Ainda é cedo.

11 Capítulo 11: Não estamos compromissados


Manuela

-Me avisa assim que chegar lá viu?

Minha mãe me deu um beijo e saiu para buscar algumas últimas coisas. Ela parecia satisfeita com o que eu estava fazendo. Abria um sorriso de ponta a ponta da orelha quando eu explicava sobre alguma coisa que tinha aprendido, por mais boba que fosse a informação.

Pela primeira vez, ela parecia orgulhosa de mim. E parecia que mesmo sem minha ajuda, ela estava indo muito bem. Acho que ambas precisávamos disso.

Mas esse pensamento me deu um aperto no peito. Eu já tinha mentido tanto desde que cheguei. Falei que não arrumei um emprego por falta de tempo ou oportunidade, não contei sobre meus amigos – ela não ia gostar nem um pouco das histórias que tinha da Laura – e obviamente a pior mentira de todas: Edu.

Não havia mentido só pra ela... Bem, tecnicamente não foi mentira, eu só não contei pro Sam sobre minha amizade com Edu, só isso...

Fui embora me sentindo culpada. Como da ultima vez, minha mãe fez seus discursos e me deixou com o Sam.

-Quando se resolver sobre ele, me liga, tá? Posso namorar mas você ainda é minha irmã! Isso não muda.

-Prometo!

-Agora vai... Não, espera – ele segurou meu braço me fazendo voltar os dois passos que eu tinha dado – Sobre o papo de crescer...

-Não, você tá certo. Eu amadureci rápido e não tive tempo para ter as malditas experiências de uma típica adolescente. Não sei lidar com sentimentos.

Falei em um tom tão gozado que não consegui conter o riso.

Ele mudou o olhar.

-Não cresce não.

A voz baixinha e os dentes travados para não chorar fizeram meus olhos encher.

-Mas que merda Sam.

Ele riu e começou a chorar como uma criança, sem me soltar até o último minuto.


Eduardo

A porta do desembarque abriu e esperei por ela no mesmo lugar da primeira vez. Era engraçado como a gente tinha se odiado tanto naquele dia. Na verdade, eu tinha odiado! Mas agora não conseguia entender como pude achar ela parecida com a Rachel, porque realmente não conseguia mais ver nada em comum.

Novamente ela foi uma das últimas a sair. Estava diferente, não sei... Acho que era a touca folgadinha que usava sobre os cabelos e deixava ela com cara de turista. Ou talvez fosse só a saudade que fazia meu peito acelerar de ansiedade.

Lembrei do dia que ela propôs o acordo... Foi um bom acordo, realmente. Fui um idiota, um completo idiota. Não posso exigir nada dela, certo? Certo!

Ela parou na minha frente e abriu um sorriso.

-Oi Eduardo.

-Oi Manuela.

Sem beijo, sem abraço. Ela só estava ali na minha frente. Havia uma sombra de sorriso nos lábios vermelhos, um olhar calmo, paciente.

-Como foi lá?

-Ótimo, e como foi por aqui?

-Ótimo também.


Manuela

"Ótimo? É claro que foi ótimo! Tinha uma garota no apartamento dele!".

Cala a boca, mente caótica da Manuela!

-Então vamos?

Peguei o puxador da minha mala e comecei a andar com ele me seguindo. O dia estava nublado e agradeci a Manu do passado por ter saído com a cabeça protegida. Parei assim que saímos do aeroporto em direção ao estacionamento, arrumando minha touca para não cair com o vento.

-Onde tá o carro?

Ele passou na minha frente e foi andando, sem falar nada.

Paramos em frente a vaga, ele um pouco na minha frente. Apertei o botão do puxador para poder guardar a mala, mas não foi bem isso que aconteceu.

Foi tudo rápido demais. Ouvi o barulho da minha mala no chão quando suas mãos seguraram meu rosto e a única reação que tive foi corresponder. Segurei minha touca com uma das mãos, a outra em seu ombro para que eu tivesse apoio já que fiquei na ponta dos pés. O vento batia balançando os cabelos soltos. Sentia a barrinha do vestido roçar nas minhas pernas. Seus dedos escorregando para minha nuca enquanto seus lábios envolviam os meus. Se a saudade fosse traduzida em um gesto, seria naquele beijo.

A sola dos tênis encontraram o chão de novo, mas ele não parecia muito firme. Ou talvez minhas pernas tenham se esquecido de como se firmar.

