Agonia
1 Capturado
Notas iniciais
Dois Intensificadores da Lei estão vigiando uma casa pelas ultimas semanas. O morador da mesma é um infrator das leis dos Seres Mutáveis e os Intensificadores da Lei foram chamados para descobrir os feitos dele e até onde o mesmo quebrou as regras. Todos sabem o que acontece com os que quebram as leis, nem mesmo aqueles que a aplicam estão acima dela.
Este infrator em questão escolhera uma casa bem dentro da floresta, de modo que as arvores provém a camuflagem perfeita para seus planos. Ambos os Intensificadores da Lei fizeram uma base nas arvores mais próximas as saídas e gravam tudo o que podem antes de receber a ordem para levar o maldito para a cadeia, da maneira como os dois desejam e que não receberam a liberação para fazer.
–Um grupo esta saindo da casa. — comenta uma voz feminina, a mais ou menos meio metro da casa, registrando cada um dos movimentos em seu okular recorder*.-Acho que o suspeito esta sozinho...
–Isso é uma cilada porra! - a raiva de seu parceiro é como uma adaga, perfurando seu ego já baixo, por suas inferioridades de mulher.
Eu quero ir lá. Talvez esta seja a nossa melhor chance e o Tim não consegue ver isso.–pensa a mulher, determinada.
Apesar de ter por volta de 1,67m, ter olhos luminosamente amarelos e um curto cabelo azul, Rysa pode quebrar seu parceiro em dois se quiser. Suas habilidades são extremamente instintivas e por isso nem mesmo ela tem certeza do que pode fazer. Seu corpo magro indica que, pelo menos, pode comer tanto quanto queira. Ao contrario de muitas mulheres em seu distrito. No momento ela pode claramente ver as vantagens de poder comer de tudo, uma vez que ela não pode ter frescuras com alimento em uma tocaia. Isso poderia entregar sua localização e coloca-la em apuros.
–Rysa não vá!- ordena como se lesse os pensamentos dela.–Se for, não aguarde o meu resgate.
–Foda-se a tocaia, foda-se o fato dele ter matado 20 pessoas nos últimos meses, foda-se uma delas ter sido sua esposa. Eu vou entrar lá e pegar o cara! -grita ela, de um modo que ele quase arrancou seu fone de recepção por causa da estática.
–Vai lá, maldita! Se mate como a vadia da minha esposa! — a raiva tinge cada uma de suas palavras, até por que ela é sua parceira. Deveria ouvir a sua opinião em vez de seguir para uma missão suicida.
–Não se preocupe, Intensificador. Ela vai sair sem um único arranhão.- comenta uma voz atrás dele, sarcástica.
Foi a ultima coisa que Tim escutara antes de sua visão escurecer. Seu pensamento antes de perder a consciência foi: Me fudi agora....
.x.x.x.x
Rysa observa a casa e embora esteja sozinha, um estranho sentimento de observação a preenche. Parte de seu serviço é fazer invasões em residencias, já que ela pode ocultar seu corpo material completamente e assim não ser vista por ninguém. O problema é voltar ao estado visível novamente, pois ela tem de se despir para desaparecer e deixar suas curvas a mostra é algo que ela não deseja fazer tão cedo.
Não tem nada aqui– pensa ao fechar a porta atrás de si.
A casa esta totalmente vazia, fria e intocada. Ela andou pelos cômodos do térreo e só encontrou quartos vazios e limpos, a mesma coisa do andar de cima e do porão. Vazio e sem marcas de qualquer tipo de mobília, o que pode ter tornado tudo mais complicado. Afinal ela estava ali para prender um dos assassinos mais bárbaros de Trifalker, uma comunidade cheia de seres Mutáveis e suas vertendes capazes de deixa-la de cabelos em pé.
–Não pode ser verdade...
Não tem nada aqui! Possivelmente nunca teve.-pensa frustrada.
