Agridoce
11 Pintura azul
Notas iniciais
AGRIDOCE
Escrito por Coffee
Que tem em simultâneo sabor amargo e doce ou ácido e doce
11. Pintura azul
Observou extasiada. Já esteve ali antes, mas ainda não se acostumou com a ideia de ter uma casa. Uma casa dela e de Sasuke.
Só dos dois.
E não é um apartamento pequeno. É uma casa, de dois andares, grande e arejada que compraram juntando as suas economias.
É um sonho realizado.
Praticamente uma utopia realizada.
Tão paradoxo quanto os dois.
Passou tanto tempo sonhando em tê-lo, ser correspondida, casar e construir uma vida juntos... Em alguns momentos da sua jornada acabou quase perdendo a esperança, desistindo desse sonho de trazê-lo de volta, de lutar para que ele se tornasse um homem melhor, que a amasse.
Mas agora lá estava ela. Ao lado dele, os dois observando a fachada da casa em que morariam juntos em breve.
— É tão linda!
Foi tudo que saiu da sua boca. Seus olhos estavam marejados e ela quase deixou cair o material que segurava no chão.
Sasuke soltou um muxoxo em concordância e passou por ela, subindo as escadas da casa, carregando consigo duas latas, um rolo para paredes e outros acessórios de pintura.
Eles mesmos iriam pintar algumas paredes da casa. Essa ideia a deixou maravilhada: poder transformar com as próprias mãos a casa em que morariam juntos.
Subiu a escada atrás dele, saltitante como uma criança que ganhara um brinquedo novo.
A casa tinha muitas janelas por onde a luz do sol entrava iluminando a casa toda. Foi exatamente por esse motivo que dentre tantos, escolhera aquele imóvel.
Queria que Sasuke tivesse um lar alegre, iluminado.
Uma nova vida.
Deixando toda aquela solidão, tristeza e escuridão pra trás.
Colocaram todos os equipamentos no chão de madeira, a casa toda sendo preenchida por ecos dos seus sapateados e conversas devido à falta de mobília.
O Uchiha preparou a tinta até ficar no tom que ela queria. Um azul claro que lembrava o céu.
— Esse irá naquela parede ali — Apontou — E aquela ali nós podemos pintar de marfim, o que acha?
Ele acenou positivamente e ela teve a impressão que se ela falasse que queria pintar a casa inteira de alaranjado com bolinhas verdes, ele concordaria.
— Certo. Você passa o marfim e eu fico com o azul.
Entregou um dos rolos para ele e ficou com o outro.
Pintaram em silêncio, às vezes sendo cortado por ela, com um comentário como “está ficando lindo” e um muxoxo em concordância dele.
Terminaram quando a luz do pôr do sol invadia as grandes janelas dispostas nos cômodos.
Havia alguns pingos de tinta no chão forrado, nas suas roupas e até mesmo em seus cabelos. Ela sorriu ao ver os pingos nos cabelos negros.
— Vou pegar algo para comermos.
Ele respondeu com um grunhido.
Foi até a cozinha, havia apenas a pia ali, os armários seriam instalados na próxima semana, assim como o restante dos móveis.
Sobre a pia havia uma cesta com três sanduiches (dois para Sasuke e um para ela) e uma toalha para sentarem no chão. Levou tudo até a sala recém-pintada. Estendeu a toalha perto de uma das janelas por onde o restante da luz do sol ainda passava e colocou os sanduiches em pratos de plástico.
— Nossa primeira refeição na nossa casa.
Sorriu animada vendo Sasuke sentar-se ao seu lado, e pensou ter visto o projeto de um sorriso despontando nos lábios dele.
Eles comeram em silêncio. Observando o trabalho que tinham feito. Depois dividiram uma garrafinha de chá gelado.
Estava ali, mas não estava. Sua mente não acreditava, não conseguia acessar toda aquela informação. Digerir tudo aquilo.
Iria se casar.
Com Sasuke.
E seus pais e até mesmo seus amigos que acompanharam toda a sua luta, seus dias difíceis, estavam comemorando com ela, felizes.
— Isso é tão incrível!
Soltou animada, olhando para ele.
