Ain't It Fun?
3 Capítulo 2 - Se não doer agora, espere!
Notas iniciais
Mesmo assim:
Enjoy!
Capítulo 2 – Se não doer agora, espere!
“Se não doer agora, espere,
Apenas espere um pouco” — Aint’t it Fun
FLASHBACK – Annabeth P.O.V.
Era sábado, dia de brincar e não me preocupar com mais nada a não ser em me divertir. Desci as escadas correndo e dei de cara com a minha mãe me olhando com aqueles olhos penetrantes, se havia algo que a minha mãe sabia fazer bem era isso.
–Sem correrias pela casa Annabeth – minha mãe gostava bastante do meu nome, pois somente naquele dia havia dito umas trinta vezes – Onde a senhorita vai?
–Eu vou brincar na casa do Percy – respondi como se fosse a coisa mais obvia do mundo, afinal quando eu não ia a casa dele ele vinha a minha.
–Tudo bem – minha mãe me deu passagem – Mas esteja aqui na hora do almoço, vamos o centro da cidade fazer umas compras para você, afinal você está parecendo um verdadeiro moleque.
Não era verdade, hoje ainda estava nos meus melhores dias, eu até havia penteado o cabelo. Estava vestindo um macacão jeans e uma blusa vermelha, um All Star rosa e estava com meu boné na mão para poder jogar baseball, estava perfeitamente normal.
–Ok – disse meio emburrada e bati a porta atrás de mim.
Corri até a casa de Percy que ficava apenas duas acima da minha, nós morávamos no subúrbio de Nova York, o que facilitava muito as coisas para nós. Eu o conheci na escola, estávamos na mesma turma de inglês, e devo dizer que ele é péssimo nisso, eu o ajudei em algumas matérias mais difíceis e desde então somos grandes amigos. Coloquei o meu boné dos Knicks e parei em frente a sua casa.
–PERCY! – gritei e vi a Sra. Jackson, mãe de Percy acenar da janela da sala.
Ela era uma ótima cozinheira e tudo de gostoso que ela fazia ela usava corante azul, pois na doceria onde ela by Text-Enhance\">trabalha eles costumam usar bastante, e ela sempre trazia para nós.
–Oi Tia Sally – disse acenando e ela abriu a porta e me convidou para entrar.
A casa de Percy não era muito grande, porém era muito aconchegante, e diferente da minha casa que cheira isopor e papelão de tanta comida pronta que nós compramos, a casa de Percy cheirava a comida caseira, na maioria das vezes docinhos caseiros, que eu amava.
–Percy, sua amiga Annabeth está aqui – Sally gritou do final da escada, provavelmente ele estava no quarto – Sente-se Annabeth, ele deve estar arrumando o quarto, aquilo estava parecendo um ninho de cobras – eu sorri, mas para disfarçar, pois o meu quarto devia estar mil vezes pior que o de Percy. Eu então sentei na sala e vi que a Sra. Jackson já estava de uniforme, provavelmente já estava indo by Text-Enhance\">trabalhar – Fique a vontade querida, vou terminar de passar minha blusa do uniforme.
Ela saiu em direção ao quarto onde ela passava roupa e logo Percy já estava descendo as escadas. Percy era um garoto legal, ele tinha cabelos muito negros, que por sinal já estavam ficando enormes, olhos esverdeados, cor do mar e era da pele clara, mais clara que a minha.
– Oi Annie – ele cumprimentou e eu apenas levantei a mão, como um aceno – Quer comer alguma coisa?
–Não obrigada – agradeci – Minha mãe acabou de me dar café com alguma coisa que penso serem rosquinhas de ontem.
–Entendi – Percy riu – Bom, então chega de papo, vamos ao jogo do século! – ele falou animado.
–Se você se refere aquele seu rebate que parece a minha mãe, acho que vai ser mais o jogo do minuto – Percy fez uma careta e eu ri da expressão dele.
–Você fala muito pra uma garotinha – ele mostrou a língua e eu mostrei de volta.
–Meninos – ouvi a senhora Jackson chamar – Sem discussões, quero que brinquem e não briguem e por favor não quebrem mais nenhuma vidraça.
Neste momento senti minhas bochechas queimarem enquanto Percy ria, pois na ultima vez que jogamos eu quebrei a vidraça do Sr. Nelson e na outra semana que havia passado quebrei a vidraça da janela da Thalia, a minha sorte é que ela não me dedurou.
–A senhora vai voltar tarde? – Percy perguntou com um semblante tristonho.
–Vou me esforçar para chegar as três, meu querido, mas não garanto nada, está bem? – ela deu-lhe um beijo no rosto e depois uma piscadinha para mim – Se divirtam, não quebrem nada e já sabem as regras. Até mais! – ela colocou a bolsa nos ombros e fechou a porta em suas costas.
