Aids

4 Sinais e Sintomas


Maia acordou devagar, espreguiçando longa e lentamente. Ao tentar se levantar sentiu algo comprimindo ao mesmo tempo seios e barriga.

- Hum? Ah... – Sorriu enquanto retirava os braços de cada um dos gêmeos de cima do corpo. Ainda sorria ao se dirigir ao banheiro, onde tomou um banho demorado. Logo depois estava na cozinha, preparando o desjejum.

- Bom dia, minha médica favorita... – Cumprimentou Saga, abraçando-a por trás e beijando de leve sua nuca.

- Muito bom dia, Saga... Começá-lo assim é sempre melhor... – Virou-se e estalou um selinho no homem.

- Vou te acostumar então... – Iniciando uma peregrinação com os dedos por dentro do robe de seda vermelha que a garota trajava.

- Ei, que negócio é esse? – Gritou Kanon à porta.

- Ah, chegou o inconveniente. – Resmungou o irmão, soltando a amante e sentando à mesa.

- É, sou mesmo! Não pense que vai passar-me a perna tão fácil de novo, maninho! – Anunciou o Dragão, beijando de leve a moça. – Bom dia, querida.

- Olha lá os dois. Nada de briga, vocês prometeram!

- Sim doutora... – Concordaram num uníssono.

- Gracinhas... – Chacoteou de volta. – E aí, que acharam do nosso brinquedinho ontem? – Questionou enquanto servia o café da manhã.

- Não sei, achei meio estranho... Apertava um pouco... – Disse Kanon.

- Eu não senti diferença nenhuma. – Discordou Saga.

- Kaninho, ficou menos sensível? – Sussurrou Maia no ouvido do cavaleiro, que sorriu descaradamente.

- Nem um pouco... – Deslizando os lábios pela curva do pescoço e levando um tapa na nuca do irmão.

- Se eu não posso, você também não pode.

- Sem graça!

- Mas Maia, por que quis usar aquilo ontem? É camisinha não?

- Camisinha ou preservativo, dá na mesma. Bem... É que eu ainda não quero ser mãe... – Confessou sem graça.

- Hum, mas nossos filhos seriam tão bonitinhos... – Sorriu Gêmeos.

- É, seriam mesmo. – Concordou o outro.

- Porque somos iguais?

- Óbvio!

A garota ria da discussão mas no fundo sentia-se uma mentirosa.O real motivo para iniciar o uso do método anticoncepcional fora a conversa com Kiki no dia anterior. Fizera em si mesma o teste e ele era negativo. Mesmo assim...

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- Ai... Não agüento mais isso... Cof, cof! – Tossiu Milo outra vez.

Há alguns dias vinha tossindo sem parar e se sentia cada vez mais fraco. Já pensava com seriedade na proposta de Aldebaran, consultar-se e se ver livre de algo tão transtornante. Porém, havia algo que gostaria de resolver antes...

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Shura despertou satisfeito e olhou para o lado. Sorriu vendo a face terna de Shina, que ainda dormia profundamente. Acariciou de leve sua bochecha, antes de depositar um beijo.

“É tão bom fazer amor com você...”. E, num turbilhão as palavras de Máscara da Morte voltaram a seus pensamentos: Quero ver o que a Cobra vai fazer quando descobrir...

Toda vez que fazia sexo com uma mulher diferente, um sentimento de culpa aflorava. Mas não era suficientemente forte para fazê-lo recuar. E depois...

“Não posso privá-las de mim mesmo!”, pensou com um sorriso malicioso, enquanto urinava. Parou momentaneamente o ato ao sentir uma ardência e uma pequena dor no baixo ventre. “É, ela acabou mesmo comigo essa noite...”

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Shaka olhava a si mesmo no grande espelho que pusera no teto, bem acima da cama. Não cansava de admirar a tatuagem, chegando a sentir dores no pescoço.

- Ficou tão linda... – Murmurou sorrindo. – Acho que farei mais alguma... No braço! Não, no peito! Uma imagem de Budah! Ou um rosário! Ficará lindo!

