Ainda É Cedo
10 Quando a Coisa Fica Feia
Notas iniciais
#Isadora
Depois de acomodar Steve no quarto de Eduardo e salvá-lo do interrogatório de minha mãe ( que não parava de mandar ele sair do exercito porque ia acabar morrendo!) era a hora de partir. Não gente, eu não ia morrer. O lance é que é quinta-feira e toda quinta-feira eu tenho algo importante a se fazer.
Com um grande saco plástico na mão, bati na porta do quarto do soldado para me despedir.
–Oi! O que é isso na sua mão? – curiosidade mórbida já foi logo perguntando
– Eu preciso sair,só queria saber se está tudo bem com você e se quer que eu traga alguma coisa.
– Está tudo bem, mas a onde você vai?
Antes que eu pudesse responder meus braços falharam e a sacola se espalhou pelo chão.
–Ai droga! – exclamei pegando as coisas.
Steve, lorde como sempre, logo se abaixou para ajudar.
–Alimentos? –estranhou – Aonde você vai com toda essa comida?
Soltei um suspiro, franzindo o cenho.
–Vou ajudar umas pessoas.
–Que pessoas? Por que não me chamou? Por que está fazendo isso quase que escondido?
– Steve, não precisa me acompanhar por cavalheirismo, ok? Não te chamei porque ninguém gosta de entrar em lugares tão precários quanto aos que vou. Eu entendo juro que entendo. – tentei tranquilizá-lo que seria normal não querer ir comigo – Só não me julgue por isso...
– Julgar? – me cortou sorrindo – Por que eu faria isso? E por que está tão arisca?
–Você está fazendo muitas perguntas, Senhor Rogers. – afirmei em tom brincalhão, terminando de arrumar a sacola – As pessoas... Bem, elas... Esqueça.
– Esqueça nada! – ele estava irredutível. E curiosíssimo. – Sente-se aqui e me conte o que significa tudo isso.
Estava ficando nervosa com essa situação. Já havia passado por isso antes. E sempre eu saia como fingida, “santa” ou aquela expressão terrível: “Lobo em pele de cordeiro”. Não queria ouvir isso de Steve. Poxa, estamos indo tão bem em nossa amizade...
Com o cenho franzido e envergonhada (sabe-se lá Deus porque!) comecei a contar.
– Tudo começou á cinco anos atrás, quando eu estava entrando no ensino médio. A loja do meu pai andava muito bem e ele conseguiu me colocar em um colégio particular. Pode parecer bobeira, mas com a educação brasileira um ensino médio privado é de grande serventia caso você queira ingressar em uma faculdade.
Steve ouvia tudo com muita atenção.
– Eu era a típica nerd. Gordinha,branca...
–Isso você ainda é. E muito para uma pessoa que mora no litoral. – comentou ele rindo
–Bobo!
–Continue! – insistiu
–Então como eu disse era gorda, branca, baixinha e cheia de sardas. Felizmente não usava óculos. Quando eu estudava em colégios municipais sempre fui zoada até a morte. Chamada de coisa horríveis e uma vez uma menina jogou uma lata de lixo na minha cabeça. Nossa aquele dia foi horrível. – me recordei – E essas coisas aconteceram por muito tempo, até o dia em que eu contei o acontecido para um primo meu e ele me disse “Quê isso Isadora! Você precisa fazer alguma coisa. Se te baterem, bata de volta, você é forte!” – imitei uma voz máscula e Steve morreu de rir.
– E o que você fez?
Dei uma risada.
– Fiz exatamente como ele falou. Nunca mais sofri algum tipo de agressão física. Mas, de alguma forma todas aquelas piadas e ofensas me mudaram. Eu sempre fui muito chorona, e ainda sou. Você sabe. Porem tentei esconder este meu lado. Comecei a usar a uma armadura. E de “armadura” eu entrei no colégio novo.
–E adiantou alguma coisa? Machucaram-te de novo? – quis saber ele, preocupado.
