Ainda existem flores
24 Laços familiares
Notas iniciais
"Amigos são a família que nos permitiram escolher"- Willian Shakepeare.
— Entendeu por que eu não vou poder sair com você amanhã? — pergunto para Lysandre que está apoiado contra a parede da escada do prédio de ciências. O lugar em que nós geralmente custávamos nos encontrar quando eu tinha problemas. Parece justo que nos encontremos aqui.
— Na verdade, não. — ele disse me encarando com o sorriso de lado dele. O encaro confusa. O que tinha difícil de entender? Minha prima chegou no internato e pediu para eu apresentá-la a cidade amanhã. O que tem demais? — eu não entendo como sua prima pode ser mais importante do que eu. — ele diz. Ah, então ele estava apenas fazendo charme. Idiota.
— Sendo, Parker. — digo. Ele ri e pega uma mecha do meu cabelo.
— Tudo bem então. E como sua prima é? Vocês se dão tão bem assim? — ele pergunta. Certo, como era a Lexi? Franzo as sobrancelhas.
— Ela é o oposto de mim. — digo dando de ombros. — mas a gente sempre se deu bem.
— O que é ser o oposto de você? — ele pergunta. Encaro seus olhos sonolentos.
— Digamos que ela morou no Canadá por apenas um ano. A gente tinha 14 nessa época. Nesse único ano ela deu o primeiro beijo do Viktor, colocou os maiores chifres da história no garoto mais popular da escola e fez as outras meninas de escravas particulares. — digo. Lysandre ergue uma sobrancelha.
— Ela parece... popular. — Ele disse. Ri da definição dele e apoiei a cabeça em seu ombro por causa do sono. E por que agora eu tenho esse direito. De verdade, é simplesmente perfeito estar com Lysandre. Por mais que eu sempre estivesse com ele, agora tudo está diferente por fatores óbvios.
— Ela é. Mas é gente boa. — digo. Ele apoiou a cabeça contra a minha.
— Você não vai para a aula? -ele perguntou. Ele tinha que ser responsável. Se não, não seria ele.
— Daqui a cinco minutos. O professor sempre atrasa de qualquer forma.- digo.
— Você vai lá em casa hoje a noite? — ele pergunta. Me levanto e ele me encara. — ver o Morf. -ele acrescenta. Sorrio irônica.
— Talvez eu vá. O que vai ter para jantar? — pergunto.
— O que você quer comer? — ele pergunta.
— Comida japonesa. Mas tem que ser boa. Você conversou com o Castiel? — pergunto. Lysandre disse que assim que pudesse ele falaria para o Castiel que agora ele estava comigo. Ao que parece, melhores amigos não escondem coisas um dos outros.
— Ah, sim. Ele está de mau humor por causa disso. Ele quer conversar com você, mas acho que é melhor você levar um tampão de ouvido. — Lysandre diz.
— Mas ele não está com a Ana Clara? Falando nela, eu descobri que ela é a melhor amiga da Lexi. Eu e Rosa estamos sendo transferidas de quarto para que as duas possam ficar juntas, acredita? — digo. Lysandre fica pensativo.
— Por um certo lado isso é bom. A Rosa sempre foi mais sua amiga que a Ana Clara e vocês parecem terem se distanciado recentemente. — ele diz. Ele estava certo e errado. Rosa continuava muito minha amiga, assim como Alexy, mas ultimamente nós não temos tido muito tempo de colocarmos a conversa em dia. Mas é como dizem, amizade verdadeira não precisa estar sempre junto.
— É, você está certo. -digo. Ele me encara e tira a franja do meu rosto antes de começar a rir.
— Mas se isso te incomodar muito, pode se mudar para minha casa. — ele diz. Sinto meu rosto corar, mas por ser em parte algo que eu queria. Mas como ninguém pode ter tudo o que quer sem ser mau olhada, eu simplesmente o empurro para o lado e me levanto.
— Eu vou para a aula. — digo me virando. Lysandre ri e segura minha mão, me puxando novamente para baixo e eu o encaro. Acompanho o sorriso em sua boca antes dele me beijar. Seus lábios, como sempre, foram calmos como se ele estivesse apenas aproveitando algo fantástico. E era por isso que eu me sentia única beijando ele, ele passava a sensação de que eu era algo precioso. Então ele se afastou.