–Vamos ao jogo mané? – falei mostrando a língua de novo e Percy ficou furioso.
–Vamos nessa, sabe-tudo! – Percy foi marchando para o armário embaixo das escadas onde guardava suas coisas de baseball.
Fomos até o fundo da casa onde havia um ótimo quintal, havia também um pequeno quartinho onde Poseidon, pai do Percy, costumava guardar de barco e algumas coisas de pesca. O pai de Percy não vivia com ele, ele ainda era casado com a Sally, porém ele trabalhava em Atlantic City e os visitava uma vez por mês.
–Preparada mocinha? – disse tirando sarro de Percy.
–Você vai chorar dessa vez Annabeth Chase! – Percy me ameaçou já preparando o taco.
Eu lancei a bola e em questões de segundos Percy rebateu com força, mas tudo aconteceu muito rápido, a única coisa que me lembro é de uma dor de cabeça muito forte e Percy gritando alguma coisa, e depois tudo ficou bastante escuro.
–Que dor! – Percy Jackson gritava enquanto o médico forçava seu braço. Talvez ele nem estivesse forçando tanto assim, mas parecia estar doendo.
–Vamos ter que tirar um raio-x, pois isso me parece mais do que apenas uma torção – o médico saiu da sala com a ficha de Percy e eu apenas observava da porta ele descer da maca.
–Da ultima vez que estivemos juntos aqui isso foi um pouco diferente – Percy falou rindo, mas não olhou para mim.
–Você me deu uma bolada na cara – falei sem expressar reação alguma ao seu comentário engraçadinho.
–Foi muito engraçado – ele riu e eu continuei sem reação – Você desmaiou e eu tive que correr pra chamar sua mãe, ela ficou louca da vida comigo – parecia que havia se aberto uma memória em Percy Jackson que ele não tocava há muito tempo.
–Você acha isso engraçado porque não foi você – disse entrando na sala – Agora olha que engraçado: Você está com o braço ferrado e quem pode rir disso agora sou eu – falei ironicamente.
–Você é muito estressada sabia? – eu iria respondê-lo com algo muito mal educado, mas o médico entrou na sala.
–Olha, o raio-x vai demorar um pouquinho, preciso que você espere lá em frente a sala – o médico nos levou para fora de sua sala e nos mostrou o caminho.
Olhei no relógio e percebi que já era meia noite e cinco, e então percebi que a minha mãe não havia me ligado nenhuma vez, peguei meu celular estranhando a situação, foi quando eu me dei conta de que iria morrer.
–MERDA! – gritei alto o suficiente para todos no hospital olharem para mim.
–O que foi? – Percy perguntou olhando pra mim, provavelmente com vergonha.
–Eu esqueci de ligar o celular depois do jogo – eu apertei o botão ligando o celular e para o meu azar haviam trinta chamadas não atendidas e cinco mensagens:
“Annabeth cadê você?”
“Annabeth atenda seu telefone!”
“Annabeth atenda o telefone ou eu te arranco os cabelos”
“Annabeth Chase eu estou preocupada, atenda o telefone!”
“ANNABETH CHASE, CADÊ VOCÊ? EU VOU LIGAR PARA A POLÍCIA” – essa provavelmente foi a que mais me preocupou.
–Você tá ferrada! – Percy falou olhando para minhas mensagens.
–Você acha? – falei brava e o deixando sozinho, infelizmente eu precisava ligar para a minha mãe, e o melhor seria fazer isso fora da ala dos internados, afinal eles não iriam querer ouvir um monte de berros, mesmo que por telefone. Fui para fora do prédio onde já estava bastante frio e pouco movimentado.
Teclei os números do seu celular torcendo para que ela não atendesse. Pelo menos eu poderia ter dito que liguei, porém ele nem mesmo tocou uma vez e ela já atendeu aos gritos:
–Annabeth onde você está?! – a voz da minha mãe nervosa era para colocar medo a qualquer um.
–Mãe eu... – eu tentei falar, eu juro que tentei, mas ela não deixou.
–Você perdeu o juízo garota? Não sabe o quanto eu liguei para as pessoas na sua escola. Você disse que iria fazer uma matéria e já voltava para casa. Você quer me matar menina? Eu te procurei até no necrotério Annabeth! – exagerada — Você não tem consideração por ninguém! Você não pensa que sou uma mãe solteira que cuida de uma filha que dá sumiço no meio da noite. Você está me ouvindo Annabeth?! – quem dera não estar.
–Tô mãe! – disse encostando minha cabeça na parede, eu já estava com uma baita dor de cabeça.
–Onde você está?! – eu não sei se dizer a verdade iria evitar que ela me matasse, mas eu iria ter que dizer, mas não sabia como.
–Eu estou no... Er... – como iria dizer a está mulher completamente histérica onde eu estava? – Er...
