Agent Hooper

2 Capitulo 1 (Dance again)


Notas iniciais
Algumas vezes nossos preconceitos não nos deixam enxergar com clareza o que está a nossa frente. Se decidíssemos aproveitar os instantes com as pessoas e não aproveitar delas, nossa vida poderia ser mais feliz. Arriscar faz bem, viver a flor da pele de vez em quando, também.

Sherlock Holmes.

Bonito, inteligente, sedutor.

Adentrando com elegância uma boate londrina, misturando sons, música e luxúria, homens e mulheres o olhavam de cima a baixo. Dirigindo-se calmamente com destino certo, foi até o bar no fundo do salão. Tirou um bilhete do bolso da frente do sobretudo e o entregou ao barman.

Como perfume natural atrativo para mulheres, uma a uma passavam por trás, o olhando demoradamente. Porém, seu olhar saiu delas para outra, uma que se destacava ao centro do local, seguindo o ritmo da música.

Ele reconheceu rapidamente. Mas teve a atenção desviada pelo barman que lhe entregava, um copo de bebida com um bilhete, sutilmente. Nada sutil era como uma certa mulher se movia no centro. A mais pura selvageria? Era selvagem e delicioso. Voyer ou Flaneur. Tanto faz, o fato era que incrivelmente tinha prazer em olhar a cena.

Molly Hooper.

Totalmente fora de si, mas nunca tão Molly como antes.

Quis sentir-se livre, agora era tudo o que sentia. Sentia a leveza sair por seus poros e mesmo assim sentia-se completa dela.

Visivelmente cansada, ela parou de dançar e foi cambaleante até o bar, juntando-se a ele. Muito próxima a ele. Exatamente entre as pernas dele, que se encontrava em pé, escorado na mesa, a mesma posição de quando a olhava esperando uma reação. Deduzindo que pelo estado de embriaguez e seu passado, que ela tentaria seduzi-lo.

Não moveu um músculo, queria ver até onde aquilo iria.

Ela se inclinou mais a frente, colando seu peito no tronco de Holmes, Contra expectativas. Ela esticou o braço e pegou uma bebida direto das mãos do barman, que parecia ter percebido antes de Sherlock o que ela queria. Simplesmente se virou e caminhou até o centro da boate, desaparecendo no meio da multidão.

Deveria ir embora, estava tarde e com o que queria. Mas sua curiosidade não estava sanada, na verdade, ela fora aguçada esta noite. Sendo assim, andou até a parede contraria a entrada do banheiro. Sabia que casais pegajosos poderiam ficar por lá, principalmente porque era mais escuro que o lugar que escolheu. Encostado a parede e de braços cruzados observou Molly Hooper.

Embalados pelo som de uma música eletrônica que iniciava, viu os movimentos da moça diminuírem, provavelmente cansada, enganado novamente, se viu observando a performance sensual alterada pela mudança do solo do cantor na música ensurdecedora. Pegou nos ombros de um homem a sua direita, de costas para ela. Agarrou-o com uma mão no ombros e outra passeava pelo próprio corpo ritmadamente, o que o fez virar para ela, agora de frente os dois se aproximaram. Passando a dançarem próximos. “Próximos demais”.

Dance

Yes

Love

Next

Sem pudor o homem passava as mãos pelas costas de Molly. Num ritmo frenético, ao longe visto por Sherlock, que mordia os lábios incomodado. “Pelo que? Sabe-se lá.”

Dance

Yes

Love

Next

Numa troca na música, do cantor para a batida, surpreso, viu Hooper parar sua dança empurrando o homem para o lado. Ela o olhou de relance, na direção da parede, e sorriu provocante; agarrou outro homem no lado oposto, vendo o jovem anterior ficar sem entender e logo sair dali. Agora determinada a dançar com outro rapaz de cabelos escuros, ela simplesmente colou seus corpos e movimentaram-se juntos no ritmo da música.

Ao finalizar a música, com os braços sobre os ombros do homem, sussurrou algo no ouvido e o deu um beijo rápido, sorrindo novamente na direção de Sherlock. Com uma música latina ao fundo, desapareceu na multidão outra vez. Minimamente sobressaltado, Holmes saiu do lugar para tentar acompanha-la com os olhos mas não pode, um homem por volta dos 30 anos o segurou no lugar, reparou como vestia a mesma roupa que o barman. Segurando uma bandeja, sem falar nada empurrou na direção dele.

Sherlock pegou o copo de vidro, sentido o cheiro. Parecia ser apenas bebida alcoólica. Com rapidez o garçom deixou um bilhete no bolso do casaco mais visível, saindo do lugar sem dizer uma palavra.

“Andar de cima, venha.

beba.

MH.”

Notas finais
Com Destination Unknown precisando ser melhorado, Agent Hooper surgiu para revelar segredos e fazer sentir detalhes antes não aproveitados. Com lógica, uma narrativa interessante vai se seguir, revelando cada vez mais Molly Hooper.