Agent Hooper
10 Capítulo 9 (Fever)
Notas iniciais
QUASE DOIS MESES ATRÁS
— Não aguento mais!
— Vamos, só mais um pouco, Molly. Você aguenta.
— Não sei se posso suportar isso um pouco mais, Mycroft.
— Pense no resultado.
Mycroft Holmes estava com Molly Hooper em um centro de treinamento para agentes federais em Cardiff. Ele a ajudava pessoalmente com aulas de defesa pessoal. Desde o dia que foi sequestrada após sair para o trabalho, sentia medo de sair nas ruas, até mesmo de ficar em casa. O mandante do sequestro estava à solta e ela sabia disso.
James Moriarty estava vivo, bem vivo, e iria voltar para cobrar de Molly um favor. Por isso ela precisava aprender a se defender.
No dia do sequestro, conseguiu fugir do capanga de Jim, mas bem sabia que fugir de Moriarty seria difícil. Por isso fez de tudo para parecer interessada romanticamente em Mycroft, e quando na primeira vez ficaram a sós, num lugar aparentemente seguro, ela contou o que Jim disse a ela.
“Quero que você seduza um dos irmãos Holmes. Onde um for, o outro vai trás mesmo, então, leve um para longe, deixe-os bem entretidos enquanto eu armo a tenda para o show.”
— Porque você? — Foi a primeira pergunta que o Holmes mais velho lhe fez após ouvir a confissão.
— Provavelmente ele ache que agora eu conte. Como ele mesmo disse.
— Entendo. Mas se não fizesse isso, o que acontece?
— Ele é louco, Mycroft. Por isso eu decidi contar a você. Não sei o que fazer. Eu estou com medo por mim, por …, principalmente por mim.
Foi difícil convencer Mycroft a sair com ela, mas Molly conseguiu depois de muito insistir e levar foras. Precisava ficar sozinha com ele para poder contar o que aconteceu no dia do sequestro. Mas pareciam que os irmãos Holmes eram idênticos no jeito. Na primeira chance, revelou tudo. Pelo que ouviu, seu jeito não era o mais simpático, mas ele era esperto. E o único conhecido que sabia do sequestro. Tinha medo de envolver outras pessoas. Pela primeira vez lhe contava sobre a proposta de Jim Moriarty.
— Eu sei o que fazer — Ele disse sério. Levantando-se da sua cadeira na cozinha do apartamento de Molly. A vendo tentando acompanhá-lo, fez sinal para que sentasse novamente, que obedientemente fez — Deixe ele pensar que seu plano está indo como quer. Vamos sair da cidade, vamos levar Sherlock — Altivamente olhou para a mulher, vestida numa simples calça jeans, uma bonita blusa vermelha ligeiramente decotada com detalhes em suas bordas, ajustada a silhueta. Combinando com o tom castanho escuro do cabelo em trança lateral — Enquanto isso, colocarei uma equipe vigiando você, e o Ulísses Lucania, o homem que a sequestrou. Caso ele entre em contato com o chefe, saberemos.
— Fico mais tranquila — nervosa, ela se levantou, ficando frente à frente com Mycroft, sussurrando — Mas e a parte que devo seduzir você?
— Nós ficaremos mais tempo juntos, se é o que quer dizer. De qualquer forma, você precisa aprender a se defender. Eu tratarei disso pessoalmente.
— Ok. Mas vamos contar isso a Sherlock?
— Não, não agora. Vamos nos ocupar em tirá-lo daqui, mas só quando você estiver treinada. É a única que pode ter algum contato com Moriarty, quero você viva.
— Muito obrigada, eu acho. — ela disse, insegura dos rumos que seriam tomados a partir das decisões tomadas pelo Holmes mais velho.
Eles conversaram mais um pouco, agendando os encontros e as saídas para treino. Exatamente o que faziam em Cardiff.
— Preciso realmente de uma pausa, Mike. Meu ombro está doendo.
— Está bem.- disse, relutante. – Descanse.
