Agridoce

4 Flerte disfarçado


Notas iniciais
Gente! Fiquei tão feliz com os comentários de vocês no capítulo passado... Muito obrigada mesmo, por toda atenção e carinho que vocês tem me reservado. Como muitas de vocês pediram, nesse capítulo temos uma visão do Sasuke! (Será que ele também está tremendo?). . Capítulo dedicado a PrincessKali que deixou a primeira recomendação de Agridoce. Uma recomendação maravilhosa que me emocionou MUITO. Obrigada mesmo querida, você que é um doce e tem paciência em esperar minhas atualizações e minhas respostas! Boa Leitura!

AGRIDOCE

Escrita por Coffee

Que tem em simultâneo sabor amargo e doce ou ácido e doce

4. Flerte disfarçado

Sasuke andava para o Ichiraku (onde seria realizado um encontro do time sete) com receio. Essa palavra e esse sentimento não era muito recorrente nem muito certa para a reputação do único Uchiha vivo. De todo modo ele não conseguia abandonar a sensação de formigamento que percorria seu estômago.

Era o primeiro encontro do time sete desde que ele e Sakura estavam... Vendo um ao outro. E ele não sabia muito bem se seus odiáveis (ok, talvez não tão odiáveis assim) companheiros de time perceberiam alguma mudança.

É claro que não.

Ele pensava, e ria mentalmente.

É ridículo pensar que vão perceber que eu e Sakura...

Ele estava agindo como uma adolescente que perde a virgindade e pensa que, no dia seguinte, todos vão notar.

Era ridículo, mas ainda sim ele se sentia incerto.

Kakashi já sabia, mas ele não sabia (nem queria) qual seria a reação de Naruto ou do apático preenchedor de buracos, seu substituto, mais conhecido como Sai. Muito menos de Yamato. Também não era algo sobre o qual ele queria pensar, mas não conseguia parar de fazê-lo.

Desde que começara a encontrar Sakura sua mente estava assim: um caos. Ele não tinha mais controle sobre seus pensamentos, sobre seus sentimentos e muito menos sobre seu corpo.

E isso era que o fazia analisar se era mesmo certo continuar com aquilo.

Ponto um: Ele não sabia como tratar uma mulher.

Ponto dois: Ele não sabia como tratar de sentimentos.

Ponto três: Ele não sabia como controlar seu corpo.

Ponto quatro: Ele não sabia como filtrar seus pensamentos.

Ponto cinco: Ele não sabia lidar com Sakura.

Havia ao menos um ponto positivo naquilo tudo? Achava que não.

Sakura sempre o pareceu... Imaculada demais, doce demais, pura demais. Algo como uma santidade divina que não pode ser tocada, nem corrompida. E ele era o demônio, o pecado que com um simples toque poderia bani-la do céu.

Mas os Uchihas sempre amaram demais, odiaram demais e foram egoístas demais, no fim das contas, e como um Uchiha legítimo ele tinha amado demais, odiado demais, e sido egoísta demais, e ainda estava sendo, porque embora soubesse que sua aproximação não era saudável para Sakura, ele não podia deixar de fazê-lo.

Afinal, o ponto seis era: Ele não conseguia mais ficar longe de Sakura.

Pois os seus sentimentos e pensamentos rodavam em torno dela, e o seu corpo correspondia a qualquer toque, por mais suave que fosse, dela.

E agora o poderoso Uchiha, responsável por carregar o fardo e o peso de ser o último da sua linhagem era na verdade um patético homem incerto.

Que ficava nervoso antes de ir encontrar a médica, ficava nervoso de comer na frente dela ou até mesmo de andar ao lado dela, como se caso fizesse algo de errado, ele acabaria com a imagem que ela tinha dele.

Era patético. Era fraqueza.

Um Uchiha não podia ter o estômago revirado, as pernas falhadas (só um pouquinho, é claro) nem problemas para respirar, muito menos insegurança. Muito menos ter tudo isso causado por uma mulher.

Seu poderoso pai e Itachi deviam estar gargalhando (onde quer que estejam) diante do homem ridículo que ele se tornara agora.