-Você...

Falei ainda tentando me situar. Ele sorriu e me deu um beijo na bochecha.

-Você adora isso.

Pegou minha mala jogada no chão e entramos no carro.


Entramos no elevador e eu tropecei no meu cadarço, me desequilibrando. Me segurei no braço do Edu, que fez cara de dor.

-Desculpa.

-Não é isso, é que... — ele coçou o olho, nervoso para desviar o olhar — Digamos que sofri um pequeno acidente.

-Acidente? Como assim?

Como ele sofre um acidente e não fala nada?

-Não importa. O que interessa é que machuquei o braço, mas to bem, é só uma luxação.

-Foi no hospital pelo menos?

-Não precisou...

Como ele sofre um acidente, não fala nada e não busca um hospital?

-Eduardo!

-Fui atendido na hora.

-Como assim? Tipo, ambulância e...?

-Não, já disse, não foi nada.

-Quando foi?

-No dia que você viajou.

-Falou comigo depois disso, por que não me contou? – meu tom saiu um pouco mais indignado do que eu realmente esperava.

-PORQUE VOCÊ DESLIGOU NA MINHA CARA.

Ele se virou pra mim, gesticulando enquanto falava.

-É, eu desliguei mesmo, PORQUE TINHA UMA GAROTA COM VOCÊ!

A porta abriu e lá estávamos nós discutindo. Olhei no visor: quarto andar. Uma velhinha entrou se encolhendo. Ele voltou para seu lugar e calamos a boca na hora.

-Não é desse jeito que você tá pensando – disse entredentes.

-A desculpa mais velha do mundo sendo usada mais uma vez. Relaxa. Não pensei nada – respondi do mesmo jeito.

Os dois tentavam sussurrar, mas era em vão. Era mais uma discussão em voz baixa, com ambos tentando se controlar e falhando.

-Não pensou? Então por que desligou quando ouviu a voz dela? – ele virava a cabeça em minha direção em cada frase que dizia.

-Não quis interromper – fiz da mesma forma.

-Isso é ridículo.

-Não, aquela nossa última discussão foi ridícula.

-Esse ciúmes é desnecessário. Não foi nada demais.

-Ciúmes? Não fui eu que dei crise por causa de uma carona até o aeroporto.

-Ambos sabemos que não foi pela carona!

A velhinha nos olhava de olhos arregalados. Ambos com os olhos cerrados, a respiração acelerada, nos encaramos sem cortar os olhares. Eu olhava para cima de braços cruzados, ele apoiava uma das mãos na parede do elevador, olhando para baixo.

A porta abriu no sexto andar e a idosa desceu. Se ela conseguisse correr, teria feito. Mas não deixei de notar que ela acelerou os passos para sair o quanto antes de lá.

Descruzei os braços quando percebi o que realmente estávamos fazendo.

-Droga, estamos parecendo um casal.

A porta abriu no sétimo andar e eu saí o mais rápido possível também, puxando minha mala. Ele me seguiu, soltando um "tsc" frustrado e extremamente alto.

Entramos e fui direto para o meu quarto.

-Você tá sendo infantil! — ele gritou da sala assim que entrou.

-E você é um imbecil! — gritei de volta, apenas confirmando a minha infantilidade.

Bati a porta do quarto, trancando logo em seguida.

"Isso Manu, super maduro da sua parte".

Enfiei minha cabeça no travesseiro abafando o grito.

Ótimo, eu parecia uma menininha de quinze anos. Um grande chilique!

Chega!

Abri a mala e joguei tudo de volta no guarda roupa, já que graças ao poder divino das mães, voltei de viagem com toda a roupa limpa. Vesti um short jeans e uma blusa bem larga, com um top por baixo. Apesar de não estar calor, sentia meu corpo quente. Coloquei meus fones no máximo e sai. Dei algumas voltas pela rua e me vi parada em frente a tal escola de dança. Não era daquelas chiques e bem estruturadas. Era só um salão, provavelmente mantido através de doações, considerando a pintura descascada e a necessidade de manutenção na fachada.

Entrei e mesmo com nada demais no espaço, fiquei encantada. A estrutura simples, o chão de madeira, o espelho gigante trincado em uma das laterais, um enorme quadro de giz mostrando o horário das aulas. O teto alto tinha marcas de infiltração e a iluminação entrava pelas janelas antigas.

