Ain't It Fun?
2 Capítulo 1 - Eu não me importo
Notas iniciais
Enjoy!
VEJAM O TRAILER: http://www.youtube.com/watch?v=ES_gd8BkHxQ
Capítulo 1 — Eu não me importo
“Eu não me importo de te decepcionar facilmente,
Mas me dê um tempo” – Aint’t it Fun
Annabeth P.O.V.
Hoje realmente não era o meu dia, estava sentada esperando aqueles orgulhosos dos nadadores chegarem as suas posições para mais uma típica demonstração de como eles são idiotas, principalmente por usar aquele collant ridículo.
Todos começaram a aplaudir e eu me virei para tirar as fotos dos nadadores se aproximando da piscina. Não vou mentir, alguns deles ficavam uma gracinha, mas outros pareciam minhocas dançarinas. Comecei a bater as fotos e alguns acenavam sabendo que iriam aparecer no jornal de amanhã, eu apenas revirei os olhos tentando não me irritar com isso, principalmente com o maior exibicionista de todos: Percy Jackson. Finalmente eles entraram em posição e começaram a se aquecer, pude ouvir os murmúrios de algumas garotas que na minha opinião não tinham nada mais interessante para assistir.
Alguns minutos se passaram e o apito foi soado para que eles dessem a largada, eles caíram na água e começaram a nadar numa velocidade incrível, nisso eu tinha inveja, tenho que admitir.
“Como eles conseguem?” – pensei.
Logo eles já estavam no final da piscina, e bateram os pés na borda e voltaram, porém um dos participantes ficou, ele subiu da água e eu bati a foto, era o Jackson e ele parecia com dor, alguns na arquibancada se levantaram para ver o que se passava com ele, mas logo os olhares foram desviados, o apito foi soado novamente enquanto todos havia batido a mão da vitória, e Jason Grace, o irmão de Thalia diga-se de passagem, era o vencedor. Um dos treinadores foi até o Jackson e o tirou da água.
“Mais matéria, talvez isso ainda seja melhor do que os mascotes quebrando o nariz do juiz” – pensei e corri até onde estava o nadador e seu treinador, liguei o gravador e aproximei deles.
–Acho que distendi o nervo do braço – ele segurava um dos braços – Está doendo muito.
–É o mesmo braço da ultima vez? – o treinador preocupado perguntou.
–É sim – ele abriu o collant até a cintura e tentou tirar o braço do Jackson para poder olhar o estrago – Isso dói.
–Fique calmo – ele deu mais um puxão, mas Jackson puxou de volta – Vamos para enfermaria.
Porém naquele momento um outro aluno da escola se vangloriava de ter vencido, Jason, e o treinador não podia deixar de parabenizá-lo, mas também não poderia deixar Jackson machucado ali, então ele fez algo muito estúpido na minha opinião.
–Hei você! – ele apontou pra mim.
–Eu? –perguntei descrente.
–Annabeth Chase, não? – o treinador perguntou e eu acenei que sim – Por favor, leve esse garoto a enfermaria para mim.
–O que? – Jackson e eu perguntamos juntos.
–Você quer um braço bom não quer? – perguntou retoricamente ao Jackson e a besta acenou que sim – E você quer um ponto extra em educação física? – a pergunta para mim não foi retórica.
–Se eu levar esse cabeça de alga eu ganho um ponto? – perguntei franzindo o cenho.
–Como? – Jackson protestou.
–Eu preciso entregar a medalha ao Jason – eu olhei para o garoto que esperava o treinador no pódio – Por favor, senhorita Chase? – eu poderia ter feito ele implorar mais um pouquinho, mas eu não tinha a noite toda e queria ir embora logo.
–Ok, eu levo – disse a contra gosto – Mas eu não vou esquecer que eu preciso do ponto, que isso fique bem claro.
–Hei – eu ouvir o Jackson resmungar.
–OK
–Mas... – o Jackson ia falar algo quando o professor saiu.
Ficamos em silencio por cerca de dois minutos. Ele finalmente me olhou, ele parecia estar com um misto de dor e raiva.
–Você não vai me levar não! – ele gritou.
–Não grita comigo – eu falei o fuzilando com o olhar – Eu não me importo nem um pouco que você esteja com dor, e eu só vou pegar o ponto extra para ter uma garantia, pois eu sou uma ótima aluna – ele revirou os olhos.
–Eu também não me importo com nada disso que você está falando, a única coisa que eu quero é tomar um remédio para o meu braço – o que me deu vontade de fazer naquele instante era torcer o braço bom dele, mas eu respirei e contei até dez.
–Vamos logo antes que eu me arrependa – falei entre dentes já seguindo para saída.
–Hei me espere – ouvi ele dizer atrás de mim – Você é muito grossa, muitas meninas morreriam para me levar a enfermaria – eu olhei para traz já imaginando a expressão de bonzão que ele estava no rosto, e não me enganei.
