Agente Zero
2 Capítulo 2
Notas iniciais
POV Agente Zero
Eu gostava de viajar de ônibus. Era seguro e descomplicado, fácil de fugir e de encobrir um corpo.
Ajeitei-me no assento e fingi não escutar o berreiro que a criança na frente abria e a maneira escandalosamente alta com que um homem falava ao telefone atrás de mim. Bom, nem tudo na vida é perfeito, nem viagens de ônibus.
Eu estava há duas horas do ponto em que o filho do Presidente, Edward Cullen, havia sido sequestrado. A última localização que seu telefone informara foi há alguns metros de uma lanchonete de beira de estrada. Eu estava confiante de que haveria alguma coisa lá que me levaria a uma boa pista e esperava que eu estivesse certa.
Observei as pessoas no ônibus, classificando-as entre risco leve, moderado ou alto. Era bom estar preparada para qualquer tipo de situação. E pra ser honesta, faz um tempo que eu preciso desse tipo de diversão. Charlie, ou como era mais conhecido, Agente Swan, conseguiu fazer com que eu ansiasse por situações assim, uma parte de mim o odiava por mim, mas outra parte macabra o agradecia por me mostrar um mundo que poucos conheciam.
Posso admitir que era gratificante finalmente estar longe daquele cubículo que nos últimos quatro meses eu chamava de lar, mesmo que agora eu estivesse em um ônibus apertado e lotado de gente desconhecida. Lembrei-me de quando Charlie me jogou naquele lugar com o intuito de que eu aprendesse que obedecer a ele era melhor que estar sozinha. Eu discordava completamente.
Após um tempo, o motorista anunciou nossa penúltima parada, e era aqui que eu ficaria.
Agarrei minha mochila do bagageiro e ajeitei a bolsa transversal no corpo, apalpando levemente a arma que estava ali, assegurando-me de que estava na posição correta. A pequena faca que ganhei de presente aos dez anos encostava levemente em meu tornozelo, escondida na bota preta. Desci do ônibus em direção a lanchonete que mais parecia abandonada.
— Moça, pode deixar seus pertences aqui, essa é só uma parada antes do destino final. — O motorista quis me lembrar, encurralando-me na lataria do ônibus gasto, coçando a cabeça por baixo do boné suado.
— Sim, eu sei. Vou ficar aqui pra fazer umas fotos. — Falei da forma mais simpática possível, com uma leve vontade de perfurar seu crânio com minha glock.
— A senhora é fotográfica? — Ele perguntou, coçando agora a região genital e cheirando sem disfarçar. Tentei não fazer cara de nojo.
— Sim, eu adoro essas paisagens isoladas e arenosas. São as melhores. — Ele assentiu e quando percebi que continuaria a conversa, tratei de encerrar. — Preciso ir antes que eu perca a melhor hora do dia pra fotografar. Boa viagem pra vocês. — Saí de perto do veículo e andei o mais rápido, sem parecer estranha, para o lado menos movimentado da lanchonete. Agradeci pelas poucas pessoas não notarem minha presença, entretidas demais com suas vidas medianas.
E lá estava ela me aguardando. Uma bela moto azul. Após verificar o tanque cheio e vasculhar os cantinhos da moto em busca de um rastreador, sorri enquanto subia na moto, essa era uma das condições que eu havia imposto. Eu precisava de um veículo rápido, prático e lógico, bonito. Dirigi até o ponto do sequestro e avaliei o local. Deserto. Sem sinal de pneus ou indícios de que alguém esteve ali. Frustrada, segui para a moto quando avistei algo.
Era sutil, mas brilhava, estava quase que enterrado completamente na areia, mas a luz do sol refletia o pequeno objeto e precisava estar muito atento para perceber. Afastei a maior parte da areia com a ponta da bota e peguei quando identifiquei do que se tratava.
Era um broche velho, com um porco de chapéu sorrindo e o entorno dizia "Fazenda Sutherland". Pesquisando no celular, descobri que a fazenda não ficava tão distante dali, e tive uma sensação de que aquele era o lugar em que encontraria Edward.
— Onde quer que esteja eu vou te encontrar. — Sussurrei para o campo deserto, pensando na vida que deixaria para trás. — Custe o que custar.
Fale com o autor