Agent Hooper
3 Capítulo 2 (A destination unknown)
Notas iniciais
— Onde estou?
Molly abriu os olhos, perguntando a si mesma onde estava, apesar da cabeça latejar ela sentou na cama com os lençóis marrons em volta de si. Não reconhecendo ainda onde estava. Assustando-se por perceber que estava apenas com as roupas intimas pretas em um lugar desconhecido.
Levantou da cama, enrolando um dos lençóis mais finos em si, notou como o quarto de paredes brancas era vazio, apenas a cama centralizada ao lugar, com um criado-mudo mogno a cada lado, com abajures elegantes e brancos. Combinando com a cortina que cobria a grande janela na parede ao lado da porta, também em tom mogno.
Seguiu o caminho desconhecido, revelando um corredor iluminado pela claridade vinda de pequenas janelas que iam por todo o lugar, até o outro lado, outra porta. Ao abri-la, viu uma grande mesa de vidro com alguns alimentos, rodeada por vários equipamentos de uma cozinha comum, só que estes pareciam mais modernos, e parando, viu a porta da geladeira sendo fechada por Mycroft Holmes, irmão mais velho de Sherlock, segurando uma jarra com liquido amarelo.
— Bom dia. — ele cumprimentou sem se dar o trabalho de olhá-la. Envergonhada, sua primeira reação foi prender o lençol mais ao corpo, ainda mais estando na frente de um desconhecido. Tudo o que sabia de Mycroft era o nome, e seu jeito rígido de tratar as pessoas, a deixava tensa. Apesar disso, lembrou que havia dito a si mesma que não se deixaria mais assustar por nada, e principalmente deixar isso transparecer. Respirou fundo e deu um nó no lençol sobre os seios, encurtando as pontas, com outro nó, deixando o cumprimento pouco acima dos joelhos. Sentou-se, então em uma das cadeiras, e sorridente disse.
— Bom dia, como está?
— Não vai perguntar o que está fazendo aqui? — Ainda de pé empurrou uma cesta com torradas e geleia de morango sobre a mesa na direção dela.
— Porque faria isso? — ela respondeu tentando manter sua máscara que sabia como ela foi parar ali. Passando com uma faca a geleia em uma torrada, mordendo.
— Certo. Só pensei que iria perguntar devido ao modo como chegou aqui. — Pôs o conteúdo da jarra em um copo, pegando outro que já estava sobre a mesa, repetindo o gesto e dando à moça.
— E como cheguei? — ela riu falsamente, tentando faze-lo falar. Reparou nos cabelos negros devidamente alinhados e no terno escuro que ele vestia.
— Baker Street, 221 b. — ele deixou o copo na mesa ao terminar de tomar seu conteúdo, saindo dali, Molly depois ouviu uma porta bater ao longe. — Pode pegar suas roupas no quarto. Fique a vontade.
— Ok.
Ela tentou ao máximo comer mais um pouco, mas sua curiosidade a corroía tanto quanto sua dor de cabeça e a azia forte, ao menos o local não era tão iluminado, o que provavelmente a iria fazer sofrer mais pelos efeitos da bebida na noite anterior. Mas definitivamente precisava saber como foi parar ali. Pouco se lembrava da noite anterior, algumas memórias lhe sobressaía à mente, como a ousadia em dançar sozinha na boate, depois de conhecer um rapaz, e pouco lembrava depois disso.
Deixou o copo sobre a pia, e foi até o quarto por onde veio. Ficando surpresa ao ver uma senhora com roupa toda branca arrumar o quarto.
— Desculpe, pensei que não voltaria mais para a cama.
— Oh, eu não passei a noite com ele, por mais que pareça. — ela tentou se justificar, andando pelo quarto atrás de suas roupas.
— As jovens que ele traz aqui nunca dormem aqui. Não se preocupe, não é assunto meu. E se estiver tentando achar suas roupas, estão no banheiro sobre a cômoda. — a mulher sorridente apontou a porta branca ao lado contrário da cama.
Molly entrou no lugar, reparando em como era grande. Devia ser o quarto para hospedes da casa. Pegou as próprias roupas vendo-as limpas sobre a comoda também mogno, com uma toalha ao lado. Aproveitou para fazer sua higiene, se arrumou e após tudo, pediu ajuda a empregada, se despedindo.
