Against All Odds
17 Capítulo 17 - Mais explicações
Notas iniciais
New York | 19 de janeiro
Rachel revirou os olhos e amassou o guardanapo jogando em Quinn que arqueou uma sobrancelha e em seguida jogou o guardanapo de volta para a morena. Já faziam algumas semanas e o clima na mansão Berry-Puckerman estava incrivelmente leve. Ao menos era o que estava parecendo para todos, não eram mais escutados gritos, não eram mais constantes as brigas em lugar algum e todos pareciam contentes com o clima instaurado.
Somente Quinn e Brody haviam ficado da família Fabray e todos os outros agregados também haviam ido passar algum tempo de qualidade em suas próprias casas. Agora as duas garotas estavam dentro de casa sentadas e terminando de tomar seu café da manhã, sozinhas. De todos da casa, elas quem acabaram tomando seu tempo e acordando mais tarde do que todos os outros, de toda forma.
– Ah, por favor, Rachel... – Reclamou a loira que ainda estava terminando seu café, a morena sorriu torto e piscou pra ela de forma provocativa, era seu novo esporte favorito.
– Eu só constatei um fato, Fabray. Se você não quer acreditar, deveria provar e tirar suas próprias conclusões. – Comentou e começou a rir na mesma hora com a vermelhidão que tomou o rosto da outra. Duas mãos tomaram seus ombros e ela ergueu a cabeça dando um sorriso. – Olá, dorminhoco.
– Sinto muito, eu estava incrivelmente cansado de ontem à noite. – Piscou para ela e inclinou-se roubando um beijo dos lábios da morena, Quinn literalmente engasgou com o que tomava ao ver a cena. Todos viraram seus rostos para ela.
Noah vinha caminhando e ao notar o engasgo da namorada simplesmente bateu em suas costas e tentou acalmá-la, mas assim que sentou ao seu lado notou que isso não seria tão simples. Ele conseguia sentir o ódio emanando dela e principalmente ele podia ver aquilo em seu olhos.
– POR QUE VOCÊ A BEIJOU? – As palavras saíram cortantes vindas da boca da loira que tinha o olhar fixo nos dois. – Desde quando?! Vocês dois! Desde quando?!
– Já faz alguns dias que estávamos conversando, mas depois de ontem a noite não tem um motivo para não nos cumprimentarmos assim, maninha. Você bem me conhece... – Respondeu Brody que colocou seu braço confortavelmente entorno dos ombros de Rachel que mordeu o lábio inferior. Ela sabia muito bem que ele estava provocando o leão com vara curta. Muito curta.
O olhar não estava em Brody, aquele olhar de vadia no comando, aquele olhar que podia derreter gelo, que podia literalmente incendiar algo... Ou alguém, nesse caso. Rachel estava sentindo ele, mas também o respondia na mesma medida, sem deixar-se vacilar. Por nada no mundo ela se deixaria vacilar por um olhar dado por Quinn Fabray.
– Agora você e a Rachel são praticamente cunhadas duas vezes, assim como nós, cara. – Comentou Noah com um riso nos lábios, ele estava verdadeiramente contente e alheio ao que estava acontecendo. – Bate aqui, maninho! – E estendeu a mão para o mais novo que fez um hi-five com ele.
– Podemos conversar, Rachel? Eu já tomei café mesmo... – Pediu sem tirar o olhar da morena, Rachel se inclinou, beijou os lábios do rapaz ao seu lado e pegou o chá que estava na mesa antes de levantar e dar um sorriso leve para o irmão mais velho.
– Vamos para o meu quarto, deixa os meninos tomando café... E bom dia para você também, Puckerman! – Reclamou olhando para o irmão que se afundava no que comia, mas levantou a cabeça para mandar um beijo para ela e um sorriso leve.
As duas garotas se afastaram rapidamente, Quinn parecia estar furiosa e Rachel somente parecia totalmente divertida daquilo tudo. Assim que entraram no quarto da morena, os olhos levemente esverdeados se foram até a cama e notou como esta ainda estava desarrumada. Voltou-se rapidamente para ela e antes mesmo que começasse a falar Rachel estava envolvendo-a em seus braços.
– Ciumenta. – Brincou e simplesmente beijou o pescoço dela, então abriu sua passagem e foi indo para dentro. – Seu irmão é ótimo de cama, Quinn. Devo admitir, que eu não gosto, mas mesmo assim ele é bom. Será que é de família, por que você...
– Cala a boca! Cala a boca, Rachel! Eu não quero saber! – Ela gritava e caminhava atrás da morena, mas assim que ela entrou no lugar especial de Rachel simplesmente ficou parada, perdida. – Que lugar é esse?
– Meus pais me deram ele quando eu era pequena e tudo o que eu queria era um lugar para fazer minhas performances. – Deu de ombros e se jogou no pufe passando a olhar fixamente para a mulher a sua frente. – Diga o que tem a dizer, Quinn. Eu sei que está segurando sua raiva por eu ter transado com o seu irmão...
– Eu só estou me perguntando por que eu não sabia desse caso, ao menos eu achei que éramos amigas, Rachel... – Negou com a cabeça e começou a olhar a si mesma pelo espelho, logo uma música soou por todo o ambiente e ela pode sentir as mãos da menor em sua cintura.
Naquele momento elas começaram a seguir o ritmo da música, era Jazz clássico e cada um dos passos pareciam incrivelmente precisos, a morena conseguia levar a loira facilmente, em cada um dos passos, cada vez que a impulsionava a girar ela acabava facilmente nos braços da outra... Mas mais que a precisão, elas pareciam estar descontando quaisquer situações que as incomodasse.
