Agent Hooper
9 Capítulo 8 (Three)
HORAS ANTES, NAQUELE MESMO DIA
O relógio digital marcava 6:11 da manhã, Molly sentia a cabeça latejar, mas precisava sair dali o quanto antes. Segurando bem em seu roupão, certificou-se que estava fechado, levantou da cama, percebendo Sherlock deitado no sofá, em frente a cama. Provavelmente ele arrastou o móvel para aquele lugar, as marcas sobre o vomito no chão o delatavam.
A noite anterior havia sido difícil. Ao tentar sair dali, tudo o que lembrava era de momentos antes de sair para a festa, em que deixou o cartão dentro de sua bolsa, na mesa de centro da recepção do hotel.
“Maravilhoso, Molly Hooper” ela falava mentalmente se recriminando pelo erro ao mesmo tempo que conseguiu abrir a porta sem que o amigo acordasse, mas foi só uma impressão. Ele notou quando ela saiu, mas preferiu permanecer quieto.
Apesar de cedo, ela enfrentou ser avistada por alguns funcionários e pouquíssimos hospedes do hotel enquanto procurava na recepção os pertences perdidos. Rapidamente os encontrou, indo até seu quarto e se arrumando o quanto antes. Sua situação era deplorável.
Após tomar um banho demorado, vestir-se confortavelmente com uma calça clara leve e um blusão preto, pediu o desjejum por telefone, e ouviu a campainha tocar.
— Senhorita Woodhouse? — Ela abriu a porta se espantando com Mycroft Holmes a sua espera, com o carrinho com comidas e ao longe, no corredor, via uma moça guardando algo no bolso do uniforme do hotel.
— Bom dia, Mike. — ela deu um passo atrás para que ele passasse com o carrinho.
— Eu perguntaria como você está, mas o estado daquele roupão pendurado em sua cama e sua cara já me dizem.
— Não seja um hipócrita. — ela dizia ao fechar a porta. Virando para ele, já sentado sobre a cama, mexendo entre as comidas do pedido dela.
— Ninguém sabe que você estava comigo, não se preocupe.
— E todo mundo acha que eu estava me divertindo… — ela terminou a frase enfadada. Pegando um prato com bolo de chocolate extremamente confeitado continuou a falar, já sentada ao lado dele. — Estou cansada disso, Mycroft. Quero voltar a ser apenas eu.
— Você sabe que essa missão é importante. Não contei nem ao Sherlock sobre seu atual trabalho para o governo.
— Ele não precisa saber disso. Mas acredita que ontem ele me disse que eu estava virando uma pessoa que não era? Que estava acabando com minha vida.
O Holmes mais velho sorriu quando a ouviu falar daquela forma, percebendo que ela não estava muito feliz com aquilo. Mudou sua feição, sério falou:
— Acho que estamos perto de pegá-lo, logo voltará a ser apenas Molly Hooper.
— Quando falei ontem para seu irmão sobre eu ter mudado, eu não estava mentindo. Eu jamais serei a mesma depois de tudo o que vivi. E a culpa é sua. — ela soltou um riso baixo. Voltando para seu desjejum, ficando por algum tempo na companhia de Mycroft.
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TEMPO ATUAL
Sherlock estava totalmente embriagado, seu andar denunciava assim como sua forma de falar e seu cheiro. Mas no meio daquela festa, saindo do bar, ninguém via muita diferença entre ele e os outros que estavam naquela área do hotel aquela hora da noite.
Sabe se lá o que tomou, mas estava sentindo ligeiramente mais chateado com a vida. Queria que a bebida funcionasse nele como funcionava para os outros, como se bebida pudesse deixá-lo sentir-se alegre ao menos um pouco. Pelo contrário, o que sentia era raiva.
Não fazia o tipo, mas há dias vinha sonhando com Molly Hooper, e não era sonhos comuns para ele. Nele, os dois pareciam outras pessoas. Nos sonhos ele podia fazer o que quisesse com ela. E isso o deixava inquieto, pois isso não lhe era comum. Mas nos últimos dias a via diferente, ela parecia diferente, estava decidida a fazer o que queria da vida, diferente de Sherlock que não aceitava esse tipo de coisa, apenas as mais importantes. Sempre.
Raiva, vontade de brigar com ela, discutir, como ela conseguia e ele não? O que ela, uma mulher antes sem atrativos estava fazendo com a cabeça dele? Porque ele não conseguia deixar de lado sua vida séria só um pouco? Afinal, porque ele um autodenominado “Sociopata altamente funcional”, que queria mudança? Isso era culpa dela! Sabia que não fazia muito sentido, só que sua vontade era questionar. Questionar mais o mundo e todos. Era só atração. Apenas atração.
