Agent Hooper
13 Capítulo 12 (Oops!...)
Notas iniciais
— Natalie estava em um hotel no litoral de uma cidade da América do sul. Se o ex-namorado tinha acesso ao blog, talvez tenha ido ao encontro dela — o detetive disse — Hotel Vila Arliza do Cabo — completou.
— Certo, Sherlock. Quem quer que estivesse com ela, poderia ter sido notado. Eu descobrirei o nome dele e passarei a Watson para que verifique se está hospedado aqui — Mycroft desligou a chamada do irmão que ainda estava no quarto de Molly.
Recebeu uma mensagem logo em seguida.
“Procure por Lucania. Ele é o nosso namorado.
MH.”
— O que está fazendo? — Sherlock perguntou, tirando a atenção de Molly do celular em que digitava algo.
— Só uma pesquisa sobre a desaparecida — ela o olhou, sorrindo sutilmente.
— E o que achou?
— Nada demais. Natalie Davis era tão bonita quanto discreta.
— Como você antigamente — ele disse num tom mais baixo. Molly não teve certeza das palavras e perguntou:
— Como?
— Nada — respondeu ao olha-lá de relance.
— Ah. Certo- Sorriu singelamente mais uma vez, estranhando toda a situação — E o que fazemos agora?
— Você nada — falou, decidindo as ações dos outros, como sempre — Fique aqui. Não sei que relação isso tem com o agente morto, mas caso alguém ligue você a investigação, seria um ponto fraco. É mais seguro aqui.
— O quê? — ela riu, descrente do fato em que ele estava falando sério, ao achá-la pouco capaz de se defender. Sua vontade era revidar, responder à mesma altura. Mas não podia, não iria — Tudo bem. Eu sou incapaz mesmo de me defender caso algo aconteça. Você é o único que pode me proteger, não é? — Ela se aproximou, transbordando cinismo nas suas palavras, depositando um beijo na lateral do rosto de Sherlock. Sem olhá-lo nos olhos, dirigiu-se até a porta, abrindo e dando espaço para que ele saísse. Sorridente ficou, até vê-lo passar pelo local, deixando-o. Soltou um xingamento ao trancar a porta. “Idiota.”
Ia levar o conselho do Holmes mais novo a sério, guardando ele dentro de sua mala, e deixando lá enquanto saísse para investigar. Parada, Molly não ficaria.
~~
— Precisamos conversar — Sherlock falou sério, na direção do irmão, enquanto entrava pela porta do grande apartamento, agora transformado em sala de operações do governo.
— Que seja, Sherlock. Eu tenho um nome, preciso que você e Watson deem uma volta pelo hotel — ordenou — Estávamos esperando por você.
— Quem é? — A curiosidade do mais novo falou mais alto.
— Se chama Ulísses Lucania — John começou, se levantando da poltrona em que estava, sentado com um notebook sobre o colo. Mostrou a foto que pesquisou na internet — Ele namorava Natalie Davis e foram vistos pela última vez no hotel Vila Arliza. No fim de sua estadia, foram vistos brigando em um dos chalés. Pelos arquivos que Mycroft conseguiu, Lucania está envolvido com o La cosa nostra, a máfia americana da década de 20. Parece que cuida dos negócios de família agora, e é bisneto de Salvatore Lucania.
— O Lucky — Sherlock falou tomando nota no que se envolvia.
— Exato. E talvez Natalie tenha descoberto — John completou.
— Descobri com Molly que Lucania estava fotografando para uma agência de modelos — Sherlock falou ao amigo, sendo observado pelo irmão sem expressão do outro lado da sala de máquinas. Sem quebrar a sessão de perguntas e respostas com Watson.
— Descobriu o nome? — Watson perguntou.
— Agencia Unione. Fiz umas pesquisas no caminho. Adivinha quem entrou na agência em menos de um ano e já comandava as modelos mais novas, inclusive participando das reuniões da Comissão de direção? — falou.
— Quem? — John perguntou, interessado.
