Ainda É Cedo

8 Somos Tão Jovens ♪


Notas iniciais
Cheguei!! *-* Pois é, cheguei mais cedo. Felizes? Espero que sim. Neste capítulo iniciamos a saga Steve no Brasil e bem no iniciosinho temos uma espécie de suspense sobre a apresentação de uma nova e importante personagem da trama. Esperam que curtam o capítulo! PS: Amados leitores fantasmas, será que não podem aparecer para mim? Poxa é tão triste ter 20 leitores e só três comentarem... Apareçam vai!! OK, aqui fica minha prece. A todos, boa leitura!!

SHIELD, EUA – Quinze minutos após a saída de Steve.

– Se o problema dele é pensar demais, por qual razão a vossa excelência resolveu dar um ‘’descanso’’ para ele? Dessa forma Rogers teria muito mais tempo para raciocinar. – questionou Fury fitando o presidente

Obama apenas sorriu.

– Tem algo de estranho com ele. Capitão Rogers já recebeu missões de motivos muito mais duvidosos e nunca questionou nada. Absolutamente nada! – enfatizou, olhando pela janela – Creio que há uma mente por trás dos novos, hum, pensamentos ‘iluministas’ do Rogers. Ele comentou sobre alguém?

– Não. –respondeu Fury convicto – Steve é um homem muito fechado, se tem um amigo este não é da SHIELD.

– Isto torna a situação mais complicada. – retrucou pensativo – Seja lá quem ou o que for é certo que é um problema. O Capitão América exerce uma forte influencia sobre a população. E se tem uma coisa que ele me disse hoje, e que é verdade, é o fato de minha popularidade estar em baixa. Se o Capitão América comandasse essas expedições pelo Oriente, com certeza, a reação do povo americano seria positiva.

– E o que o senhor quer que eu faça?

– Descubra para onde e com quem ele vai. – ordenou

– Mandarei um espião então...

Uma ideia veio sobre a cabeça do presidente.

– Espião não, espiã!- o cortou- Mande aquela loirinha que estava na Romênia. Ela é de confiança e se não me engano a tia dela trabalhou com o capitão durante a Segunda Guerra. Fará com que ele confie nela.

Fury ergueu a sobrancelha.

– Agente 13? – perguntou incrédulo – Carter é uma de nossas Agentes Premium, está na mesma colocação de Romanoff e Ward. Tenho missões maiores, não posso mandá-la de...

– Diretor Fury, isso não foi um pedido. – alertou Obama – Apenas faça o que eu disse. Manter Rogers debaixo de nossas asas é algo primordial. Aguardo resultados.

E dizendo isso ele saiu. Fury bufou, contrariado;

Mas, não havia muito á fazer, portanto, nas horas seguintes mandou um agente para descobrir para onde Steve iria. Com o destino nas mãos era hora de convocar Carter.

– Agente 13? – chamou-a no rádio

– Sim, diretor?

– Tenho uma nova missão para você.

– Sou toda ouvidos. – afirmou

– Já ouviu falar em Steve Rogers?

Sharon engoliu em seco do outro lado. Obvio que ela sabia quem ele era!

– Sim, por que?

– Ele está indo para o Brasil amanhã ao 12h e você deve segui-lo.

– Mas, qual o objetivo da missão, senhor?

– Quero que conquiste a confiança dele e que saiba tudo sobre ele. Principalmente sobre a pessoa.

– Pessoa? – estranhou – Que pessoa?

– Este é seu trabalho. Descobrir quem é a pessoa.

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48 horas depois, Brasil.

# Isadora

E desde que informei a minha mãe que Steve estava á caminho do Brasil, minha vida tornou-se um inferno. Não entendeu? Tranquilo, eu explico. A minha sina começou quando Steve vem para o Brasil e me avisa em cima da hora (em pleno verão!!) e todos os hotéis de Angra dos Reis estão lo-ta-dos. E não só os de Angra. Os de Paraty, Mangaratiba, Itaguaí... O hotel mais próximo que encontrei é na divisa do Rio com Minas.

