—Clarke, estou cansada! — ouço a pequena nightbleeder protestar atrás de mim.

—Madi, se é assim que pensas que vais ser Comandante, estás muito enganada — continuo a caminhar sobre a neve.

—Que é que estamos a fazer em território Azgeda? — pergunta-me. Noto que está ofegante, mas parar e ficar a congelar não é, de todo, uma opção a considerar.

—Estamos a procurar rasto de vida humana — respondo-lhe calmamente.

—Clarke, já chega de procurar! Tu sabes que não há ninguém aqui, não há ninguém para governar, toda a gente morreu no Praimfaya! — ouço-a afundar-se na neve.

—Natblida, a única razão pela qual milagrosamente sobrevivemos, foi o nosso sangue. Tu fugiste ao teu dever Natblida, outros podem tê-lo feito também — estendo-lhe a mão para que se levante. É então que ouvimos a corneta a indicar que havia... uma cerimónia para Heda. — Eu disse-te que havia alguém.

Corremos em direção a Polis, chegamos rapidamente e subimos todos os andares, abri as portas para ver que acontecia e deparei-me com a Octavia e a Gaya. Todos olharam para nós.

—Clarke? — ela olha para mim meia surpreendida.

—Sou eu, Octavia — começo a ouvir pessoas a falar baixinho acerca do regresso da Wanheda e como eu sobrevivi, e até mesmo quem era a miúda que me acompanhava.

—Continuando, Octavia kom Skaikru — a Gaya continua e eu interrompo.

—Ai laik Heda, ai laik Natblida (Eu sou a Comandante, é sou uma Nightbleeder) — digo com convicção e tudo olha para mim.

—Shof op! Your jus ste nou pure! Osir can nou trust em! Okteivia kom Skaikru ste the new heda! (Cala-te! O teu sangue não é puro! Nós não podemos confiar nele! A Octavia do Povo do Céu é a nova Comandante!) — a Indra aparece a olhar para mim como desprezo.

—Ok. Ai don a Natblida. Madi! — ela aproxima-se de mim, eu tiro a minha faca e ela permite-me fazer um corte na sua mão. Por todos os lados ouve-se "Natblida".

—Ai laik Natblida — ela pronuncia-se.

—Tu escapaste das tuas obrigações... nós precisávamos de ti! Tu não és merecedora! — a Indra volta a gritar com a miúda.

—Mãe, ela tem o sangue e é impossível ter sido feito por tecnologia — a Gaya intromete-se.

—Pleni! (Basta!) — uma porta abre-se e uma rapariga sai de lá. Extremamente parecida com a...

—En chon yu bilaik? (E quem és tu?)— a rapariga caminha convencida até lá em cima.

—Ai laik Heda! Ai laik Natblida! (Eu sou Comandante! Eu sou Nightbleeder!) — fico curiosa quanto àquela miúda.

—Chomouda ste bilaik? (Porque é que é assim?)— a Octavia pergunta-se.

—Ai laik Zowi kom Trikru. Ai laik Leksa's strisis (Eu sou a Zoe do povo da Floresta. Eu sou a irmã mais nova da Lexa) — o caos foi instalado.

—A irmã da Heda Lexa está morta! — a Indra protesta.

—Não, ela está justamente aqui — ela pega na faca e corta-se. Em seguida, mostra uma tatuagem igual à que a Lexa tinha nas costas.

—Lexa... — lágrimas escorrem pelos meus olhos. Foi quase como se tudo tivesse voltado à minha mente, não só as coisas boas, como o dia em que aquela maldita bala entrou pelo corpo dela e pôs um fim à sua vida.

—A Lexa e o Lincoln ajudaram-me a fugir — conta. A Octavia começa a chorar, deve estar a passar pelo mesmo. — Eu tinha cometido um crime.

—Como assim? — a Indra parece furiosa.

—Eu ajudei o prisioneiro, na altura a Lexa era a terceira da Heda Anya. Foi quando houve a bomba, a Lexa sabia o que eu tinha feito ao deixá-lo ir. Então, quando a Tris morreu, e a Lexa ficou como a segunda da Anya, ela falou com o Lincoln e desenhamos um plano. Eu tinha morrido na explosão porque segui o exército, graças à minha curiosidade. Eu desapareceria para a floresta e procuraria abrigo nas terras da Luna — ela começa a contar. Associo o prisioneiro ao Murphy, que esteve lá preso.

—Tu não estavas lá quando eu e os outros chegamos lá — interrompo-a. — Que te aconteceu?

—A Rainha Nia aconteceu. Quando se descobriu que a Heda Anya tinha morrido e o corpo foi devolvido, tiraram-lhe a chama e passaram-na à Lexa. Ela sabia que eu era irmã da Heda então aprisionou-me e torturou-me durante meses, até que a Lexa a matou. A Ontari quis matar-me, mas o Rei Roan não permitiu. Fiquei em cativeiro em Azgeda na mesma, mas quando veio o Praimfaya deixaram-me para morrer, mas eu sobrevivi! — contou tudo.

—És a única Natblida? — ela nega com a cabeça.

—Há um rapaz, Lucas kom Trikru — conta.

—Não importa, nós também temos Natblidas — a Octavia intervém durante toda a conversa. — Olivia kom Azgeda, Elina kom Trikru, Scott kom Skaikru, Cameron kom Skaikru, León kom Trikru.

—Ao todo são nove — a Indra anuncia. — Proponho um conclave.

—Não — a voz sai da menina ao meu lado. — Eu não quero ser Heda.

O caos instala-se na sala e a única coisa em que consigo pensar é nas palavras da Madi. Sinto-me culpada por não lhe ter perguntado o que ela queria fazer, neste momento, ela deitou uma bomba aqui. O sangue que sair daqui, estará nas mãos dela.

Continua...