Aids
3 Grupos de Risco
Nossa Milo, como você está magro! – Comentou Aldebran, enquanto treinavam.
- É, eu sei! – Grunhiu enquanto acertava um soco certeiro no abdômen do amigo, que sequer se mexeu.
- Sabe que isso não me atinge... – Dando um safanão que atirou o homem longe. – Credo, achei até que fosse voar!
- Afe, chega disso por hoje, estou cansado.
- Está sempre cansado... Não vem treinar mais como antes... Cara, você está doente!
- Estou nada! É só falta de sono... – Retorquiu irritado.
- Há quantas noites não dorme em casa? – Perguntou o Touro gentilmente, sentando-se num banco e convidando Milo a fazer o mesmo.
- Desde que briguei com ele... — Confessou com a voz fraca. Aldebaran suspirou, derrotado.
Namorados oficiais desde que a Terra estava em paz, Kamus e Milo viviam às turras. O jeito moleque, brincalhão, encrenqueiro e o fato de ser infiel até dizer chega contrastavam demais com o do francês, sisudo, calado, sério e homem de um amor só. Já perdera as contas de quantas vezes os dois brigaram pelas puladas de cerca de Milo e o namorado sempre o perdoava. Porém parecia que aquela fora a gota d’água pois há um mês terminaram o relacionamento e não parecia haver boa vontade de Kamus para reconciliação.
- Mas também, você provocou não? Até quando achava que ele ia agüentar? Pra sempre? — Milo deu um sorriso sem jeito, o amigo bufou. – Meu Deus, você REALMENTE o ama?
- SIM! Mais que tudo... Só que é quase impossível resistir! É algo que faz parte de minha pessoa... Tento, tento mas só caio em tentação!
- Sempre a mesma desculpa... – Comentou desinteressado.
- Como é? – Irritou-se o outro, estreitando o olhar.
- Se estivesse com tantas saudades quanto dá a entender, procuraria fazê-lo feliz e me emendar. E não ficar pulando de galho em galho! Com quantos já esteve até hoje?
O Escorpião não respondeu, ruborizando e o Touro revirou os olhos.
- Imaginei...
- Quer saber? Essa conversa me deu foi dor de cabeça! Fui! – E saiu da arena, encaminhando-se para seu templo.
“Ele está mal...”, pensou o cavaleiro enquanto observava-o caminhar.
oOo
- Constanzo, ela era demais!
- Que porra, Shura, custa me chamar de Máscara?
- Desculpe, carcamano. Esqueci quanto é “sensível”! – Debochou fazendo aspas com os dedos.
- Só não te arrebento porque a Shina ia chorar muito, espanhol duma figa.
- Todas as mulheres iriam chorar, você quer dizer!
- Pff, ainda está pulando a cerca?
- Não posso negar às garotas esse meu corpinho sensual... – Emendou Capricórnio com um sorriso malicioso.
- Quer ver o que a Cobra vai fazer quando descobrir...
- Nada! Porque ela NUNCA vai descobrir! São só prostitutas, Mask! Ninguém para ser lembrado.
Estavam ambos sentados na passagem do décimo templo, discutindo. Sentiram então a chegada de mais alguém.
- Sua sensibilidade me comove, caro amigo. – Comentou Afrodite, levemente irritado.
- Ih, nem vem, “florzinha”. – Chacoteou. – Não quero ouvir piti de mulher agora.
O homem simplesmente estreitou o olhar e endureceu a expressão. Quando falou, não perdera o tom calmo.
- Não há nenhuma falando contigo agora Shura. Apenas acho que, mesmo sendo profissionais do sexo, elas merecem respeito e consideração.
- Respeito? Faça-me o favor! São putas, lindas é verdade, mas nunca passarão disso. Qual o problema de aproveitarmos um pouco?
Afrodite inspirou fundo, controlando-se.
- Querido, posso ter sua companhia hoje à noite?
- Claro, Dite. Oito horas.
- Maravilhoso. – Sorriu, pela primeira vez feliz. – Até breve então, meus caros.
- Ainda não te entendo, Constanzio. Tanta gatinha te dando mole, tanta garota com quem já dormiu e troca tudo por... ELE! – Diz Shura um pouco alterado, observando o cavaleiro de Peixes se distanciar.
- Amor, caro amigo. Quem o explica? – Completou num remoque, sorrindo de leve.
- Fresco... – Resmungou o espanhol.
oOo
Shaka sorria, fazendo poses e mais poses em frente ao espelho. Balançava o cabelo de um lado a outro, sem conseguir disfarçar sua satisfação. Estava tão entretido que nem notou a chegada dele.
- Nossa, o que é isso?
- MU! Que susto! – Vociferou, a mão espalmada no peito e os olhos abertos de surpresa.
- Deixe disso. Que negócio é esse nas suas costas?
- É uma lótus! Linda não?
O amigo olhava consternado uma enorme tatuagem de flor desenhada nas costas do loiro. Era tão grande que ia da base do pescoço até a cintura da calça que usava. Realmente bonita, mas num homem como Shaka, soava surreal.
- É... Bonita...
- Bonita? É maravilhosa! Uma obra de arte! – Gabou-se, tornando a admirá-la na superfície refletora.
- Quando foi que fez? – Indagou Mu curioso.
- Acabei-a há uma semana. O tatuador demorou mais que o esperado porque queria caprichar.
- Teve essa idéia assim... Do nada?
- Sim. Estava passeando no centro de Athenas quando passei por uma porta minúscula, anunciando as mais fantásticas tatuagens. Entrei só por curiosidade e acabei me convencendo que merecia marcar meu símbolo em mim mesmo!
- Devia ser um estúdio e tanto...
