Ainda É Cedo
11 Uma Questão de Caráter
Notas iniciais
SHIELD, localização sigilosa.
– Agente Hill convoque Tony Stark para uma reunião em Nova York amanhã ao 12 h. – ordenou Fury.
– Sim, senhor. Eu poderia saber o assunto? Seria o caso de reunir todos os vingadores?
– Não. Por enquanto não. – respondeu ele – Trata-se de uma nova lei que o presidente e o comitê de segurança propuseram após a mudança repentina de opinião do Rogers.
Hill estava se remoendo de curiosidade, mas fez o que lhe foi ordenado e se retirou para telefonar para Stark.
Fury não estava seguro se esta lei seria aceita. Não sabia se seria mesmo necessário. Mas, após o último telefonema de Carter em que ela enviou um faz com os dados da “pessoa” que estava influenciado Steve, estava começando a pensar que seria um problema.
Agora a SHIELD, o comitê de segurança e o governo americano sabiam quem era a pessoa. Era Isadora Wollscheid Villani. Sharon Carter como excelente espiã que é obviamente levantou a ficha da garota. E foi uma surpresa para todos. Analisando os papeis enviados pela agente, Fury constatou que se tratava de uma jovem extremamente política e com muita lábia. Afiliada a três partidos socialistas de seu país de origem, foi presa meses atrás em uma manifestação por vandalismo. Porem, o que mais chocou o diretor foi um vídeo de 2005 encontrado na internet onde ela, Isadora, defendia uma islamita discutia com outra menina, que provavelmente era americana, e jogava a bandeira dos Estados Unidos no fogo. NO FOGO!
Ela era perigosa. Sem mais. Talvez a lei proposta pelo comitê fosse necessária. Mas, antes disso era preciso do apoio de outro vingador tão popular quanto Capitão América.
Dia seguinte Nova York.
–Diretor Caolho, a que devo a honra? – Stark cumprimentou com sua acidez típica.
O ‘’caolho’’ não deu muita importância.
– Tenho algo sério a tratar com o senhor.
–Então fala logo que eu tenho mais o que fazer. – devolveu ele, fitando o relógio
Fury bufou.
–Precisamos de sua colaboração, Senhor Stark.
–Fury, Fury! – exclamou Tony impaciente e debochado – Fala logo o que você quer, para de encher linguiça. Olha, eu não sei o que você faz da sua vida quando não está na SHIELD ou enchendo o saco de outras pessoas, mas eu tenho uma mulher. Uma mulher não. “A mulher”! – enfatizou – Pepper está me esperando e entre você e ela, acho que os peitos dela ganham.
–Stark e suas gracinhas. Bem, serei direto...
–Glória a Deus!
Nick Fury estava começando a ficar irritado, mas não tendo escolhas apenas rolou os olhos.
–Capitão Rogers fez uma amizade que está colocando todo o país em perigo...
–Espera! – exclamou Tony, rindo de se acabar – O Picolé? O picolé está colocando o país em perigo? – e pausou para gargalhar novamente – Quem é esse amigo? Saddam Hussein?
–Não, não é Saddam Hussein. E ao que parece ele ainda não percebeu a gravidade de suas ações. Depois que iniciou esta amizade tem mudado radicalmente de opinião sobre as missões a que é enviado.
– Ele está seguindo meus conselhos.
– Desculpe o que disse?
–É um tempo atrás eu disse a ele para ficar ligado em tudo e não acreditar em você. – respondeu ele tranquilamente – Afinal você é “O” espião; seus segredos têm segredos. E não é só você, mas também todas essas organizações supersecretas que temos espalhadas por aí. A começar pela SHIELD.
Nick engoliu em seco.
–Isso não importa. Eu quero saber se vai estar do lado da SHIELD caso esta “brincadeirinha” do Rogers de ser um sujeito crítico continue e tenhamos que colocar a lei em vigor. Podemos contar com você, Stark?
–Eu em! E eu sei lá que lei é essa? Que lei é essa?
Nick Fury passou a meia hora seguinte explicando a lei. Lei esta que já havia sido aprovada pelo senado e apenas dependia das ações de Steve para entrar em vigor. No fim Tony estava pensativo. Sabia que a lei era deveras radical e perigosa, mas também sabia que precisava apoia-la. Apesar de extremista a lei era certa e Tony não queria problemas com a justiça. Problemas com a justiça = problemas com Pepper.
Sem saída, disse:
– Pode contar comigo.
Fury sorriu, satisfeito.
–Bom saber.
–Faça o possível para evitar que essa lei entre em vigor. A ânsia do “picolé” por liberdade pode resultar em uma guerra civil. Não querermos isso, certo?
–Claro que não.