Já havia treinado arduamente sem descanso. Lutado com ninjas extremamente poderosos. Ficado a beira da morte. E nada daquilo parecia ruim o suficiente como lidar com Sakura (muito menos fazer seu corpo parar de... “Responder” quando ela o tocava, quando ela o beijava e até mesmo quando a via).

A única coisa que o confortava – um pouco – naquilo tudo era perceber que Sakura sempre ficava tão (ou mais) nervosa quanto ele.

Embora ele escondesse muito melhor seu embaraço do que ela. Sakura sempre foi um livro aberto, no fim das contas. Um rio com águas claras e rasas onde você podia ver com clareza seus sentimentos.

Mas ele não. Como um poderoso homem, de uma poderosa família ele escondia ou tentava ao máximo esconder todas as suas emoções, seus braços trêmulos ao tocá-la e até mesmo sua calça ficando apertada demais em alguns momentos inoportunos.

Ridículo.

Ele era... Ridículo.

Saiu dos seus pensamentos quando chegou ao lugar favorito de Naruto. Dessa vez assim como nas outras três passadas havia um convidado que não fazia parte do time. Hyuuga Hinata, que agora mantinha os olhos abaixados e as bochechas vermelhas feito fogo enquanto o Uzumaki tinha um dos braços ao seu redor abraçando-a.

— Hey teme! A mulher mais bonita do mundo é minha, olhe!

Ele ignorou.

— Mas não olhe muito não em! Ela é minha.

O loiro continuou gritando impropérios em frente ao Ichiraku, enquanto esperavam os outros chegarem. Alguns minutos depois (esses quais passara perdido em pensamentos e não nas bobagens de Naruto – nunca nas bobagens de Naruto) Sai chegou com Sakura em seguida.

Ela cumprimentou Naruto e Hinata, Sai e em seguida ele, com um simples acenar sem jeito de mãos. Ela estava envergonha, ele sabia. Ela não sabia como agir diante dos outros em relação a eles.

Quando foram se sentar, após os dois mais velhos chegarem, viu a iryō-nin incerta de onde se sentar. Ele se sentou ao lado de Naruto, deixando o lado esquerdo vago, esperando que ela entendesse.

Porém, antes que ela pudesse dar um passo, Sai sentou-se ao seu lado. Ela pareceu desolada, e se sentou ao lado do ANBU. Com Kakashi seguido de Yamato.

Eles comeram ouvindo Naruto gritar, como sempre faziam, porque o loiro não conversava, e sim gritava como se estivessem em uma guerra.

Ele percebeu, enquanto comia, o olhar de Sakura sobre si, ele olhou-a disfarçadamente, e, quando seus olhares se cruzaram ela sorriu, docemente, já ele tratou de desviar o olhar, focá-lo em outro lugar.

— Vocês estão flertando comigo, ou entre si? Eu li em livro algo sobre isso, espero realmente que seja um flerte entre vocês porque—

Sai não pode terminar sua fala. Sakura engasgou com o quer que ela bebesse que o esbranquiçado precisou dar três tapas em suas costas para ela voltasse a respirar.

Naruto gritou, olhando para os dois como se eles estivessem cometendo um crime. E Kakashi, assim como Yamato se limitaram a rir.

— Sakura-chan não flerta, seu estúpido. Ainda mais com um bastardo feito—

— Então porque estão olhando um para o outro feito idiotas?

— Sakura-chan está pensando o quão feio o teme é!

— Acalmem-se, crianças. Deixe-os flertarem em paz.

— Kak-kaka-kakashi-sensei, nós... Não... Nós não estamos... Flertando...

A iryō-nin estava encolhida, traço típico de quando estava com vergonha. A cor do seu rosto ficava entre algo como o escarlate e o desespero.

— Claro que não.

O mascarado respondeu, vomitando ironia.

— É sério isso? — O Uzumaki perguntou.

— Eu... Bem... Naruto... Eu... Nós... Podemos falar disso depois?

