Aishiteru

9 Arigatou! II


Notas iniciais
Continuando o capítulo, meio dramático confesso, mas adoro um drama hnnn, espero que gostem meninas. :)

Hinata não contava que aquilo iria acontecer e naquele momento se amaldiçoou por ter sido medrosa quando pequena. Malditas aulas de natação que poderiam salvá-la agora. Tudo aconteceu muito rápido. Em um instante estava dando o próximo passo, então ouviu o barulho da madeira se partindo, seu pé afundo e logo todo seu corpo escorregou pelo vão. Hinata sentiu suas costas colidindo com força contra a madeira e então caiu. Ela se debatia mexendo as pernas e braços, porém não surtia efeito e é claro seus pés não alcançavam o chão. Tentou prender a respiração como um ato narutal de sobrevivência, mas poucos segundos depois o medo e a necessidade de oxigênio falavam mais alto e quando ela tentava emergir, submergia novamente engolindo cada vez mais água. A sensação era inexplicável. Além da água estar fria, praticamente congelante o que dificultava tudo, obvio, Hinata ainda lidava com o fato de não saber nadar. A água entrando em seus pulmões lhe dava a sensação de queimação e como se tivesse rasgando por dentro.

Nunca se sentira tão mal e frágil em toda a sua vida. Tentava gritar, mas sua voz não saia. Seu corpo todo tremia e sua necessidade de respirar se tornava mais rápida, tornando-se assim um ciclo interminável em que Hinata tentava emergir cada vez mais desesperada a procura de ar, engolindo mais água enquanto sentia seus movimentos cada vez mais lentos. A água estava muito gelada causando-lhe dormência. Estava morrendo? Ali? Naquela situação tão deprimente? Não podia aceitar e de fato não o fez. Ela lutava bravamente, porém parecia cada vez mais ser inútil resistir. O pânico tomou conta dela. Estava sozinha. Ninguém poderia ajudá-la. Nem ela mesma. Então não conseguia mais movimentar suas mãos, sua respiração foi diminuindo aos poucos enquanto ela já não resistia para manter a boca fechada, sem conseguir impedir, assim que a água entrasse. De repente, tudo parecia em câmera lenta. Não conseguia mais movimentar as pernas também, seu corpo foi afundando e tudo o que ela via era a água cada vez mais turva. As imagens de toda a sua vida se passaram em sua mente tão fortes que eram quase visíveis e palpáveis. Não poderia terminar assim. Tinha tantas coisas para viver ainda.

Reunindo o pouco de força que ainda tinha ela empurrou o corpo para cima conseguindo emergir tempo suficiente para para avistar o céu uma última vez. Então sua visão ficou embassada e tudo escuraceu a medida que seus olhos se fechavam dando adeus aquele mundo. Viu a imagem de sua mãe tão linda, sorrindo para ela, com o semblante cheio de amor e carinho, como sempre. Uma sensação de paz lhe invadiu e ela se entregou ao desconhecido. Já não sentia mais dor, muito menos frio ou medo, não sentia mais nada.

- O que você fez? O que fez? Gritou Sasuke com a voz ofegante quando finalmente conseguiu tirá-la da água. Ela estava mais pálida do que o normal, os lábios arroxeados, e os olhos fechados, o corpo frágil e aparentemente sem vida. Sasuke sabia o que tinha que fazer para salvá-la porém um desespero que ele não compreendia tomou conta de seu ser. A ideia de que ela pudesse estar morta era estranhamente perturbadora. Ele carregou o corpo frágil até a parte segura do pier e deitou Hinata de costas no chão com cuidado. Então se aproximou do do corpo dela tentando ouvir as batidas do seu coração, porém não ouviu nada. Ela estava morta? — Sasuke iniciou a respiração boca a boca tentando duas vezes, sem sucesso. Imediatamente ele ficou de joelhos com o corpo curvado sobre o dela e fez massagem cardíaca possicionando as mãos sobrepostas com os dedos abertos sem tocar a parede toráxica. Então fez pressão vigorozamente descompremindo em seguida. — Vamos garota irritante, acorde! — Gritava Sasuke enquanto continuava com os movimentos. — Um, dois, três... Sussurrava para si mesmo, intercalando entre as respirações boca a boca e a massagem cardíaca, mas ela não demonstrava reação alguma. — Por Deus! Vamos garota! Não seja fraca! — Continuou decido trazê-la de volta. Não deixaria que ela morresse. Não levaria mais essa culpa consigo. Os segundos se passavam e Hinata continuava com o corpo sem vida enquanto Sasuke se esforçava incansávelmente para trazê-la de volta. — Vamos! Anda! Garota irritante! Volte agora ouviu? É uma ordem! Anda Hinata lute! Sasuke estava quase disistindo quando sentiu o corpo dela se movendo e então Hinata tossiu cuspindo água. Os olhos perolados ainda confusoso sem saber o que tinha acontecido.

- Sasuke! Hinata gritou o nome dele. Não que tivesse reconhecido, apenas deixou que o som saisse e seus lábios se movessem emitindo seu nome. Um grito de súplica que veio da alma e ele tão prontamente atendeu segurando-a em seus braços e trazendo o corpo frágil para perto do seu.

- Garota maluca, irritante, louca! O que pensa que está fazendo? Você podia ter morrido! Qual o seu problema? Sua louca. Ele gritava completamente fora de si enquanto a apertava em seus braços como se fosse seu bem mais pressioso. Hinata se agarrou a ele com o corpo tremendo de frio enquanto continuava tossindo. Sua garganta queimava e seu interior também, ao menos era isso que ela sentia.