Conversaram mais um pouco e foram embora. Fury com sentimento de missão cumprida e Tony com o sentimento de que acabara de entrar em uma guerra. Mas, não sabia se estava do lado certo. Ninguém sabia.
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#Isadora
Estou muito magoada com Steve. E o pior é que sei que boa parte da nossa briga se deve a mim. E mais desesperador ainda é o fato de eu novamente estar afastando alguém que amo. Por que eu sou assim? Por que sempre que tenho alguém, seja amigo ou namorado, sempre arrumo um jeito de fazer com que ele me odeie? O mais duro de tudo é ouvir aquela frase “É por isso que você não tem amigos”. Eu sempre ouço esta frase dita por diferentes vozes e percebo que o próximo a dizer isso será Steve.
Passei a tarde inteira conversando com a adorável dona Clara que achava que eu era sua neta, Fabiana, que morrera á cinco anos. Estranho né? Mas, já me acostumei a ouvir sempre as mesmas histórias e ser recebida sempre como alguém diferente. As vezes sou Fabiana, a neta, outras sou Janaína,a filha, e muito raramente sou Isadora.
Partia meu coração vê-los naquele estado, morando naquela casa. Casa? Aquilo era só uma estrutura simplória feita de bambus, coberta por sacos plásticos e que possuía um pedaço de madeira na frente aquém Seu Fagundes chamava de “porta”. E foi dessa porta que Steve apareceu.
Depois de nossa discussão “supercivilizada e nada xenófoba” a aparição dele ali, na casa do Seu Fagundes era no mínimo assustadora.
–Quem é este rapaz? – perguntou a velhinha – É o Vinícius?
–Não, este é meu amigo Ste...
–Vinícius! – surtou – Entre, saia deste sol! Vamos, entre!
–O que? – boiou o “Vinícius” – Desculpe, a senhora deve estar me confundi...
– Dona Clara, espere um pouquinho aqui. – freei Steve. Eu sabia bem a agonia que era quando se dizia a ela que você não era quem ela pensava. – Vou conversar com o Stev... Com o Vinícius ali fora e já já nós voltamos ok?
–Tudo bem, mas não demorem! A mãe de vocês já está vindo busca-los. – respondeu ela, alucinada, enquanto eu saia do barraco.
Puxei SteveVinícius para longe do barraco e o empurrei, ainda irritada.
– O que você está fazendo aqui? Veio conferir a pobreza do meu país? – questionei agressiva
Steve abaixou o olhar.
– Eu vim te pedir desculpas.- respondeu ele, docemente.
Pronto, acabou. Acabou agressividade, acabou ignorância... Acabou tudo. Não dá para ficar brava com esse cidadão. Mesmo amolecida tentei passar uma imagem de “revolt’s”. Permaneci bicuda.
–E porque?
– Porque você... Bem, você... Isadora... Bom...
–Eu sei que meu nome é Isadora. – debochei do nervosismo típico dele.
Ele não ficou bravo como costumava ficar quando eu fazia isso nem tão pouco rebateu. Steve apenas me abraçou. Tentei não corresponder o abraço forte, afinal eu estava com raiva dele. Ou deveria estar.
Não rolou. Me entreguei ao abraço e desabei em lágrima.
–Desculpa! – falamos em uníssono
E soltamos uma gargalhada em harmonia.
– Eu disse coisas terríveis a você, me perdoe! – exclamei aos prantos – Eu não quero te perder, não quero que suma da minha vida. Não quero que diga que...
–Shi! – ele colocou um dedo sobre a minha boca, consolando-me como se eu fosse um bebê – Você não precisa pedir desculpas, Isa. Eu errei. Eu disse barbaridades sobre as coisas que você acredita e disse mentiras. Disse coisas que não acredito, disse só para devolver as ofensas que você fez. E pensando bem nem foram ofensas, foram apenas seu ponto de vista.
–Foram ofensas sim! – retruquei – Eu fui muito xenófoba com você. Isso é horrível e você só devolveu as afrontas.
–Não foram ofensas. – insistiu – Foi só seu ponto de vista, já disse. Eu é que não consegui suportar pensamentos tão diferentes e verdadeiros.
–Não era verdade! Você só disse a verdade sobre o Brasil. Todo mundo me diz isso, Steve, eu é que não gosto de aceitar. – solucei – AO contrário de você eu fui...
–Você não foi nada. –cortou, me abraçando outra vez – Ainda somos amigos?
Me libertei do abraço para fitar seu rosto.
–Você ainda quer ser amigo de uma brasileira comunista com sérios desvios antiamericanos? – brinquei
Steve sorriu.
