Notas iniciais
Er...Oi?
Eu sei que demorei uma eternidade, é que estive outra vez empolgada com meus outros projetos, e sinceramente, eles estão totalmente perfeitos.
Peço desculpas pela demora, sei que estou em débito com alguns e... Vamos falar de coisas boas né?
Eu adorei escrever esse capítulo.
Espero que ninguém tenha desistido ou morrido no processo.
Prometo não demorar da próxima vez.
E o nosso co-autor perdeu a conta tá? Esqueceu a senha...
Enfim, boa leitura...

Debruçado na janela, com pensamentos enevoados por várias questões, estava eu, tentando entender diversas possibilidades de ajeitar as coisas entre mim e ele.

Alguns instantes se passaram desde que meu último cigarro tinha ido ao chão, apagado por causa da forte ventania que assolava mais um dia de inverno. Meu cachecol havia sido arrancado bruscamente pelos ventos cortantes e restara somente eu e a paisagem taciturna de Kanto.

Faltavam duas horas para o inicio das aulas, e eu ainda não tinha arrumado nada. Mal havia bebido uma caneca de café ralo demais e doce ao extremo, e já estava na janela, como uma mulher em depressão a espera de alguma coisa que afetasse positivamente meu dia.

Se eu soubesse onde Mello está...

Aquele bastardo maldito está dominando meus pensamentos e provavelmente nem se importa com o número de vezes que me peguei pensando em sua segurança, em como está e muito menos onde está.

Perdi a conta de quantas vezes meu pensamento oscilou entre raiva e preocupação.

Derrotado, divaguei em minha própria consciência. Procurei algum motivo que eu pudesse ter causado e consequentemente, ferido de alguma forma Mello, algo que alguém possa ter feito para que o loiro sumisse de forma misteriosa, e por fim, acabei fumando uma cartela inteira de cigarros de menta.

Soube que Near estava com problemas – mais uma vez, e nem movi uma palha para ajuda-lo. Talvez eu seja um péssimo amigo. Os outros nem ligaram para meu possível sofrimento, afirmando apenas que era um exagero ficar pensando em um imbecil.

Talvez eu seja o imbecil.

Importar-me demais pode e é um problema.

Meus devaneios foram interrompidos pelo toque do meu celular, mas ignorei a chamada com um revirar de olhos e voltei ao quarto para me arrumar.

Que ser inconveniente ligaria para interromper meus rompantes de personalidade?

Ou melhor, por quê?

Já deveriam saber que vou à escola hoje, e ligar apenas para perguntar se vou ou não é uma atitude totalmente idiota. Paciência num dia como hoje é uma dádiva divina.

Tomei um banho morno, vesti meu jeans surrado e meu velho uniforme, buscando dentro da bagunça que chamo de quarto meus tênis espalhados por aí. Fui tomado por um velho ar de nostalgia ao olhar inexpressivamente para a cama bagunçada.

Aquela cama poderia estar ocupada agora.

Dois corpos poderiam estar naquele momento despertando suavemente, sentindo aquele calor proveniente de uma ótima noite, os aromas se misturando delicadamente e exoticamente no antro que cheira perfeitamente a sexo.

Acordar e ter a bela visão dos cabelos esparramados pelo colchão, aquele bico perfeito que se formam seus lábios de manhã, a preguiça matinal e a vontade sorrateira de permanecer grudado no corpo quente ao mesmo tempo em que pensa na sorte – ou falta dela – que o faz babar pela silhueta esbelta que adormece ao seu lado, como um anjo, adormecida em pensamentos.

Infelizmente, a realidade não permite que você sonhe por muito tempo. Você deve apenas curtir o momento em que seus corpos suados se chocam em prazer e depois lamentar pela falta do alguém querido.

A sensação de abandono não é uma escolha e sim um estado cruel.

[...]

Algumas folhas caíam demasiadamente no chão no momento em que cheguei à escola, erguendo a cabeça para tentar visualizar algo que não fosse meus fios – já grandes demais – que tampavam minha visão. Uma fina camada de neve adornava as calçadas, e pisar nelas era um tanto agradável.