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O mesmo vestido que usou na noite anterior estava chamando mais atenção aquela manhã, com o tecido na altura acima dos joelhos e com um decote em u, a fazia tremer de frio ao andar pelas ruas, logo chamou um táxi, era a forma mais rápida de chegar em casa.
Chegando na frente do apartamento, pediu que esperasse para que pegasse o dinheiro para pagar o motorista, enquanto procurava a carteira, viu o visor do celular sobre o criado mudo ao lado da cama, era uma ligação do supervisor da sua área no Hospital Saint Bartholomew.
— Molly.- ela atendeu ao mesmo tempo em que remexia em uma bolsa procurando a carteira. — Pode falar.
— Molly, precisamos de você aqui para um caso especial, sinto muito por chamá-la na sua folga.
— Tudo bem. — ela bufou ao ouvir, enquanto ao mesmo tempo encontrava a carteira, retirando colocando no lugar — Já estou a caminho do hospital.
— Não é exatamente para o hospital que você deve vir.
— Como assim?
— Vou te enviar o endereço por mensagem. Venha o mais rápido possível. É um serviço de campo para a policia.
— Certo. Estou indo.
Tudo o que ela pôde fazer após desligar o celular, era lidar com a folga perdida e pra dor de cabeça, um analgésico. Sem tempo para mais, pegou a bolsa com a carteira já dentro, um óculos elegante escuro, um jaleco limpo que há tempos estava em seu armário, algo para o estomago e saiu em disparada para o local indicado pela mensagem que já avisava ter sido recebida.
Ao chegar no local indicado, tudo o que viu foi um caminhão sem identificação e alguns carros da policia londrina ao redor. Não entendia bem sua utilidade ali. Nunca havia sido chamada para campo pelo departamento de perícia, seu trabalho criminal geralmente se mantinha dentro dos limites do Barts.
— A tirei de uma festa? — Greg Lestrade, o detetive mais bonito e gentil da cidade, na opinião de Molly chegava perto dela com um sorriso no rosto. Retirando os óculos, o prendeu ao decote do vestido preto, talvez um pouco envergonhada por estar com aquela roupa, afastou os longos cabelos castanhos para um lado só e para a frente, cobrindo parcialmente o decote.
— Não exatamente. — ela sorriu e olhou para o caminhão com fitas de não ultrapasse ao redor. — Qual o caso? — Eles se aproximaram, entrando no galpão de carga do caminhão por trás
— Uma pessoa no estilo cadeira elétrica. — Pelas feições de Molly, ao entrar no galpão, ela ficou surpresa ao ver a cena de crime totalmente limpa, apenas com a cadeira ligada a um circuito elétrico no fundo do baú, e um corpo já no chão sendo identificado ou quase isso. Pelas queimaduras seria difícil dizer tão rápido. — Queremos sua supervisão. Venha. — Um dos peritos trouxe uma maleta própria para o trabalho em campo, com os equipamentos necessários para a legista.
— Termômetro. — a ouviu pedir para um auxiliar. Inseriu o objeto em sua barriga, na direção do fígado. Porém logo ouviu gemidos baixos vindo do corpo.
— Lestrade? — ela gritou pelo investigador, retirando o termômetro do homem, chegando mais perto do rosto, segurando também nos pulsos para verificar se havia batimentos, mas com a pele queimada, tudo o que pode fazer foi tentar ver o balanço do peito e se saia ar do nariz ou boca. Minimamente o vendo se mexer, provavelmente pela dor, pediu que trouxessem paramédicos. — Rápido, ele ainda está vivo!
Algumas horas depois, no necrotério, com as roupas de proteção sobre o vestido da noite anterior, Molly Hooper olhava atentamente para o microscópio e fazia anotações num caderno ao lado do equipamento.
— Hooper. — Sherlock pela primeira vez desde o dia anterior falava com Molly. Acompanhado de John Watson, seu ajudante nas investigações que faziam em conjunto com a policia da cidade.
— Olá. — ela tirou a pequena placa de vidro com partículas epiteliais da vítima da cadeira elétrica, e levou até o balcão perto da parede, ao lado contrário de onde estavam os dois homens. Ficando de costas para os dois. Sentia vergonha de encarar Sherlock depois da noite anterior, vai saber o que ela havia feito.