Sasuke a encarava. Os olhos negros profundos postos sobre ela.
Um arrepio percorreu a sua espinha, quando ele se aproximou (sem tirar os olhos dos dela) e tocou seus lábios com os dele sem nenhum motivo aparente.
Beijaram-se. Suave, doce.
Colocou uma mão atrás de si no chão para se apoiar, e a outra percorreu os fios negros sujos de tinta.
Oh céus...
Sasuke colocou uma mão no chão e outra segurou sua cintura de um modo como nunca tinha feito antes.
Era gentil, mas firme, decidido. E isso a trouxe sensações novas e desconhecidas até então.
Quando ele tirou os lábios dos seus e levou-os para o seu pescoço ela gemeu.
Foi um grunhido baixo e rouco, que parecia estar a muito preso dentro de si.
Ela precisa de algo mais. Mais contato, mais pele, mais dele. Embora não soubesse exatamente o quê. Ou soubesse, mas não quisesse admitir para não entrar em pânico.
As coisas entre os dois estavam mais fáceis agora, mais naturais, é claro que o embaraço e a vergonha ainda perpetuavam, mas de um modo mais sutil. Porém, estar naquele momento, naquela posição, pensando naquilo, fazia com que suas bochechas ganhassem a tão conhecida coloração rosada.
— Sasuke...
Ela engasgou, quando ele sugou a parte de trás do seu pescoço entre a nuca e a orelha.
O Uchiha pareceu gostar de ter seu nome chamado, porque apertou mais o seu quadril e se colocou mais sobre ela, fazendo com que ela se deitasse sobre a toalha.
Naquela hora ela não pensava em nada. Apenas sentia que precisava daquilo, do toque, do calor.
Extasiada tirou a camiseta suja dele. Passando-a pelo tronco e jogando-a ao lado deles no chão.
Já havia o visto sem camisa diversas vezes nos treinamentos e em tratamentos médicos. Mas agora era diferente. Tinha outro teor, outro grau de atração.
Ela mordeu o lábio inferior com a visão.
Tão perfeito.
Nem mesmo as cicatrizes da profissão profanavam aquele corpo.
Ao menos não na opinião dela.
Eles se beijaram novamente. Um pouco mais urgente, com um pouco mais de vontade.
As mãos dele percorreram para cima do seu quadril, entrando por de baixo da sua blusa e parando na curva da cintura. A mão dele estava gelada, e ela pensou ter a sentido tremer.
Ele se moveu sobre ela, desconfortável, e ela só notou o motivo quando ele abaixou-se mais sobre ela, fazendo com que ela sentisse o que o incomodava.
Sasuke estava duro.
Entre as suas pernas.
E ela não sabia se estava usando uma calcinha sexy ou uma de bichinhos coloridos.
Oh meu deus.
Ela nem ao menos tinha prestado atenção nas dicas de Ino.
Oh meu deus.
O que eu estou fazendo?
Oh meu deus.
Deitada sobre uma toalha de mesa, com Sasuke, com o meu noivo em cima de mim?
E o pior: sem camisa.
Oh meu deus.
Oh meu deus.
Oh meu deus.
— Sakura?
— Sakura?
De repente a casa pareceu pequena demais, ela se sentiu pequena demais e inferior demais e...
Estava hiperventilando.
Sem nenhuma gentileza ela empurrou Sasuke para o lado, levantando-se.
Andou até uma das janelas e abriu-a, deixando o ar entrar.
E se?
E se ele não a achasse bonita?
— Sakura?
E se ele se decepcionasse?
E se ela não fosse o suficiente?
Oh meu deus...
Ela não podia lidar com aquilo. Não podia.
— Sakura? Eu te machuquei? Eu fiz algo qu—
— Não! Não!
Ela gritou um pouco alto demais, quando chegou à constatação que Sasuke achava que o problema era ele.
— Eu—
As palavras ficaram engasgadas em sua garganta. Não sabia o que falar após perceber o que fizera.
— Eu—
Uma mão foi à boca e outra para a beirada da janela. Não tinha coragem de virar para encará-lo.
Também não sabia como contar para ele que ela se sentia insegura.