O vento cessou por um tempo, e tratei de andar um pouco mais relaxado até o pátio. As mesmas coisas eram vistas por meus olhos que ainda se acostumavam com a claridade excessiva do ambiente. Algumas alunas riam enquanto se abraçavam – outras até beijavam calorosamente as bochechas –, outros garotos davam socos leves para simbolizar a saudade e os excluídos faziam coisas de seu cotidiano, como ler livros e jogar.

Eu deveria estar fazendo a mesma coisa, mas peguei-me atravessando com pressa o pátio para encontrar no cubículo alguém conhecido. Avistei Beyond ao longe, mas como uma sombra, sumiu assim que pisquei os olhos.

Contornei algumas árvores novas, até chegar ao antigo quartinho do zelador, que curiosamente estava com a porta trancada. Contrariado, forcei um pouco a maçaneta, e mesmo assim nada. Olhei em volta, procurando algum indício de companhia e depois voltando a encarar a porta.

Foi nesse instante que percebi um relevo em meus pés. Abaixei-me para pegar debaixo do tapete a chave, agradecendo mentalmente a qualquer ser que prezava por sua vida. Poderia ficar sem Mello, mas nunca sem fumar e jogar.

Esquece que disse isso.

A ideia de ficar sem Mello é tão ruim que sufoca e me deixa sem ar.

Abri calmamente a porta, deixando lembranças e devaneios encobrirem-me quase que instantaneamente, fechando a porta atrás de mim com a perna. Joguei a mochila no chão, ajoelhando para pegar alguns cigarros e meu portátil.

Tateei os bolsos a procura de um isqueiro, chegando à conclusão de que esquecera em casa. Corri o espaço com os olhos, achando o objeto perto da cama velha e esquecida no canto da parede suja.

Como esse lugar cheira a Mello. Papéis largados, embalagens vazias de chocolate por todo o canto, provas rasgadas no tapete, guimbas de cigarro pela extensão do tapete surrado, marcas de geleia pelas paredes, dados largados.

Corrigindo, esse lugar cheira a nós.

Quando me dei conta, Beyond estava adentrando o cubículo cheirando a perfume feminino e com aquele sorriso estranhado nos lábios.

-Ohayo.- cumprimentou, largando sua mochila ao lado da minha.

-Ohayo.- murmurei, sentando-me perto de um dado de Near.- Cadê os outros?

-Deixa-me ver... Sei lá...

-Hum...

O moreno maníaco rabiscava algo em um pequeno caderno com capa dura, sem expressão enquanto eu fumava despreocupadamente encarando o chão sem humor. Segundos depois, Raito chegou chutando uma latinha de energético, chamando nossa atenção.

Murmurou algo como “que bom ver vocês” e sentou-se a mesa, em silêncio. Entendi que ninguém realmente estava a fim de estudar hoje, afinal, ninguém quer ir à escola em dia nenhum.

Nem percebi quando L adentrou o quarto. Estava tão concentrado em jogar Mário que nem me lembrei de que ainda faltava o moreno dos olhos de panda, que parecia estra num péssimo dia. Near devia estar na biblioteca, e como Mello havia sumido, estávamos completos.

Raito e L conversavam praticamente aos sussurros, e Beyond ainda desenhava algo naquele caderninho estranho. Não eram necessárias conversas; visto que estávamos felizes uns pelos outros e todos ainda tentavam ter algum tipo de vontade de entrar na sala.

-Você vem? – quis saber Raito, e me dei conta que o sinal já havia tocado. Os outros já estavam do lado de fora, aguardando com tédio minha decisão.

-Vão à frente.- respondi desinteressado.- Alcanço vocês depois.

L estalou a língua em desdém, saindo do meu campo de visão. –Então tá.- o ouvi dizer, fechando a porta ruidosamente.

Aquele rangido atormentava meus ouvidos.