–Que pena que eu não sou uma dessas – me aproximei dele – E se você acha mesmo que isso é verdade, eu não consigo entender como nenhuma delas veio atrás de você, e pior, que todas elas estejam ali babando pelo Jason – apontei para o vencedor e todas as “tietes” a sua volta – Penso eu que Percy Jackson perdeu o seu posto – eu dei uma risadinha sínica e o vi enraivecer por causa do novo vencedor.
–Vamos logo! – ele tomou a frente irritado e seguiu até a enfermaria.
Chegamos à enfermaria e a enfermeira estava lendo uma revista atrás de sua mesa. Jackson pigarreou e ela olhou surpresa, fechou a revista e a guardou na gaveta.
–Pois não? – ela falou já se levantando.
–Boa noite... – falei, mas logo Jackson sentou na maca e começou a desembuchar.
–Eu estou com dor, eu estava nadando e acho que distendi um músculo, ou um nervo, sei lá, só faça essa dor horrível passar, tá difícil?
–Ninguém te deu educação não menino? – a enfermeira perguntou já inconformada com o modo de que ele havia tratado ela.
–Como é? – Jackson perguntou também, por causa do tom de voz da enfermeira.
–É o seguinte, você precisa de um remédio e eu quero que você trate as pessoas com respeito, tá difícil? – ela o imitou e eu comecei a rir.
–Não – ele abaixou a cabeça e eu ri mais.
–Muito bem então – ela o examinou e eu havia percebido que eu não precisaria mais ficar ali.
–Bom, acho que tudo está bem encaminhado eu vou...
–AI! – Jackson gritou e eu ouvi um estalo.
–Acho que você está com o braço deslocado – a enfermeira comentou – Eu não posso fazer nada, você vai ter que ir ao hospital.
–Tá doendo muito – ele reclamava.
–Você pode levá-lo? – perguntei já sabendo qual era a resposta.
–Sinto muito senhorita, mas eu não posso deixar meu posto, e acho que isso não é caso de ambulância – é realmente, era pouca coisa pra chamar uma ambulância.
–Você não tem um amigo? Um parente? Sua mãe? Qualquer um que posso te levar? – já estava desesperada.
–Era para meus amigos estarem aqui, mas aquele imbecil do Jason deve ter levado todo mundo embora pra sua festa – ele disse com desdém – Minha mãe está trabalhando – ele parecia pensativo – Não, não tem ninguém.
–Droga! – xinguei e a enfermeira me fuzilou com o olhar – Desculpe – olhei no relógio e já era dez horas da noite, praguejei mentalmente e respirei fundo – Vamos eu te levo – disse a contragosto.
–Eu não quero que você me leve – ele levantou ainda segurando o braço – Posso ir sozinho.
–Ótimo, eu não me importo mesmo, afinal eu posso dirigir com duas mãos para minha casa – dei as costas e o ouvi chamar.
–Hei! – eu olhei para traz e ele começou a me seguir.
–Para sua informação meu nome não é “Hei” é Annabeth Chase, pra você só Chase – eu sabia que ele não lembrava meu nome, por isso disse como se fosse a primeira vez que nos falávamos.
–Ok – ele disse a contra gosto.
Seguimos para o estacionamento e eu comecei a procurar meu carro, o estacionamento estava tão lotado na hora em que eu havia chegado que agora nem sabia onde estava. Alguns segundo depois o localizei próximo ao um poste.
–Ali – apontei pro meu Dodge Charger Rt e o vi fazendo uma careta – O que foi?
–Nós vamos nisso ai? – eu não precisei responder nada, apenas segui para o carro o deixando para traz, abri a porta e entrei, logo o vi batendo no vidro – Abre a porta – ele pediu.
Abri a porta e notei que ele estava molhando, antes dele sentar eu gritei:
–Pode parar ai!
–O que foi agora?
–Não vai sentar no meu estofado novo com esse collant de bailarina molhado não!
–Isso não é um collant, é uma roupa especial para natação – corrigiu.
–Não me interessa, só não vai sentar aqui com isso.
–E o que você quer que eu faça? Fique pelado, é? – eu comecei a rir de imaginar a cena.
–Nem vem! – respondi e comecei a pensar numa solução – Espera um pouco.
Saí do carro e fui até o porta-malas, dentro dele havia um monte de coisas entre elas uma blusa velha bem no fundo, ela não era muito grande, mas daria para ele sentar.
–Ponha isso debaixo desse collant molhado – joguei a blusa para ele e entrei no carro.
–É uma roupa de natação – ele disse bravo e entrou no carro.
O caminho para o hospital foi bem silencioso, a não ser pelo rádio ligado bem baixo. Eu não fazia ideia porque estava ajudando aquele egoísta, mas me senti muito bem em fazer isso, afinal quem diria que Percy Jackson, o melhor nadador de todos precisaria da minha ajuda, uma mera aluna comum.
–Acho que você errou o caminho Annabella – ele disse de repente.
–Não errei, é por aqui – disse tentando conferir por mim mesma que aquele caminho era o correto – E meu nome é Annabeth.