Com as roupas e equipamento adequadas para o treino de tiro, eles estavam há quatro semanas escondidos. Supostamente de férias, Molly aproveitava o tempo livre no hotel para festas e exposições de arte, como uma turista sob o nome de Fanny Price. Era como viver na pele de outra pessoa. Ainda contida, aprendia dia após dia com seu treinamento com agentes especializados para as mais diversas situações. Aos fins de semana, encontrava-se com Mycroft todas as noites abertamente, e de dia secretamente treinavam.
Diariamente mantinha contato com o Holmes: ligações, mensagens, dentro do contexto de um casal, eles mantinham a fachada. A verdade, é que agora ele era o mais perto de um amigo que ela possuía.
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— Chegamos.
Mycroft mostrava a cena de crime, um galpão aberto nas laterais, coberto apenas por cima, onde haviam muitos corredores de tonéis de diesel. Parecia ser o local de armazenamento de combustíveis para os geradores de energia do hotel.
O local estava fechado. Havia um homem sem identificação na entrada, para não chamar atenção, que os deixou entrarem. Em uma das extremidades do galpão retangular, havia uma manta espessa. Todos podiam vê-la ao longe, graças a sua cor avermelhada.
— Parece que alguém esteve aqui, mas isso não é um corpo — John falou novamente.
— Isto aqui é o corpo — Sherlock reparou que a manta possuía partes dobradas, e em uma das dobras havia alguns pequenos insetos — Larvas. Chame um entomologista.
— Isso mesmo, Sherlock, que bom que encontrou — Mycroft disse se mostrando um pouco irônico. Virando para Molly sem entender o que estava acontecendo. Voltando o olhar novamente para o irmão — O que mais pode dizer?
— Pela forma da manta não posso afirmar muita coisa, ela pode ter sido mudada de lugar, apesar de algumas partes dela não parecem ter sido movidas há algum tempo. Eu diria que... — Ele levantou o pano, olhando o solo abaixo dele — Alguém dormiu aqui algumas vezes. Esteve um bom tempo deitado; pelas marcas, magro, então não posso afirmar pela pressão. Mas, por isso aqui — ele apontou para um espelho enterrado ao lado de um tonel, com uma pequena ponta para fora. — sei que, quem quer que fosse, estava esperando a hora de usar. Provavelmente mulher, homens não costumam andar com espelhos, já que aqui — andou três metros para a esquerda, apontando outras marcas no chão e no lado de um barril — caíram objetos da bolsa de uma mulher. Estão vendo esse pó? Parece de sombra ou qualquer outro cosmético do tipo.
— Então a mulher teve a bolsa jogada no chão — Molly concluiu. Vendo o Holmes mais velho a censurar com o olhar.
— Como sabe que foi jogada? — John perguntou.
— Ah, pelo arranhado no barril. — ela disse, temerosa por mostrar aos outros que entendia o raciocínio, mas ao mesmo tempo não dando a miníma. Prosseguiu. — Era algo duro, mas não tanto, porque quebrou, deixando cair o pó, quem sabe até outras coisas. Mas tudo foi retirado. Não vejo sinal de bolsa, mas o espelho da maquiagem ficou. E é do mesmo formato do o espelho quebrado que estava perto dela.
— Algo mais? — Mycroft perguntou.
— Ela deve estar morta agora, porque esse tipo de larva não aparece em vivos, obviamente. — Sherlock prosseguiu de forma pretensiosa. — Logo, procuramos uma moça magra, jovem, e provavelmente de cabelos louro-escuro desaparecida há pelo menos dois dias.
O detetive pegou um fio de cabelo, que antes não foi visto entre o pano grosso vermelho, mostrando para os outros que o acompanhavam calados.
— Verei o que faço. Fiquem a vontade para voltar a seus quartos. Me encarrego a partir daqui.
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UM MÊS ATRÁS
— O que fez no cabelo? — Mycroft disse, ao sentar sorridente à mesa em um restaurante em Cardiff.