- Qual! Uma salinha e só. Melhor, até porque tinha mais privacidade.
- Afe, Shaka! Pelo menos era limpo?
- Nem me preocupei... Mas artistas têm dessas manias.
- Teve sorte de não pegar alguma infecção séria...
- Sou um cavaleiro Mu! Não há nada que nosso cosmo não cure. – E tornou a se exibir.
Áries olhou-o enfadado. Desde que voltara à vida o amigo esquecera que era a reencarnação de Budah e volta e meia dava rompantes de rebelde sem causa. Já usara roupas de couro, comera carne bovina – mesmo sendo expressamente proibido em sua religião – e agora essa! Quem sabe onde ia parar...
oOo
- Vamos com isso Shina! Que moleza é essa? – Provocou uma amazona ruiva, em posição de ataque.
- Ora, cale-se Marin! VENHA COBRA!
O golpe atingiu certeiro a oponente que caiu metros adiante.
- Ui... Você não perde mesmo o estilo, amiga... – Comentou, levantando-se quebrada.
- Você que está mole... – Sorriu de volta para logo depois colocar ambas mãos na boca e correr até uma moita, vomitando todo o almoço.
- De novo? Shina, vá à médica, você tem vomitado assim há dias... – Sugeriu a amiga preocupada.
- Eu lá sou mulher disso? Não é nada! Logo vou melhorar... – Não chegou a terminar a frase pois sentiu uma leve tontura, caindo sentada no chão.
- Estava dizendo? – Debochou a amazona de Águia.
- É a falta de apetite. Nada demais! – Afirmou, sem dar o braço a torcer. – Mas eu vou pra casa, agora é a vez da June e estou louca por um banho! –Argumentou, saindo da área de treino.
- Marin, que é que a Shina tem? – Indagou a loira se aproximando.
- Acho que teremos mais um morador aqui no Santuário, June... – Sorriu a ruiva.
- SÉRIO? Eu sou a madrinha!
- É nada, serei eu!
- Ah, por quê?
- Porque sou mais velha ué?
- Então deveria ser eu, porque se está velha não vai durar muito!
- O QUÊ? – E iniciaram uma luta acirrada mas desprovida de ódio, como apenas pessoas que conheciam-se bem poderiam fazer.
oOo
- Saga, Kanon, cheguei!
- Maia! – Exclamaram os gêmeos, indo a seu encontro.
- Opa, calma, rapazes! Deixem pelo menos eu tirar o jaleco! – Tentava falar a médica, enquanto se desviava de quatro braços fortes que insistiam em abraçá-la.
- Pra que tirar ele? Só precisa ficar sem o que está embaixo... – Sussurrou Kanon em seu ouvido.
- Ai, parem... – Sorrindo e gostando dos toques atrevidos que eles lhe davam.
- Vai ter que implorar... – Sentenciou Saga, arrastando-a para o quarto.
Momentos depois estavam os três nus, acariciando-a com intensidade e próximos de consumarem o ato quando a garota lembrou-se:
- Esperem! Quero que usem uma coisa. – Levantou da cama e correu até a bolsa, retirando de lá dois pequenos pacotes.
- Que é isso? – Estranhou o gêmeo mais novo.
- Camisinhas. – Retirando os preservativos dos envelopes.
- HEIN? – Disseram os dois.
- Camisinhas. – Repetiu. – Usa-se assim... – Colocando uma em Saga, que estremeceu de prazer.
- Nossa... Colocar isso é demais... Mas não vai atrapalhar não?
- Atrapalhar como? – Indagou enquanto fazia a mesma coisa em Kanon.
- Tipo... Eu gosto de te sentir toda, não vai ficar menos sensível não?
- Vamos testar? – Chamando-os com um dedo e sendo prontamente atendida.
Notas finais
Até a década de 90 afirmava-se a existência de determinados “grupos de risco” para a transmissão do HIV. Eram eles: usuário de drogas endovenosas, homossexuais masculinos, prostitutas e travestis e hemofílicos. Isso realmente era um fato. Porém a partir dessa época a situação se inverteu, graças às intensas campanhas dos governos e de entidades não governamentais em cima destes grupos. Distribuíram-se preservativos entre os profissionais do sexo, seringas e agulhas descartáveis entre os drogaditos, grupos de gays mobilizaram-se entre sua comunidade, orientando sobre o sexo seguro, iniciou-se uma vistoria rigorosíssima nas doações de sangue.
Infelizmente, por esse credo das pessoas de que não pertenciam aos “grupos de risco” aumentou explosivamente o número de mulheres heterossexuais com HIV. Acreditando estarem imunes, não se preveniam durante as relações sexuais, pois, na maioria das vezes, a preocupação principal era a gravidez, facilmente descartada com uso de pílulas.
Atualmente não existe mais um “grupo de risco”. Qualquer pessoa sexualmente ativa está em risco, caso faça sexo sem preservativo. Uso de materiais perfuro cortantes (tais como alicate de unhas, tesouras, facas, seringas, agulhas de tatuagens) que não tenham sido esterilizados ou descartados também é outra maneira comum de transmissão. O sangue de transfusões também é considerado meio de contágio porém com o avanço das técnicas de análise e a seleção cada vez mais rigorosa de doadores fez esse risco cair a quase 0. Por fim, há a pior maneira de se adquirir o HIV na minha opinião: pela mãe.
Mulheres grávidas não tratadas têm 50 de chance de transmitir o vírus a seus filhos. Com parto vaginal e amamentação o risco pode ir a 90. Por isso que atualmente é exigência do Ministério da Saúde a realização do teste anti-HIV em gestantes. Mas falaremos disso em outro capítulo.
Beijos a todos.
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