Ai no Odoroki
2 Meu noivo... quer dizer... marido
Notas iniciais
A viagem até o reino Norte durou quatro dias e mais dois até chegar ao palácio que ficava ao norte do reino. O rei, meu futuro marido, não me esperava.
— Ele pediu desculpas por não poder vir recebe-la, princesa. Ele foi repentinamente chamado pelo conselho de Majikku. – havia dito a empregada que me guiava até meu quarto.
Até o dia do casamento eu ficaria no quarto de hospedes, depois eu teria que ir para o mesmo quarto que o rei. Não me animava a ideia de ser rainha, porém não havia mais volta. Graças a ambição de meus pais estava fadada a essa vida e teria que aceita-la por bem ou mal.
Depois de tomar um relaxante banho, sai do quarto tentando espairecer e ao avistar uma das empregadas pedi aonde ficava a biblioteca. Depois de exatos 10 minutos tentando me localizar naquele castelo enorme eu encontrei e assim passei a tarde lendo um livro. Percebi que a noite havia caído quando uma das empregadas veio chamar-me para jantar.
O rei ainda não havia chegado, por isso pus-me a subir para meu quarto e após trocar-me, deitei-me.
...
Acordei pela manhã, cansada. À noite, sonhos trouxeram-me lembranças de Yuri e mesmo apesar do cansaço pela viagem não consegui dormir direito. Como ele estaria? Com a noiva? Pensar nisso me deixou triste, que por mais que eu o amasse e o quisesse só para mim, não adiantaria coisa alguma naquele momento. Estávamos separados e nunca mais nos veríamos. Eu deveria estar desejando que ele fosse feliz e pensando em algo para agradar meu futuro marido. Não deveria estar pensando em Yuri. Que droga!
Com um belo vestido e um belo sorriso sai do meu quarto. Eu pelo menos deveria pensar no rei, ele não tinha culpa alguma por tudo isso. Bom, pelo menos se ele não estivesse procurando uma noiva...
Tentei afastar esses pensamentos, pensando no rei. Eu nunca o vira e me perguntava como ele seria até mesmo quantos anos teria. Eu jurei que se meus pais haviam me casado com um velho eu os matarias.
— Princesa. – virei-me ao ouvi uma voz atrás de mim e surpreendi-me – Estás tão bela.
Ele era alto, minha cabeça batia em seus ombros, seus olhos eram azuis escuros iguais ao cabelo que batia perto dos ombros. Seus ombros eram largos e sua estatura era forte.
Depois de perceber que o encarava de mais curvei-me envergonhada.
— Bom dia majestade. – falei formalmente
Ele riu e eu me surpreendi novamente. Falei alguma coisa errada?
— Meu nome é Daisuke Mochizuki, mas chame-me apenas de Daisuke, certo? – falou ele e eu logo entendi o porquê do riso.
Sorri, assentindo.
Conversamos enquanto íamos tomar café da manhã.
Ele era gentil e divertido, mesmo com o ar serio que ele tinha e sua idade não passava dos 25 anos. Após o café ele se desculpou dizendo que o conselho não o deixava em paz e prmeteu que logo que o deixassem uma folga iríamos passar o dia juntos.
Eu poderia me apaixonar facilmente por ele, se eu já não amasse outra pessoa.
....
Após jantar sozinha novamente subi ao meu quarto e deitei-me cansada de tanto ler. Os dias seguintes correram do mesmo jeito que os meus dois primeiros dias ali, lendo o dia inteiro. O rei, quer dizer, Daisuke, estava ocupado com o conselho Majikku então sempre saia antes de eu acordar e voltava depois de eu ir dormir. Eu gostava de ler, mas ficar o dia inteiro assim era no mínimo cansativo ainda mais quando eu tive que fazer as medidas para o Shiromuku do casamento, que ocorreria dali a duas semanas. Tudo estava indo devagar, como se eu estivesse parada no tempo. Mais uma vez lembrei-me que se o destino existisse ele estava rindo de mim, pensando “ Não vou faze-la sofrer um pouco... Só muito porque um pouco não tem graça, hahahaha”
....Yuri....
I'm here without you, baby
But you're still on my lonely mind
I think about you, baby
And I dream about you all the time
I'm here without you, baby
But you're still with me in my dreams
Here Without you
….
Uma semana antes do casamento tudo estava uma caos. Decoração para cá, comida para lá e umas cinco costureiras ao meu redor vendo os ajustes do meu Shiromuku. Tudo bem que ainda faltava uma semana, mas “tudo deve estar impecável”, como diziam as empregadas. Era o casamento do rei, então acho que deveria concordar com isso, mesmo assim pensei que estavam exagerando.
Faltavam três dias para o casamento e se uma semana antes tudo estava um caos, não havia palavra para descrever como estava naquele momento. Meu Shiromuku estava pronto, esperando pelo dia do casamento em meu quarto. A promessa que Daisuke fizera, de passarmos o dia juntos, até então não havia sido cumprida.