–Você ainda quer ser amiga de um americano... Bla! –colocou a língua para fora e corrigiu – De um estadunidense – não pude deixar de sorrir ao vê-lo corrigir a nacionalidade – Bobo e idealista?
–Sim!
–Eu também! – respondeu ele beijando a minha mão – Ah e tenho boas notícias.
–Quais?
–Comprei uma casa.
–Uma casa? Aonde?
– Aqui neste bairro.
–Aqui? – me surpreendi – Steve este bairro não é lá essas coisas...
– Foi o único lugar onde encontrei uma casa boa e mobiliada. – respondeu – E não é para mim. É para eles. – apontou para a casa de Seu Fagundes.
Meu queixo caiu. Fitei-o incrédula sentindo meus olhos arderem de emoção.
–Vo-você está-tá fa-falando sé-sério? – gaguejei tamanha a minha perplexidade – Você comprou...
–Comprei uma casa para eles. – completou humildemente como se dissesse “comprei um pacote de balas para uma criança” – Sua mãe me contou tudo. E contou sobre Cléo, as pessoas que querem te matar e sobre o que você faz toda a quinta-feira. E Isadora, isso é incrível. É lindo e eu quero te ajudar nisso.
– Ajudar? Você quer me ajudar?
Aí que eu chorei mesmo. E Steve riu.
–Por que está chorando, sua boba? Pare de chorar e vamos avisar aos novos donos da casa. – falou ele já a caminho da casa de dona Clara – Ande sua pamonha! Temos uma mudança a fazer.
Ainda em estado de choque com a benevolência de meu queridíssimo amigo, fomos dar a noticia a Seu Fagundes e Dona Clara que vibraram. Passamos a noite inteira trabalhando e levando as coisas para a nova, grande e espaçosa caso dos velhinhos. E Steve não apenas comprou a casa. Ele simplesmente se dispôs a pagar uma mesada para eles e comprou algumas cestas básicas para distribuirmos para outras famílias carentes adjacentes.
No final da noite, lá pelas dez horas, entramos no carro para irmos para casa. E eu continuava estupefata.
– O que foi? Está tudo bem? – preocupou-se ao olhar minha cara de tacho.
–Sim, até demais! Este é o problema.
–Não entendi.
–Por que você fez isso tudo?
–Isso tudo o que?
–Como assim “isso tudo o que”? – retruquei – Steve você comprou uma casa e ainda está pagando a aposentadoria deles. Por que fez isso? Você não precisava fazer isso.
Steve bufou olhando o movimento pela janela.
–Minha mãe me ensinou que quando vemos alguém passando algum tipo de necessidade, é nosso dever ajudar. Isso mais do que solidariedade é uma questão de caráter. Fora que eu sei que se fosse ao contrario, se você pudesse ajudar teria ajudado. E ainda tem o fato de que eu fui um estúpido com você. Você me ensinou quase tudo que eu sei, esteve comigo durante os oito meses que nos conhecemos, sempre me apoiou, me ensinou... Eu amo você, Isadora. – disse ele olhando em meus olhos — Você é minha irmã, é minha família. É tudo que eu tenho neste mundo louco em que acordei. Não poderia correr o risco de te perder e muito menos deixar aquele casalzinho de idosos padecessem naquele casebre. Seria covardia da minha parte se não fizesse isso.
E olha eu lá chorando de novo. O abracei o mais forte que pude e enchi sua bochecha de beijinhos.
–Eu também te amo, Steve! Você é mais próximo a mim do que meu próprio irmão. Você é meu maninho dos States! – brinquei e ele sorriu
–Posso te pedir uma coisa? – perguntou ele com cara de quem ia aprontar
Bati continência sorrindo.
–Sim, senhor. O que quiser.
–Me leve para a praia.
–Agora?
–Agora.
–Essa hora?
–essa hora.
Suspirei longamente e obedeci.
E lá fomos nós para a praia quase que de madrugada. Mas, valeu a pena. Conversamos sobre varias coisas e prometemos que jamais, JAMAIS, em tempo algum entraríamos em algum tipo de assunto que envolvesse nossos países. Dois patriotas com pensamentos tão divergentes como nós não daria certo. E estávamos superbem até que Steve teve a brilhante ideia de entrar na água.
–Anda, Isa! Vamos! – tentava me levantar do chão ou melhor me puxando pelo braço
–Capaz deu entrar nessa água fria e ainda correr o risco de ser devorada por um tubarão.
–Fala sério, não foi você mesma que disse que não tem tubarão aqui em Angra?
– Isso foi antes de um filhote de tubarão martelo ser encontrado vagando perto da Ilha Grande. Não entro aí nem morta. – cruzei as pernas, irredutível.
Steve me largou. Ufa!
