Ainda É Cedo

3 Tosco, Tosca e Tosqueiras


Notas iniciais
Olá pessoal!! *-* Cheguei mais cedo hoje!!! hahahaha Acabo de descobrir que amanhã não estarei em casa, logo sem internet. E para não furar com vocês...Tcharam! Cá estou eu na segunda-feira *-* Espero que gostem e COMENTEM!!Bjsssss

No meu penúltimo dia em Washington resolvi que aquela viagem tinha que valer apena. Tudo bem, tudo bem que eu vim “á trabalho”, mas o que custa bancar a turista já que meu trabalho já está feito?

Com estes pensamentos tomei vergonha na cara, acordei cedo e me arrumei quando Cléo acorda.

– Onde é que cê vai? – ela questionou enquanto eu passava batom – Toda chique ás 9h da manhã?Hum... Cheiro de bofe no ar.

– Cléo o mundo não gira ao redor de homens, fofa. – alertei divertida – Estou indo “turistar” pelas ruas da capital americana. Tá afim de vir comigo?

– Agora?

–Não, dia 32 de novembro. – debochei

A vaquinha me mostrou a língua.

– Ok, dia 32 eu vou. – retrucou – Não saiu desse hotel antes de meio dia por nada nesse mundo.

– Vamos, cara, vai ser legal. – insisti – AH qual é o que tem de bom nesse quarto?

Cléo apontou a cama e em seguida se jogou nela. Bufei derrotada.

– Vai com Deus! – ela exclamou antes de se embrulhar no edredom

– Tá mala, tchau!

E lá fui eu fotografando tudo e todos. Entrando em lojinhas, comprando lembranças pro povo do Rio, xingando mentalmente os atendentes sem noção, comendo tudo quanto é tipo de porcaria... Enfim, sendo turista. Depois de perambular pelas ruas resolvi pegar um táxi e conhecer a residência oficial e principal local de trabalho do Presidente dos Estados Unidos, também conhecida como “Casa Branca”. E lá estava eu observando e fotografando o lugar onde os homens mais poderosos, malignos e safados do mundo trabalhavam quando sou atropelada por algo e caio de cara na grama. E detalhe: Minha câmera foi arremessada para frente e se espatifou no chão.

.- Eu.Não.Estou.Acre-di-tan-do. – eu gemi pausadamente levantando a cara da grama, fitando os restos mortais da minha câmera.

–Ai meu Deus! Me desculpa! – ouvi uma voz angustiada e em seguida o animal me levantou do chão.

Pra quê? Na hora que eu senti que o quadrúpede que quase me matou tentou ser “legal” me levantando do chão, minha reação foi mais ou menos assim:

– DESCUL... – e então eu parei meu ataque de pelanca ao perceber que o animal, o quadrúpede, o cego que não tinha me visto no caminho era o...

– Senhorita Wollscheid? – Steve questionou estupefato – Quer dizer, Isadora?

Fiz uma careta me soltando dele que ainda segurava meus braços.

– Vo-Você? – gaguejei- Fala sério, você quase me matou do coração. – afirmei um pouco mais calma, mas ainda emburrada

– Me perdoe, eu estava fazendo uma corrida e pensando em algumas coisas... Desculpe, acho que me distraí. Você está bem?

– Acha? Você acha que se distraiu?

– Desculpe.

– Tá tudo bem, tirando minha câmera que morreu, eu estou bem. – ponderei

– Eu vou te dar outra! – ele exclamou nervoso

Ergui a sobrancelha me segurando para não gargalhar do nervosismo sem motivo dele.

– Desencana, não preciso de outra. – fiz um bico ao olhar a câmera ou o que sobrou dela – Ér...

– Está vendo? Você está chateada porque eu sou...Eu sou um...

–Ogro? – completei rindo enquanto ele catava os caquinhos da máquina no chão – Ei, Senhor Rogers, pare com isso! Está tudo bem, eu já estava querendo comprar outra... – ele continuava tentando juntar os pedaços,afoitamente – Capitão!

Finalmente ele levantou.

