Ainda assim...

3 Capitulo 3


Notas iniciais
Oi pessoal, estou muito feliz em ver que tenho já alguns leitores. Quero dizer que inicialmente eu não pretendia que este capitulo fosse melancólico mas acabou saindo assim. Espero ter conseguido rever a situação no finalzinho. Espero que gostem.

Niko parou o carro na pracinha do condomínio onde a Adriana estaria com seus filhos. Ele se inclinou, girou a chave na ignição desligando o motor do veículo mas inclinou-se novamente pra trás para se encostar ao banco do carro permanecendo imóvel.

Ele ainda não conseguia acreditar na estória que Pilar acabara de contar sobre Félix. Não o Félix que ele conhecia, não o Félix que lhe ajudara a recuperar seus filhos, que amava MaryJane. Como é possível que este Félix possa ter jogado numa caçamba de lixo um bebê recém nascido. Sua sobrinha!!! Pelo amor de Deus.

Niko balançou a cabeça e colocou seu braço esquerdo na janela enquanto seus dedos brincavam sutilmente com a barba rasa que nascia em seu queixo. Se não fosse a própria mãe de Félix lhe contar aquela estória ele não acreditaria, de tão absurdo que tudo aquilo parecia. Niko olhava para as crianças correndo pelo parque. Correndo, jogando bola... à direita algumas mães vigiavam suas crianças menores nos brinquedos ali existentes enquanto à sua esquerda um jovem casal brincava alegremente com seu bebê, que parecia ser pouco mais velho que o Fabrício, jogando-o para o alto e pegando novamente em meio à gargalhadas.

Niko não conseguiu evitar a imagem que se formara de repente em sua cabeça, de um bebê em meio ao lixo. E, sem mais nem menos, por algum truque da mente, aquele bebê se transformara em seu filho, Fabrício. Nesta hora Niko sentiu uma náusea subir tão rápido de seu estômago que ele teve apenas um segundo para sair do carro e se dobrar atrás da primeira lixeira que ele encontrara.

Depois de algum tempo ali se recompondo, Niko limpou as lágrimas que fluíam pelo seu rosto, seja pelo esforço de seu mal súbito, pelo amargo que ele sentia no fundo de sua garganta ou pela angústia que apertava seu peito. Não o Félix! Ele não podia estar assim tão errado quanto ao carácter de uma pessoa.

"Seu Niko?!" Só então, Niko se deu conta que suas pernas o levara para perto de onde Adriana brincava com Fabrício. "Hã?" Ele murmurou ainda fora de órbita. "O Sr. está branco feito papel. Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?" Niko olhou para Adriana com um olhar perdido, mas finalmente conseguiu organizar seus pensamentos e formular uma frase coerente. "Não Adriana, está tudo bem." Niko olhou para o filho nos braços da babá e uma urgência de afeto, de dar afeto invadiu-lhe a alma e Niko controlou-se para pegar Fabrício do colo da babá e então abraçou-o com força, como se ele pudesse garantir naquele gesto toda a proteção que ele desejava que seu filho tivesse.

Ele ficou naquela posição por alguns minutos. Adriana apenas olhava para aquela cena sem entender bem o que estava acontecendo, quando um conhecido choro de criança despertou-os daquela inércia. Era Jayminho que tinha caído da bicicleta que havia ganhado de presente de Natal. Niko, então, calmamente deixou o filho nos braços da babá e foi ao encontro do filho mais velho. ”Ô meu filho, o que aconteceu?” Niko disse enquanto ajudava a criança a se levantar e a levantar bicicleta. De longe Adriana via o patrão com todo carinho e paciência ajudar o filho a se acalmar e encorajá-lo a não desistir de seu brinquedo por causa de uma queda. Mas apesar do carinho e paciência de seu Niko, havia uma tensão que não deixava seus ombros, uma sombra nos seu semblante, algo que a moça nunca tinha visto nos seu olhos antes, nem mesmo quando toda a história da traição de seu marido e sua melhor amiga vieram à tona.

Algum tempo depois, Jayminho já estava novamente andando pela pracinha com sua bicicleta sem se lembrar do tombo que levara e Niko o olhava enquanto dava mamadeira para Fabrício em silêncio.

“Tá tudo bem mesmo seu Niko?” Adriana quebrou o silencio fazendo com que Niko desviasse o olhar em sua direção. “Hum?” Niko murmurou. “O Sr. falou que tava tudo bem, mas não parece não.”

Niko então levantou a cabeça e olhou pra frente sem, na realidade, fixar o olhar em algo. “Sabe o que é Adriana. Hoje me falaram que uma pessoa que eu gosto muito fez uma coisa terrível. Uma coisa que...” Niko engoliu em seco antes de continuar. “...que eu nunca pensei que essa pessoa pudesse fazer...” Ele suspirou tentando entender a contradição de sentimentos que havia dentro de seu peito naquele momento.