— Agora você pode ir. — ele diz. Mostro a língua e ele ri enquanto eu me afasto. — ah, Tes. — ele me chama. Cara, eu já disse que amo quando ele me chama assim?- qual seu tipo preferido de sushi?
— Salmão. Ah, e os fritos são os melhores. — digo. Ele sorri e eu vou para aula.
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— Teresa. — ouço alguém me chamar enquanto coloco a mochila no meu ombro saindo da sala. Me viro para o Castiel.
— Castiel. — digo. Ele sorri e apoia a mão no meu ombro, me guiando para o pátio.
— De verdade, você podia ter me avisado que gostava do meu melhor amigo ao invés de me iludir. — ele diz. Brinco com meu anel aflita. Na época em que eu estava com o Castiel eu não era ou pelo menos não sabia que eu era apaixonada pelo Lysandre.
— Eu não sabia naquela época. — eu digo. — eu descobri mais ou menos quando eu terminei com você. — digo. Castiel pareceu pensar. Eram raras as vezes em que eu via Castiel sério e vê-lo sério também me deixava séria. Ele me encarou.
— Você provavelmente sabe, mas o Lysandre é uma pessoa que já sofreu muito. — Castiel diz brincando com o próprio anel. Nós dois somos parecidos demais. — primeiro, com a perda dos pais, depois com a rejeição do Leight e do avô e por fim,sempre sendo o brinquedo da Nina. — Castiel diz. Eu sei que o Lysandre tinha sido muito machucado, mas eu nunca tinha colocado as coisas em ordem desse jeito.
— Eu não quero machucá-lo, Castiel. Ele não é meu brinquedo. — digo. Castiel sorri de lado, com a expressão meio triste.
— Se você machucar o meu melhor amigo, nem que seja apenas um pouco, eu te dou um F4. -ele diz. Giro os olhos.
— Você até que não é um amigo tão ruim. — digo. Castiel ri e volta um pouco ao normal.
— Quer levar um F4 agora? Não me irrite. -ele diz. Sorrio para ele.
— Amadureça. — digo. Vejo a Ana Clara vindo na nossa direção com minha prima ao seu lado. -já conheceu minha prima? — pergunto.
— Ah, sim. Na hora do almoço. — ele diz. Ele se inclina um pouco para mim já que agora as duas estão próximas. — ela deu em cima de mim. — ele diz e eu não contenho a gargalhada.
— Imaginei que isso fosse acontecer. — digo. Lexi é muito bonita. Ela começou a pintar o cabelo de roxo aos 15 anos, mas a cor combinava com ela. E ela tinha olhos de um azul muito intenso, além de um corpo de invejar. Não é a toa que os meninos babavam por ela. Mas era óbvio que ela não fazia o tipo do Castiel.
— Está de pé o programa de amanhã, não é, Tessa? — Lexi pergunta.
— Com certeza. Rosa e Alexy vão também, e imagino que você também vá, certo, Ana Clara? -pergunto. Ana Clara era uma pessoa legal, mas ultimamente eu tenho achado ela um pouco irritante.
— Vou. — Ana Clara diz.- você não quer vir, Castiel?
— Não. — eu respondo. Cara, elas não me deixaram convidar o Lysandre, por que o Castiel pode? — se o Lysandre não vai, o Castiel também não. — digo.
— De qualquer forma eu já tenho planos para amanhã. — Castiel diz girando os olhos. — e eu tenho que ir agora. — ele diz.
— E eu também. — digo e começo a me afastar para a área dos dormitórios. Castiel me segue e coloca a mão no meu ombro enquanto me acompanha.
— Domingo vai ter um churrasco na casa do Kentin. Você devia vir. — ele diz.
— Vão ser só vocês quatro? — pergunto passando pelo portão que delimita o dormitório feminino do campus.
— Não, o Armin quer convidar a Lexi e acho que eu vou chamar a Ana Clara. — ele diz dando de ombros. — e claro, o Alexy vai e a platinada vai com o irmão do Lysandre. — ele diz.
— Mais alguém? — pergunto.
— Os pais do Kentin vão estar lá, esse é o motivo dele estar organizando. Minha irmã vai como despedida, já que ela vai embora na segunda. — ele diz. Isso me lembra. O noivado do Castiel.
— Você ainda está relutando o noivado? — pergunto. Castiel fica hesitante.
— Se ela se tornar irritante o Kentin faz ela desaparecer em poucas horas sem deixar qualquer vestígio. Mas até que a Ana Clara não tem sido tão ruim assim. — ele diz.
