Agradável Ameaça
1 Cap. 1: Primeiro Dia
Notas iniciais
Acordei com a claridade da manhã em meu quarto. Sentei-me na cama e coloquei as mãos na cabeça. Era o primeiro dia de aula. Levantei-me e segui para meu armário. Peguei o uniforme (um vestido e um par de sapatilhas) e comecei a vesti-lo. Não estava nem um pouco a fim de sair de casa e ir para a escola. Só de pensar nisso, já me embrulhava o estomago.
Segui para nossa cozinha e vasculhei os armários. Só o que achei foram umas fatias de pão, algumas mofadas. Peguei as melhores, mergulhei na água e comecei a comer, devagar para durar mais. Assim que terminei, peguei minha bolsa e sai porta fora.
O local em que eu morava não era luxuoso nem ao menos espaçoso. Tinha quatrocômodos: dois quartos, uma cozinha e um banheiro. A casa era desbotada e desanimadora. Passava os olhos pelas outras casas que não eram diferentes da minha. Às vezes era até pior.
Morávamos numa espécie de município. O local era pequeno e apertado, mas sempre dávamos um jeito. Ao total, éramos 1250 casas divididas em 2municípios. O resto da cidade se dividia em topo e centro. O topo era onde os mais ricos ficavam e o centro onde os medianos se localizam. Era relativamente ótimo para fazer compras e horrível para se morar, pois era um local muito violento. Logo, este tinha mais lojas do que casas.
Pra chegar a minha escola, que ficava no topo, tinha que pegar trêsônibus e andar 1 km a pé. Para esclarecer, só estudava no topo pois havia ganho uma bolsa na escola F.L. (não sei o que isso significa). Era um local bem agradável...
Passar pelo espaço onde minha casa ficava me deixava irritada. Saber que a menos de 50 km estavam casas e lojas luxuosas... Sem contar com as pessoas que moravam lá. A maioria tinha uma “pele de pêssego” e cabelos brilhosos e comportados. Já as pessoas daqui eram queimadas do sol e tinha cabelos embaraçados e mal cuidados. Acho que era por isso que muitas vezes me sentia estranha aqui. Meus cabelos eram ruivos e levemente ondulados. Meus olhos eram castanhos escuros e minha pele clara. Sentia-me uma estranha naquele lugar. Acho que era, sendo bem modesta, a garota mais arrumada dali.
“Puxou a sua mãe.”, era o que meu pai falava. Ele tinha 40 anos, mas tinha uma aparência bem mais jovem. Valorizava-se muito. Seu nome era Jonathan e a única coisa que puxei para ele foi os olhos. O resto foi da minha mãe, Lucia, uma linda ex- mulher... Ela morreu quando tinha quatro anos (agora tenho 16). Não sei exatamente como, meu pai não gosta de falar sobre ela. Mas ela teve dois filhos: eu e meu irmão de 12 anos. Ele é muito fofo e super educado. Puxou a pele clara, mas seus cabelos eram negros como os do meu pai. Adorava ele.
Já na primeira parada, peguei o ônibus para o centro. Uma viagem de quarenta minutos em um ônibus lotadíssimo. Depois, peguei uma para metade do topo. Mais trinta minutos. Ao total, depois de andar os 1 km, 01h30min que demorei para chegar a escola.
O portal de entrada da escola não era nada convidativo, sem contar nas cores desbotadas do lado exterior. Entrei na mesma e comecei a andar pelo pátio. Vários alunos já havia chego e alguns já haviam arranjado amigos. Cheguei rapidamente ao corredor dos armários e logo achei o meu: 138. Acertei a senha e comecei a colocar minhas coisas naquele lugar espaçoso até demais.
Logo o sinal tocou. Catei o que iria precisar e segui para a sala 11, onde teria minha primeira aula de laboratório. Adentrei a sala e tive de sentar nas primeiras cadeiras, já que no final da sala casais conversavam ou se agarravam. Catei um livro em minha bolsa e comecei a folheá-lo. Só que fui interrompida por um som estridente de alguém batendo uma mochila ao meu lado.
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