– Me perdoe. – ele pediu pela centésima vez

Cruzei os braços o analisando.

– Te perdoou se você topar tomar um café comigo. – sugeri e ele logo confirmou com a cabeça – E... Se parar de pedir desculpas.

Ele sorriu.

– Tudo bem, me dês... Quer dizer, vamos sim!

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Na lanchonete

– Pensei que não estivesse mais em Washington. – disse ele enquanto nos sentávamos em uma mesa do lado de fora do estabelecimento

–Pois é, aqui estou. Vou embora amanhã então resolvi dar um rolé por aí, conhecer as ruas...

–E então eu apareci e destruí sua câmera. – ele completou de forma tímida e divertida ao mesmo tempo.

Sorri mais abertamente.

–Pois é senhor Shrek. – brinquei

–Shrek? – ele estranhou

– Você não sabe quem é o Shrek? – me espantei – Ah é, tinha me esquecido que você...Hum... Como dizer? Que você é “mais velho”.

Steve soltou um suspiro e juntou às mãos a cima da mesa.

– Ainda não tive muito tempo para me atualizar.

– Ah quanto tempo você... “Acordou”? – eu estava tentando escolher as palavras certas

–Dois anos.

– Na mesma época da batalha de Nova York. – eu sussurrei quase que a mim mesma

– Exatamente.

– E como tem se sentido?

Steve se mexeu na cadeira e percebi que eu estava parecendo a Marília Gabriela.

–Ai meu Deus, me desculpa! – pedi realmente envergonhada – Eu estou aqui te entrevistando e ... Foi mal mesmo, você nem me conhece e eu aqui falando, falando e fazendo perguntas indiscretas sobre sua vida pessoal.

Ele sorriu de canto.

–Não, está tudo bem. Na verdade, você é a primeira que me fez essa pergunta. Ninguém se importa. – desabafou

– Jura? E olha, não perguntei isso por causa da minha pesquisa não, tá? – preferi deixar claro – Eu perguntei porque sou curiosa mesmo e porque você é um sujeito muito peculiar.

– Peculiar? – questionou erguendo uma sobrancelha – Peculiar tipo como?

– Peculiar do tipo que não sabe quem é o Shrek. – respondi rindo

– Por favor, me diga quem é este homem. Quando acordei a SHIELD...

E então ele se calou e arregalou os olhos.

–O que é SHIELD? – não resisti

– Não posso falar sobre isso.

– Tuuuuuuuudo bem. Mas, continue. Essa coisa aí quando você acordou...

Steve fitou-me com um pé atrás, mas acabou sorrindo. Acho que ele estava precisando de alguém para desabafar a muito tempo.

– Sinto que estou te escravizando. – ele afirmou de cenho franzido

– Escravizando? – questionei em uma gargalhada – Que nada, pode falar! Adoro ouvir pessoas, além do mais você pagou pizza e coca-cola para mim. – falei erguendo o copo – Me dar pizza já é uma prova de amor.

Ele gargalhou.

– Eu quebrei sua câmera, era o mínimo que podia fazer.

– E eu atrapalhei sua conversa com sua ex-namorada e descobri que você é o Capitão América. – retruquei – Ou seja, ganhei.

– Estamos quites! – ponderou divertido

– Ok, mas continue! Como foi acordar depois de... Depois de quanto tempo?

– Depois de setenta anos.

– Loucura! – exclamei perplexa antes de beber minha coca

– Verdade. Mas, diga, quem é Shrek?

Eu ri da pergunta.

–Shrek é um ogro muito gente boa, porem ao mesmo tempo grosso e tosco de uma série de animações que fizeram muito sucesso um tempo atrás. Eu sou fã.

– Eu tenho que assistir este filme, para ver se ser chamado de ‘’shrek” é uma ofensa. – constatou

– Veja sim, é bem legal!

– Então espera aí: Eles não te deram nenhuma informação sobre as coisas atuais do tipo: Música, filmes... Essas coisas?