Minutos se passaram, e eu ainda parecia ter um peso amarrado aos meus pés. A vontade se esvaiu no instante em que notei estar sozinho outra vez, e meu terceiro cigarro era aceso sem nenhuma vontade.

Soltei a fumaça, inspirando e expirando lentamente, fechando os olhos sem seguida. A sensação de fumar nem sempre é tão boa quando se sente fisgadas no pulmão. Tencionei os ombros, tentando em vão relaxá-los, sentindo meu pulmão reprimir e doer sem parar.

Passei a respirar com a boca, sentindo meu pulmão arder, queimando por dentro.

Fechei os olhos.

Que ótimo, estou passando mal.

Segundos voaram e pude controlar minha respiração, voltando a erguer o tronco sem sentir dor pelo peito. Talvez seja hora de parar.

-Que ótimo...-resmunguei, olhando para o cigarro apagado no chão.

Ergui o olhar ao ouvir o barulho da fechadura – que ainda rangia – abrir-se num estalo, revelando nada mais, nada menos que o loiro desgraçado, pisando sorrateiramente pelo chão como se estivesse prestes a roubar uma casa. Ao me encarar por segundos, vi em suas íris sinais de pânico.

Era justo, ele não esperava que eu estivesse aqui.

Tentando controlar meu coração doente, fitei-o com desdém, pensando nas últimas horas que sumira e eu me preocupando feito um babaca.

Em minha mente, várias perguntas poderiam ser feitas enquanto Mello deixava cautelosamente a mochila velha no chão, olhando quase encabulado para mim, como se estivesse culpado.

Estava vestindo um casaco preto por cima do uniforme da escola, e usando mais uma de suas calças de couro preto – aquelas que provavelmente me deixavam a ver navios, com o rosto retraído minimamente.

Não sei por quanto tempo o encarei, até que minha voz saiu arranhada por causa do acontecido instante atrás.

-Onde esteve? – indaguei, com a garganta queimando. Não me importava muito, só estava interessado na expressão de puro pavor que o loiro ostentava no momento.

Cruelmente, eu estava quase me sentindo bem com isso.

Mello continuou me encarando, como se algo o impedisse de responder.

Nenhuma palavra ousou sair de sua boca. E isso me irritava a cada segundo.

Poderia vê-lo arrastar os pés como uma garotinha acanhada.

-Não vai responder? –insisti, sentindo a garganta voltar a queimar. -Perdeu a língua?

-O que quer que eu diga? –respondeu num fio de voz grossa, enquanto tentava retirar o casaco sozinho.

-Acho que pode começar me dizendo por onde diabo se enfiou nos últimos quatro dias. – retruquei, buscando nos bolsos alguma bala de menta.

-Estava na casa de um conhecido. — sua mentira parecia cheirar no cômodo inteiro, e tive de me segurar para não voar e arrancar um a um seus dentes alinhados. -Não queria te envolver.

Estreitei os olhos.

-Em que tipo de merda andou se metendo Mello? –perguntei, sem deixar transparecer que não acreditava em uma palavra que dissera até agora. –E por que não me ligou? Não poderia dar notícias para seu único amigo?

-Já disse, não queria ter envolver. –disse ele, maneando a cabeça negativamente.

-Sabe que não acredito em nada que disse até agora não é? –murmurei depois de uns dois minutos de silêncio. Mello fitou-me por um tempo, e depois abaixou a cabeça. –Seja lá o que tenha feito, eu espero que não pense que vou aceitar de bom grado.

-Não fiz nada Jeevas. — falou pensativo, com o rosto contraído. –Só decidi sair um pouco.

-Tudo bem Mello, não precisa falar mais nada. — disse eu, me levantando rapidamente para juntar meus pertences.

-Aonde vai? –indagou assim que me viu abrindo a porta.

-Acho que isso não é da sua conta. Certo? –sorri sarcasticamente, saindo em seguida.

Notas finais
E aí?
Não sei quando postarei, mas tentarei ser rápida...
Abraços...