— Então, o que houve com o executado? — John tomou a frente
— Está em observação numa câmara hiperbárica, mas não sei se irá ficar bem. — Disse segurando a lâmina, ainda sem olhar para eles.
— Qual o diagnostico? — Mais uma vez John se pronunciou.
— Falência de órgãos — virou-se para responder, indo até o balcão anterior para limpar os resíduos — O coração está com dificuldades por causa do choque, e pelas queimaduras fica difícil fazer análises de sangue e qualquer coisa que precise furá-lo. Ele teve 80% do corpo queimado, está difícil até identificá-lo. — Pela primeira vez olhando diretamente para o detetive ao lado de John, perguntou: — Está calado demais, Sherlock. Está tudo bem?
— Sim, claro. E porque ainda não trocou de roupa, Molly? — ele perguntou vendo o amigo loiro prestar atenção, baixando o olhar, agora vendo mais atentamente a borda do jaleco, que mostrava apenas as pernas dela, indicando roupa curta por baixo e sapatos pretos de salto alto. O que eles não viram foi o rubor que tomou o rosto pálido dela logo em seguida, já que ela se virou abruptamente.
Ela tentando parecer não estar morrendo de vergonha por dentro, e curiosidade, já que ele provavelmente seria o único a saber o que ela fez na noite anterior. Sendo que a ultima coisa que lembrava era de estar tentando seduzi-lo em algum lugar da boate que havia ido.
— O que você acha? — ela o provocou. Virando rapidamente o rosto na direção deles, e voltando ao normal, sentindo o rosto arder.
— Sherlock, não seja… — John tentou faze-lo parar.
— Não fale nada, você não se lembrou como chegou na cama de Mycroft? — falou arrogante.
— Você estava na cama do Mycroft? — John olhou abismado para a legista.
— Não contou a ele, Sherlock? — se referindo a Watson, tentando manter a atenção na surpresa do amigo do detetive, e não em si mesma.
— Você não lembra, não é? — ele sorriu de lado, se virando e saindo da sala.
— O que está acontecendo aqui?
— Não há nada acontecendo, John. Aliás, nada vai acontecer pelas próximas horas. Estou de saída. — ela disse retirando o jaleco, um pouco impaciente, guardando-o, vendo o John sair da sala intrigado.
Apesar do sábado parado, exceto pelo corpo que se transformou no caso mais misterioso dos últimos meses, Molly seguiu até o escritório de seu chefe depois de fechar o laboratório e guardar suas coisas.
— Olá, preciso fazer um pedido.
— Sente-se, por favor.
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— Onde você foi com Molly? — John questionou, quebrando silencio que estava dentro do carro, na viagem de voltar a Rua Baker.
— Em lugar algum.
— E como sabia que Molly estava dormindo com Mycroft?
— Ela não dormiu com ele, não seja idiota, Watson. Molly dormiu no quarto de hospedes dele.
— Como ela foi parar lá? Isso é estranho. Seria muito incomum ele fazer um “favor” desses para qualquer um de vocês dois, por um acaso eles se conhecem?
— É, claro. E ela estava fazendo a coisa errada, no lugar errado, no momento errado.
— Que seria?
— Chegamos. — Sherlock saiu do táxi, deixando John pagar a corrida. Entrando no 221 B.
— Me diga, estou curioso. Tem algo a ver com algum caso?
— Não exatamente. — Ele sentou-se na poltrona de sempre, no lugar costumeiro. Fitando o nada.
— Ela estava com uma roupa curta, não estava? — Watson quis saber a verdade, abordando por outro ponto. — O que quer dizer que não estava em um lugar aberto, mas também não era um ambiente formal. Pelos sapatos não muito altos, ela pode ter escolhido eles para ficar confortável. Mas era um ambiente que requereria algo mais elegante, talvez.
— Está chegando perto, e embora descubra o lugar nunca vai saber o que houve.
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— Vai abandonar o caso agora? — Molly agora estava em um dos corredores do hospital, em frente ao detetive Lestrade tentando convencê-lo que precisava sair por um tempo de Londres, e deixar seu caso atual para outro legista.
— Não irei abandonar. Eu preciso de férias, Greg! Preciso sair, me divertir. Haverá pessoas que poderão me substituir aqui. Mas nunca ninguém poderá tirar milagrosamente o estresse e o cansaço de dentro de mim.
