Aghardoon

4 Chapter three


Implorei para que ajudassem meu amigo e chorava, misturando as lágrimas quentes com a sujeira do meu rosto.
Não o soltei até eles chegarem e o retirarem de mim.
Ele até podia ser dois anos mais velho, mas era uns poucos centímetros maior por isso conseguia facilmente segurar o peso. Mas quando o retiraram me senti fraca caindo no chão se não fosse os soldados a me segurar.
Esses viram o estado de Andrew e o prepararam para a execução deixando ele de joelho e de costas para nós.
Eu chorava e gritava o nome dele para que o não machucasse. Era em vão.
Minha visão ficou novamente turva e senti algo realmente incrível se não fosse as circunstâncias.
Fogo.
Muito fogo.
Tudo aquilo em volta de meu amigo. E ele não parecia queimado.
Tinha um sorriso nos lábios.
Pegou uma arma para se apoiar e cauterizou seu machucado sem um pingo de dor. Os soldados que estavam me segurando nem perceberam quando fugi bem debaixo de seus narizes.
Fui correndo para Andrew, mas me queimei ao tentar me aproximar.
Eu dou um sorrisinho triste e ele entende.
Continuo ali parada apenas me sentindo orgulhosa. Sou novamente agarrada e sinto uma pontada no meu pescoço olho para cima e vejo os mesmos cabelos turquesa.
E é essa a minha ultima visão antes de ver apenas o breu.

Acordo com a minha cabeça latejando em um lugar muito iluminado, fazendo eu fechar novamente os olhos.
Tento levantar me apoiando na parede mas todo o meu corpo dói.
Me lembro de Andrew e com um impulso levanto do chão e pulo na grade.
Vejo que é uma fechadura simples e consigo abrir a porta. Vi uma coisa que não achei possível. Um grande campo ensolarado sem nada, com apenas grama. Não tínhamos muitas plantas lá então nunca havia visto grama.
Descalça toquei-a, fazendo cócegas e nem tinha percebido o traje novo que estava vestindo.
Um simples vestido branco que ficava quase transparente com a forte irradiação solar.
Dei um giro para o ver melhor, aproveitando os beijinhos da grama nos meus pés.
Andrew.
Começo a correr desesperadamente sem rumo até ver uma casa gigante para cima do morro.
Como não havia achado Andrew em lugar nenhum decidi entrar.
Vários guardas faziam a ronda. Consegui entrar na casa depois de muito esforço.
Vou andando/correndo pelos corredores apenas ouvindo os ecos dos meus pés no assoalho de madeira negra.
Passo por uma porta com um pequenino vidro encima. Não sou tão baixa, então consigo dar uma olhadinha lá dentro.
Andrew.
Andrew estava vivo.
Abro a porta atrapalhadamente e ele se coloca em posição de defesa. Começo a chorar e ele também. Corro em sua direção e caio de joelhos em sua frente, ele me acompanha e me dá um abraço que não penso duas vezes antes de retribuir. Ficamos ali abraçados e chorando por um tempo.
" Você tem que ir agora eles estão chegando" ele fala segurando meu rosto com suas mãos e me dá um beijo na testa.
" Eu não quero ir Andrew, eu to com muito medo" falo secando as lágrimas dele.
" Shh, só volte para o lugar de onde você veio". E nisso me levantei e corri.
Passei por dois guardas que passaram a me perseguir morro abaixo.
Estava correndo à toda velocidade quando pisei num buraco minúsculo, me fazendo rolar, rolar e rolar muito.
Ia batendo tudo enquanto caia. Depois de muito tempo eu paro e sinto uma dor aguda no meu pé.
Olho para baixo e vejo que tinha quebrado, exposto e com meu sangue jorrando do grande machucado, manchando a bela grama.
Grito o mais alto que conseguia e vejo que varias pessoas se aproximando. Vou me rastejando para o mais longe que conseguia com o osso exposto.
Gritei mais uma vez, gastando as minhas energias. Olho para trás e vejo o meu rastro de sangue me perseguindo como um animal.
E chorei de novo, misturando as lágrimas novas e quentes com as velhas e secas na minha bochecha.
Já havia me entregado à dor quando não sinto mais o chão em baixo de mim.
Apenas reconheci os cabelos escuros antes de deixar de ver novamente.
Belos e intrigantes cabelos escuros