Continuou divagando por um longo tempo e nem reparou no leve tom amarelado que tomava conta de suas conjuntivas.

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- Por favor Kamus! Me dê mais uma chance! Só mais uma!

- Esqueça, seu Inseto atrevido e peçonhento!

Quem passasse naquele momento pela décima segunda casa poderia presenciar uma cena no mínimo inusitada. O dono da casa, Kamus, encontrava-se fora dela, enquanto da janela Milo gritava implorando perdão.

- Por favor! Si... Sill vu..

- S\\\'il vous plaît, seu imbecil! E não se atreva a ofender minha língua pátria com essa boca imunda! – Retorquiu o cavaleiro exasperado.

- Kamyu... Eu... Eu fico louco de saudades! Não tenho mais dormido direito, estou fraco, mal como... Estou doente de amor! Vou morrer se não te tiver de volta.

- Pois pode morrer! – Finalizou Aquário, lançando-lhe um olhar tão gelado que fez o coração de Milo falhar uma batida.

- Kamus... – Sussurrou sentindo o rosto queimar com lágrimas quentes. Esticou o braço, como que para alcançá-lo mas ele apenas levantou a mão e anunciou:

- Volto quando tiver partido. Adeus, Milo. – Desceu as escadarias sem olhar para trás, os olhos marejados. “Pardon, mon amour...”, pensava conforme caminhava. Não havia verdade em suas palavras duras, era apenas parte de uma estratégia. Sentia que se o namorado tivesse certeza que o perderia, tentaria se emendar e viver só com ele para o resto de suas vidas. Agora era esperar e rezar para que tudo se acertasse. Ou viveria sozinho até morrer.

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- MARIN! Quantas vezes eu preciso repetir! NÃO. ESTOU. DOENTE! – Protestava a italiana enquanto sua amiga a puxava pelo braço.

- Com certeza não... – Sorriu maliciosamente. – Mas não custa tirar essa dúvida.

- Ah Shina, não seja teimosa... – Repreendeu Gisty, que vinha logo atrás, acompanhada de June.

- E o que vocês duas estão fazendo aqui? – Rosnou estreitando os olhos.

- Oras, somos o séqüito real, vossa alteza. – Brincou June, curvando-se numa reverência.

- Devíamos estar treinando... – Resmungou a cobra, tentando uma última vez fazer as colegas desistirem de seu intento.

- DEPOIS! – Gritaram num uníssono, entrando no posto.

- Bom dia meninas. Que surpresa! – Comentou Maia, com um sorriso que dizia o contrário.

- Por Zeus! Até tu, doutora?

- Que tem eu? – Indagou com a maior inocência; a amazona bufou. – Então, vamos começar? Garotas, por favor, nos deixem a sós.

- AAAAHHH... – Reclamaram elas.

- Beeeee! Andem, andem! – Enxotando-as. – Bom, Shina, o que vem sentindo? – Iniciando a consulta.

Após muito conversar e tomar todas as informações necessárias, Maia colheu um pouco de urina de sua paciente e levou para o pequeno laboratório do posto. Enquanto esperava o resultado, a mulher conversava com as amigas.

- Vocês hein...

- Ah, que é isso. É para seu bem. – Justificou-se Marin.

- Prontinho! – Sorriu a médica se aproximando. – Vamos ver os resultados?

- Os? – Estranhou Gisty.

- Sim, fi-lo duas vezes porque pensei ter errado a quantidade em um. Mas não tem problema, dois é sempre melhor.

- É, você sabe bem o que é isso... – Disse June, sorrindo maliciosamente e se deleitando ao vê-la corar.

- Não vem ao caso! Bom... – Maia pegou dois tubinhos e anotou no prontuário a cor deles. – Shina... – Começou com um tom dramático.

- O quê?! – Ela perguntou nervosa.

- Desculpe... Mas os testes... Deram positivo.

Fez-se um momento de silêncio absoluto na sala; então explodiram gritos de alegria.

- EU SOU A MADRINHA! – Anunciou a ruiva.