– Não. Recebi três enciclopédias que falavam basicamente sobre “As coisas boas que a Guerra Trouxe”. Ah e me ensinaram a usar um celular e o computador, mas devo afirmar que sou um desastre.

Gargalhei de novo.

– Coisas boas que a guerra trouxe? Fala sério, e as ruins?

– Eu sei, estranho né?

– Estranho não, tosco!

– Eu tentei procurar na internet umas coisas menos “toscas”,como você diz,mas foi...

– Uma lambança! – conclui – Gente, você é igual a minha mãe.

– Quantos anos tem sua mãe?

– 52.

–Sou mais velho que sua mãe. – brincou

– Hey por falar nisso quantos anos você tem?

– Na minha identidade original ou na que me deram antes da batalha de Nova York?

Mordi os lábios.

– As duas.

– 93 e 23 respectivamente.

Escancarei a boca.

– Para um idoso até que o senhor está bem em? – falei e nós rimos. – Mas, por falar em coisas toscas. E as tosqueiras do mundo? Sobre o que você sabe?

– Só sei que nada sei. – brincou – Sei mexer em um telefone celular e sei que ele é tosco.

– Tosco? – me ofendi – Celular não é naada tosco, celular é uma das melhores invenções dos últimos tempos.

– Discordo. – Steve cruzou os braços

– Por que no meu tempo as pessoas conversavam cara a cara. Hoje em dia existe até “namoro virtual”. – ele dizia isso como se contasse de um assassinato – Ninguém mais convive com outras pessoas, só com uma telinha metida a besta. Sou completamente contra. E odeio mais ainda as mensagens. Em um telefonema você ainda ouve a voz da pessoa, mas mensagem não. Parece que a pessoa não se deu nem ao trabalho de falar, escreveu.

– Sabe que você tem razão? – constatei- Mas, você precisa se atualizar com as coisas da internet, Steve. Internet é muito importante. É uma fonte inesgotável de informações e elas são sempre imparciais.

– Informação imparcial. – ele repetiu – É isso que procuro a muito tempo. Não consigo acreditar nas coisas que recebi da SHI... – congelou – Que recebi quando acordei.

– E nesses dois anos ninguém te matriculou em uma aula de informática?

– Eu me matriculei em uma, mas chegando lá só tinha crianças e idosos. – contou – Aí eu voltei pra casa e tentei eu mesmo. Não de muito certo.

Eu ri de forma solidaria.

– E seus amigos? Nenhum pode te ajudar? Nem aquele cara da tecnologia o Tony Stark? – eu não tava entendendo

Steve soltou uma risada sarcástica.

–Stark? Stark e eu não somos NADA amigos, Isadora. –disse – E meus amigos estão mortos ou naquele asilo que nos conhecemos.

– Novos amigos? – sugeri

–Até agora só você. – disse sorrindo – Quer dizer, somos amigos né?

– Claro! – exclamei sorrindo – E quer saber de uma coisa? Eu vou te ensinar tudo o que eu puder ensinar sobre tudo o que eu souber.

O loiro a minha frente fitou o chão por um segundo.

– Olha, Isado...

–Me chame só de Isa. – pedi – Isadora é muito comprido.

–Olha, Isa... – corrigiu olhando em meus olhos – Você não precisa fazer isso, afinal nem nos conhecemos. Você só sabe o que sabe sobre mim por acidente. E por acidente eu quase te matei hoje e por acidente eu desembestei a falar da minha vida.

– E por acidente eu gostei de você. – continuei sorrindo – Quero ser sua amiga.

– Por que?

–Por que você é uma pessoa legal e...

– Com licença, a senhorita poderia me acompanhar um instantinho? – uma garçonete me cortou

Fitei Steve com a expressão intrigada.

–Algum problema? – ele interrogou

A garçonete estava toda derretida para o lado dele, o que me deu vontade de rir.

–Não, não é só... A senhorita pode me acompanhar?

Estranho...

– Tudo bem. – eu disse meio (muito) disconfiada

Segui a garçonete até o balcão onde ela simplesmente me atacou. Sério, ela grudou nos meus braços, me jogou na parede e ficou me olhando com um sorriso de doido.