– Sim e não. Aqui no Brasil há uma desigualdade social muito grande, maior do que em qualquer outro país em desenvolvimento. E há uma grande cultura elitista. E sem saber, eu fui para um destes colégios que apreciam ser a elite da sociedade. Os meus colegas de turma eram filhos de advogados, médicos, empresários... E eu era só a filha do Seu Miguel e da Dona Elisa que tinha feito das tripas coração para me colocar em um bom colégio. E eu tinha orgulho da minha família e morrerei tendo.
Steve sorriu, segurando a minha mão que estava sobre a mesa. Acho que ele ficou com pena. Continuei.
–Assim que o pessoal de lá ficou sabendo que eu vinha da Japuíba e ainda por cima de um colégio público, nossa! – exclamei rindo – Todo mundo tinha medo de mim e como sou uma pessoa bem mandona e autoritária, logo deduziram que eu tinha ligação com o tráfico.
– Fala sério! – quase gritou rindo
Gargalhei junto.
– Pois é, meu amigo. Mas, aí eu logo desmenti essa história todavia deixei bem claro que eu sabia me defender. E comecei a “ostentar” todos os casos sinistros que eu conhecia. E uns que nem tinham acontecido comigo, mas que eu dizia que tinha. Tudo isso por medo de ser humilhada, de se repetir tudo que acontecia no colégio anterior. –contei – E por um tempo isso funcionou. Eu tinha quatro colegas, Henry, Gisele, Amanda e Cléo.
–Aquela Cléo que conheci?
–Ela mesma.
–Poxa, que bom que tudo deu certo. Pensei que essa história seria trágica. – respirou aliviado.
–A historia ainda não acabou. – alertei e ele ergueu a sobrancelha, surpreso – Depois de um tempo eu fui percebendo que eu era um peixe fora da lagoa. Henry e Amanda eram britânicos e adoravam comparar o país deles com o meu. E de uma forma muito, ridícula e xenofóbica. Gisele não era rica, mas era estupidamente egocêntrica e gostava de ser tratada como uma rainha. Não prestou comigo. E a Cléo, bom, ela também era suburbana.
Parei de falar por um momento, fitando o vazio. Tocar naquilo doía.
–O problema era que a Cléo era muito clichê.
–Como assim clichê?
–Não sei se já teve o desprazer de ver algum filme patético de adolescentes em que sempre tem uma alpinista social que faz de tudo para ser popular, mas a Cléo era assim. E ainda é. –expliquei – Lembro-me que era quarto bimestre e eu estava prestes a completar o primeiro ano. E a professora de geografia tinha organizado um trabalho sobre países e cada um deveria escolher um e mostrar tudo sobre ele. Cultura, idioma... Essas coisas. E eu queria fazer sobre o Brasil, mas ninguém quis. Com exceção de Henry e Amanda todos eram brasileiros e todos ODIAVAM o próprio país. Nós temos uma frase que diz o seguinte “Brasil, ame-o ou deixe-o”. E só eu amava.
–Foi aí que a coisa complicou pro seu lado. – constatou
–Exatamente. Para estudar no Nóbrega Bragança era preciso ter as mesmas opiniões de quem tinha o maior poder financeiro. Caso contrario sua vida viraria um inferno. E neste dia eu simplesmente esculachei a sociedade brasileira dando ênfase aos alunos da minha sala e aos professores boca-aberta que não faziam nada. Desci o cacete em todo mundo. Disse que ninguém ali tinha o direito de falar um “A” de corrupção e nem um “A” sobre a desigualdade. Eles exemplificavam bem o que acontecia no país. Só se importavam consigo mesmos, só pensavam em sair do país e veneravam outros países. Entre eles os Estados Unidos. Nunca gostei do seu país, mas foi nessa época em que adquiri uma fobia.
– Isso é injusto! – se revoltou – Você não pode odiar o meu país, só porque as pessoas do SEU preferem o ele ao Brasil. Você está errada.
Minha vez de me revoltar.