- Não, sou eu! – Afirmou Gisty.

- Eu também quero! – Choramingou June.

- Ei, tenho preferência! – Até a médica entrara na disputa.

- PAREM! – O urro de da amazona de Cobra calou a todas. – Estou grávida... Oh meu Zeus... VOU TER UM BEBÊ! – E pulou sobre as moças, abraçando-as.

Após uma troca efusiva de beijos, cumprimentos e ameaças veladas sobre padrinhagem, Maia pediu:

- Shina, preciso colher sangue para alguns exames. Rotinas de gravidez. E daqui a algum tempo vou ter que levá-la para fora do Santuário para fazer uma ultrassonografia.

- O que é isso? – Estranhou.

- Um exame de imagem. É indolor, garanto.

- Não tenho medo da dor! – Retorquiu arrogante.

- Vamos ver se vai ser assim na hora do parto... – Sorriu sarcástica. Após a punção, liberou-as. – Só falta contar ao papai... – Ao se despedir.

- Não vou ainda... Tenho que prepará-lo, ter um filho não estava na sua lista de prioridades... – Suspirou pesadora.

- Faça isso. – Sorriu, apertando de leve suas mãos. – Não contarei nada por enquanto.

- Obrigada... – Sorriu de volta.

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A noite já ia alta quando o cavaleiro de Escorpião conseguiu finalmente chegar à arena do Santuário. Visivelmente bêbado, mal se sustentava sobre as pernas, oscilando de forma perigosa a cada passada.

- Ele... IC! Vai ver... Só! Vou me mudar... Ic. E só volto... Quando Athena ressuscitar.. Ic! Ih, rimou! – Rindo escandalosamente.

Acabou por cair sentado no chão, próximo às arquibancadas.

- Kamyu... Por que... Eu te amo... – Em meio a palavras engroladas e goles na garrafa de ouzo que trazia, Milo chorava sem parar. A tentativa de reconciliação fora um completo fracasso e tinha quase certeza que o francês nunca mais ia querer vê-lo. Nem percebeu a aproximação de alguém tão perdido quanto ele.

- Milo? Que faz aqui? – Indagou Misty espantado.

- Hum? Quem é... Ih, mulher! – Tornando a rir. O Lagarto suspirou, não valia a pena discutir.

- Mon ami... Que houve?

- Ele... Me chutoooooooou... Buááááá! – E agarrou-se na cintura do cavaleiro, chorando ainda mais.

- Calma, calma Milo... Logo vocês voltam... – Tentava acalmar o rapaz, enquanto corava, constrangido.

- Ele me odeiaaaaaaaa...

- Non odeia non... – Disse, afagando os cabelos do rapaz.

- Kamus... – As palavras pronunciadas no idioma do namorado fizeram sua mente entrar em turbilhão. Sem pensar, levantou-se e segurou firme o rosto de Misty, o beijando.

Este por sua vez tentou repudia-lo, primeiro com delicadeza, depois com força. Era contudo visivelmente mais fraco e não conseguiu seu intento, sendo rapidamente derrubado no chão.

- Mi-Milo... Pa-pare... – Pediu em súplica, sentindo os lábios do homem descerem ao seu pescoço e as mãos abrirem sua calça, procurando sua masculinidade.

Completamente fora de si, o Escorpião não ouvia os pedidos. Em seu pensamento, era Kamus que estava ali com ele. Era Kamus quem ele beijava. E era Kamus com quem ele faria amor.

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Notas finais
N.A.: Os sinais e sintomas da AIDS não são esses. Eu ainda vou demonstrá-los mais a frente. Porém, na maioria esmagadora das vezes, a sintomatologia da AIDS começa com as chamadas doenças oportunistas.

Pessoas que estejam infectadas correm muito mais risco de adquirir hepatite, tuberculose e DST’s em geral. Há ainda uma série de outras doenças que por si só são diagnósticas de infecção por HIV. Entre elas a candidíase esofágica, a toxoplasmose cerebral e diarréias por determinados vermes.

Mas isso é assunto para outro capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.