Saiu da casa sem se importar de fechar a porta, quando um brilho estranho chama a atenção dela. A porta, uma coisa tão comum que normalmente ela não iria dedicar nem uma fagulha de sua atenção, esta coberta com um pano adesivo preto. Ao tocar o pano, ela sente o relevo de letras em um idioma bem antigo. Um idioma abandonado por sua complexidade e por necessitar de sentimentos para escreve-los. Mais especificamente dor e sofrimento, angustia.
–Tim, eu encontrei o que os motivava a vir aqui.– animada, chama ele pelo comunicador para ouvir suas desculpas, mas não escuta um retorno. -Tim?
O silêncio vindo de Tim nunca é um bom sinal, afinal ele ama se vangloriar ao listar as fraquezas dela quando os dois estão de tocaia. Ficar em silêncio não é uma atitude normal para ele, geralmente ele tinha que estar hospitalizado para ficar tanto tempo calado. Mesmo que ele jamais fosse admitir que sua atitude foi a melhor escolha, Tim é incapaz de dizer que ela fez um bom trabalho, é mais fácil ordenhar pedras do que ouvi-lo admitir na frente dela que seu trabalho foi bom.
Merda, eles sabiam da vigilância...– pensa correndo para onde seu parceiro estava.
Não encontrara nada ali, nem seu parceiro, nem um pedido de resgate. Fazendo uma busca mais minuciosa, encontrou o Okular recorder dele e seu gravador escondidos dentro da arvore, já que ele podia manipula-las com facilidade. O resto dele se fora, e somente um manipulador de arvores poderia dizer o que realmente aconteceu ali.
Parte de sua mente esta surpresa por alguém ter conseguido carregar 2 metros de pura arrogância em tão pouco tempo. A outra espera conseguir ver os olhos azuis incandescentes, os cabelos vermelho fogo e o corpo mais do que desejável de seu parceiro ainda vivo e intacto. Pelo que aprenderam com as vitimas anteriores, isso nem sempre acontecia.
–Base, temos um problema. Preciso de uma equipe de linguística e um Arbuser*.
–Aqui é a central, afaste-se da arvore em dez passos contando até 10.- avisa a voz, antes de desligar na cara dela.
–Devia ter previsto...- murmura, afastando da arvore como instruído.
x.x.x.x.
Nossa, mas digraton* me acertou?- pensa Tim, retornando a consciência aos poucos.
Ao abrir os olhos, ele vê a enrascada em que esta. Acorrentado pelos pulsos e pernas, em uma sala extremamente vermelha e que fede como a carcaça de um animal morto há dias. Tim sabe o que significa estar naquela sala, não importa o quanto aquilo lhe faça subir um frio na espinha. Sua esposa já esteve no mesmo lugar que ele, foi brutalmente usada antes de ser largada atrás de uma lata de lixo sem roupas, olhos e braços. Metade de seus orgãos internos estavam carbonizados, a outra parte foi utilizada para germinar Oplak*. Ela não sobreviveu aos métodos de cura, seu corpo havia sido profanado antes.
Profanado e largado como lixo...
Ouvindo passos vindos para a sala em que esta, ele não se importou de fingir que esta dormindo. Seu captor sabe exatamente qual o tempo que deveria esperar, assim como a maneira de conte-lo sem que encontre brechas para sair dali. Neste momento, Tim percebe o quanto foi ingenuo ao pensar que ele e Rysa poderiam cuidar daquele caso sozinhos. Se tivesse aceito ajuda, não teria sido capturado desta maneira.
–Olá, Timothy Mond Arbus. Sua esposa falou muito de você naquele mês que ficou em nossa companhia. — comenta o recém chegado, apontando dois jovens a sua esquerda.
Ambos possuem um pacote em mãos, armas e ervas capazes de curar ou envenenar. Tim conhecia todos aqueles instrumentos, faziam parte de todos os "kits tortura" utilizados pelos criminosos da cidade e ele mesmo destruiu vários cativeiros ao longo de três anos. Tim sabe que o seu futuro não será nada bom. Principalmente ao se lembrar da aparência de sua esposa.
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