— Desde que Lucania conheceu Natalie Davis, ela teve uma alavancada na carreira dentro da empresa. Provavelmente por causa do namorado, que apesar de ser fotografo, é acionista da Unione. As datas estão no blog, e coincidem. Mas não tenho tempo para mostrar à vocês — disse, gesticulando e falando rápido — Acontece que amanhã às dez da manhã, neste hotel, irá acontecer uma grande mostra da Agencia Unione. Com peças de uma grife em que um dos acionistas foi revelado há pouco tempo como contratante dos serviços de Moriarty. Ele saiu da empresa após ser preso, mas o filho mais velho tomou o lugar do pai, e amanhã será oficialmente empossado como presidente — De uma vez só Sherlock deu todas as informações, vendo John surpreso pelo rumo que estava tomando a investigação. Já da parte do irmão, viu Mycroft engolir seco ao falar que amanhã Lucania poderia estar no hotel.
— Precisamos pegar Lucania hoje. Ligar ele ao desaparecimento da modelo e prendê-lo antes que possa fazer qualquer coisa amanhã — Rapidamente o Holmes mais velho disse, já pegando seu celular, procurando um número na agenda.
— Só tem um problema — seu irmão disse.
— Qual? — Mycroft voltou sua atenção para ele.
— Ele não está aqui. Não Ulísses Lucania. Provavelmente está usando outro nome, e pelo histórico, não duvido que tenha sido ele o responsável pelo desaparecimento da modelo.
— Não duvido também. — Mycroft saiu do quarto, já ligando para alguém.
— Ele não quer contar algo. — John falou para o melhor amigo.
— Percebi.
— E porque não falou nada? Isso não é típico seu.
— Tem a ver com Molly.
— Tem?
— É, claro, Watson, não percebeu como eles andam juntos agora? Ou como ela está mudada?
— Juntos eu não sei, mas eles parecem mais íntimos que antes.
Sherlock confirmou com a cabeça, olhando fixamente para a imagem de Lucania no computador sobre a cama do quarto, após entrar no blog da modelo.
— Ele não me é estranho. — Ele disse após alguns segundos observando. — Eu nunca esqueço um rosto, preciso lembrar.
— Melhor lembrar logo, acharam o corpo. — John falou já mostrando a mensagem no seu celular para o amigo, o remetente era Mycroft.
Rápido eles se dirigiram até o local da mensagem. A parte mais deserta e distante da praia nas dependências do hotel. Logo que chegaram, avistaram um prédio de três andares próximo da área, era quase três horas da manhã, a lua crescente num ponto mais baixo do céu era a única coisa que iluminava o lugar, refletindo na maré cheia, na praia, a luz vinha apenas das lanternas de mão dos detetives e um guarda-costas de Mycroft, acompanhado do chefe.
— Quem achou o corpo dela? — Sherlock perguntou enquanto se abaixava, tentando não molhar a calça que vestia. Observou mais de perto, e o irmão calado, não respondia a pergunta. — Um nome, Mycroft!
— Alguém encontrou ela aqui, e notificou a recepção.
— Já que é normal alguém andar as três da manhã por uma área inóspita e alagada, por que não perguntou ao menos o nome?
— Foi Molly Hooper.
— O que? — Os detetives exclamaram quase ao mesmo tempo.
— O que ela estava fazendo aqui? Eu a mandei ficar no quarto. Espera! Não me diga que ela está realmente envolvida investigação. Eu não acredito que fez isso, seu estúpido. O que fez com ela? — ele agarrou o braço do irmão. O fazendo parar de andar.
— Não deveria subestimá-la. — ele falou simplesmente, ignorando toda o excesso do irmão e retirando o braço do aperto das mãos de Sherlock.
— Mas isso é muito perigoso para um civil, eu não vejo sentindo em tudo isso, Mycroft. — Foi a vez de John se manifestar.
— É claro que há mais do que vocês sabem. Ela está acompanhada agora. Não há por que temer. Analisem o corpo de uma vez, antes que a maré aumente e leve ela daqui.
Sherlock ainda fitava sério o mais velho, sem dizer nada, o olhava como se quisesse arrancar sua alma. O amigo que tomou a frente:
— Escoriações nos pulsos e tornozelos, ela foi amarrada antes de ser desovada aqui. — John falava um pouco mais alto por conta do barulho das ondas e do vento forte.