Se dirigiu pelo elevador até o quarto 326. Dane-se tudo.
— Sherlock? — Molly Hooper atendia a porta com um roupão cinza com logo do hotel. Seu rosto denunciava que estava chorando, mas no grau de embriaguez que Sherlock estava, ele nem percebeu. Apenas se jogou, raivoso a frente de Molly, olhando fixamente seu olhos, falando num tom alto.
— Porque você fez isso comigo? Me diz, Molly Hooper — falando devagar o nome da moça.
— Me deixa em paz, Sherlock, você está completamente bêbado!
— Não, não saio daqui até me dizer como você consegue.
— Consigo o que? Sherlock, você está fedendo, é melhor tomar um banho e amanhã conversamos.
— Não, não, não! Quero você agora. — ele disse convicto, vendo a expressão de dúvida dela. Se corrigindo muito mal em seguida — Quero dizer, Quero que você responda.
— Responder o que? Vamos eu te levo para seu quarto. — ela disse entrando no quarto dela, pegando um sapato, ia de roupão mesmo, o quarto ficava ali ao lado. Mas antes de sair, viu Sherlock fechando a porta atrás de si. Deixando o quarto totalmente escuro, pela fresta de luz vinda debaixo da porta, ela via o contorno da perna dele, envolta nos panos da calça social escura, ela acendeu um abajur, indo depois na direção dele, ainda em frente a porta, mas para tentar abri-la. O que ele não permitiu.
— Você não sai daqui.
— Porque diabos você está fazendo isso, Sherlock. Eu já estou ficando com chateada.
— Lembra o que você fez comigo, Molly Hooper? — ele disse dando um passo a frente, deixando a cabeça ficar na direção da jovem mulher. Fazendo ela recuar. Indo mais atrás com as lembranças de horas atrás.
“O fitou, viu a surpresa passar pelo olhar de Sherlock quando sentou sobre suas coxas, segurando firme em seus ombros, recitou a letra da música, notando como ele não tirava os olhos de seus lábios.”
— Sherlock, o que pretende fazer comigo?
— Você lembra, não lembra?
“Ela começou a se mover sobre ele, a princípio lentamente, porém, ganhando força e rapidez de acordo com seu próprio prazer. no ritmo de Marvin Gaye, o provocou. O provocou mesmo.
Ele não resistiu, [...] a parte mais quente de seu corpo era aquela que estava em pleno contato com ela. [...] Deixou um gemido rouco escapar e fechou seus olhos, sentindo o puro êxtase ao guiá-la de forma certeira.
— Sim. — ela confessou falando baixinho, dando mais um passo atrás, sentindo a beirada da cama na parte anterior da sua perna. — Mas o que vai fazer comigo? — ela disse temerosa com o que poderia acontecer, dando mais um passo atrás, arfando quando caiu sentada sobre a cama, e ele ergue-se sobre ela no móvel, fazendo-a olhar. — Com uma voz grave e extremamente sexy, ele disse perto do seu ouvido.
— Molly, Molly. Você não era assim, medrosa.
Ela não sentia exatamente medo, estava excitada, seu interior quente, ele parecia com raiva e querendo cobrar algo, talvez estivesse com medo do que ele faria, mas torcia, pela posição em que estavam, que ele a beijasse, que colocasse aquelas mãos grandes em todo seu corpo, que a boca convidativa e delineada dele experimentasse sua pele. Era o que queria fazer com ele. Isso e muito mais, mas tão intimidador como estava, não ousava se mexer. Apenas sentia a respiração dele sobre si. Ela não se alterou nem quando ele se baixou um pouco mais, se apoiando nos antebraços, quebrando mais o espaço entre eles, sentindo ela respirar forte ao fechar os olhos sentindo ele aproximar o rosto do pescoço dela.
— Aposto que você quer me beijar.
— Acertou. — ela confessou abrindo os olhos lentamente, sentindo o corpo arrepiar com o toque da ponta do nariz frio dele sobre a pele quente do pescoço. — O que quer de mim?
— Eu não sei — ela o ouviu e viu ele na direção de seu rosto, ficar pensativo após dar esta resposta, vagando o olhar pelos detalhes do rosto dela, mas fixando nos olhos dela e dizendo. — Eu realmente não sei.
— E se fizer o que eu quero, Isso ajudaria a saber? — provocativa, ela ergueu uma das sobrancelhas, mordendo o lábio.
— É uma proposta a se pensar.