Mas, então do nada ele voltou. E me jogou nos ombros.
– QUE ISSO? – gritei – ME POE NO CHÃO, GRINGO DO CAPETA!
Ele só ria. Estávamos subindo no deque.
–Ai meu Deus! – exclamei, morrendo de medo – Steve eu não sei nadar!
–Não sabe nadar? – questionou perplexo, parando no meio do deque – Como assim não sabe nada? – continuou em tom de riso – Você mora cercada pelo mar e não sabe nadar.
Soquei as costas dele de raiva.
–Para de rir e me põe no chão.
–Não sabe nadar? Não acredito.
–Steve eu já disse que não sei. Eu morro de medo de mar, cachoeira... Credo! Prefiro meus pés no chão. Definitivamente não sou filha de Poseidon. – brinquei
–Ah mais vai aprender agora!
Tbum! Caímos nós dois no fundão. Eu superirritada e desesperada e ele rindo de se acabar.
–Ai eu te odeio. – eu dizia grudando na gola da camisa dele para não me afogar e ao mesmo tempo tentando matá-lo afogado
–Só vamos sair daqui quando você aprender a nadar. – decretou jogando água na minha cara.
No fim, eu não aprendi a nadar. Estava morrendo de medo de ser devorada por um tubarão então me concentrei na prazerosa tarefa de encher o saco de Steve. Depois de uma hora no meio do mar, voltamos para casa. Um zombando com a cara do outro, mas felizes.
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Cinco dias depois.
Estávamos nós no shopping conversando sobre Futebol Americano (que para variar eu abomino e ele ama) quando uma loira linda, alta e sorridente se aproxima de nossa mesa.
–Oi! – disse ela simpática
–oi! – respondemos estranhando a situação.
Grilos infinitos por uns dois minutos até que a sujeita disse.
–Eu não sei nem como agir, me desculpem. Estou tão nervosa e sem graça! – dizia ela corando,de cabeça baixa
–Vem cá, eu te conheço? – não resisti – Espera... Pelo sotaque é estrangeira. E Steve é pra você.
–Pra-pra mim? – se desesperou para variar. Acho que lembro do caso da Stacy.
Chutei a perna dele por debaixo da mesa para que ele controlasse o nervosismo. Logo saquei que ele tinha se interessado pela sujeita. Meu lado cúpida disparou.
–Faz o seguinte... Como é seu nome?
–Sharon. – respondeu sorrindo
Amo gente sorridente!
–Sente conosco, Sharon. – propus, simpatia em pessoa
Steve arregalou os olhos, sussurrando um “NÃÃÃÃO” que fiz questão de ignorar. Sharon sentou.
–Você não me conhece, mas eu te conheço. – disse ela de forma divertida á Steve, que boiou.
–Me conhece?
–Vou falar meu sobrenome, talvez já tenha ouvido falar de mim. – disse ela antes de soltar a bomba – Meu nome é Sharon Carter...
Vibrei por dentro! YES!YES!YEEEEEEEEES!!! Era exatamente isso que eu queria desde que Steve mencionou a existência de uma parenta da Peggy! Steve engoliu em seco. Sharon continuou sorrindo e eu estava me segurando para não dançar a ragatanga.
–A so-sobrinha da Peggy? – perguntou Steve tentando controlar o nervoso, o que não deu lá muito certo
A loirinha fofa confirmou com a cabeça. Sorri largamente para o novo casal (já casei os dois na minha cabeça!).
– Sou eu mesma, Capitão América. – disse ela de forma muito tiete. Da forma que eu falaria se estivesse sentada com o Batman, meu herói favorito.
O clima purpurina tinha invadido a mesa e eu estava de vela. Educada como sou, fiz questão de EME ausentar.
– Bem, vejo que vocês vão ter muito assunto. Uma pena eu não poder participar. –forcei um lamento no maior estilo Fernanda Montenegro.
Steve me fuzilou com o olhar.
–Onde você vai? Fica. – ordenou
–Por favor, fique! – insistiu Sharon – Queria conhecer você também... São namorados?
–Não, claro que não! – respondi imediatamente antes que Steve dissesse que sim apenas para se livrar do momento constrangedor – E é por causa do meu namorado mesmo que tenho que sair. Beijo Steve, beijo SHa...
–Namorado? – questionou Steve perplexo com a mentira, cruzando os braços.
–É ué, o Brian. Aff Steve até parece que não conhece o Brian. – disse euFernanda Montenegro já de pé saindo do local. – Beijinhos e até mais.
Meti o pé da praça de alimentação, curiosíssima para saber no que aquele encontro resultaria. Já imaginava o casamento fofo dos dois. É, parece que Steve encontrou a mãe da Willow.
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