Agony
26 Confused
Notas iniciais
Agradeço a todas que ainda me acompanha,que me elogiam e nunca me abandonaram.Prefiro ter você do que 100 leitores.Obrigado mesmo.
Capítulo dedicado ao meu cabeleireiro,que sem querer me deu uma ideia.
Minha mente preocupa-se em me atormentar mais do que de costume, lançando numa velocidade absurda imagens que representam diversas possibilidades de tragédias a Mello.
E isso me tortura ainda mais.
Meu coração parece esfarelado, em trapos, tentando conciliar o sumiço repentino de Mello a uma simples brincadeira.
Mas é claro que minha mente cheia de ideias impede qualquer raciocínio comum.
Morte, tragédia, espancamentos em becos, dividas secretas, envolvimento com coisas muito erradas.
Traição.
Motivos suficientes para me fazer delirar em pensamentos errantes.
Penso primeiramente em traição. Sei o quanto o loiro é impulsivo e vingativo, capaz de ficar com alguém só para me ver chorando de ciúmes.
O que está quase acontecendo.
Inevitavelmente, sei que Mello está em algum lugar, zombando da minha preocupação e destoando dela como se não fosse nada demais, menosprezando tudo que tivemos até agora por causa de um sentimento egoísta e ridículo.
Quando vivíamos no mesmo orfanato, uma vez ou outra, Mello sempre dava um jeito de sumir inexplicavelmente, me deixando morto de preocupações, voltando dias depois como se nada tivesse acontecendo, com aquele sorriso maldoso e feições cínicas, escondendo chocolates pelos bolsos.
Mello é assim.
E isso me fere por dentro.
Isso só me prova de certa forma o que tinha confirmado muito antes. Mello nunca será livre de ciúmes, egoísmo e orgulho. E por mais que isso me atinja, inevitavelmente me agrada e me excita muito mais do que jogar e fumar. Falando nisso, faz um bom tempo que não faço isso.
Diante de diversas probabilidades, preocupações e frustrações, Mail Jeevas não vai dar o braço a torcer nessa situação. Se Mello quer realmente provar que pode brincar com meus sentimentos e se sair bem dessa está enganado.
Até porque, ele pode muito bem beijar outros caras, mas quem o faz subir pelas paredes sou eu.
E sempre será.
E é sempre nessa parte que um pequeno lado sensível meu, chamado orgulho entra em cena, sempre afirmando com veemência que não há nada de errado com o fato de Mello sumir do nada, é só mais uma de suas provocações ridículas.
Mas Mello sempre soube me atingir.
E isso me faz querer ter uma arma e dar um tiro em sua cabeça cheia de cabelos loiros.
-Matt não acha que deve parar de se esquentar com isso? Uma hora ele aparece. -disse L, lembrando-me de que ele ainda estava na poltrona confortável da sala, bebericando chocolate quente, sentado a sua maneira estranha.
-Diga isso para o meu cérebro. –respondi olhando para o teto. -Ele é quem insiste a dizer que Mello pode estar morto há essa hora.
L ficou em silêncio.
-E você e o Raito?De boas?-acrescentei, sem desviar os olhos do teto.
-Ah, tudo bem. -responde, ainda guardando-se em pensamentos. Ponderei-me a deixar esse assunto para outra hora, mas eu precisava me acalmar de alguma maneira.
-Essa não era a resposta que eu esperava. -falei em meio ao silêncio, tirando o olhar do teto, ajeitando-me no sofá.
-E que tipo de resposta esperava?-rebateu L, deixando a xícara na mesinha de centro. Levantei as pernas, esticando-as na mesinha.
-Não sei algo de que aparentasse um pouco mais de empolgação. -respondi, voltando a olhar o teto. Dessa vez, fechei os olhos ao ouvir um suspiro pesaroso de L.-Há algo que eu não sei e você vai me falar?
-Como assim?Sabe que não represento nada empolgante. -retrucou baixinho.
-Ok, ok. Se não quer falar sobre seu amorzinho, era só avisar. –repliquei sarcástico, ouvindo um muxoxo de reclamação.
-Não é isso Matt. E não me use como distração.
-Desculpe, preciso afastar pensamentos ruins.
[...]
Absorto em pensamentos tirei da embalagem mais um cigarro aromático, de sabor menta. Acendi-o, tragando lentamente, soltando a fumaça pelo ar puro.
L sugeriu que eu fosse ao shopping ou uma loja de jogos para me distrair, e depois de algumas reclamações de minha parte, resolvi calçar meus coturnos, meu casaco preto e me atrever a sair nas ruas frias de Kanto.
Infelizmente, detesto frio.
É que geralmente nessas horas sinto aquela vontade de me agarrar a qualquer pedaço de carne e me embrenhar em cobertas até virar um pontinho avermelhado em chamas. E de carne, me refiro a Mello.
Soltando mais uma lufada de fumaça, trato de andar até um pequeno parquinho infantil, rodeado de crianças cobertas por casacos e brinquedos reformados recentemente. Sentei em um banco de carvalho, observando um grupo de crianças mais adiante, entretidas em uma brincadeira só delas.
Corriam para todos os lados, provavelmente se esquentando enquanto ora um pai ou outro brigavam em vão, adquirindo mais uma ruga no canto dos olhos.
Todo esse cenário é tão... Não consigo expressar.
Mais um cigarro consumido, consegui de certa forma relaxar mentalmente, inspirando e expirando normalmente, com o coração tranquilo. Engraçado estar tranquilo, mesmo depois de quase ter um chilique.
Não acredito que por um instante estive pensando em algo ruim a Mello. Com meus pensamentos divididos em miséria e felicidade, estou quase encerrando meu dia. Por pensar tanto em Mello, esqueci-me da escola, — começa amanhã-, Beyond e Near e até da minha mãe, que infelizmente esqueceu-se do filho.
Não digo isso sem querer ou só para chamar atenção. Minha mãe realmente está esquecendo que tem um filho dependente de amor, carinho e outras coisas melosas.
Estou começando a ficar deprimente. Preciso arrumar uma ocupação, para afastar besteiras da mente. As crianças já haviam se dispersado, e o que restara foi apenas um silêncio incomodo e necessário, enquanto eu apreciava aquilo, com a mente divagando um nada.
Estou sendo muito poético também, semelhante a uma garotinha.
Meu estranho comportamento pode ser explicado claramente como uma “falta de Mello”. Sem ele para me encher de besteiras, sussurrar coisas maliciosas em meu ouvido, gritar por falta de chocolates.
Chocolates.
Uma ideia me atingiu, e quando me dei conta, estava saindo do parque diretamente para a loja de doce onde Mello costumava ir. Ao subir a calçada empoçada de chuva, parei imediatamente.
“Ora Matt! Cadê o cara que disse que não ligaria para os chiliques de Mello? Hein? Dê meia volta e vá se divertir.”
Ri baixinho com esse pensamento. Mail Jeevas, 16 anos, loucamente contrariado e contrário às próprias regras.
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