— Ela não foi deixada. — Sherlock voltou seu olhar para o corpo mais uma vez. — Foi jogada — virou-se procurando ao redor um local de onde pudesse ter sido arremessada. Apontando com o dedo indicador o lugar. — daquele prédio, as ondas que a trouxeram aqui. Lá não era muito fundo, mas a cobriu na queda. Senão, porque teria tanto sal na pele dela? Essa água toda dificulta a identificação de evidencias do sequestrador. Mas seu corpo está preservado ainda.
— Marca de tiro, entrada. Mas sem saída. Olhem. — Watson apontou para o ombro de Natalie sobre a areia. — Não foi um tiro para matar. Ela sofreu bastante. Provavelmente foi deixada para sangrar até morrer
— Talvez não tanto. — Sherlock revirou o corpo. Mostrando uma grande ferida na nuca dela. — É recente. Acredito que antes de jogá-la, soltou as amarras, e a feriu com algo como um pedaço retangular que se quebrou, um pedaço de madeira. Vejam, pequenos pedaços ainda estão preso na pele dela. Isso foi para ela morrer logo, e então foi jogada.
— Vamos para o prédio. Vou mandar retirar o corpo daqui. — Mycroft coordenou os passos seguintes — Já tem uma equipe forense a caminho.
Quase que correndo, os três foram para o prédio. Tiveram que andar um pouco para chegar a porta de acesso. Era um prédio de administração do hotel, que abrigava um heliponto no último pavimento. Local para onde eles correram rapidamente quando ouviram passos, tentando ser o mais silenciosos possíveis.
Já no andar superior, os três viram ao longe a figura de duas pessoas. Mais exatamente um homem e uma mulher. O homem apesar de alto, estava no chão perto da beirada, mais a frente, uma mulher com um longo vestido transparente que voava conforme o vento forte da noite o balançava, assim como seu cabelo um pouco longo. Eles falavam algo, mas não parecia nada amedrontador.
— E o que acha de amanhã a noite? — Uma voz conhecida pelos três falava numa expressão um pouco mais convencida que o habitual, talvez sexy, dadas as circunstâncias, situação, postura e lugar.
— Acho excelente. Mas vamos aproveitar um pouco agora. — um homem de voz grave e de um forte sotaque italiano levantou do chão, revelando um tecido abaixo dele, pegando a mulher pelo rosto, beijando-a e a abraçando levemente, enquanto com a outra mão a trazia para o chão, pela luminosidade, o rosto de ambos foi revelada ao deitarem. Era Molly. Surpreso, Sherlock acabou por se mexer acidentalmente, fazendo barulho ao se desequilibrar, sendo ouvido pelo casal.
— Quem está ai? — o homem levantou, perguntando em voz altiva para o escuro.
Assustada, Molly levantou atrás dele. Se fossem os amigos, eles não sabiam que ela estaria ali em cima com Lorenzo. Na verdade nem teve tempo de avisá-los. Após ver o corpo, mandou uma mensagem para Mycroft e subiu ao prédio, encontrando o suspeito que deveria ficar de olho. Futuro presidente também de uma empresa ligada a Moriarty. Do piso superior, ele olhava para baixo, mas Molly fingindo não ter visto o corpo, de surpresa o pegou por trás, com carinho, logo o convenceu que estava ali por ele.
— Responda. Quem está ai? — Lorenzo perguntou mais uma vez, ainda escondidos e sem ter o que fazer e fugir. Foi a vez de Molly intervir.
— Acho que deve ser algum animal, querido. — Mostrando ter segundas intenções, ela falou: — Porque não fazemos algo melhor?
— Pode ser. Quer ir ao meu quarto agora?
— Está quase na hora do sol nascer, talvez ficarmos juntos na praia possa ser melhor.
— Você é um pouco romântica, querida? — ele riu maliciosamente, a beijando delicadamente no maxilar.
— Um pouco de clichê não mata ninguém. — ela então o beijou rapidamente. Dando espaço para que ele falasse:
— Está bem. Vamos.
Desceram pelas escadas, sem confirmarem se havia alguém realmente ali. Após tirar de cima de si, redes de vôlei e de futebol, os Holmes e Watson saíram de vez de baixo da escada.
O mais novo só estendeu um grande olhar de desprezo para o irmão mais velho, esperando uma explicação sobre a atuação de Molly Hooper. Definitivamente ela estava no caso há mais tempo que eles. E dessa vez, os detetives consultores teriam que saber tudo.
Fale com o autor