— Tudo bem, eu entendo. Você merece.
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Era noite em Londres, por volta de uma da madrugada de uma quinta-feira, de férias, que iria nascer em algumas horas. O comodo assim como o apartamento estava totalmente escuro, todas as luzes desligadas combinavam com o ambiente obscuro do lado de fora: Uma chuva torrencial que podia ser comparado a tristeza que Molly sentia a esfriar por dentro naquele instante.
Ela havia puxado uma poltrona para perto da janela da sala. Observava as gotas caindo enquanto seu pé erguido sobre o móvel, a fazia sentir o frio que vinha pelo contato da pele com a janela de vidro, fechada, mas transparente a sua frente. Sentada ali há horas, sentia apenas um vazio ouvindo a água abafada. Seu pensamento ocupava todo o restante do corpo. Sua vida inteira foi relembrada, sua carreira, sua família, sua vida pessoal, ou quase isso. Apenas retirou aquela noite para se entregar ao nada, e ao tudo ao mesmo tempo.
Daquele pedaço recortado da realidade, distante ela via o mundo a sua volta. Alguns carros ainda transitavam, a maior parte táxis. Pouquíssimas motos e os ônibus já havia sumido há algumas horas daquela rua da cidade.
01:33 da manhã, mas Molly nem fazia ideia, seu celular estava longe e o único relógio da casa ficava na cozinha. A chuva já cedia, poucas gotas insistiam em cair. Não que dentro dela houvesse mudado algo. Nem o sono sequer decidiu aparecer. Mas o que a surpreendeu um pouco foi não estar ligando para isso, iria viajar para fora do país no dia seguinte de qualquer forma. Só gostaria de ficar naquele estado de inércia.
02:01, ouviu alguém bater a porta. Virou a cabeça na direção, estranhou não terem usado a campainha, aliás, devia ser bastante tarde para alguém estar fora de casa. No primeiro momento continuou sentada, quem sabe fossem embora. Mesmo se fosse algum conhecido, não queria falar com ninguém, e se fosse desconhecido pior ainda. Ouviu baterem uma segunda vez. Quatro toques rápidos.
— Molly. Sou eu.
Era Sherlock, reconhecia sua voz, mesmo naquele tom baixo talvez pelo horário e vizinhos. Levantou-se lentamente, ajustando o roupão de algodão vermelho longo a seu corpo, tapando a visão de sua camisola feita apenas com uma camisa polo extremamente grande masculina comprada para apenas dormir, seus cabelos soltos, enrolou-os e os colocou de lado.
— O que quer? — ela disse ao mesmo tempo que abria a porta, revelando um Sherlock Holmes totalmente molhado e com rastros de sangue por seu rosto e camisa de manga longa branca. Sua primeira reação foi abrir a boca surpresa, o vendo tomar a frente, entrando sem permissão, fechando a porta a seguir.
— O que aconteceu com você, Sherlock? — Ele então se deixou sentar no chão, ali mesmo na entrada do apartamento.
— Um caso. — ela então se abaixou a sua frente, ajoelhada, passou a mão direita pela testa do homem, tirando uma mecha de cabelo da frente de um machucado, um corte não tão profundo, mas que manchava aquela parte do rosto, fazendo parecer mais sério do que era.
— Vou pegar algumas toalhas, vá para o banheiro.
Rapidamente Molly foi até seu quarto pegar algumas toalhas limpas no armário. Levando também um outro roupão longo, igual ao seu só que preto, e uma camisa masculina igual a que vestia.
Ao chegar no banheiro percebeu a camisa suja que ele vestia já jogada sobre a pia, e o homem sentado sobre o vaso sanitário tentando tirar seus sapatos.
— Eu te ajudo. — ela disse já se ajoelhando no chão gelado do banheiro, tirando com um pouco de dificuldade os sapatos encharcados e as meias negras molhadas. Deixando ao lado. Se levantou para pegar uma caixa de primeiros socorros sob a pia. Tirou um pouco de algodão, e limpou o excesso de sujeira e sangue delicadamente, que escorria do rosto dele. Vendo assim com mais facilidade o que pode ter acontecido. Sinais de lutas, marcas roxas e alguns cortes superficiais finos. Voltou seus olhos para os dele, deixando transparecer um pouco de sua preocupação. Ouviu apenas uma palavra.