-Aluna nova?

Tirei o fone que ainda restava e identifiquei a voz através do espelho. Dois garotos encostados do lado oposto da sala.

-Só to...

-Olhando? Qual é, tive a mesma reação quando entrei aqui. Dança o que?

-O que tocar.

Eles se encararam com uma expressão de "uuui".

-E vocês?

-O que você dançar, querida.

-Querida é a mãe! Que isso, João?

A garota entrou fazendo cara de raiva, uma mão posta na cintura, andou rebolando o caminho todo, parando na frente do garoto.

-Oi, amor.

Eles se beijaram enquanto o outro menino morria de rir.

-Quem é ela?

Apontou para mim, fazendo cara de nojo, como se eu fosse um verme que ela achou na salada.

-Andrea, não esquenta! Ela é nova aqui, não deu em cima do teu homem não.

Ela ignorou esse fato. Jogou os longos cabelos para trás, cruzou os braços por cima do decote saliente e começou a discutir com o namorado.

O outro cara veio pra perto de mim, me puxando para longe da discussão.

-Vem, te mostro o lugar. Não tem muito o que ver, mas é melhor do que encarar a Andrea.

Realmente não havia muito o que ver: um vestiário pequeno, um salão fechado que estava tendo aula de salsa e uma escada que dava acesso a uma espécie de mezanino aberto. Sentamos nos degraus.

-Então...

-Então...

-Primeiro: nome?

-Manuela. E você?

-Bernardo, mas acho muito nome de metido então... Ben.

-Faz o que da vida, Ben?

-Sou barman e danço.

Como é que é?

-Barman? Tem quantos anos?

-Eu sei, tenho cara de criança, mas tenho vinte e dois, pasme.

-Te dou dezessete e olhe lá!

-Obrigada – ele me deu um tapinha no braço – e você faz o que da vida?

-Medicina.

-E o que tá fazendo aqui? Errou a entrada da biblioteca?

-A dança sempre foi um hobbie pra fugir um pouco dos estudos.

-Difícil de imaginar alguém dançando de jaleco.

Tive que rir.

-E ai, me fala sobre você...

-Tenho 18, faço medicina, moro aqui desde o início do ano e... Sei lá, o que quer saber?

-Onde mora?

-Não muito longe.

-Namora?

Devo ter feito uma careta horrível ao responder.

-Não.

-E por que – ele me imitou – "não"?

-Só não namoro...

-Ok, entendi... Sem mais perguntas. Maaaas, por que não me mostra o que sabe fazer? Temos várias aulas, talvez consiga te ajudar a encontrar uma turma pra você.

-Não, eu sou a novata aqui, por que você não me mostra o que sabe fazer?

Ele deu de ombros e se levantou. Pegou uma caixinha de som dentro da mochila e conectou no celular.

-Observe como se dança meu bem.

Ele dançava muito! Senti vergonha de ter ousado ir até lá achando que me encaixaria. Não conseguia fazer metade dos seus movimentos e conhecia poucos dos passos que ele fazia. A música terminou com ele de joelhos, imitando o som da queda que era reproduzida na música.

-Isso era coreografia feita! Quero ver no improviso!

-Pode vir, doutora.

Seu tom era debochado, aquilo não era pra valer.

Ele mexeu no celular e pude reconhecer a música: Rude Boy, Rihanna.

Isso facilitava pra mim já que meu básico era mexer o quadril de qualquer forma.

Mas não o desafiei, continuei sentada vendo ele dançar. O cara tinha o quadril mais solto do que muita menina por aí! Depois da primeira parte, o refrão se repetia e foi quando ele me chamou. Botou as mãos na altura da cintura me chamando com os dedos.

Levantei o encarando, sabendo que eu não tinha chance. Abri um sorriso debochado, enxotando ele com as mãos, entrando na brincadeira. Comecei a dançar. Acompanhava o movimento do corpo com as mãos, mexendo nos cabelos. Girei sobre a ponta dos pés, parando com o corpo reto. Parei na sua frente, descendo e subindo as mãos perto do seu rosto. Ele segurou minhas mãos, acompanhando meu ritmo. Empurrei seu ombro de leve, me afastando. Ele parou me observando. A música acabou e eu nem me importei. Fazia tanto tempo que eu não dançava... E que saudade de me sentir assim! Estava ofegante, o corpo inclinado, as mãos apoiadas nos joelhos.

