Ai Kakumei

3 Capítulo 2


\"\"CHAPTER 2

Kitayama Hiromitsu é filho de Kitayama Ryohei – líder do grupo dos samurais e melhor amigo de Fujigaya – e Nakamura Kyoko – camponesa, especialista na preparação de chás... Hiromitsu sempre foi criado muito próximo de Taisuke e Natasha. Os três estavam sempre juntos e eram como se fossem da mesma família. E neste momento, mais do que nunca, os filhos do daimyo Fujigaya precisavam do apoio da família Kitayama: Yuma e Yuri haviam sido mortos durante a batalha contra o clã Kawai...

Hiromitsu terminava de colocar um curativo no rosto de Natasha; enquanto Taisuke estava sob os cuidados de Kyoko.
– Kitamii... Aniki tá bem, nee?
– Okaasan tá cuidando dele ^^ Vai ficar tudo bem, ok?
– hm ^^

Algumas semanas após o incidente, os moradores da aldeia já haviam reparado grande parte dos danos causados por Kawai. Entretanto, como o líder havia sido assassinado, o nome de daimyo foi passado para Taisuke, que agora já se encontrava totalmente recuperado; exceto pela cicatriz que ficou no lado direito de seu corpo...
O garoto e sua irmã voltaram a sua antiga casa logo após os camponeses a reformarem. Nishikiori era o responsável por cuidar dos dois, contando com a ajuda da família Kitayama, que estava cada vez mais próxima a eles.
– Tadaima~ – falava Hiromitsu, ao entrar na casa dos Fujigaya.
– Okaeri~ – respondeu Natasha, animada com a visita do menino.
– O Taisuke tá ai?
– Tá sim ^^ Lá no quarto dele ^^
– Arigatou ^^ E nee~ Que fofa, agora você tem um quarto só seu ^^
– Hai hai!! Mas... às vezes eu tenho medo de ficar lá sozinha... – disse a menina, com voz de choro.
– Own, tadinha! Mas não precisa ficar com medo de nada, okay?! Agora que o super samurai Kitayama tá aqui, não vou deixar ninguém fazer mal pra você!!
– Haaaaaaaaai~

Hiromitsu foi ver Taisuke, e alguns minutos depois, os dois saem do quarto e vão para fora, cada um com uma espada.
Natasha, ao ver os dois saindo de casa, sai escondido para ficar os observando. Ela fica atrás de uma parede, olhando os dois “lutar”. Porém, Taisuke vê a irmã ali, e a chama.
– Nacchan, o que faz aqui? – perguntou o garoto.
– Nada!! Só... só tava olhando vocês ^^ Mas... eu já vou voltar, podem continuar aí, gomen...
– Iie, Nacchan vem cá ^^ – falou Hiromitsu, puxando Natasha pelo braço, enquanto Taisuke o olhava com total reprovação, mas o menino não ligou para isso e continuou falando – Se quiser a gente pode te ensinar, nee Taipii? – concluiu.
– IIE~!!! Hiromitsu ficou louco??!! Você acha que vou deixar algum dia minha irmã chegar perto de uma espada? Ela pode se machucar, e não quero isso!!
– Mas isso pode ser bom, pra ela aprender a se defender sozinha, não?
– Não!! Ela não precisa disso!! Ela tem a mim, e eu vou protegê-la, só eu!!
– Taisuke, não acha isso um pouco egoísta da sua parte?
– Não interessa!! Ela é minha irmã, e é meu dever fazer isso!!
– Hai hai~ se você diz~ – Kitayama acabou por desistir, vendo que era impossível mudar a opinião do amigo naquele momento.
Passaram-se então 6 anos, e a discussão daquele dia foi sendo esquecida... Porém, não faltaram motivos para que outras discussões desse tipo acontecessem...

– Yoo Taisuke! ... – falava Kitayama, chegando na casa do amigo – Nee... Será que... eu posso falar com a Nacchan?
– Hm?? – Fujigaya estranhou a atitude de Hiromitsu, mas acabou deixando ele ver a irmã.

– Nacchan? – disse o garoto, entrando no quarto da menina.
– Hai...?
– Etto... eu... preciso falar com você...
– Fala Kitamii!! Tá tudo bem? – perguntou Natasha, vendo a expressão de desespero do amigo.
– Nee... eu... er... eu vou me juntar ao grupo de samurais do clã...
– Hm... Sou ka? ... – a garota fez uma carinha triste, abaixando a cabeça em seguida.
– E... Amanha eu já vou começar com o treinamento...... Mas nee!! Nacchan não precisa se preocupar ^^ Vou dar o meu melhor ^^ – falou Kitayama, levantando o rosto da garota com uma das mãos, vendo que uma lágrima caía dos olhos dela.
– Hai... Ganbatte nee ^^ – disse Natasha, forçando um sorriso.
Hiromitsu, que ainda estava segurando o rosto da menina, a puxou para mais perto de si e a beijou.
A menina ficou sem reação. Não esperava aquela atitude de Hiromitsu. O garoto, por sua vez, estava confuso e nem ele mesmo entendia o porquê daquilo. Afinal, Natasha era irmã de seu melhor amigo que se visse aquilo iria, com certeza, no mínimo lhe deixar com um olho roxo. Ele sabia que Fujigaya era muito ciumento, e nunca deixara ninguém chegar perto da irmã. Além disso, ele estava beijando uma menina de 9 anos, ou seja: 7 anos mais nova que ele.
Porém, mesmo sabendo de tudo isso, ele não queria soltar a garota e continuava com seus lábios colados, esperando que a menina desse ‘passagem’ pra sua língua passar.
– Nee, Kitayama!! Seu pai tá lá na porta te O_O cha... O_O chamando O_O O QUE É ISSO AQUI?!?!!! KITAYAMA, O QUE PENSA QUE TÁ FAZENDO? – gritou Taisuke, entrando no quarto.
– Eeee, Taisuke eu posso explicar, é... – Hiromitsu tentava se defender
– NÃO QUERO OUVIR MERDA DE EXPLICAÇÃO NENHUMA!!! SAI DAQUI AGORA KITAYAMA HIROMITSU!!! E ah! NEM PENSE EM ENTRAR NUNCA MAIS NESSA CASA E MUITO MENOS CHEGAR PERTO DA NACCHAAAN, OUVIU?!!?!!! E TAMBÉM NÃO QUERO VER A SUA CARA TÃO CEDO!! AGORA, SAI!! ANDA POHA!!! – Fujigaya ainda gritava, o que fez Kitayama sair dali de cabeça baixa.