–Errado, erradíssimo. Naquele colégio eu pude ver direitinho a estratégia estadunidense, Steve. Eles encharcam tanto a mídia com a bandeira deles, com a cultura deles e com tudo deles que isso fica impregnado na mente das pessoas. Não só os brasileiros, mas de todo o mundo. Com exceção dos russos, japoneses, árabes, coreanos e chineses. – rebati um pouco exaltada – Ah e quer ver uma coisa interessante? São justamente essas nacionalidades que aparecem nos filmes estadunidenses como vilões. Vai dizer que isso não é verdade?
Steve revirou os olhos. Agora a coisa ficou séria.
– Quer parar de usar a palavra “estadunidense”? –rosnou – Essa palavra não existe.
–Arrá! – exclamei pegando-o na “curva” – Sim, meu caro. Essa palavra existe e em todos os idiomas exceto um. – dei ênfase- E adivinha qual é? O inglês. Por que será?
–Se trata-se de um adjetivo pátrio supostamente usado para nomear os que nascem nos Estados Unidos e este é um país que se fala inglês, logo errado são todos os outros – deu ênfase na mesma parte que eu, mas, de forma irônica e arrogante – Ah e tem mais! Segundo especialistas nós seres humanos temos o costume de chamar países pelo último nome, exemplo, República Federativa do Brasil – brasileiro. E no nosso caso, Estados Unidos da América – americano. Entendeu ou quer que eu desenhe?
Respirei fundo, fechei os olhos. Não sabia como o assunto tinha chegado, mas sabia que ele não iria embora antes deu sambar na cara dele.
–Querido. – se eu te chamei de querido, meu querido cuidado! – Vocês ESTADUNIDENSES são muito espertos. E essa esperteza veio de muito tempo atrás. Muito mesmo, lá da colonização quando escolheram o nome do país. Para eles, os patriotas como vocês gostam de chamar queriam que se tornassem os todo-poderosos das Américas...
– Que para o seu desespero se tornou. – alfinetou.
Que bom que o porte de armas é proibido no Brasil. Sorte do Steve!
– Vou ignorar seu comentário para o bem da nossa amizade. Vocês já criaram o país pensando em um império. Já criaram os habitantes com um espírito de guerra, de honra a pátria. Agora, me desculpe Senhor Rogers, mas eu NUNCA os chamarei de americanos. Isso é ridículo, todo mundo que nasceu nos trinta e cinco países que compõem as Américas tem o direito de usar esse termo. Agora eu nunca vi alguém que nasceu na Argentina se apresentar como americano. Nem um mexicano ou canadense. E nem tão pouco concordo com o termo que vocês também usam: Norte-americano. Argh! – coloquei a língua para fora – Vocês não são os únicos na América do Norte.
– Como eu já disse – rugiu – Temos o costume de chamar as pessoas pelo ULTIMO nome e nosso ultimo nome é América. Se os Estados Unidos da América fosse na África, continuaríamos sendo americanos. Entendeu ou a educação do seu amado país não foi suficiente para isso?- fez gracinha- Ah e a senhorita quer dizer que incentivar o sentimento patriótico nos cidadãos é algo ruim?
A essa altura já estávamos de pé na cozinha apontando o dedo um pra cara do outro.
– E como eu já disse, vocês já planejavam ser o “Grande império Persa” desde sempre. – comparei fazendo aspas com as mãos e cuspindo marimbondo – E meu querido só para você saber todo governo tem uma forma de alienar as pessoas. TO-DO governo tem corruptos e ladrões e no Grande Império Persa não seria diferente, seria?- praticamente berrei- Da mesma forma com que nos incentivam a não ligar para o próprio país, o seu “cumpadi” Obama faz vocês se matarem e matarem inocentes para salvar a pátria adorada de vocês. E olha só um grande exemplo: O Grande e icônico Capitão América. – ironizei – Que não passa de um soldadinho nas mãos do grande general, uma massa de manobra contra a população. Me desculpe, mas eu...
Steve estava muito puto.
– Cala a boca! – exclamou. Primeira vez que o vejo descontrolado, deu um medinho. – Sabe o que você é? Você é uma xiita...