-Chega, isso é um lugar de respeito, mulher!

Ele disparou rindo da própria piada sem graça.

-Agora sério! Meu deus, você é...

-Desengonçada, eu sei.

-Não, muito boa. Nunca se viu dançando? – fiz que não com a cabeça – Deveria ver qualquer dia desses... Sei lá, você não é a melhor dançarina daqui mas, tem alguma coisa que você faz que deixa seu jeito de dançar diferente. Falta polir os movimentos e estudar, mas com técnica, podia se dar bem aqui.

Meu sorriso estava enorme, eu estava tão feliz. Sempre ficava assim quando dançava. E eu amava isso! Mas era puro hobbie, nunca cogitei ir além disso. Sendo realista, hoje em dia eu nem teria tempo pra me dedicar decentemente.

-Eu não sei metade do que você fez! Como consegue?

-Não é nada, faço de forma séria desde os 16 então... É, realmente você não tem nenhum passo definido. Dá pra ver que é mais expressão do que técnica.

Era verdade.

-Você me parece alguém interessante, Manuela. Tipo gente maluca, mas totalmente inofensiva.

Eu não sabia o motivo dele falar isso, mas não me importei e dei risada. Algo me atingiu com uma pancada. Levantei de uma vez correndo em direção a porta.

-O que tá fazendo?

-Volto outro dia.

Gritei de volta sem me virar para responder, acenando um tchau.

Corri pra casa. O elevador nunca me pareceu tão lento. Abri a porta com as mãos tremendo pelo esforço da corrida.

Sedentarismo é foda mesmo.

Ele estava no habitual lugar de desenho, sentado com as costas apoiadas no sofá, as pernas dobradas, dando apoio ao caderno, as coisas espalhadas na mesinha de centro. Os cabelos estavam molhados caindo no rosto, a blusa azul escuro estava amarrotada e justa, apesar de não apertar. Os fones tão altos que podia ouvir a música da porta. Os olhos negros concentrados no movimento de vai e vem do lápis. Larguei as chaves no aparador e sentei do outro lado da mesa. Ele levantou os olhos por só um segundo, voltando quase que imediatamente para o desenho. Os lábios franzidos, a expressão concentrada. Ele estava com raiva.

-O que é?

Puxou um dos fones, o que só aumentou o volume pra mim.

-Eu sou maluca, mas eu sou inofensiva.

Ele levantou os olhos sem largar o lápis. O olhar incrédulo, como se eu tivesse acabado de falar a coisa mais tosca que ele já tinha ouvido.

-Não tô pedindo desculpas, e muito menos falando que tô arrependida, mas – baixei os olhos e vi o nó dos dedos avermelhados. A pele parecia sensível mas não tinha nenhum corte ou hematoma. Fechei os olhos, respirando fundo – eu não quero mais brigar.

Ele não disse nada. Eu estava sendo idiota ali na sua frente, tentando falar alguma coisa enquanto ele só me ignorava. Levantei e fui para o meu quarto.

Eu não sabia que era tão ruim ser ignorada. Preferia mil vezes que ele gritasse comigo.

Enterrei o rosto no travesseiro. Não estava chorando, nem gritando, só estava... Sei lá, numa falha tentativa de reprimir o que sentia. Alguns minutos passaram até que ouvi as batidas na porta do quarto. Estava trancada. E eu não ia levantar nem morta pra abrir!

-Manu, abre, por favor.

Não respondi.

-Manuela...

Sequer me movi. Maldita porta do banheiro. Ele deu a volta e entrou, se escorando no guarda-roupas. Pude ouvir sua respiração pesada e cansada, impaciente.

-Ta melhor?

Nada.

-Manuela?

Nada.

Ouvi seus passos, mas ele não se aproximou.

-Manu...

Seu tom de voz agora calmo, diferente da atitude ignorante que tinha mostrado há alguns minutos. Ele respirou mais fundo. Mais passos. Senti o peso ao ouvir a cama ranger. Soltou um outro "tsc" como havia feito horas atrás e suspirou.

-Sai furioso daqui de casa naquele dia, não tinha um rumo certo. Uma garota me atropelou, mas não foi nada grave. Tinha outra pessoa no carro com a garota, ela era fisioterapeuta, me analisou um pouco e disse que não tinha sido nada demais, que só ficaria dolorido. Não tinha porque te contar, você ficaria preocupada a toa. Não queria estragar suas férias... Lamento que tenha parecido que estava escondendo algo. Eu estava chateado, tinha sido idiota antes de você viajar e você não dava notícias...