Sakura pediu, mas o loiro continuou gritando. Sai continuou testemunhando sobre um livro qualquer, mas ele não se atentou em mais nada, ele notou o olhar de Sakura novamente sobre si, e olhou-a. Ainda vermelha, ela sorriu, e ele se atentou apenas em observar o modo como os dentes dela eram perfeitamente enfileirados, e como os grandes olhos dela brilhavam ao olhá-lo.

— Eu... Vou indo — Ela disse, algum tempo depois, jogando dinheiro sobre o balcão — Tenho plantão daqui a pouco.

Os demais se despediram dela em um aceno, e ele apenas permaneceu sentado, incerto sobre o que fazer.

— Se tem energia para beijá-la no meio da rua, tem energia para acompanhá-la, Sasuke.

Kakashi dissera, e ele quis morrer, naquele momento. Porque Naruto começou a berrar de novo, a Hyuuga observou-o com os olhos arregalados, o branquelo disse algo sobre ter percebido e Yamato sorriu.

— Teme, que história é esse de—

— Depois conversamos, Dobe.

Ele se limitou em tirar o dinheiro da carteira, jogar sobre o balcão, e levantar-se. Andou alguns poucos metros, ainda ouvindo os berros de Naruto, antes de alcançar a médica.

— Não precisava me acompanhar e... Desculpa pelo Sai, e pelo—

Acenou positivamente, como forma de cala-la. Vê-la tão nervosa o deixava nervoso também.

Andaram alguns quarteirões, antes dela começar a falar.

— Estou treinando o que você me pediu.

Uma de suas sobrancelhas negras se elevou. Ela percebeu sua dúvida.

— Você sabe... — Viu-a morder o lábio inferior — Relaxar... Estou treinando...

Que bom que ao menos você consegue relaxar.

Ele quis dizer.

— Eu... Acho que talvez devêssemos conversar com Naruto, sabe, dizer que estamos... O que estamos fazendo, afinal?

Deu os ombros, vendo-a mover a cabeça, incerta.

— Que estamos bem... Vendo um ao outro... Acho que seria melhor.

Acenou positivamente, concordando. Ele não ligava para o que o Uzumaki acharia, mas se sentia satisfeito de fala-lo qualquer coisa desde que ele parasse de berrar.

— O que vamos falar? —

Ela perguntou mordendo novamente o lábio, e suas bochechas ganhando coloração.

Quando a médica percebeu que ele não ia responder, ela deu um palpite.

— Talvez... Que estamos... Hum... É... Namo-namo... É... Namorando?

A voz dela estava trêmula.

Ele se limitou em acenar positivamente, sem pensar muito.

Sakura olhou para o lado, mordendo o lábio, e enrolando as mãos uma na outra, e, virando completamente a cabeça para o lado (como se quisesse deixá-lo longe de suas emoções – não conseguindo) ela sorriu.

Depois ela olhou-o, quando já estavam perto de sua casa. Ela abriu a porta, ficando meio dentro e meio fora da residência.

— Preciso... Falar com os meus pais.

Ela disse, mas na verdade ele sabia que ela queria dizer “nós precisamos falar com meus pais”.

De todo modo, ele confirmou. E ela pareceu entender.

Ela sempre o entendia.

— Marcar um almoço? No domingo, talvez?

Confirmou com um aceno de cabeça, novamente.

Ela sorriu, mostrando mais uma vez os dentes brancos e as bochechas rosadas.

— Quer saber de uma coisa?

A médica perguntou como se estivesse falando algo que estava entalado em sua garganta.

— Eu não consigo! — Ela disse por fim, jogando as mãos pelo ar — Não tem como relaxar!

Ela explodiu, mordendo o lábio, vermelha e em pânico.

Depois de alguns segundos que passaram absorvendo o acontecimento, ela começou a rir, ainda mais vermelha.

Ele se limitou a soltar uma risada pelo nariz e elevar um canto de seus lábios.

A sensação o abateu instantaneamente.

Cumplicidade.

Notas finais
Deu pra sentir a insegurança do Sasuke daí? Espero que tenham gostado! Beijos!