— Desculpe.
Foi tudo que saiu. Eles ficaram alguns longos minutos em silêncio, até ela se acalmar e virar-se.
Ele já estava novamente com a camiseta, e estava em pé, próximo a outra janela, mas de frente para ela.
— Sinto muito. É que... Eu nunca... Eu nunca fiz isso antes...
Mordeu o lábio inferior em timidez.
Sasuke acenou positivamente como se entendesse.
Depois virou de costas para si.
A voz veio algum tempo depois.
— Eu também não.
Seus olhos se arregalaram. Não pela constatação em si, mas sim por ele ter falado aquilo.
Sasuke nunca falava menos ainda de assuntos íntimos.
Nunca haviam conversado sobre sexo.
Era um assunto que a deixava nervosa e hiperventilando.
Como acabara de acontecer.
— Eu sinto muito pela minha reação. Fiquei um pouco nervosa demais...
Sorriu sem graça embora ele estivesse de costas para si.
Viu-o manear positivamente com a cabeça.
Aproximou-se dele, tocando as costas largas timidamente. Ele virou-se, encarando-a.
— Eu...
Ela deixou a frase morrer, e beijou-o lentamente.
Seus lábios se acariciaram e suas línguas enrolaram-se um na outra. Foi terno, doce, tão lento que fez com os arrepios voltassem a sua espinha.
— Se quiser...
Se quiser tentar de novo...
Ela quis dizer, mas a frase ficou na sua cabeça.
O Uchiha pareceu entender. Ele maneou negativamente com a cabeça.
— Você não está pronta.
Ela quis retrucar, dizer que estava, mas percebeu que ele tinha razão. Ela não se sentia bem com isso. Talvez precisasse de mais um tempo sozinha, uma meditação, uma conversa com as amigas.
— Desculpe.
— Pare de pedir desculpas. Não há motivos.
Acenou novamente.
Por que diabos além de ser lindo ele sempre parecia ter razão?
♥
— Vai ser incrível! Eu prometo!
— Eu já disse que não.
— Sakura! Para de ser chata! Você e Sasuke já parecem ser um casal de idosos. Dá para serem jovens e desinibidos uma vez na vida?
Fingiu pensar.
— Não.
— Ah! Qual é! Vai ser muito legal! E nem vai ter strip! Infelizmente...
Nem se deu o trabalho de responder, um revirar de olhos bastou.
— Vão ser somente eu, você e as meninas em um bar! Vamos tomar uns drinks, falar mal dos homens, vomitar um pouco, beber mais e depois iremos para casa!
Suspirou. Sabia que estava lutando em uma guerra perdida.
— Ok, ok. Mas espero que seja realmente isso! E sem parte do vômito.
— Eu prometo! Juro! Naruto está organizando a despedida do Sasuke e vai ser igualzinha, só que em outro bar! Nós queríamos colocar uns strippers, sabe... Algo sensual e quente, mas vocês são chatos. E velhos. Não. Retiro o que eu disse. Minha vizinha é muito velha e é muito mais animada que vocês...
Levantou-se da mesa do refeitório do hospital, deixando a amiga divagar sozinha.
Não valia a pena.
♥
Sentia-se desconfortável.
O ambiente era escuro, fumacento e cheirava a bebidas baratas.
— Não é incrível?
Naruto gritou entusiasmado enquanto o empurrava porta adentro.
— Uma pena os meninos estarem em missão, mas eu juro que vai ser a melhor despedida de solteiro que alguém já teve! Kakashi-sensei e Sai já devem estar chegando!
Soltou um muxoxo em frustração, pensando o quão torturante seria passar as próximas horas ouvindo aqueles três falarem borracha.
Sentaram-se no balcão. Naruto pediu dois sakês, que ele virou de primeira para ver se aguentava suportar o loiro e os demais.
— Nossa teme! Como você está animado! Garçom! Outra! O noivo aqui está realmente se despedindo hoje!
O garçom comentou alguma coisa sobre casamento que ele ignorou. Não tomou a próxima bebida.
Esperaria os outros chegarem.
— Nem acredito teme! Você vai se casar. Casar! Casar! Com a Sakura-chan!