Em um fim de música Rachel inclinou a perna e em seguida inclinou Quinn em seus braços e sorriu quando ela estava totalmente em seus braços. Quando elas voltaram às posições normais elas estavam ofegantes e a nova música estava tocando de fundo.
– Não tinha um motivo para te contar algo que não significava nada pra mim. – Rachel sorriu meio torto e em seguida deixou seus braços caírem ao lado de seu corpo, no momento nada parecia tão notável.
– Adorável. Você me pediu explicações sobre Noah... Então me explique sobre Brody. – Era só o que Quinn pedia, não tinha como evitar o que vinha a acontecer, de toda forma.
– Eu me senti atraída, parece ser um problema que eu tenho com os Fabray ou o fato que vocês são incrivelmente sexy. – Brincou, mas em seguida começou a caminhar por todo o lugar, em um estilo completamente Rachel Berry, gesticulando com sua mão. – Nós estávamos conversando um dia desses e ele começou a falar sobre musicais, você sabe como eu começo a falar sobre Broadway e me empolgo, e então ele simplesmente começou a conversar comigo sobre alguns básicos... E chegou em um ponto que eu não podia ficar mais longe, então ele me beijou e eu...
– Você está divagando, Rachel. – Reclamou a loira.
Elas demoraram mais um longo tempo se olhando e então ambas caíram no pufe sem comentar mais nada por algum tempo, simplesmente olhando pro teto.
– Então vocês falaram sobre Broadway e ele te beijou... Foi assim que tudo começou até que parou na sua cama noite passada? – Não era bem o que queria saber, mas Rachel não interferia em seus assuntos com Puck, ela não faria o mesmo com Rachel e seu irmão, certo?
– Não, na verdade... Eu nunca dormi com ninguém no meu quarto, foi no quarto dele mesmo. Aí, eu não passei a noite, eu nunca passo a noite. – A morena deu de ombros e então levou seus dedos até a testa, coçando-a.
– Você vai ficar com ele, Rachel? – Perguntou deitando seu rosto no ombro da mais baixa.
– Podemos deixar o futuro decidir as coisas, Lucy? – E assim elas estavam bem, por hora.
– Você passou a noite comigo, depois da nossa última vez... — Divagou Quinn com um sorriso travesso em seus lábios.
– Eu não tinha escolha, estava presa contigo no apartamento. De toda forma, você tem seu ponto, Fabray, eu passei mesmo a noite ao seu lado e no meu apartamento. — Riu e negou com a cabeça, não acreditando naquilo.
– Admita, eu sou especial para você, Rach. — O sorriso nos lábios de ambas as garotas simplesmente deixou tudo pairando no ar.
–
Os olhos estavam desfocados, ela nem sequer acreditava no que estava acontecendo, as lágrimas vinham com facilidade e cada momento começava a aparecer em sua mente. As mãos tremiam enquanto ela levava uma ao seu rosto, cobrindo parte da boca e mantendo os dedos próximos aos olhos dela. Aquilo não podia estar acontecendo, podia?
– Eu sei que está próximo ao seu aniversário e isso só faz mais especial, Quinn... – Ela não estava mais ouvindo o que estava sendo dito e aquilo só a deixava mais zonza.
Ela estava sendo levada de volta ao início.
Quinn se lembrou de quando estava no colégio, quando ela era uma das principais garotas do colégio e todos viam sua família perfeita como exemplo. Ela lembrou-se do clube do celibato, do qual era líder, lembrou-se dos clubes que participava, lembrou-se também do primeiro rapaz que namorava. Lembrou-se também de quando pensou que poderia estar grávida e como depois disso prometeu a si mesma que nunca mais namoraria um cara.
Esse seu primeiro momento somente pensando contra os rapazes, acabou levando-a a ver o outro lado e por algum tempo a garota não era mais a garotinha perfeita e sim uma garota rebelde, andando com as garotas que dirigiam e andavam de moto com os rapazes e o principal de tudo, começou a se interessar por mulheres muito mais do que nunca havia se interessado por nenhum homem.
Quando estava em um relacionamento com Sawyer já tinha praticamente um ano, seus pais descobriram tal fato e somente Brody ficou do seu lado, porque todos queriam que ela fosse tirada de casa. Quando ela aceitou que acharia um namorado e assim manteria a integridade da família intacta, ela não imaginava como, só sabia que precisava fazer isso rápido.
Sua maior sorte foi que não precisou de muito tempo e ela conheceu um rapaz, Noah Berry, ele podia não ter onde cair morto, mas ele tinha tudo o que sua família queria para ela: Um cara, com um pênis. Palavras de seu pai. Então quando ela começou a ser cortejada, não ligou em deixar-se levar e honestamente? Ela começava a gostar do rapaz, ele era gentil e deixava-a confortável consigo mesma.
Mas agora ela estava pensando no dia em que conheceu Rachel, ela podia ter um carinho grande por Noah, mas ela tinha esse abismo por Rachel e não podia evitar. Deus, como ela queria evitar. Na primeira noite já haviam ido pra cama e agora sua vontade disso era constante, mas ela controlava-se, ou ao menos tentava.
Sentia-se como se tudo estivesse andando em círculos.
–Eu preciso de tempo, eu preciso pensar nisso... É minha vida toda... Eu... – Gaguejava várias vezes sem conseguir continuar com tudo aquilo, algo parecia confuso no fundo de sua mente. Era um daqueles momentos difíceis.
– Tudo bem, eu entendo que precise de tempo e você tem todo o tempo do mundo para decidir. E depois, teremos todo o tempo do mundo pra nós...
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