– Ai meu Deus! – exclamei assustada – Isso é um assalto? Olha porque eu só tinha uma coisa de valor e aquele cara na mesa comigo fez o favor de que...

–É sobre ele que quero falar. – a mal-educada me interrompeu

Vish... Ela deve ter o reconhecido e quer um autógrafo.

–Então fala com ele, não comigo.

A mocinha deu dois pulinhos histéricos e disse:

– Ele é seu namorado?

Olhei para ela incrédula.

–AH então é isso o tempo todo? Por que não disse antes? E nossa, não viaja, claro que ele não é meu namorado.

–Mas, você tá afim dele? – ela insistiu

–Não!

–Então me ajuda a o chamar pra sair?

Gargalhei. Nossa,quanto desespero. Ia dizer que não, mas logo lembrei de minha conversa com Steve e vi que uma namorada o ajudaria em muito.

– Ajudo. – falei ainda com o olhar pensativo, fitando-o na mesa – Pode deixar comigo, me dá seu telefone que em breve ele vai te ligar... Qual seu nome?

A garota soltou um gritinho histérico que me fez pensar que talvez ela não fosse muito própria para ele. Bom, para um “voltei pro mundo” ela serve.

–Sou Stacy. Stacy Smith. – ela respondeu contente me entregando o número escrito em um papel de pão

Voltei para a mesa ainda gargalhando do desespero de Stacy.

–E aí? Qual era o problema? – ele se preocupou

Fiz uma cara de mistério.

–Ah quanto tempo você não sai com uma garota, Steve?

– Bom, estou saindo agora. Você é uma garota e estamos em uma cafeteria.

Revirei os olhos.

–Não, não é esse tipo de garota e nem esse tipo de “sair”. – rebati ansiosa – Estou falando de um encontro.

Steve pareceu pensar por um tempo.

– Acho que nunca tive um encontro.

– O que? – eu fiquei chocada – Como assim?

–É verdade, bem, a vida nunca foi fácil para mim e...

–Tá depois você me conta, preciso te informar de algo. – entreguei o número da garçonete para ele

– O que é isso?

– Um papel.

Ele me olhou revoltado.

– Eu sei que é um papel, estou perguntando do número escrito nele. – devolveu impaciente

– Esse é o número dela – apontei Stacy discretamente – E ela quer sair com você.

– Eu não vou sair com ela, Isa! — decretou,zangado

– Por que não?

– Porquê não. Eu não a conheço.

– Ué vai conhecer.

– Sem chance. – ele estava irredutível

– Ah qual é, ela é bonita. – incentivei – Acho que vai te fazer bem, vai por mim.

Ele estava completamente aflito o que me fez rir.

– Eu...Eu...

–Você...

– Eu tenho problemas em falar com mulheres bonitas. – confessou – Não vê como eu fico com você?

–Awn! Obrigada por me chamar de bonita. – agradeci o que o fez virar um tomate – Que fofo, você ficou vermelho!

– Isso não é nada fofo. – se revoltou

–Fofo! – continuei

– Para com isso! – ficou bravo e maaais vermelho

– Só se você prometer que vai sair com ela.

Steve estava desesperado só com a ideia de um encontro.

–Você me ajuda? – questionou – Tipo... Me dar umas dicas?

– Claro, mas só tenho hoje e amanhã para isso.

–Esqueci que você vai voltar pro Brasil. – resmungou meio tristonho

–Isso não quer dizer que vamos perder contato,certo? Antes de ir preciso ensiná-lo a usar redes sociais e falar com moças bonitas sem ficar vermelho.

Ele revirou os olhos.

– Tudo bem... Quando começamos? – bufou

Levantei da cadeira muito animada o puxando pelo braço.

–Agora! – bradei sorrindo

Notas finais
É a amizade dele é amizade mesmo meu povo!hahahaha Ansiosos pelas aulas de modernidade da Isa? E esse encontro com essa Stacy,sai ou não sai? Espero comentários, beijinhos!!