Aham, é amor

18 Os amigos se reúnem


PERCY (Point of View)

Eu havia passado a tarde inteira deitado na minha cama lembrando dos poucos acontecimentos desse meu último sábado antes da volta às aulas do colégio, e como sempre a Annabeth não saía da minha cabeça. Fiquei pensando nela em todo instante, meio que nervoso para o caso dela estar irritada comigo pelo beijo que eu roubei... Bom, depois que escapei daquele transe eu peguei meu celular e liguei pra os babacas que eu chamo de amigos. Sério, aqueles viados só sabem queimar meu filme com a Annabeth, mas sem problema. Eu não guardo ressentimentos, eu acho. Fiquei olhando pra agenda do meu celular procurando pelo número de mais alguém que talvez eu não tivesse chamado. Eu chamei aqueles que estavam na festa da Calipso na semana passada, e mais o Leo e a Samara. Bom, não faltava mais ninguém, eu acho.

Levantei da minha cama instantes depois e fui pra suíte, tomar um banho. Fiquei uns quinze minutos embaixo d’água, por que eu amo a água. Não tanto como eu amo a Annabeth... Mas eu também amo...

Caralho, eu amo essa garota, sério. Mesmo embaixo d’água, ela não sai da minha cabeça. Sei lá, deve ter sido amor à primeira vista mesmo... E olha que eu nem acredito nessas coisas. Não é só atração física, com certeza não. Tá legal, a Annabeth é muito gostosa, mas eu sinto algo por ela, algo especial que nunca senti antes por garota nenhuma.

Quando voltei à Terra, ainda estava debaixo d’água. Desliguei o chuveiro e me enxuguei na suíte mesmo, não é legal molhar o chão do seu quarto quando o mesmo é feito de madeira, não é?

Fui até o guarda-roupas e peguei uma boxer verde... Caralho Perseu, você nem devia dizer a cor da sua cueca, afinal você só tem boxers verdes. Mas continuando, peguei uma bermuda jeans qualquer e uma camisa social esverdeada num tom escuro. Me vesti rapidamente e calcei minhas sandálias de praia, tudo tá de boa. Já tô pronto pro churrasco!

Deixei o meu quarto e desci as escadas, indo até a cozinha. Abri a geladeira e vi os bifes que eu havia comprado ontem à tarde. Bom, eu comprei os bifes, tomara que alguém saiba assá-los. Mais abaixo, vi as latinhas de refrigerante, que já estavam bem geladas por sinal. Peguei uma de guaraná e fechei o refrigerador, indo até a sala pra esperar pelos idiotas que são os meus amigos. Abri a latinha do refri e fiquei lá curtindo um programa qualquer da TV.

O bom é que eu não precisei ficar assistindo a TV por muito tempo, por que logo a campainha tocou e eu fui atender. Eram o Andrew e a Sophia, e logo atrás deles estavam a Piper e o Jason, e também a Silena.

– E aí, Papai Noel! – Andrew me cumprimentou, colado na Sophia.

– Vai se foder. – falei e todos sorriram, entrando em casa.

– Você chamou muita gente? – Jason perguntou, depois de sentar junto de Piper no sofá, à exemplo de Andrew, Sophia e Silena no outro.

– Não, só vocês, o Leo, a Samara... – falei, indo até a cozinha pra pegar umas latinhas de refri pra esses loucos – E só, eu acho.

– Você não chamou a Annabeth? – perguntou Silena. Ah, a Annabeth. Como eu posso lembrar dela à todo instante e esquecer agora?

– Ah, sim. Também chamei a Annabeth. – disse da cozinha, com a cara enfiada no refrigerador. Peguei cinco latinhas de Coca-Cola e voltei à sala, colocando na mesa de centro – Algum de vocês sabe assar a carne na churrasqueira?

Jason e Andrew se entreolharam, e as garotas fizeram o mesmo. Em seguida, todos balançaram a cabeça, negando. Ótimo.

– Ah galera, não é tão difícil! – falei, e todos me olharam.

– Se não é tão difícil, por que você não sabe? – Andrew perguntou. É, ele ganhou.

– Hm, mas como nós vamos fazer um churrasco se ninguém sabe assar a carne? – Sophia perguntou, e eu balancei a cabeça, negando. Eu não sabia a resposta.

– É, dá licença... Esse lugar aí é meu. – falei, indo em direção ao lugar onde Andrew estava sentado.

Todos eles sorriram. É, eu sou mesmo fã de The Big Bang Theory.

– Deixa de frescura, “Sheldon”. – Andrew falou, fazendo aspas com os dedos quando disse o nome do Dr. Copper.

– Vamos, sai logo daí caralho. – disse, e ele foi mais para o lado. Minha casa, meu sofá, meu lugar, minhas regras.

– Tomara que o Leo saiba assar carne na churrasqueira. – Jason falou instantes depois, e todos assentiram, pegando as latinhas de refrigerante, menos eu, que já tinha uma na mão.

Ficamos ali por mais alguns minutos, jogando conversa fora, até que a campainha toca novamente. Jason e Andrew apontaram para a porta, indicando que alguém estava lá. Mas levantar e abrir o caralho da porta que é bom, ninguém faz não é?

– Como se eu não soubesse, seus idiotas. – falei, levantando do meu lugar no sofá que fica de frente para a TV.

Fui até a porta, e abri-a. Era a Annabeth. Não sei como continuo me surpreendendo, mas parece que a cada vez que a vejo ela está mais linda.

– Oi. – ela disse, sem olhar nos meus olhos. Isso me deixou um pouco triste. Tá, talvez um pouco mais que um pouco triste (o quê?). Tudo bem, eu fiquei triste pra caralho.