Aí então minha mãe disse “E vai fazer o menino gastar dinheiro de hotel á toa por quê? Eduardo está pra faculdade, quarto dele está vazio. Mande o Estevão para cá!”. OK, problema de hotel resolvido. E qual seria o problema agora, Isa? O problema agora se chama Dona Elisa. Sim, isso aí, minha mãe. Sabe aquele tipo de pessoa que nasceu para receber pessoas? Que está supertranquila se vai receber uma pessoa ou trezentas na casa,que está supercalma se precisa cozinhar para um exercito ou um mero soldado de 93 anos? Então, essa não é a minha mãe.

E se não bastasse trabalhar o dia inteiro cuidando de crianças mimadas (sorte minha que entrei de férias na faculdade!), fazer uma ponta na loja do papi ainda tenho que fazer o papel de Escrava Isaura dentro de casa. Dá hora a vida!

– Isadora! – gritou minha mãe histérica – Arrasta esse sofá e varre embaixo.

– Fala sério, mãe! Pra quê? Já varri aquela sala ontem, tá limpo.

– Tá limpo nada! – retrucou furiosa, ameaçando me dar uma vassourada – Arrasta aquele negócio e tira aquela poeira. Eu em, porca! O garoto vem lá do Canadá chega aqui e vai pensar o que? Que brasileiro não limpa poeira de debaixo de sofá.

Rolei os olhos.

–Mãe para com essa neura! E pra começar ele é dos Estados Unidos, não do Canadá. – respondi perplexa

– Não importa. O menino é de fora. Vai limpar isso e depois dá um pulo na rua para comprar um jogo de jantar.

–Jogo de jantar? Pra quê? O que aconteceu com os nossos pratos?

Minha mãe me olhou com se eu fosse um unicórnio.

– Isadora você tem algum tipo de distúrbio? Você bateu a cabeça? Você surtou?

Devolvi o mesmo olhar de espanto que ela havia me lançado.

– Nã-não. – respondi cabreira

E então ela me deu um peteleco na testa. Eu ri.

– O garoto não tá acostumado com prato de vidro não, Isadora. O garoto vem do “estrangeiro”, ele come com prato de porcelana. Vai chegar aqui e ver prato de vidro que ganhei á 34 anos de presente de casamento e vai pensar o que? Que a gente é pobre. Que...

–Mãe, mas a gente é pobre. – rebati – E o Steve é supersimples, mãe. Ele come sanduíche todo dia ou é isso ou comida enlatada. Mãe é o Steve, meu amigo supersimples que está vindo, não o príncipe William.

– Aì boa lembrança! Tá vendo? Ele é da terra do príncipe, o menino tá acostumado com realeza. – brigou comigo, muito preocupada.

– Mãe o príncipe William é da Inglaterra. – retruquei cansada.

– Não importa. É de fora. Tem que ser bem tratado, agora para de papo e vai fazer o que eu to mandando.

E você acha que eu consegui fazer o que ela pediu? Não, porque ela não parava de dar ordens simultaneamente. “Isadora vai limpar isso”, “Isadora vai limpar aquilo”. Ou então ela me mandava para Belém do Pará num sol de meio dia para comprar um tempero idiota para uma comida idiota. Aí quando eu chegava com o dito cujo, adivinha?

– Ai filha esqueci de comprar cenoura. Compra lá pra mim? – pedia toda fofa

E lá ia eu para Belém do Pará de novo.

Depois de viver a “Escrava Isaura” com minha mãe, que não parava de ver poeira em coisas limpas, era hora de pegar o carro do velho e ir para o aeroporto buscar o outro velho.

E lá fui eu, rumo ao Rio de Janeiro, fazendo a fina com meu Ray Ban caríssimo, ouvindo “I Gotta Feeling” no volume máximo e dirigindo minha Mercedes conversível com os cabelos ao vento. Só que não. É não, não eu não tenho um Ray Ban caríssimo. E também não. Não tenho uma Mercedes Conversível. Mas, lá estava eu com meus óculos da barraquinha, ouvindo “I Gotta Feeling” (essa parte é verdade!) e dirigindo o Gol vermelho do meu pai. E passando MUITO calor, já que não tinha ar-condicionado. Mas, estava feliz.