No dia seguinte, Natasha acordou cedo e abriu as janelas de seu quarto... Ficou observando a paisagem, enquanto imaginava que Fujigaya estava realmente bravo com o amigo, e de certa forma “triste” pela irmã. Provavelmente o irmão ainda não tinha acordado, e nem Nishikiori... Então continuou ali, só observando a vila, até reparar que o grupo de samurais do clã já havia começado com os treinamentos.
E, sem perceber, seus olhos procuravam incessantemente por Kitayama.
Depois de alguns minutos, conseguiu localizar o garoto. Ele usava uma calça cor de vinho e uma camisa branca quase toda aberta, com um cinto preto prendendo a bainha da espada, o que fez a menina pensar em como ele era lindo...
De repente, alguém bate à porta de seu quarto, fazendo Natasha despertar de seus pensamentos.
– Posso entrar? – falou Fujigaya, educadamente.
– Claaaaaaaro que sim, aniki ^^
– Er... Gomen por ontem, nee... Eu... não queria ter falado aquilo... É que... eu fiquei meio que sem reação e não imaginava que pudesse acontecer alguma coisa assim, sabe? Sinto muito... mesmo... Me desculpa?
– E tem como eu não desculpar meu aniki?
– Arigatou. – concluiu o garoto, abraçando a irmã.
– Yey, vamos descer pra tomar café? – falou Nishikiori, entrando no quarto.
– HAAAAAI!! – responderam os dois em coro.

Depois de comer, Natasha foi correndo para seu quarto e voltou a observar o treinamento dos samurais, mais propriamente: Hiromitsu.
Kitayama Ryohei ordenou então que os outros samurais descansassem por alguns minutos, e Nacchan viu Hiromitsu todo suado, deitando *leia-se: se jogando* na grama. E claro, a menina não pôde deixar de sorrir com aquilo.

Algumas semanas depois, Kitayama veio até a casa dos Fujigaya, na tentativa de falar com Natasha, porém, como o esperado, Taisuke o impediu.
Hiromitsu explicou para o amigo que ele estava deixando a vila para ir lutar contra o clã Nikaido, e gostaria de ao menos, se despedir da menina. Entretanto, a posição de Fujigaya continuava a mesma.
Encontrando-se sem muitas opções, voltou para sua casa e escreveu uma carta... Durante a madrugada, antes dos samurais deixarem a vila, Kitayama passou novamente na casa de Natasha, deixando a carta presa à janela de seu quarto.

Ao acordar, a garota abriu as janelas, como fazia todas as manhas, vendo a carta que estava ali, presa a uma pedra... Sem pensar duas vezes, pegou o papel, e sentou-se no chão do quarto, encostada à parede. Logo, começou a ler...
“Nacchan he~
Primeiramente... gomennasai, por não estar de falando isso pessoalmente... Mas ontem eu vim até sua casa e seu irmão não me deixou te ver...
E waa~ eu não sou muito bom nessas coisas então~ vou direto ao assunto, tá~?
Acho que talvez essa não seja a melhor hora, mas... Preciso dizer que eu gosto muito de você, de verdade... Nacchan, eu realmente te amo, e não quero ficar longe de você!
Mas agora, sendo oficialmente um samurai, só posso obedecer às ordens que me passam... E por isso imagino que, quando você estiver lendo essa carta, eu já esteja bem longe da vila~
Mas nee~ eu prometo que vou voltar logo e espero que até lá o Taipii já esteja de bom humor e me deixe te abraçar~
E onegai!! Não importa quanto tempo demorar, por favor me espere!! Eu vou voltar, e como já disse, isso é uma promessa!!
Por favor, não se esqueça de mim, porque eu sei que é impossível para mim me esquecer de você~
E eu posso não conhecer a felicidade ainda, mas sei que a minha é estar junto da Nacchan, sempre sempre~ E saiba que é por você que eu estou fazendo isso... Porque se não fosse você, Nacchan, eu talvez não teria coragem de fazer algo assim~
Mas por você eu me arrisco e faço de tudo pra essa guerra acabar logo e poder voltar pra você~ E também... não me importo de não ser correspondido. O que importa é que vou continuar te amando, pra sempre...
E waa~ Eu fico falando ‘amor amor’, mas talvez eu ainda não saiba o que isso seja realmente, nee? Só sei que o que sinto por você é muito forte... e talvez... Hmm... Que tal chamarmos isso de ‘revolução’? Nee~ Porque sei que em uma revolução, as pessoas lutam com todas as suas forças até conseguir aquilo que realmente querem, certo? Então... acho que é isso...
Chu
Kitayama Kakumei yori~”

...continua...