— Gostou? Disseram que combinaria comigo — também sorriu ao ouvi-lo sendo meigo.
— Você ficou muito mais bonita, querida.
— Obrigada, Mike. Você precisa ver também algumas roupas que comprei — Ela arqueou as sobrancelhas, com um sorriso de lado. Qualquer um veria malícia naquelas palavras.
— Eu adoraria — ele disse cortesmente, não revelando muita animação.
— Poderia se animar um pouco mais. Você vai aprender a amar rendas e transparência.
— Já imagino a conta do cartão de crédito — ele falou rabugento, lembrando o verdadeiro Mycroft impassível, fazendo-a rir alto.
— Me desculpa, Mycroft. Mas você vai se arrepender das suas palavras terem sido essas.
— Querem fazer o pedido agora? — um garçom se aproximou da mesa com um bloco de anotações e uma caneta, executando seu trabalho prontamente. E logo trazendo o jantar do casal diferente, a mulher nova, ousada e bonita e o velho carrancudo.
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— Conseguimos uma pista de Lucania. — Mycroft dizia, depois de fechar a porta do quarto do hotel onde Molly estava hospedada.
— Finalmente! Onde ele está? — Ela tirava o casaco enquanto perguntava, ajudando o amigo a pendurar o dele em um lugar apropriado no canto do quarto bege. Ele foi até até a janela, fechando a cortina, em seguida o blackout.
— O lugar exato não sabemos, mas segundo alguns relatórios, Ulísses Lucania costumava fazer negócios com um empresário italiano que irá fazer o lançamento de um produto daqui a um mês em uma ilha na América central.
— E o que vão fazer?
— Por algum agente para conseguir informações e nos aproximarmos dele.
— Me ponha no caso.
— O quê? É claro que não. Sem chance.
— Eu quero ajudar, tenho treinamento, Mycroft!
— Um mês de treinamento e quer ir direto para uma missão? Nem conseguir seduzir alguém você conseguiria — Completamente irritada, ela respondeu tentando manter a calma, após respirar fundo:
— São só informações, não é uma missão para matar alguém. E aposto que posso conseguir o que quiser.
Molly caminhou até o mini bar do quarto, enquanto Mycroft sentava em um divã branco em frente à cama. Um silêncio confortável se estabeleceu no lugar. Ele sequer percebeu o sorriso diabólico que ela ostentava, apenas a viu trazendo um copo de vidro e uma garrafa de uísque. De joelhos no chão à sua frente, encheu-lhe o copo. viu-o sorver o líquido, sem tirar os olhos dele, percebendo com estranhamento a situação.
Sorriu meigamente ao se apoiar, com um braço no chão, mais atrás. Antes deixando a garrafa ao lado. Com a mão livre soltou os cabelos, balançando um pouco as ondas vermelhas, chamando mais a atenção dele.
— O que você…
Mycroft ia perguntar algo. O que quer que fosse, essas palavras foram trocadas por um suspiro, quando Molly tocou com a ponta dos dedos a pele dele perto dos pés, no vão entre o sapato e sua calça social. A quentura de sua pele contra o toque gelado o fez suspirar mais uma vez. Entretanto, ele ficou realmente mudo, quando o pé direito da mulher a sua frente, com um sorriso sensual, traçou um caminho perverso sobre sua calça até sua coxa.
— Quer um pouco mais de bebida? — ela sussurrou.
Ele balançou a cabeça afirmativamente pensando que a postura dela iria mudar. Ledo engano, ela de joelhos novamente, ergueu a garrafa, antes bebendo um pouco do líquido transparente direto da garrafa, deixando-o estarrecido, porém estático.
De olhos vidrados na gota que escorreu pela boca dela, aparou com o dedo indicador ao longo do caminho, sentindo a mão pequena de Molly segurar seu pulso para logo em seguida, a sentir sugar a ponta do dedo. Espontaneamente, o olhar de Mycroft endureceu, não que estivesse com raiva, muito pelo contrário, ele gostava daquilo.