“Nossa Seu Niko, tão grave assim?”

“É. Muito grave, mas felizmente, no final acabou sendo corrigido graças a Virgem Santíssima. Mas isso não anula o que foi feito, não é?” Niko desta vez falou olhando para a moça preocupada ao seu lado. “Acho que não.” Ela respondeu sinceramente.

“Mas sabe o que é mais difícil Adriana.” Niko voltou a olhar para o horizonte. “É que eu gosto desta pessoa, gosto muito. E, eu não consigo acreditar... ou não quero acreditar...” Adriana viu o patrão baixar o olhar encabulado. “Eu... eu não consigo entender Adriana. Como eu pude me enganar tanto assim?” Ele levantou o olhar novamente para encará-la.

“Será que você não está sendo duro demais não Seu Niko?” A moça tentou.

“Aí é que está Adriana, eu ainda gosto desta pessoa, ainda acho que ela merece uma segunda chance, mesmo achando repugnante o que ela fez.”

“É porque o Sr tem bom coração Seu Niko. Você só vem o bem nas pessoas.”

“Obrigado Adriana, mas será que eu estou certo? Quero dizer, se não fosse o Fé... Se não fosse essa pessoa, será que eu estaria tentando ajuda-la? Isso não é hipocrisia?” Niko falou sinceramente deixando Adriana compadecida. Ela já tinha percebido que o seu patrão sentia mais do que amizade pelo Seu Félix. Ela realmente ouvia muitas histórias dele quando trabalhava lá na mansão, mas ela mesma não tinha nada contra ele. Mas aqui na casa de Seu Niko, ela só via ele fazer seu Niko feliz.

“Sabe seu Niko, minha vó costumava dizer que existe dois destinos para um o bolo queimado, o lixo ou a barriga da gente. O lixo só vai ganhar bicho com o bolo, mas a barriga da gente vai ficar cheia e o bolo vai cumprir seu destino.”

“Que ditado é esse Adriana.” Niko não pôde conter uma garagalhada. “Ah, não sei Seu Niko. Coisa lá da minha vó.” Ela disse mexendo as mãos indicando um tempo passado.

“Sei... mas acho que eu entendi o que ela quis dizer. Se eu não der uma chance pra algo, mesmo que esteja errado eu talvez esteja condenando essa pessoa a um destino terrível quando eu poderia fazer a diferença.”

“E, que não há nada errado em fazer isso por alguém que o Sr. gosta Seu Niko.” Adriana emendou.

Niko deu a mamadeira, agora vazia, para Adriana e mudou a posição do filho colocando-o para arrotar e depois olhou para babá, seu coração estava mais leve ele docemente . “Obrigada Adriana.” Ele falou sinceramente.

Niko ficou pensando nas palavras da babá, poderiam até ser palavras simples e parecer sem sentido, mas eram na verdade sábias palavras.

“Seu Niko.”

“Oi Adriana.”

“O Sr. já perguntou para o Seu Félix porque ele fez algo tão terrível assim?”

“Adriana!” Niko olhou para moça estarrecido. “Ai desculpa Seu Niko. Eu só acho que o Sr devia perguntar pra ele o que aconteceu. Sabe... o espelho não é famoso por mostrar o reflexo dos outros.” Adriana falava enquanto arrumava a bolsa de Fabrício.

“É verdade.” Niko apenas concordou. Adriana tinha razão, não era justo com Félix julgá-lo sem saber dos fatos, ele tinha o direito de se explicar. Além do mais Niko não conseguia ter um sentimento negativo por aquele homem. Por mais que aquela história parecesse absurda, Niko só conseguia sentir admiração pelo Félix, por causa de tudo que ele lhe fizera, mas também por tudo o que ele tinha descoberto sobre ele nos últimos dias. Sim, Niko tinha certeza que havia uma explicação pra tudo aquilo.

Ele não tinha a menor ideia qual explicação seria esta, mas com certeza havia uma. E ele iria descobrir, ele iria entender o seu amigo e iria ajuda-lo. Essa fora a promessa que ele fizera, e ele pretendia cumprir.

Notas finais
Não me odeiem, please!!! Sim pessoal, eu amo o Félix. Mas como eu disse, não engoli bem o fato de Niko aceitar assim tão facilmente o fato do Félix ter jogado um bebê na caçamba de lixo. Como eu disse, não é minha ideia mudar o que foi mostrado então atribuo a falta de ação de Niko a um choque temporário. É como se a ficha tivesse caído só depois. rsrs. Enfim, acho que ele precisava refletir um pouco antes de sair defendendo o Félix assim.