–Não me enrole Annabeth!
–No hospital – falei de uma vez.
–Ai meu Deus! O que aconteceu? Você está bem? Quem foi o desgraçado Annabeth? – minha mãe começou a berrar mais ainda.
–Calma mãe! – tentei dizer – Eu estou...
–Eu estou indo ai, não se mexa! – eu ouvi o barulho das chaves do carro e então tive que tomar um atitude que sabia que iria me arrepender depois.
–Mãe cala a boca!
–Como é que é? – ela falou mais brava do que nunca.
–Eu tive que fazer isso. Presta atenção, ok? – respirei fundo – Estou no hospital, pois um garoto da escola teve um problema no braço enquanto eu estava fazendo uma matéria e pediram para que eu o trouxesse aqui, eu estou bem, só estou esperando liberar ele, pois a mãe dele ainda está no trabalho – disse de uma vez antes que ela me cortasse.
–Você me mandou calar a boca Annabeth? – Puts! Ela não havia entendido nada depois do “Cala a boca”.
–Mãe desculpe é que eu...
–É o seguinte, assim que esse menino tiver alta eu quero você em casa – ela falou firme – Porém, por causa dessa sua falta de respeito para comigo a senhorita está de castigo por uma semana, estamos entendidas?
–Mas mãe...
–Eu falei está falado! – ela gritou – E quero essa história bem contada quando você chegar, entendeu?
–Entendi – disse já pedindo a Deus que me confundissem e me dopassem aqui no hospital.
Ela desligou o telefone e eu entrei, Percy não estava mais em frente a sala, o que significava que ele já havia entrado para o raio-x. Eu sentei em frente a sala e joguei minha cabeça para traz e fechei os olhos por alguns minutos enquanto ouvia meu corpo reclamar de cansaço.
–Hei! – senti a mão de alguém me empurrar a abri os olhos – Vamos eu vou passar no médico novamente e depois você pode ir.
–Sabe o que ajudar você me custou? – falei nervosa.
–Não sei e nem estou interessado em saber – ele falou debochando e eu não aguentei mais.
Eu não estava em sã consciência, estava suja, com sono e com muita raiva, então eu fiz algo muito ruim. Eu aproveitei que Percy havia dado as costas para mim e girei seu braço machucado com força, ele fez um barulho estranho, foi nesse momento que eu caí em mim e o soltei.
–SUA LOUCA! – ele gritava enquanto uma enfermeira vinha em seu socorro.
–Eu sou louca e você é um fresco! – gritei de volta – Um ingrato! Eu peguei um castigo que nunca havia pego em minha vida para te ajudar e você nem o menos se importa!
–Se você fosse menos louca eu me importaria! – ele gemia enquanto a enfermeira o examinava, depois ela correu para chamar o médico.
–Quer saber de uma coisa, eu vou embora! – gritei na frente dele e dei as costas para ele.
–Tudo bem garoto? – médico passou por mim e o examinou com cuidado e depois pegou o raio-x.
Nisso eu já estava pegando a minha bolsa no banco e também meu gravador que por sorte ninguém o havia roubado.
–Seu braço só precisa de alguns analgésicos, isso ainda vai doer por alguns dias, mas é somente uma inflamação – ouvi o médico dizer enquanto passava por eles – Mocinha! – ouvi o médico me chamar assim que virei de costas em direção a saída – Ele está bem, pode levá-lo para casa.
–Eu não vou levá-lo – disse seria olhando fixamente para os olhos verdes enraivecidos do Jackson.
–Mas eu pensei que vocês estivessem juntos – o médico disse meio constrangido.
–Eu estava o ajudando mais ele é muito ingrato – disse franzindo o cenho e fixando meu olhar no Jackson.
–Acho bom você ser legal e aceitar a ajuda dela – o médico falou para ele – Pois por aqui a essa hora não passa ônibus e muito menos taxis.
Eu não falei nada, apenas virei as costas e segui para o meu carro, não queria mais ajudar o Jackson e também não queria mais que ninguém me pedisse favores.
Entrei no carro já sentindo todo o peso do cansaço e da culpa de tê-lo deixado lá sozinho. Encostei minha cabeça no volante e pensei em o que fazer. Eu teria que tomar uma decisão e teria que arcar com qualquer uma das consequências.
Respirei fundo e sabia o que fazer.
Lá estava ele parado no corredor com o telefone no ouvido e com expressão de decepção. Eu fiquei com pena.
–Vamos Jackson! – ele me olhou e eu joguei a blusa que ele havia sentado no carro – Ponha isso que lá fora está frio e está dor vai piorar muito.
–Espere – ele falou enquanto eu lhe dava as costas – Por que voltou?
–Porque um dia você fez o mesmo – disse sem olhar para traz.
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