tickets no metrô. Mesmo assim Hinata não perdia as esperanças, sempre sendo estimulada por Tenten, mesmo que a kunoichi começasse a duvidas que Hinata teria êxito em sua missão.
Hinata estava mais concentrada hoje. Iria procurar emprego, indo a todos os lugares até que alguém lhe aceitasse.
Ao meio dia, ela se sentou na calçada e apoiou o rosto entre as mãos. Tinha procurado todos os tipos de vagas: faxineira, vendedora, caixa, recepcionista, garçonete, secretária, entregadora de panfletos, até mesmo se candidatou a humilhante vaga de vestir uma roupa de pato e ficar parada em frente a uma lanchonete cuja comida era muito duvidosa, mas nem isso tinha conseguido. Todos lhe diziam a mesma coisa e então Hinata se deu conta de que não era apenas seu jeito refinado de ser e sua falta de experiência que lhe estavam atrapalhando, mas também seu sobrenome.
– Então você é uma Hyugga... Disse a mulher enquanto lia seu currículo, as lentes grossas e antiquadas dos óculos retangulares apoiadas sobre o nariz arrebitado demais.
– Sim...
– Diga-me por que está aqui?
– Vim atrás de uma oportunidade.
– Vejo que fala japonés, inglês, francês, alemão. Estudou na melhor escola do japão. Possui vários cursos listados em seu currículo além de ser uma Hyugga. O que alguém como você faz em um lugar como esse?
– Bom, como disse. Estou atrás de uma oportunidade de emprego que possa custear minha independência.
– É claro! — A mulher olhou para Hinata de cima a baixo minuciosamente, fez careta então prosseguiu. — Sabe... Você é jovem, de família bem criada.Nós duas estamos cientes que não precisa desse emprego e que ele não é digno de alguém com seu poder aquisito e intelecto. Além disso, quem me garante que tudo não passa de uma aventura de uma menina mimada que está com dificuldades para ingressar na fase adulta?
– Como? Hinata piscava os olhos diversas vezes, perplexa com as insinuações da mulher.
– Sinto muito, mas não posso te contratar. Além do mais, não acho que seu pai esteja satisfeito com suas escolhas e muito menos irá ficar contente em saber que sua filha tem perdido seu precioso tempo atrás de um escritório de advocacia que está começando a ter futuro.
– Entendo... Disse Hinata se levantando desanimada. Os baixos relaxados ao lado do corpo. Só conseguiu pegar seu currículo e sair dali pensando se talvez seu pai não teria mexido os pauzinhos para dificultar as coisas. Ninguém na cidade que conhece a fama de seu otousan a contrataria.
Agora estava ali sozinha com o classificado em suas mãos, os pés cheios de bolhas e sua barriga roncando incessantemente. Ela olhou para o céu e suplicou em silêncio para que Deus lhe desse uma luz. A neve caia dando um toque mágico as ruas de Nova York. Os flocos de neve em contraste com as longas mexas negras e azuladas ao mesmo tempo reluziam destacando Hinata no meio de todas aquelas pessoas. A mesma fechou os olhos e se abraçou para espantar o frio, que lhe trazia de volta a realidade. O casaco não lhe aqueacia tanto quanto imaginara horas antes ao sair de casa.
Respirou fundo e se levantou. Ainda tinha uma missão a cumprir e não desistira, não agora!
Procurou por mais algumas horas, porém ninguém a aceitava. Ou era qualificada demais ou não possuia experiência, isso quando não riam dela quando liam seu sobrenome no currículo. Hinata já estava irritada com aquela situação. Será que aquele sobrenome amaldiçoado iria pertubá-la pelo resto da vida? Nunca teria paz e sossego? Sempre seria a Hyugga herdeira, filha de Hiashi?
Ao abrir a porta da sorveteria rumo a saida Hinata sentiu que o tempo estava pior. o vento era congelante, a neve estava mais grossa e as ruas se transformaram em pista brancas, lisas e escorregadias de neve. Sentia que suas mãos e rosto iriam congelar a qualquer momento. Abraçou o próprio com força tentando se aquecer inutilmente enquanto tentava caminhar a passos largos pelo chão perigoso. Tinha esquecido-se do gorro. Seus cabelos dançavam na direção do vento mais úmidos do que nunca e com uma fina camada de gelo sobre as pontas e a franja. Apesar de tudo não pôde deixar de sorrir ao ver sua respiração branquinha se misturando com o ar. Resolveu ir ao único lugar que tinha lhe trazido paz, o pier. Não havia mais barracas abertas, tão pouco peixeiros circulando pelas ruas, pôde avistar no horizonte. O lugar estava deserto, solitário e sem vida, como ela naquele momento. Apenas se ouvia o barulho das ondas quebrando nas pedras e do vento frio.
Ela caminhou até o pier pensando no que iria fazer. Talvez Tenten pudesse lhe arrumar emprego na cafeteria. Era inteligente, esforçada e aprendia tudo muito rápido, só precisava de uma chance! Estava tão distraída caminhando lentamente até o pier. Sabia que era loucura estar ali. Que pessoa em são conciência caminharia em um lugar deserto, aparentemente nada atraente, em um dia de nevasca com uma temperatura abaixo dos 16 graus celsius, sem estar devidamente agasalhada e ainda por cima depois de um dia estressante enquanto seu estômago gritava por nutrientes? Somente ela, e mais ninguém. Hinata gostava daquele lugar por ser tranquilo, e longe de todos os carros, prédios e pessoas que sempre estavam ao seu redor quando andava por Nova York. Eram somente ela, os barros e o pier, mais ninguém.
Se Hinata tivesse visto os noticiarios em qualquer lugar saberia que a previsão era de temperaturas ainda mais frias até a madrugada e que as recomendações eram de não perambular pelas ruas.
Mas ela não sabia e distraida foi caminhando rumo ao fim do pier disposta a se sentar na beirada como tinha feito todos os dias depois de fracassar em sua busca. Mas naquele dia, as coisas não seriam como sempre, o universo parecia conspirar contra ela, ou talvez não. Hinata sem caminhava pelo mesmo lugar nas longas e grossas madeiras antigas do pier, mas dessa vez escolheu outro caminho e o que ela não esperava aconteceu.
Tudo foi muito rápido. O barulho, a sensação de pisar em falso e sentiu como se o chão se abrisse sobre seus pés, no caso a velha madeira sempre tão sólida e confiável, outro barulho, a dor e antes que pudesse se segurar percebeu que estava caindo.
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