–Xiita? – gritei mais p. do que nunca – Xiita o cacete! Eu sou uma pessoa que...
– Que morre de inveja. – me cortou – Isso mesmo, você tem é inveja dos americanos. – evidenciou o “americano” para me provocar – E quer saber? Se eu fosse você também teria. Veja só – foi até a janela – Falta médico, falta professor, criança trabalhando, bandido com armas imensas andando para todo lado violência, roubos... Claro que você teria inveja de um lugar tão superior ao seu. Como não teria?
Grudei em meus próprios cabelos, possessa. Se eu fosse o Hulk, tinha virado o Hulk. Como não sou, soltei um grito de ódio antes de dizer a plenos pulmões.
– Olha aqui, Steve Rogers! – falei de forma tão violenta que ele deu um passo para trás,assustado – Inveja? Por que eu teria inveja? Moro em um dos países mais lindos e ricos do mundo. Temos recursos naturais, temos...
–Ah isso, vai fala! – me interrompeu de novo (cadê o lorde?) – Diga “ Nós somos o país do futuro”! – imitou minha voz
– Somos o país do presente. – grunhi cheia de ódio – Nosso país só cresce, se desenvolve enquanto o seu só cai. O nosso gigante acordou e tem muita gente boa por aqui que não o deixarão voltar a dormir. E tem mais, seu imbecil, sabe por que eu amo o meu país? Sabe porque eu JAMAIS teria inveja de vocês? Simples. Por que se o Brasil é a sexta maior potencia do mundo isso se deve a cada trabalhador brasileiro. O meu país nunca atacou nenhum lugar, nunca extraiu riquezas que não fossem nossas. Agora vocês? – terminei soltando uma gargalhada
Como chegamos a este ponto? Steve parecia que ia me matar a qualquer momento. Eu estava prestes a mata-lo. Sentia-me numa guerra. Contra meu melhor amigo.
– Nós o que? – rosnou
– Eu pensei que você fosse diferente, Steve. –afirmei com lágrimas nos olhos – Mas, estou vendo que você é como da um deles.Eu não posso gostar, admirar e quiçá invejar um país que patrocinou e influenciou os principais Golpes de Estado ocorridos nas Américas. Incluindo a ditadura militar brasileira. – rosnei de volta- Vocês que esteve envolvido ou ocasionou as grandes guerras do século XX, não posso gostar de um país que subsidiou vários exércitos e ajudou em massacres, como o da Guatemala, no Rio Negro, em que morreram mais de 200 mil índios na década de 80. – terminei de falar já chorando de nervoso
Steve não retrucou, apenas engoliu em seco. Respirei fundo, peguei as sacolas e desci as escadas. Não tenho ideia de como isso começou, mas eu sei que isso vai marcar nossa amizade. Pode ser o fim dela, mas também pode ser um novo começo.
#Steve
O que foi que aconteceu aqui? – pensei bebendo um pouco d água.
Aquela não era a doce Isadora que conheci. Aquilo era uma terrorista russa ou sei lá o que. Falei coisas terríveis no calor da emoção. Ouvi coisas terríveis. Coisas que eu não sabia. Genocídio de índios? Apoio a ditadura brasileira?
O que houve com os pensamentos de George Washington e Martin Luther King? O que houve com meu país em quanto eu dormia? Será que Isa tem razão? Seria eu como todos estes?
– Mais o que aconteceu? Isadora passou igual um furacão pelas escadas. – comentou dona Elisa – Vocês brigaram?
–Sim.
– Por que?
– Por causa dos Estados Unidos. – respondi sem emoção – E pelo Brasil.
Dona Elisa deu um tapinha na própria testa.
– Ai meu Deus, vou dar na cara dos dois. Isso lá é motivo pra brigar ? Deixa isso com a Dilma,gente! Isadora não aprende. – resmungou ela – ô patriota do capeta. Foi briga feia?
Concordei com a cabeça.