–Não, você tinha que virar na ultima rua à direita – ele falou com um tom um pouco mais “folgado”, por assim dizer.
–Não, eu vou até o próximo semáforo e viro a direita ali – falei já perdendo minha paciência.
–Se você tivesse pego a ultima direita não precisaria pegar o semáforo Annabella – ele estava sendo muito irônico para meu gosto.
–Mas acontece que eu não te perguntei nada e eu vou por onde eu quiser – falei mostrando pra ele que quem mandava naquele carro era eu – E meu nome é Annabeth!
–Orgulhosa – ele resmungou.
–Eu não precisava te ajudar, eu não queria te ajudar, eu poderia estar na minha casa tomando um banho quente e indo para cama, mas não, eu tinha que ajudar o cabeça de alga – falei já gritando.
–Eu não queria sua ajuda! – ele gritou de volta – E não me chama assim.
–Quer saber de uma coisa, eu vou largar você naquele hospital e nunca mais quero olhar pra sua cara feia!
–Ótimo, pois eu também não quero mais olhar pra sua!
Eu virei à direita após o semáforo e chegamos ao hospital. Descemos do carro e seguimos até a recepção, o hospital não estava muito cheio, porém eu odiava hospital.
–Boa noite, posso ajudar? – perguntou uma das enfermeiras.
–Sim, eu gostaria de largar esse estorvo e voltar para minha vida – disse tomando a frente, a enfermeira ficou com uma expressão estranha e o Jackson me lançou um olhar fulminante.
–Eu acho que desloquei o braço e preciso de ajuda – ele respondeu para ela ainda olhando para mim.
–Por favor, preencha está ficha que logo será chamado – ela entregou uma prancheta para ele e ele a olhou provavelmente com a mesma expressão que eu: “Como ele vai preencher se está com o braço machucado?”.
–Eu não sei se a senhora notou, mas meu braço está machucando – acho que ele até que se controlou para não dar uma resposta mais grossa.
–Oh, desculpe, mas eu tenho muitas pessoas para atender, você poderia preencher para ele? – olhou para mim.
Eu realmente não estava aguentando mais, todos me pediam pra ajudar aquele inútil do Jackson, e pra piorar ele é um ingrato que nem ser gentil sabia.
–Olha me desculpe, mas eu já fiz muito por ele hoje – disse sinceramente.
–Eu não preciso de você – ele orgulhoso pegou a prancheta da mulher e sentou em uma das cadeiras de espera.
Eu poderia ter ido embora, mas não queria perder a cena dele se matando para escrever com a outra não. Eu me apoiei no balcão da recepção e fiquei ali por uns dez minutos, e nisso ele não conseguiu escrever nem mesmo o seu nome. Eu perdi a paciência, acho que na verdade me deu pena vê-lo tão ridículo.
–Posso ajudar? – falei sentando do lado dele.
–Eu não preciso... – ele me olhou e notou que se ele falasse mais alguma coisa eu iria embora – Tudo bem.
–Nome? – perguntei com a caneta no local descrito.
–Perceu Jakcson – ele falou meio sem graça, todos o chamavam de Percy, mas eu sabia desde pequena qual era seu nome.
–Ok – disse escrevendo.
–Peraí! – ele falou chocado – Como assim? Não vai perguntar nada não?
–Não – disse indiferente.
–Ninguém sabe que esse é meu nome – ele falou franzindo o cenho.
–Bom, eu sei – falei indiferente – Data de nascimento?
–Como assim você sabe? – ele iria ficar batendo nessa mesma tecla.
–Olha eu sei e pronto! Continuando... – ele ficou meio intrigado, mas nós continuamos.
–Data de nascimento? – repeti.
–Dezoito de agosto de mil novecentos e noventa e quatro – ele respondeu e eu anotei.
Fiz todas as perguntas que estavam no formulário e as entreguei para a recepcionista. Sentei ao seu lado e olhei no relógio, já era dez para as onze, minha mãe devia estar enfartando.
–Não vai embora? – ele perguntou pasmo.
–Não, vou esperar até sua mãe chegar ou até o médico te atender.
–Obrigado – ele falou sem graça e eu dei uma risada.
–Olha que coisa interessante, Percy Jackson pedindo desculpas – falei meio sarcástica.
–Não exagera, foi um obrigado de obrigação mesmo – ele falou como sempre, orgulhoso.
–Não se preocupe, um dia talvez você aprenda a agradecer de verdade – ele me olhou irritado, mas logo sua feição mudou, ele me olhou com curiosidade – O que foi?
–Eu te conheço.
–Claro que conhece, estudamos junto. Qual é? A dor está afetando seu cérebro?
–Não, eu já te vi antes – então ele estava lembrando quem eu era, acho que merecia uma medalha – E seu nome me é familiar – ele pensou mais um pouco – Claro, Annabeth Chase!
Notas finais
Ah, e vejam o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=ES_gd8BkHxQ
Beijinhos!
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