“Provavelmente ele está ocupado com o reino” sussurrou minha mente. Acho que era melhor assim, eu não queria acabar tendo esperanças de que ele poderia fazer-me esquecer de Yuri. Eu sabia que não conseguiria.
— Então estás aqui – falou Daisuke me surpreendendo. – Achei que estasse na biblioteca.
“Nem lá eu tenho paz!” gritou minha mente. Seria indelicadeza dizer isso sendo que o casamento também era meu.
— Lá dentro está um pouco... caótico. – falei abaixando a cabeça um pouco corada. O jardim estava tão belo com as flores exalando um perfume incrível. Era algo que eu nunca havia visto nem sentido. Uma sensação de paz e tranquilidade que fazer-me-ia querer ficar ali até o dia do casamento.
Ele riu.
— Nem me fale. – falou ele calmamente– Parece que estão se preparando para uma guerra, não para um casamento.
Sorri.
Desde o dia em que eu cheguei, quando conversamos e todos os outros momentos rápidos em que trocamos algumas palavras eu percebi o dom que ele possuía. Fazer tudo parecer mais simples do que realmente é, brincar para amenizar a pressão. Era algo que eu não sabia fazer, nem quando eu ficasse mais velha. Falando em idade, na última semana eu descobrira sua idade.
23 anos, com todo um reino nas suas costas.
— No que está pensando? – pediu-me ele e então eu percebi que encarava uma rosa a muito tempo.
— Ah, nada em especial – falei – tudo está passando rápido demais para minha cabeça.
Sua expressão feliz desapareceu e em seu lugar um semblante triste surgiu, fazendo-me questionar-me se eu havia falado algo errado.
— Eu sei que não deve ser fácil casar-se com apenas 18 anos para tornar-se rainha e ainda por cima um casamento arranjado por causa de um rei egoísta – falou pegando minhas mãos e eu surpreendi-me. Não que eu concordasse com ele, mas por ele estar falando sobre isso. – Mas eu prometo que farei o possível e o impossível para faze-la feliz. – prometeu.
Eu fora pega totalmente desprevenida.
Eu era a única egoísta ali, pensando apenas em mim e em meu amor perdido quando ele estava preocupado em fazer todo o possível para que eu fosse feliz.
— Você não é egoísta – afirmei e ele me encarou um tanto triste. Falaria algo mas eu não permiti – Admito que ainda estou um pouco surpresa e confusa, porque tudo está ocorrendo rápido, mas com o tempo eu organizarei meu pensamentos e me acostumarei com tudo isso. Faremos dar certo. Juntos.
Ele estava um tanto quanto surpreso, mas logo que saiu de seu transe ele me abraçou enterrando seu rosto em meus cabelos. Não posso dizer que me senti bem ali, porque acho que só com ele eu me sentiria daquele jeito especial, mas apesar disso era bom estar ali. Podia não ser um abraço amoroso de dois apaixonados, mas era caloroso e aconchegante.
— Obrigado – sussurrou perto de meu ouvido– por não me odiar.
Era esse seu medo? Que eu o odiasse?
Eu sorri.
— Não haveria motivos para isso – sussurrei de volta o fazendo apertar mais seus braços ao meu redor.
Depois de um tempo assim nos separamos e ele falou:
— Meu dia está livre hoje, então eu posso cumprir minha promessa. Vamos.
O dia fora realmente incrível. Depois de um almoço em baixo de uma arvore em uma campina um pouco longe do castelo e perto de um lago, ficamos a tarde inteira conversando e “brincando” lá. Eu pude conhece-lo melhor e ver um lado dele em que poucas pessoas podiam. Voltamos para o castelo ao anoitecer, deixando as empregadas e os conselheiros dele aliviados.
Os dias passaram rapidamente e como o casamento estava cada vez mais próximo ele conseguia mais folgas e então podíamos ficar um pouco juntos.
Logo o casamento chegou, me dando uma dor de cabeça insuportável. Todos os escolhidos para governar cada estado do reino estavam lá e é claro que teríamos que cumprimentar cada um deles. Quando tudo finalmente acabou eu pensei que poderia dormir, mas eu havia me esquecido de uma parte.
A lua de mel.
Não fora tão ruim como eu penava que seria minha primeira vez, até porque ele me tratava como uma flor prestes a perder uma pétala. Depois daquilo tudo virou monótono. Eu ficava o dia na biblioteca e ele no sala do rei. Me tornei a rainha mas era uma completa inútil.
— Majikku? – perguntei-me ao encontrar um livro com esse nome, dentro de uma parede falsa da prateleira. Acho que eu não deveria ter encontrado aquilo.
Depois de ler algumas folhas do livro eu entendei que não se tratava do conselho Majikku e sim da própria Majikku.
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