Tirei a cabeça do travesseiro. Aqueles enormes olhos negros me gelando.

-Tá tudo bem – John! Como eu podia ficar brava? – Não me deve explicações.

-Manuela, chega disso. Ambos sabemos que o acordo foi "sem compromisso", e ótimo, não estamos compromissados. Mas não podemos fingir que não ligamos pro que o outro faz.

Aproveitei a deixa pra tirar uma dúvida que estava pesando no meu peito.

-E a garota?

Ele fechou os olhos, franzindo o rosto. Aquela era a expressão de "merda!".

-Não precisa responder se não quiser.

Eu não sabia se podia mesmo perguntar isso. Eu não sabia o que éramos nesse último mês. Mas para o meu alívio, sabíamos que não éramos namorados, e passávamos longe disso. Eu não era dele, assim como ele não era meu. Mas então por que a ideia dela aqui em casa com ele me incomodava tanto?

-Uma amiga.

Ah tá bom! Conta outra!

-Sempre trás amigas pra sua casa?

-Quando elas querem ver meus desenhos? Sim! Não vejo problema nisso.

-Então – sorriso idiota, nem pense em escapar nos meus lábios – ficou só nos desenhos? Porque na minha terra isso tem outro nome...

-Só nos desenhos.

Silêncio absoluto.

Ta, não consegui segurar o maldito sorriso.

Ele fechou os olhos, como quem diz "eu mereço!" e sorriu também.

-Edu?

-Hum?

-Eu não queria... Você sabe, ter te chamado de imbecil.

O que houve com a minha voz que sumiu assim?

-Isso é um pedido de desculpas?

Revirei os olhos, me jogando de costas na cama de novo. E ele entendeu que isso era o máximo que ia conseguir ouvir de mim.

-Não vou lamentar por te chamar de infantil!

-Não precisa.

-Então... Estamos bem?

-Não sei Edu... Estamos?

-Quer descobrir?

Levantei a cabeça, ele sorria malicioso.

-Nem vem!

Puxou a barra da minha blusa com uma das mãos, puxando minha cintura com a outra livre.

-Não Edu... — minha voz saiu mais manhosa do que eu gostaria, então tive que ser forte.

Empurrei seu peito me levantando da cama. Ele me puxou de volta, me fazendo cair com tudo de costas. Começou a morder meu pescoço de leve, me atiçando. Mas eu não estava com paciência pra isso. Naquele momento, percebi que estava com saudade!

Puxei seus lábios e coloquei minhas mãos por dentro da camisa, arranhando de leve suas costas. Mordi seu pescoço deixando uma marca. Sentia sua pele se arrepiar e gostava disso. Puxei sua camisa, tirando por completo.

Sentia sua mão na minha cintura, entrando pela minha blusa. O tecido parecia arranhar minha pele, mas a sensação logo parou quando ele a tirou por completo. As mãos deslizando pelo corpo, minha nuca, minhas costas... As mãos começando a levantar o meu top. Mas eu não deixei. Dei um tapinha de leve na sua mão, mordi a boca.

-Não sou tão fácil assim.

Dei um último beijinho e sai rebolando de propósito.

-Espera, não pode me deixar assim.

Virei à cabeça já no corredor, fazendo cara de santa.

-Toma um banho que passa.

Ele levantou vindo atrás de mim, me abraçando por trás.

-Isso é maldade...

Sua voz pedindo, choramingando. E pelo que senti no seu abraço, era maldade mesmo. Eu podia ceder, mas era uma cena muito boa pra se perder: ele ali sem camisa, fazendo carinha de cachorro com aqueles olhos. Ai aqueles olhos...

-Nops!

-Manuela – ele virou meu corpo, me fazendo ficar de frente para ele, os corpos colados — você é uma manipuladora!

-Tsc tsc tsc – neguei fazendo biquinho – sou uma boa jogadora!

Me soltei dele e voltei para o quarto. Antes de entrar, pude ver o sorriso torto formado nos lábios, uma das mãos apoiadas na parede e a outra bagunçava os cabelos, daquele jeito que fazia quando estava irritado.

Quando vi aquele sorriso, percebi que estava na merda!