— Tudo bem, então. E o Kentin não é o único que consegue se livrar de uma pessoa. — digo. Castiel sorri. — você é meu amigo, Sworis. Eu sempre ajudarei os meus amigos.
— Me desculpe ter feito você inventar o lance da gravidez. — ele pede.
— Você foi contra, se não me engano. Só desencana. Eu estou feliz agora, Castiel. O que nós precisamos fazer para deixar você feliz também? — pergunto. Castiel ri.
— Eu também estou feliz, Chase. E agora anda, eu sei que você está indo encontrar o Lysandre. — ele diz parando na porta do meu dormitório onde minhas coisas estavam sendo empacotadas, assim como as de Rosa.
— Você...- seria muito estranho perguntar se ele ainda gosta de mim? Quer dizer, seria idiotice ignorar que nós dois tivemos um lance. É assim que se fala? Tão superficial. Acho que nós dois tivemos um capitulo da minha história. Isso, fica muito mais filosófico. — você ainda gosta de mim?
— Tessa, eu não vou mentir que eu nunca vou encontrar uma garota como você e foi por isso que você me deixou louco. — ele diz. — você será eternamente a garota da F4, mas eu já não choro mais por garotas. Aprendi que existem razões melhores para chorar. -ele diz.
— Ou você pode simplesmente não chorar. — proponho. Castiel ri.
— A gente se vê. Não se esqueça, se você magoar meu melhor amigo...- ele começa. Suspiro. Até parece que eu queria fazer algo assim. Se eu fizesse isso, eu provavelmente me abalaria mais que o Castiel.
— Eu mesma me dou o F4. — digo. Castiel ri e bagunça meu cabelo antes de ir embora, mas não deixo de perceber que ainda existe uma tristeza em seu olhar.
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— Você exagerou muito sobre a reação do Castiel. — eu digo sentada no sofá de Lysandre enquanto o mesmo está rolando no chão com Morf tentando morder seu nariz.
— O que ele falou? — Lysandre pergunta agarrando Morf e o segurando, enquanto o cachorro se debatia em seu braço.
— Que se seu te magoasse ele me daria um F4. -digo escorregando para o chão e libertando Morf dos braços de Lysandre que me encara.
— Acho que ele precisa piorar o castigo. F4 para você já é fichinha. -ele diz. O empurro para o lado e ele deita no chão me puxando consigo e me prendendo em um abraço de urso.
— Eu não consigo respirar. -digo.
— Sua voz não está nem tremendo. Claro que consegue respirar. — ele diz. Faço cara de emburrada e ele ri. Morf começa a morder o braço de Lysandre, que apenas ignora a pequena figura de seu cachorro.
— Acho que agora eu estou com fome. Vamos comer. — digo me debatendo em seus braços, mas ele apenas fecha os olhos e continua com a expressão calma. Como ele consegue fazer isso com o Morf mordendo seu braço cada vez mais forte? — nós vamos brigar. Anda, me solta. — digo. Lysandre finge não ter ouvido, mas seu telefone começa a tocar e ele me solta, fazendo Morf dar um pulo.
— Alô? — ele atende o telefone se sentando ereto.- é ele. — ele diz. Entediada, me levanto e vou para a cozinha me sentando na mesa onde a comida que ele havia mandado fazer se estendia por toda a extensão da mesa. Morf começa a pular na minha perna, e eu de uma forma ninja (o que eu sou, obviamente) jogo um sushi por debaixo da mesa para ele.
Espero Lysandre aparecer, mas ele está demorando demais. Ignoro Morf que está pulando na minha perna, provavelmente na esperança de ganhar outro suahi, e paro na soleira da porta, encarando Lysandre que está sentado no chão com a cabeça apoiada no joelho e seu celular caído logo ao lado dele.
— Lysandre? — chamo, mas ele não ergue a cabeça. Caminho até ele e coloco a mão em seu ombro. -quem era no telefone?- pergunto. Lysandre respira fundo e me encara. Seus olhos estão vermelhos e sua expressão está séria. — o que aconteceu?
— Era do gabinete do meu avô. — ele diz. Calma, quem era o avô do Lysandre mesmo? Sei que ele também ignorou o Lysandre quando ele perdeu os pais. E que era um homem extremamente influente na medicina, já que a família Parker é dona da maior linha hospitalar da América.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunto.