Cheguei no aeroporto Santos Dummont quase duas horas após Steve desembarcar e ele estava muito nervoso.

–Caramba em? Veio de jegue? – reclamou me abraçando

– Boa tarde para você também, Steve!

Steve sorriu e me abraçou de verdade. Retribui o abraço.

– Desculpe a má educação, mas você demorou muito. Fiquei aqui por umas cinco horas.

– Não exagera Steve! – ponderei – O transito estava horrível e eu saí em cima da hora.

– Tudo bem, vamos! – disse ele colocando seus braços envolta dos meus ombros. – Tenho que te contar uma coisa.

– Arrumou uma namorada? – me animei com a ideia

Ele bagunçou meu cabelo.

– Isa eu não estou encalhado.

– Está sim.

– Não estou.

–Sim, você está.

–Se eu estou você também está.

Abri a boca perplexa.

– Seu grosso!

– Ué, você que começou! – devolveu rindo – Mas, se quiser pode casar comigo não tem problema.

– ótimo. Casamos amanhã, ok? – brinquei e caímos na gargalhada

Assim que entramos no carro, Steve me lançou aquele olhar “Fiz uma M”.

–O que foi que você fez?

– Como você sabe que eu fiz alguma coisa?

– Então você fez alguma coisa.

Papo de louco on. Gargalhadas em três, dois...

– Ai! – gemeu ele depois de se acabar de rir – Sim, eu fiz uma coisa. Eu chamei o presidente dos Estados Unidos de imoral.

Minha reação:

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– Co-co-comé que é? Você... Como assim conta tudo!

E então ele contou. Tim-tim por tim-tim e no fim eu continuava assim:

– Pois é, você meio que tinha razão quando disse que eu precisava ficar esperto e que... Que nem tudo é o que parece ser.

– ...♪ Quando se tem qualquer coisa pelo simples prazer, cuidado para não abusar do poder. Por que nem tudo é o que parece ser ♪ — cantarolei a abertura de Os Feiticeiros de Waverly Place

– Quê?

Tive um ataque de risos em plena Avenida Brasil. Carros ao redor buzinando e eu rindo.

– PASSA POR CIMA, IMBECIL! – gritei ainda rindo

– Credo, Isa! – se assustou Steve – Isso Brasil, meu amigo!

Foi à vez de ele rir e ligar o som.

– Quero ouvir alguma coisa. Essa vista linda merece uma música a altura. – ele disse e ele mesmo fez – Sem contar que sua voz me dá tédio. – alfinetou

Lancei-lhe um olhar mortal.

–Rapa do carro gringo. – ordenei em tom brincalhão

Steve me ignorou e ligou o som. E Adivinha quem estava tocando? O Rappa!

Felizes, de uma maneira geral, geral
Estamos vivos
Aqui agora brilhando com um cristal
Somos luzes
Que faíscam no caos
E vozes abrindo um grande canal

Nós estamos na linha do tiro
Caçando os dias em horas vazias
Vizinhos do cão, cão,cão


Mas sempre rindo e cantando
Nunca em vão

Eu cantava e batucava no volante. Steve se encostou ao banco e ficou meditando na música.

– Steve, fala a verdade, meu país é muito divo, né? – perguntei quase que afirmando

Ele soltou uma risada.

– Você tá sabendo que eu adoro discordar de você né? – olhei de rabo de olho pra ele que riu – Mas, sou obrigado a concordar. É tudo muito lindo. E vocês são muito simpáticos; enquanto eu te aguardava um monte de gente tentou me ajudar.

Joguei o cabelo de lado, fazendo a metida.

– Iiiih convencida! – rosnou

– Fazer o que se Eeeeeu sou brasileeeira,com muito orgulho, Com muito amooor! ♪- cantarolei saltitando no banco do motorista.

E ficamos mais um tempo ouvindo Auto- Reverse do Rappa e cheguei á conclusão de que aquela música retratava perfeitamente o povo brasileiro. Viva o Rappa! E então do nada Steve disse:

–Sabia que eu senti sua falta?