– Oi. – respondi, dando espaço para que ela entrasse na casa.

– Todos os seus amigos já chegaram? – Annabeth perguntou, enquanto eu fechava a porta. Não sei por quê, mas ela me esperou para que fossemos juntos até eles.

– Ainda faltam uns dois. – respondi, e fomos até onde meus “amigos” estavam.

Demos poucos passos, e rapidamente chegamos até eles. A sala de estar não fica longe da porta de entrada na minha casa. Os dois idiotas, vulgo Jason e Andrew, ficaram com a boca aberta quando viram a minha princesa. Se acalma, Perseu, se acalma. Esses imbecis só estão assim por que a Annabeth é linda e chama atenção mesmo. Nada com que você deva se preocupar. Nada com que você deva se preocupar...

– Oi pessoal. – Annabeth falou, sorrindo. Ei, espera! Você não sorriu pra mim!

– Annie! – Piper, Sophia e Silena falaram em uníssono. Os idiotas, Jason e Andrew, apenas sorriram de volta. Eu preciso falar que já estava irritado?

A minha Annabeth sentou ao lado de Silena no outro sofá, e logo Piper e Sophia juntaram-se as duas garotas. No sofá que fica de frente para a TV, ficamos só eu e os dois patetas que olhavam admirados para as quatro garotas.

Elas conversavam sobre alguma coisa interessante, mas logo pararam de falar e olharam pra gente, e nós estávamos com cara de tacho. Então elas começaram a sorrir. Que legal.

Agora todos faziam parte de uma única conversa. Ficamos falando sobre coisas banais, e a todo momento eu olhava para a Annabeth tentando descobrir se ela estava irritada comigo pelo o que aconteceu mais cedo. As vezes nossos olhares se encontravam, mas ela rapidamente desviava seu ponto de visão. Que legal.

– Será que os outros não vêm? – Sophia perguntou.

– Não faço ideia. – respondi, olhando para a porta.

Como mágica, poucos segundos depois a campainha tocou. Todos nós nos entreolhamos, mas ninguém fez menção de se levantar e ir atender a porta. Que legal. Suspirei, e todos sorriram. Levantei e andei em direção à porta, e quando abri-a vi que Leo e Samara haviam chegado juntos, e pareciam já estar se divertindo. Leo, seu sacana.

– E aí Percy. – Leo falou, me cumprimentando.

– Percy! – Samara me deu um abraço apertado. Nós éramos bons amigos antes das férias. Eu acho que continuamos sendo amigos. Somente amigos, pessoal. Meu coração pertence agora à uma certa garota loira que por sinal é minha vizinha da frente.

– Leo, Samara... – falei, agora olhando para os dois – Nós pensamos que vocês não viriam. Mas... Estão juntos? – perguntei, olhando para as mãos entrelaçadas dos meus dois amigos.

– Ahh... – Samara logo separou as mãos, e corou, balançando a cabeça negativamente, tentando responder a minha resposta. Vi que Leo também havia corado. Aí tem coisa.

– Bom, entrem. – falei, dando espaço para que os pombinhos entrassem.

– Leo, meu bom rapaz! – Andrew falou, cumprimentando – Diga à todos nós nesse exato momento que você sabe assar carne na churrasqueira.

– É claro que eu sei, afinal eu sou o Leo! – ouvi Leo dizer enquanto fechava a porta. Ele é um idiota, mas pelo menos o nosso churrasco ainda tá de pé.

– Graças a Deus. – falei, andando até a cozinha – Vocês querem refri?

Leo assentiu, como os outros patetas. Annabeth, Samara e as outras meninas balançaram a cabeça, negando. Abri o refrigerador e peguei mais umas latinhas de refrigerante, e levei-as até a mesa de centro.

Quando todos já estavam acomodados, fui novamente até o meu lugar, só que o imbecil do Andrew estava novamente sentado nele.

– Senhor, por favor, pode sair do meu lugar? – perguntei, olhando para o pateta à minha frente. Todos voltaram à sorrir, menos Annabeth que não entendia a brincadeira.

– Por que você tem que sentar nesse lugar? – minha princesa perguntou.

– Ora, por que esse é o meu lugar! – falei. Além de Perseu, também sou conhecido como Capitão Óbvio, sabiam?

– Mas que diferença tem entre esse e qualquer outro lugar? – Annabeth voltou à perguntar, me olhando, intrigada.

– Não pergunta! – todos falaram, com desdém.

– Muito bem, eu explico... – falei, e todos chiaram — Esse é o meu lugar por diversas razões. No inverno, esse lugar é perto o bastante do aquecedor para continuar quente, e não é tão perto para causar transpiração. No verão, uma corrente de ar passa por esse lugar, criada pelas duas janelas. Daí eu posso ver a TV num ângulo que não é nem direto, que desencoraje a conversa, e que não é nem aberto o bastante para criar um certo desconforto no pescoço. Eu poderia falar mais, mas acho que isso já é o suficiente. – disse, e todos sorriram. Annabeth me olhava, atônita. É princesa, eu também surpreendo. Às vezes...

– Só você mesmo, Cabeça de Alga... – ela disse, ainda sorrindo como os outros. Fiquei feliz em vê-la sorrir. Então você não está irritada comigo, Annabeth?

– Ah galera, todos já estão aqui! Isso não era pra ser um churrasco? – Leo perguntou e todos nós confirmamos – Então o que estamos fazendo na sala de estar? Vamos para o quintal!

E então, todos nós concordamos, deixando a sala de estar da minha casa e indo até os fundos, para que pudéssemos começar o tão esperado churrasco.