– Estevão, não fica bravo com a minha menina não. – pediu ela depois de um tempo. Já me acostumei a ser chamado de Estevão. – Ela... Ela é especial.
– Desculpe, senhora Elisa, mas já estou com raiva da sua filha. – confessei e ela riu
– Você só está bravo. Raiva é algo que dura por muito tempo. Provavelmente ela também está brava com você. – ponderou
– Onde ela foi?
– Ela não te disse? – estranhou
– Ela estava dizendo, mas aí entramos em um assunto nada a ver e deu nisso.
–Ela foi ajudar a família do seu Fagundes, no Belém. Um bairro próximo daqui. – contou. – Ele não tem as duas pernas e a esposa dele tem Alzheimer. Infelizmente até hoje não conseguiram aposentadoria. Vivem das doações que a Isa consegue. Moram em um barraco de plástico atrás de um cemitério. Isa está tentando achar uma casa para eles ou um asilo, mas o único asilo da cidade está lotado.
Me senti a pior pessoa do mundo por ter discutido com ela. Fiz sinal com a cabeça para que Dona Elisa continuasse.
– Quando ela cursava o ensino médio uma professora contou o caso desse senhor e pediu aos alunos para ajudarem. Ninguém se importou, a não ser Isadora. E os outros acharam que a atitude dela em fazer isso fosse para “aparecer”, se promover como boazinha. Tadinha da minha menina sofreu tanto! – lastimou ela, debruçada sobre a vassoura
– O que... O que fizeram com ela? – perguntei angustiado
Elisa suspirou.
– Isadora não tem filtros. Ela é o que é. Fala o que sente e às vezes isso é ruim. A população está tão acostumada com a mentira que chegaram a abominar a verdade. Como só minha menina se comoveu com a história, a professora cancelou o projeto. Mas ela não. Continuou pela escola pregando a historia do velhinho e ninguém se importou, muito pelo contrário, começaram a odiar mais ainda a Isa. Ela dizia que eles eram hipócritas e mesquinhos e aí já viu, né Estevão?
–Sim, mas e a Cléo? Elas pareciam tão amigas...
–Cléo. – repetiu rindo – Interesseira. E a Isadora é uma idiota. Elas se conhecem desde pequenas e sempre foi assim. Isa precisa de um amigo e faz de tudo para não perde-lo. E a Cléo nunca ligou para ela, apenas se aproxima quando precisa de algo.
– Mas, elas estavam se dando tão bem em Washignton. – eu não conseguia entender
– Porque Cléo precisava de nota. É sempre assim. – contou irritada – E me dá mais raiva é da Isadora. Essa necessidade dela de ter um amigo, uma dependência. Por isso que eu tenho medo de você.
– Me-medo de mim?
– Eu não quero ver minha filha sofrer novamente. Ela ama você, Estevão. – contou tristemente
–Mas, eu também a amo. Não vou deixá-la sofrer. – eu disse sincero
Ela soltou um longo suspiro.
– Cléo me disse isso á dois anos atrás. E quando a turma delas se reuniram para bater na minha filha, Cléo não fez nada. Simplesmente sumiu. E ficou sumida por todo esse tempo até surgir o trabalho que precisava da viagem para a América.
Quase rosnei de ódio dessa Cléo. Que falsa!
– Por que ela fez isso?
– Não foi só ela. Foram vários. Já disse que a Isa é uma tonta idiota. Ela se entrega para a pessoa e o mundo não é como ela. O mundo só quer se dar bem e os idiotas como ela são pisoteados.
Ela era tão idiota quanto eu.
– Preciso pedir desculpas, pode me dar o endereço da casa deste seu Fagundes? – implorei
Dona Elisa sorriu.
– Claro, toma aqui. – escreveu em um papel e me entregou
– Obrigado. – disse já descendo as escadas
–Estevão! – chamou
–Sim?
– Se você machucá-la eu te mato. – alertou
– Não precisa. Se eu machucá-la, eu mesmo me mato.
Ela sorriu. Mas, eu estava falando a mais pura das verdades.
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