— Meu avô quer me encontrar amanhã. — ele diz. Isso não tem sentido. Ele ignora o neto fazem... 14 anos? 11, eu acho. O que ele quer com o Lysandre agora?
— Você não precisa ir. -digo. Lysandre suspira.
— Eu vou. É minha familia, não é? — ele pergunta. — ao que parece eu também vou ter que te dar um bolo amanhã. — ele diz. O encaro. A expressão dele está um pouco mais tranquila, mas ele ainda não está bem.
— Eu vou com você. — digo.
— Não, Tessa, aproveite o dia com a sua prima. Eu te ligo assim que eu chegar em casa. -ele diz se levantando.
— E antes de sair. E quando chegar a... onde vocês vão se encontrar? — pergunto. Lysandre ri e se vira para mim, me abraçando. O abraço de volta imediatamente e ele se afasta apenas um pouco de forma que pudesse me encarar.
— Será na casa dele. E se quiser eu te ligo de hora em hora. -ele diz. Sinceramente, essa não seria uma má ideia. Pelo menos dessa forma eu não ficaria preocupada.
— Parece ótimo. Eu vou cronometrar o meu celular. — digo pegando o meu celular, mas Lysandre pega meu celular antes que eu pudesse fazer qualquer coisa e me beija, me prendendo contra o chão.
— Duvida que eu vá me esquecer de ligar a cada hora? — ele pergunta. Sim. Eu duvido profundamente. O Lysandre esquece tudo o que ele faz.
— Duvido. — digo. Então escuto um barulho e a porta é aberta e Lysandre se afasta de mim com um sorriso estampado no rosto. Então a F4 entra com Castiel logo a frente.
— Cara, como você não me convida para comer sushi? — ele pergunta. Lysandre ri e o cumprimenta com aquela espécie de abraço/aperto de mão. Ele bate de leve nas costas do Kentin e do Armin. — Tessa, sinceramente, você não consegue acabar com isso tudo sozinha. -ele continua, se referindo a mesa lotada.- que tal dividir?
— Lysandre, você não acha que o Morf está muito gordo não? — Armin pergunta passando a mão na cabeça do pequeno cachorrinho. — desculpe, nós não interrompemos nada, não é Tessa?
— Acho que eu vou expulsar vocês da minha casa. — Lysandre diz. Kentin se joga no sofá e pega um controle de PS4 ligando o mesmo.
— Castiel, pega as cervejas. Campeonato de Fifa, eu começo já que eu fiquei em primeiro na última. — Kentin diz. Ótimo. Será que os membros da F4 tem um sensor que avisa os outros de quando um está triste?- vai querer tentar, Tessa?
— Se ela jogar igual ao Viktor, ela já está banida da competição. — Armin diz dando um gole na garrafa de cerveja dele e parando ao meu lado. Ele sorri e me da um beijo na bochecha. — tudo bem, Tessa?
— Ei, eu quero jogar sim.- digo empurrando Armin para o lado e me sentando no braço da poltrona em que Lysandre havia se sentado. Eu sempre joguei melhor do que o Viktor então não acho que eu serei humilhada. — eu jogo contra o Kentin na primeira.
— Lógico que não. Tem uma ordem e como eu fiquei em segundo eu jogo contra o Kentin. — Armin diz.
— Quem ficou em último? — pergunto.
— O Castiel. — Lysandre diz tomando um gole da cerveja dele. Eu tiro a cerveja da mão dele e o encaro.
— Você não pode ficar de ressaca amanhã. -digo. Era tudo o que faltava. Depois de anos ele encontra com o avô e estará de ressaca.
— Já está recebendo ordens, Lysandre? — Armin pergunta rindo.
— Ele está dominado, Armin. Talvez nós devêssemos dar uma coleira para ele de uma vez, ai a Tessa pode levá-lo para passear. — Kentin brinca e os quatro caem na gargalhada. Cara, como eles podem ser tão idiotas? Me levanto e dou um tapa na cabeça de cada um.
— Vocês vieram para ficar calados e comer sushi, não fazer comentários engraçados. -digo. Afinal, por que eles vieram? Sinceramente, eu só não estava ligando já que o humor de Lysandre estava ótimo agora.
— Na verdade a gente veio para irritar o Lysandre. — Castiel diz.
— Então eu jogo contra quem? — pergunto.
— Contra o vencedor dessa partida. — Armin responde montando o time dele.
— Nesse caso, eu vou pegar o sushi. — digo indo para a cozinha.