— Por que não fala mais alto Naruto? Acho que eles não ouviram em Kirigakure ainda.
— O Sasuke vai casar!
O Uzumaki gritou tão alto que todos os outros presentes no bar viraram-se para ele com um “shh” energético.
— Acha que ouviram agora?
— Tenho certeza.
— Pinto pequeno, por que você está berrando? — Sai perguntou assim que chegou acompanhado de Kakashi.
— Ora, não—
Desligou-se da briga dos dois, observando Kakashi sentar-se ao seu lado.
— Olá Sasuke.
Acenou com a cabeça.
Eles tomaram algumas doses de sakê, conversaram sobre missões, sobre o mundo ninja, e até mesmo sobre problemas pessoais (Sai precisava de ajuda no seu relacionamento). Depois (infelizmente) as atenções se voltaram para ele.
— Hê! Sasuke! Vai casar! C-a-s-a-r.
— Isso é óbvio Naruto.
Sai comentou.
— E então? Está pronto para a noite de núpcias?
Kakashi soltou de repente, deixando-o ainda mais desconfortável. Segurou-se para não deixar que suas bochechas se avermelhassem como as de Sakura.
Imediatamente lembrou-se do que havia acontecido há dois dias na casa nova. Quando eles quase...
Lembrou-se da sua insegurança, do seu nervosismo.
Do modo como tremia com medo de fazer algo errado.
— Nem me lembre Kakashi-sensei! Só de imaginar o teme com a serpente perto da S—
— O quê? Vocês ainda não...?
Sai não terminou a frase, apenas olhou para ele com se fosse um alienígena.
O que diabos a Yamanaka estava ensinando para aquela cópia barata?
— É claro que eles ainda não! Minha Sakura-chan é pura, e doce e—
— A Sakura-chan, porque a Hinata você já corrompeu, não é Naruto?
Pela primeira vez o loiro ficou sem graça, balbuciando palavras aleatórias.
— Não seja muito apressado.
Olhou para o mascarado, o seu copo estava vazio, mas ele não tinha o visto esvaziar.
— Kakashi, não.
— Ora Sasuke! Eu sou praticamente a sua figura paterna! Eu preciso ter essa conversa com você!
— Kakashi...
— Não seja muito apressado. Tem que ir com calma! Tem que deixá-la pronta. Fazê-la desejar está bem? Ainda mais quando é a primeira vez.
— Kakashi. Não.
Tomou mais um pouco de sakê. Já havia passado duas horas. Ele já podia ir embora, não podia?
— Isso mesmo teme! Tem que ir com jeitinho! Não vai todo afobado tirando a calça não!
— Ino gosta d—
— Não quero saber do que a Ino gosta.
— Teme eu sei que é difícil, mas você tem que controlar a... Cobra. Começa por cima, talvez tirar o sutiã seja uma boa! Mulheres tem uma sensibilidade incrível nos — Naruto tocou os próprios peitos e puxou-os para cima como se fingisse usar um sutiã.
— Isso! E não se esqueça de usar alguma proteção, a não quer já queira restaurar o clã na primeira noite!
O branquelo comentou sorrindo como se falasse do clima.
— Depois você pode ir descendo, até chegar lá.
— Aí é só festa! — O loiro gritou fazendo com que as poucas pessoas do bar voltassem para ele novamente com um “shh” abafado.
— É sensível! Olha lá o que vai fazer em! Tem que ter cuidado e—
— Eu me recuso a ficar sentado ouvindo isso. Não bebi o suficiente.
Levantou-se acabou de esvaziar o copo e andou pela saída, ouvindo Naruto gritar atrás de si.
— Qual é teme! Nem chegamos à melhor parte! Você não sabe fazer isso! Precisa aprender! A gente nem contou os detalhes. Hey! Volta aqui! Eu tenho umas dicas incrív—
Ele nem ouviu o resto, fechou a porta do bar atrás de si, não aguentando a vergonha e o embaraço da situação.
Após estar em uma distância segura dos “amigos” sentiu os ombros caírem, e finalmente, sentiu as bochechas adquirirem uma coloração vermelha.
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