–Sério? – perguntei voltando-me á ele

–Sim, mas, por favor, olha pra frente! – ele disse pegando o volante e desviando de um caminhão que vinha em nossa direção – Mulher no volante...

– Nem termina essa frase se quiser chegar a Angra vivo. – alertei

E o Steve:

– Agora, sério Steve, você sentiu mesmo minha falta? Como se nós só nos vimos pessoalmente uma vez e naquela época nem éramos tão amigos?

Ele ficou em silencio por um minuto.

– Sei lá, eu não gosto de amizades virtuais. Você sabe disso. Por mais que eu te veja pela câmera é como se você não existisse. – disse ele por fim

– O que importa é que estamos juntos agora. – conclui, sorrindo fofamente- Ah e por falar nisso, me diga: O que achou das coisas que te mandei.

– Amei! Amei! – exclamou eufórico – Eu já escutei todas as músicas.

– Todas? – me assustei

– Sim, e tem uma brasileira que eu amei... Como é mesmo o nome? Droga não lembro. Você tem ela aí? Quero escutar... É tão tropical, tão...

– Tão brasileira?

–Isso! Ponha ela aí.

– Com exceção ao ‘’Quadradinho de Oito” todas as músicas brasileiras são muito brasileiras. Assim fica difícil, cumpadiu!

– Quadradinho de oito? Como um quadrado pode...

– Esqueça! – o interrompi – São mistérios que só Deus sabe. Mas, cante um pedacinho aí.

– Eu não sei cantar.

– Ah deixa de ser bobo. Se você sabe falar, logo, sabe cantar. – insisti – vai só uma capelinha para eu descobrir qual é a música.

–Não!

–Por favor!

–Não!

– Por favor!

Steve bufou. E então ele cantou. Gzuis.

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo

Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder

Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E Selvagem, Selvagem
Selvagem!

Quando “cantoria” de Steve eu já estava quase morrendo de tanto rir.

– Mas o que diabos foi isso? – eu disse ainda morrendo de rir – Parecia um gato no cio, a mistura de coisa ruim com capeta. Uma mistura de taquara rachada com gritos de horror...

– Já chega, Isa, você já socou minha autoestima o suficiente. – resmungou – Eu disse que não sabia cantar.

– Não, não! Não saber cantar é uma coisa, torturar os ouvidos alheios é outro. – espetei morrendo de rir

O ‘’maduro’’ me mostrou a língua, bicudo.

–Ô ti coti! Ele ficou triste! – zombei apertando as bochechas dele

– Chata!

– Péssimo cantor!

– Ah vou voltar para Nova York. – ameaçou

– Volta, pode voltar. – eu disse olhando o celular – Segundo o ClimaTempo, a temperatura lá neste momento é de – 7ºC.

Eu sabia que ele ODIAVA frio.

Steve olhou pela janela. 45ºC na sombra.

– Pensando bem, vou ficar por aqui. – mudou de ideia – Mas, que fique claro que é pelo sol. Não por você. Você é chata.

– Ah claro. – fingi que acreditava – Vamos cantar, vai! Deixa de bobeira que eu também amo essa música!

Cacei o CD no porta luvas e coloquei. Steve permaneceu bicudo por um tempo enquanto eu cantava (sim, eu sabia cantar!), porem depois de um tempo percebi que ele não estava mais aguentando ficar parado. Mexia a cabeça para um lado, balançava o pé... E pouco tempo depois nós já estávamos juntos cantando:

Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido


Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens
Tão Jovens
Tão Jovens!

E cantando e gargalhando da afinação do Gnomo Americano lá fomos nós para minha querida e longínqua cidade. E quer saber de uma coisa? Quando se canta e dirige para um lugar especial com seu melhor amigo, coisas como nacionalidade, “naturebalidade” ou afinação não importam tanto assim. E sabe por que? Porque o que vale é o momento, é a amizade.

Notas finais
E então pessoas? Curtiram? Espero que sim!! Mil beijinhos!! Aguardo comentários!!