— Tessa, pega uma cerveja para mim! O Armin não trouxe.- Kentin berra. Giro os olhos e rio enquanto brinco de equilibrista para conseguir levar tudo e a cerveja de Kentin. Nesse momento eu me toquei de algo que o Castiel havia dito a muito tempo atrás.
Nós temos duas famílias: a biológica e que nós escolhemos. E a F4 foi a família que eu escolhi.
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— Não, coloca esse. — digo pegando o suéter bege que está estendido na cama de Lysandre e lhe entregando. Ele ajeita a gola da camisa social azul e coloca o suéter que eu lhe estendia por cima. Ele ajeita a calça cáqui e passa o pente pela última vez no cabelo.
— Que tal? -ele pergunta.
— Parece aqueles meninos riquinhos. — digo.
— Talvez por que eu seja um dos meninos riquinhos. — ele diz. — já está pronta? Eu tenho que te deixar no internato antes de ir para a casa do meu avô. — ele diz.
— Ei, Lysandre. — Castiel que estava dormindo em um dos quartos de hospedes, assim como eu, chama na porta. -não se renda para o seu avô, ok? Você tem uma nova família. E agora você tem o Leight. — Castiel diz. — você tem certeza que não quer que eu vá com você?
— A Tessa também se voluntariou, mas está tudo bem. -ele disse. — eu preciso fazer isso sozinho.
— Não vai colocar gravata? — Castiel pergunta examinando o amigo.
— Não, vai ficar certinho demais. — digo.
— Esse é o objetivo, Tes. — Castiel diz. — ele não é um revoltado igual você que quer contrariar os pais.
— Então coloca essa. — digo estendendo a gravata vermelha para Lysandre. Ele gira os olhos e coloca a gravata, e eu me aproximo e a ajeito em seu pescoço enquanto Castiel ajeita a manga da blusa social embaixo do suéter.
— Vocês dois estão me sufocando. — Lysandre diz. Então ele me encara e ajeita a gola da minha camisa social branca. Eu amava camisas sociais femininas. Eu geralmente usava com suéter, mas não quero copiar o Lysandre, por isso coloquei a branca de seda.
— Vamos? — pergunto para ele.
— Você vai ficar bem, certo, Castiel? — Lysandre pergunta.
— Eu só estou de ressaca. Daqui a pouco vou para casa, aproveitar o dia com a minha irmã. — ele diz.
— Manda um beijo para a Alicia. — digo. — e diz que eu vou levar ela no aeroporto com vocês na segunda.
— Ela com certeza vai ficar feliz. — ele diz sorrindo. Castiel estava limpo como sempre, por mais que ele estivesse com ressaca. Ele havia acabado de sair do banho e estava com uma das bermudas de Lysandre e sem camisa. Tudo bem, eu acho que é impossível alguém negar que ele é incrivelmente... gostoso. Essa é a palavra? Bom, o Lysandre não perde para ele pelo que pude ver quando ele estava vestindo a camisa social e eu invadi seu quarto. Sério, eles são robôs? Lindos, inteligentes e ricos. Cara, eu amo os quatro para caramba.
— Pegue uma camisa minha. Estamos indo. — Lysandre diz e da aquele aperto de mão meio abraço no Castiel antes de passar por ele.
— Até amanhã, Castiel. -digo dando um beijo em seu rosto antes de passar e ele voltar para o quarto de hospedes. Lysandre segura minha mão enquanto vamos para sua moto. — o capacete vai atrapalhar seu cabelo. — digo.
— Meu cabelo é bom. É fácil de arrumar. — ele disse abaixando a viseira de seu capacete e eu passo os braços pela sua cintura e dou um beijo em suas costas.
— Exibido. — digo. Escuto ele rir.
— Só me exibo do que eu posso. — ele diz e acelera. Chegamos rapidamente no internato e eu o encaro preocupada.
Querendo ou não, hoje seria um dia muito importante para ele, e eu lamentava não poder estar presente. Ele tira o capacete e me encara da moto franzindo as sobrancelhas, mas sorrindo.
— Boa sorte. Me liga assim que chegar na casa do seu avô. — digo. Ele coloca as mãos nos bolsos da frente da minha calça jeans e me puxa em sua direção. — e assim que chegar em casa. Se você não me ligar antes das 19 avisando que vai demorar mais eu vou invadir sua casa. Eu tenho a chave. — digo. Ele sorri e beija minha bochecha.