- S-sa-su-k-ke! Sussurrou quase sem voz então ele encarou as orbes peroladas demonstrando toda a fragilidade da kunoichi naquele momento. Sua raiva cessou, restando somente a calmaria depois de uma tempestada. Os lábios agora somente pálidos tremiam incesamente mente enquanto ela respirava com dificuldade. Sasuke então se deu conta de que ela deveria estar morrendo de frio, mais um pouco e poderia ter uma hiportemia. Ele se levantou levando-a consigo em seus braços encolhida e agarrada a ele. Precisava de um lugar quente e novas roupas para Hinata. Tinha que pensar rápido. Tentou se relembrar das vezes que escutou sua okaasan ensinando Itachi e ele mesmo a como realizar os primeiros socorros. Era tão pequeno na época, mas precisava se lembrar.

- Não massageie ou esfregue a vitima, nem a coloque de pé. Forçou mais suamente tentando relembrar. Até então tinha feito o certo.

- Aqueça as alixas e pernas, entende Sasuke? Aqui e aqui. Apontou sua okaasan olhando-o com carinho. Sasuke afirmou com a cabeça.

- Você tem que remover a roupa molhada depois que remover a vítima do ambiente gelado, reaquecer a pessoa aos poucos.

- Vai ficar tudo bem... — Disse tentando acalmá-la enquanto a carregava apressado até o galpão onde Gaara, seus irmãos e ele guardavam o carregamento. Ele empurrou a porta com o pé e adentrou o local rumo a pequena cozinha do lado esquerdo. Hinata estava encolhida com o rosto escondido no peitoral de Sasuke que já estava enxarcado e morrendo de frio também, porém ela era tudo o que importava naquele momento. Sasuke a colocou no chão e correu a até o galpão novamente à procura de alguma peça de roupa. Qualquer uma que a aquecesse. Havia apenas um sobretudo preto de algodão de Kankurou, um gorro e um cachecol, que imaginou ele, deveriam ser da Temari. Quando voltou para a cozinha Hinata quase dormia, os olhos se abrindo e fechando tão devagar como se ela estivesse adormecendo, mas Sasuke sabia que não era isso. — Não durma entendeu? Não durma garota irritante! Sussurrou tentando ser gentil com Hinata que gemia com o corpo tremendo sem parar. Ele arrancou-lhe as roupas, deixando0a nua. Sasuke estava tão nervoso que naquele momento nem se preocupou em apreciar a beleza visão daquelas curvas, tudo o que queria era aquecê-la e tinha tido a ideia perfeita. Depois se entenderia com ela. Tirou suas roupas também e deitou-se no chão do lado dela. Trouxe o corpo de Hinata para cima do seu e a cobriu com o casado, colocando em seguida o gorro e as meias. Seus pés roçavam nos dela afim de aquecer os pés descobertos. Ela se aconchegou nos braços dele ainda tremendo muito e assim permaneceu por muito tempo, que Sasuke julgou serem horas.

Aos poucos seu corpo foi se estabilizando, mas ele sabia que ela precisava de um lugar quente e confortável, e que teria febre entre outras tantas consequências, também precisava de um médico. Por hora decidiu que a levaria até Tenten então eles decidiriam o que fazer. Ele sabia que ela estava fora de perigo. Se levantou com cuidado e vestiu suas roupas que ainda estavam úmidas. Então a vestiu com cuidado já que a mesma dormia em sono profundo. Seu corpo agora estava quente, febril. Ele fechou o casaco apertando-o em volta da cintura fina de Hinata.

Pegou-a em seus braços de novo e saiu. Tinha deixado tudo para trás. Depois explicaria a Gaara e aos outros o que tinha acontecido. Quando pegou o taxi finalmente se permitiu relaxar um pouco observando Hinata adormecida em seus braços sussurrando algo que ele não conseguia compreender. Ela estava tendo alucinações. O corpo se mexendo vez ou outra enquanto os dedos finos lhe agarravam a camisa como se soubessem que só ele poderia salvá-la naquele momento. Sasuke ainda sentia a preocupação com Hinata dominar todo seu ser. Não sabia o por quê e nem se permitia questionar aquilo naquele momento. Só tinha que salvá-la. Ele a envolveu em seus braços e encostou seu rosto ao dela fechando os olhos e aspirando o perfume de jasmim que emanava dos longos cabelos negros-azulados.

Sasuke fechou os olhos e relembrou como tinha acontecido. Num momento estava fechando o galpão então olhou no horizonte e viu uma figura ao longe perto do pier caminhando distraida e solitária. Gritou que a pessoa parasse e que não deveria estar aqui. Sabia que era uma mulher por causa dos longos cabelos negros-azulados esvoaçantes? Lembrou-se de Hinata, mas não poderia ser ela, poderia? Então gritou novamente, dessa vez mais alto e quando deu um passo a frente Hinata caiu. Ele correu o máximo que pode vendo a kunoichi se debater desesperada. Seu coração acelerou, o sangue correndo acelerado pelas veias enquanto ele corria cada vez mais rápido disposto a salvá-la sem nem ao menos saber porque. Quando viu o corpo dela afundar depois de emergia rapidamente e não voltar mais a supercie Sasuke se lançou nas águas geladas sem pensar em nada. Procurou por ela desesperado olhando ao redor. Uma solidão esmagadora o arrebatou, a sensação de que estava sozinho no mundo, como naquela noite em que soube de seus pais. Então ele a avistou afundando cada vez mais e a trouxe de volta a supercie.

- Chegamos senhor... Disse o taxista trazendo Sasuke à realidade.