Por isso nem a viu derramar um pouco da bebida sobre sua roupa, na direção do abdômen. Como boa moça que era, Molly tratou logo de ajudar, suas mãos pequenas e rápidas logo cuidaram de tentar limpar o local com bastante contato. Fazendo-o arfar.
— Não precisa, Molly.
Ele dizia com dificuldade, e mal a escutou pedir desculpas com a expressão mais cínica do mundo. Tudo se resumia aos toques. Estes sendo bem caprichados pela palma da mão dela, que limpava o excesso de uísque sobre a roupa. Tocando próximo, muito próximo a áreas mais sensíveis do Holmes.
Sentiu uma mão parada sobre sua intimidade, e gemeu, mas as sensações não paravam. Mesmo quando a mão saiu dali, e pousou sobre seu braço direito. Sentando de lado sobre ele, Molly, aproximou seu rosto, sentindo já indícios da excitação de Mycroft fisicamente abaixo de si. Ela depositou um beijo na lateral de seu pescoço, vendo os pequenos pelos do local se eriçarem, e sentindo a mão dele, possessiva em sua cintura, a rodeando. Deu um sorriso torto, aproximou sua boca da dele, mas antes de se tocarem, falou:
— Viu como posso ser uma mulher sedutora e manipuladora como as outras agentes? — Sussurrou, e ele bufou quando percebeu que ela havia feito tudo aquilo apenas para refutar seu insulto — Agora com licença.
— Eu não acredito que fez isso — ele se levantou com ela, e a colocando sobre a cama nada delicadamente, deixando-a lá enquanto ia para o banheiro.
— Me desculpe — Foi o que ele ouviu quando fechou a porta.
— Você não pode ir para essa missão. Onde está seu senso de perigo?
O homem voltou muitos minutos depois com uma toalha envolta do pescoço e um roupão no corpo. A vendo deitada na cama com um celular nas mãos, deitou ao seu lado, ambos de barriga para cima, ficaram calados, até que ela virasse para ele.
— Eu já sei muita coisa, Mike — ela se aproximou do ouvido dele — Quero por em pratica tudo o que aprendi. E eu posso reconhecer esse homem. Ninguém esteve tão perto dele quanto eu.
— Você foi sequestrada, aprendeu a se defender em um mês e acha que isso é o suficiente para te expor?
— Olha onde estamos, Mike. Temos que fingir há muito tempo que estamos juntos, que somos amantes, tudo porque há alguém nos vigiando. E eu sei que há alguém nos vigiando nesse momento e estou aqui agindo como uma boa namorada, caso eles tenham sensores de calor e movimento — Ela pôs as mãos no cabelo dele, fazendo carinho, o vendo fechar os olhos — Podíamos parar com isso e prender Lucania de uma vez.
— Quando ele voltar a deixar o rastro dele, nós entramos em jogo. Não se apresse, serviços de proteção são bem piores que isso aqui. E se estamos indo lentamente, é porque precisamos de tempo para deixá-la segura e prender Moriarty.
— Então me mande para ajudar algum agente, estou completamente entendiada aqui. Perdi minhas férias no serviço de proteção, Holmes. Preciso de um pouco de tranquilidade novamente, mas enquanto não tenho, me contento com a emoção de ser caçada.
Ela se levantou na cama, colocando um joelho de cada lado do amigo, retirando a toalha que estava no pescoço dele. Beijando o local, um lado de cada vez. Sorrindo puramente. Depositou também um beijo rápido em sua boca, saindo da cama em seguida, sendo seguido pelo olhar dele até entrar no banheiro. Tomou um banho rápido e deitou na cama de volta, vendo Mycroft já dormindo tranquilamente. Deitou a seu lado, o cobrindo com o lençol, e a si própria. Deitou sobre o peito dele, segurando sua mão.
Beijou o topo do peito dele, ainda o vendo de olhos fechados. O ouvindo resmungar baixinho:
— Isso eles não captam do sistema de vigilância.
— Obrigada por tentar me proteger.
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