— Vai ficar tudo bem. Eu não sou tão fraco quanto você e o Castiel acham. — ele diz. Faço uma expressão azeda. Eu não queria que ele fingisse ser forte, principalmente diante de algo tão sério.
— Só me liga, ok? — peço. Ele concorda. — eu te adoro. — digo. Ele sorri e me beija com calma antes de me encarar novamente e colocar minha franja atrás da orelha.
— Te adoro mais. E trate de me ligar também. Se você chegar antes de mim na minha casa, me avise, e se resolver vir para o dormitório, me avise também. — ele diz. Concordo com a cabeça e ele me da um último selinho.
— Boa sorte. -digo. Ele recoloca o capacete e seus olhos sorriem para mim.
— Obrigada. Eu vou precisar. — ele diz abaixando a viseira e acelerando a moto.
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— Vocês vão no churrasco amanhã? — pergunto para o pessoal enquanto tomamos sorvete na praça da cidade. Rosa sorri.
— Com certeza. Agora que o Leight está se dando bem com o Lysandre ele quer ir em todos os programas. Ele ficou extremamente feliz em ouvir que você estava namorando com o Lysandre. — ela diz. Alexy sorri.
— Acho que todos nós ficamos. Sério, ele sempre cuidou tão bem de você e você sempre pareceu gostar dele. — Alexy diz.
— O Lysandre é o de olhos diferentes, não é? — Lexi pergunta.
— Esse mesmo. — digo. Já era bom estar namorando o Lysandre, mas a melhor parte era saber que meus amigos apoiavam. E ao que parece até o meu "cunhado".
— E vocês já deram o "próximo passo"? — Ana Clara pergunta.
— O próximo passo? — pergunto.
— Ela é inocente, Ana Clara. Deixa ela no ritmo dela. — Rosa diz séria. Ah, sim. Ela estava falando de sexo.
— Mas ela não vive dormindo na casa dele? — Ana Clara pergunta. Dou de ombros.
— Como a rosa disse. Cada um no seu ritmo. Eu nunca dormi no quarto dele, por exemplo . -digo.
— Em fim, eu também vou amanhã. — Alexy diz. — meu irmão te convidou, Lexi?
— Quem é seu irmão? — ela pergunta.
— O Armin. Acho que você é a próxima conquista dele. — Alexy diz girando os olhos.
— Ele é muito fofo. — ela diz rindo. -e sim, me convidou.
— Rosa, você não quer ir no shopping para ver o Leight? — pergunto.
— Não, hoje ele não está trabalhando. — ela disse encarando o anel de namoro dos dois. — ele tinha um almoço na casa do avô.
— O Lysandre também foi nesse almoço. — digo. Rosa pareceu surpresa.
— Sério? O avô deles detesta o Lysandre. — ela diz. — o Lysandre já te ligou? — ela perguntou.
— Ligou assim que chegou lá. Parece que tem muitos convidados. — digo.
— Tem alguma coisa no meio disso, eu tenho quase certeza. — ela diz. — o Leight estava comentando que o avô estava querendo expandir os negócios da família. — ela disse.
— Mas ele precisa da autorização do Lysandre que é o dono. — digo. Rosa me encara.
— Viu? Eu disse que tinha alguma coisa no meio. — ela diz. De repente perco todo o apetite que eu estava sobre meu sorvete.
O Lysandre já estava chateado, mas tenho certeza que ficou um pouco feliz em saber que o avô tentou contato. Mas saber que estava sendo usado apenas para um plano econômico do avô com certeza não seria bom para ele.
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— Lysandre? — chamo enquanto entro em sua casa. Meia hora atrás, ele me enviou uma mensagem de texto dizendo que já havia chegado.
Morf está rolando no chão enquanto morde uma meia e eu checo se ele está na cozinha. Nada. Olho nos quartos até entrar no dele e o vejo deitado na cama de costas para a porta. Seu suéter está no chão e sua camisa está meio desabotoada. Ah, droga, eu sabia que deveria ter ido com ele.
— Você está bem? — pergunto me deitando atrás dele e passando minha mão pela sua cintura. Ele se meche um pouco para segurar minha mão contra o seu peito.
— Agora eu estou. -ele diz. Fecho os olhos e pressiono minha testa contra suas costas. Não era a melhor hora para perguntar o que aconteceu. Fecho os olhos e deixo minha respiração no ritmo calmo da dele a medida que ele adormece e eu também.
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