— Obrigada. — ele tentou esboçar um sorriso, mas deveria estar um pouco dolorido, pois saiu mais como um gemido.
— Você quebrou ou deslocou algo?
— Desloquei, mas está no lugar agora.
— Tudo bem. — ela fez uma careta com a resposta. Definitivamente estava doendo.
— É melhor eu tomar um banho agora. Eu pego alguns compridos para a dor.
— Sim, claro. — ela se afastou, deu uns passo para trás, se virando para pegar as toalhas, deixou nas mãos dele. Junto estava as peças de roupa.
— Eu não tenho calças que sirvam em você, mas tem um roupão ai que pode ajudar.
— Eu agradeço. — ele disse
— Precisa de ajuda com mais alguma coisa?
— Obrigado.
Ela não perguntaria nada. Era o certo a fazer. Enquanto ouvia o som de mais gemidos e do chuveiro aberto com a água caindo, rumou até a cozinha, vendo o horário, mas não observando realmente, pensava no que seria melhor para fazer para esquentá-lo.
— Café? — Perguntou ao vê-lo chegar no comodo, vestido com o roupão que permitia ver a camisa cinza por baixo. Mas o engraçado, ela notou, era o cumprimento da peça de roupa, que ficava pouco abaixo dos joelhos dele. E que na realidade estava bastante colado a seu corpo. Ela indicou a cadeira para que ele sentasse.
— Por favor. — Com dificuldades de sentar na cadeira, a viu indo de um lado para outro pegando copos e pratos.
— Esse caso — ela chamou a atenção dele para o que dizia — Era perigoso desde o inicio? Digo, você solucionou? — A resposta era bem previsível mas para tentar iniciar uma conversa, ela tentou.
— Prefiro não falar sobre isso. Mas obrigado por perguntar.
— O que houve afinal? — ela levantou um pouco a voz, parando a frente dele no outro lado da mesa. — Desculpe, é que das poucas frases que você falou, a maior parte foi me agradecendo. E eu fiquei preocupada.
— O café está pronto?
— Sim. — ele a ignorou, e ela permitiu deixar pra lá sua curiosidade.
Em silencio, Molly observou ele tomar o café, deu algumas bolachas doce que ele devorou rapidamente. Quando ele terminou, o chamou para a sala novamente. Pegando sua caixa de primeiros socorros, o fez deitar no sofá, e fez curativos no seu rosto, em alguns lugares apenas passou pomada cicatrizante. No ombro esquerdo foi o pior, um corte um pouco mais profundo que os outros, precisaria de alguns pontos e ela o advertiu.
— Porque está tão calado?
— Eu sou assim, Molly Hooper.
— Isso não é seu normal, Sherlock Holmes. — ela falou séria, sentando na beira do sofá, vendo ele a acompanhar. Lado a lado, ele manteve o olhar para longe, viu a cadeira perto da janela e algumas marcas de dedo sobre o vidro embaçado da janela.
— Você foi a primeira a quem recorri. — ele a fitou diretamente nos olhos, ela manteve o olhar, mesmo tendo vontade de tirar dos dele por vergonha. Era o efeito Sherlock, no fundo sentia algo além da amizade, uma queda, uma profunda queda, e aquelas palavras não ajudavam a amenizar sentimentos decididamente enterrados no passado, sempre restaria alguma fagulha.
— Eu não sei o que isso significa. Desculpe. — Foi o que ela pode responder em meio a própria confusão.
— Você estava mais perto de onde eu estava. — ele mudou de postura rapidamente, como se lembrasse de algo. — Obrigado, Hooper. Acho que agora eu posso ir. Obrigado por me ajudar.
— Certo. — ela respondeu, se levantando e absorvendo as palavras dele, de quem não se importava ou gostava minimamente dela da mesma forma que ela gostava dele.
Um dia depois, de malas prontas, passaporte em mãos, e avião a espera. Era o primeiro passo de uma grande jornada em busca do real prazer da vida, em vida. Com roupas novas, escolhidas a dedo de acordo com pesquisas na internet, deslumbrante não pela calça jeans apertada e escura combinando com a blusa verde clara que demarcava sua silhueta, mas deslumbrante por sua postura alegre e cheia de esperança.
— Senhores passageiros, bem vindos a bordo.
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