— Talvez ela não esteja sempre disponível.
— Agora está?
— Sim, meu caro Holmes. — ela tocou com a ponta dos dedos direitos os lábios de Sherlock.
— E você, o que quer?
— Responder perguntas. — ela ficou em silencio por um tempo, vendo ele trocar o peso entre os braços, alternando-os. E após alguns segundos, falou:
— Eu quis provocar você porque eu queria que você sentisse um pouco do que eu sinto quando está perto assim e não posso tocá-lo. Queria que pagasse um pouco pelo que me fez passar, me desejando e não sendo correspondido.
Quando ela falou, ele sentiu tentado a olhar para seus lábios avermelhados pelo batom que não saíra totalmente, pelas palavras se sentiu tentado a xingá-la por faze-lo ficar de uma certa forma, e se sentiu traído pelos próprios instintos quando a beijou.
Seus lábios tocaram os dela, mais macios do que pareciam ser, pareceram do tamanho ideal quando estavam colados. Logo deram permissão ao outro para que aproveitassem mais o momento, colaram o corpo um ao outro, não reprimindo as mãos.
Todos os seus sentidos intercalados, foram cortados no momento em que bateram a porta, e um John Watson calmamente chamava do outro lado.
— Molly, está ai? Por favor, abra.
— John? — Molly exasperada levantou-se, ajustando o roupão, olhando para Sherlock agora jogado na cama com o rosto e principalmente a boca vermelha. A cena deixou seu interior um pouco mais quente, no entanto, teve que abrir a porta, pela urgência na voz de Watson. Dando pouco espaço para que ele visse o quarto, mais exatamente, Sherlock sobre a cama.
— Desculpe te acordar, é que Mycroft está chamando você e Sherlock urgentemente, mas eu não sei onde ele está. Vou enviar uma mensagem pra ele. — ele disse já pegando o celular.
— Eu sei onde ele está, não se preocupe. — Ela falou sendo cortada e ficando mais nervosa quando ouviu-se um bip no quarto. Sorrindo amarelo, viu o amigo de Sherlock curioso abrir mais a porta, pegando o amigo com um sorriso nos lábios esparramado sobre a cama do apartamento.
— O que você está… O que vocês estavam… ai, meu Deus. — Abismado ele falou, ao mesmo tempo que Mycroft Holmes impecável em suas vestes, as duas da manhã entrava na quarto de porta entreaberta.
— Porque essa demora? Quero que analisem a cena de crime.
— Tem a ver com nosso caso? — Sherlock perguntou enquanto se levantava da cama, na direção do banheiro para jogar um pouco de água em seu rosto.
— O que está fazendo ai? — Mycroft perguntou assustado, tendo John Watson concordando com ele, com a mesma feição de questionamento.
— Não importa. Onde fica a cena do crime?
— Molly, pode me explicar? — Mycroft perguntou olhando para ela, que apenas abaixou a cabeça, mordendo os lábios.
— Porque ela lhe deve explicações? — Sherlock questionou.
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MADRUGADA ANTERIOR
Talvez não devesse ter falado daquela maneira com ela. Agora ela dormia na cama, quieta, como a antiga Molly. Sherlock não gostava de mudanças, demorou a perceber que Molly contava, agora percebia que além de contar, ele sentia falta dela.
Puxou o sofá, para mais perto da cama, xingando mentalmente a nova Molly por ter deixado o chão sujo, depois de vagar pelas lembranças de cada vez que ela o ajudou, tentou tirá-la da cabeça, mas não havia como.
Fechou a aba do navegador do celular com o título “demissexual”, uma busca sem sentido da primeira palavra aleatória que lhe veio a mente depois do nome Molly. Ele nunca a ouviu, a viu, achava que ela era uma indefesa e solitária mulher, talvez estivesse certo pela metade. Nos últimos dias viu alguém que não conhecia. Um lado novo, definitivamente não parecia a mesma pessoa.
Será que haviam trocado ela? Não, essa hipótese era impossível. Eram apenas palpites, mas mais do que ele podia ver. Deixando se levar pelas memórias, entrou no seu palácio mental.
Ela era boa, Molly era boa, humana, parecia insegura mas não era fraca, não desistia fácil de nada, obstinada, essa era a palavra. Sem dúvida tinha um coração enorme e havia dado ele de presente para a única pessoa no mundo que não devia.
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— Eu não devo explicações a ninguém. — Molly falou decidida, andando até o closet, pegando um sobretudo leve, olhando de volta para os outros homens que haviam ficado calados. — Vão ficar ai parados?
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