Against All Odds
13 Capítulo 13 - Feliz ano novo.
Notas iniciais
Algumas horas já haviam se passado e elas só continuavam paradas próximas a janela, ambas querendo engolir aqueles medos que as assolavam tanto, cada uma presa em seus próprios anseios e aquilo era diferente para ambas, como se elas tivessem algo a dar uma a outra, mas não pudessem fazê-lo. Honestamente aquilo estava enlouquecendo tanto a morena quanto a loira.
Para esclarecimento, elas não tinham o propósito de serem abertas sobre suas vidas, Quinn era fechada, controlava seu próprio mundo de sua mente e ali tinha exatamente tudo que precisava. Rachel tinha alguns monólogos em sua vida, mas eles eram constantemente porque ela estava com medo de algo que estava em seu entorno, mas não acuada de mais, ou ela se colocava em silêncio... Tal como agora.
O telefone novamente tocou fazendo com que elas pulassem de perto da janela, Quinn suspirou e caminhou até o sofá sentando-se novamente enquanto Rachel caminhou até a poltrona ao lado do aparelho e sentou pegando o fone em mãos e passando a livre por seu cabelo.
– Alô? – Algum tempo se passou sem que ela falasse absolutamente nada, Quinn franziu uma sobrancelha, agora era totalmente notável aquela característica nela para a morena que sorriu para tranquilizá-la. – Tudo bem, pai... Não é como se tivéssemos algum lugar para ir. Hmm, sim, minha geladeira está abastecida, assim como os armários e o sistema geral do prédio está funcionando, então teremos água quente para o banho e aquecimento. – Mais um tempo de silêncio veio, provavelmente com Leroy falando tudo o que podia para a filha ficar bem. – Nós não vamos nos matar, eu a mataria e Noah me mataria em seguida... – Um riso rouco passou por seus lábios, mas não chegou aos seus olhos. – Eu amo vocês, todos. Não se preocupem, feliz ano novo de mim e de Quinn, novamente.
– Realmente acha que você seria mais forte do que eu? – Perguntou a loira com um tom de incredulidade na voz, a morena caminhou até ela e apoiou suas mãos no encosto do sofá ficando cara a cara com a outra. – Eu acho que você perderia muito fácil.
– E eu acho que eu chutaria essa sua linda bunda tanto que você ficaria toda roxa... – Sorriu convencida e aproximou-se levando os lábios ao ouvido da loira a sua frente para sussurrar. – E nós duas sabemos como é fácil você ficar roxa.
Claro que elas não seriam elas sem essa leve provocação geral, mas a morena já se afastava e começava a checar as coisas entorno do pequeno loft, claramente tentando achar algo para fazer nesse pequeno tempo sem precisar sair na sacada e congelar completamente ou então ficar entorno da loira e perder totalmente a cabeça.
– O que seu pai disse no telefone? – Perguntou Quinn depois de se recuperar da proximidade anterior. – Quero dizer... Você parecia um tanto séria sobre o que ele tinha a dizer.
– Ah... Ele disse que deu na televisão que foi uma nevasca bem forte e que eles só limparão lá por quinta-feira. – Virou-se encostada sobre a bancada e firmou suas mãos o máximo que podia, a sensação era de estar ficando totalmente louca. – E isso é só dia dois de janeiro. – Seus olhos fecharam e ela sentiu que seus dedos doíam por estar segurando com muita força, Quinn levantou e aproximou-se dela, tocando seu rosto.
– Me diga, huh... – Pediu e sentiu que Rachel travou com suas palavras, mas em seguida fez somente uma expressão totalmente confusa e recebeu um sorriso da loira. – O que está acontecendo contigo para estar tão agitada assim, me conta... – Aquela mulher tinha algum dom para acalmar a outra, só bastou algumas respirações e Rachel já se sentia mais calma por estar ao seu entorno.
– Eu tenho problema com ficar em lugares fechados por muito tempo, ainda mais sozinha... – Comentou e passou a mão por seu rosto, mas em seguida sentiu os braços de Quinn em seu corpo e deitou a cabeça em seu peito. – Mas eu não estou sozinha, estou? – Perguntou notando que era isso que a outra queria dizer, então passou seus braços por ela, abraçando-a também.
– Não, eu estou contigo...
–
Todos naquela casa pareciam completamente aflitos por terem que deixar Quinn e Rachel sozinhas até o segundo dia do ano, estavam todos reunidos na sala e Hiram caminhava de um lado para o outro, Russel estava de mãos dadas com sua esposa e Brody estava de pé em um canto com Noah, eles só sabiam mover suas pernas. Leroy finalmente desligou o telefone pela segunda vez no dia e então voltou para a família.
– Eu realmente amaria poder buscá-las, mas até agora não houve alguma morte e ambas disseram que estavam bem, Rachel disse que elas tem mantimentos para ficar lá e que terão aquecimento também... – Explicou e então desabou em uma poltrona virando seus olhares para os amigos de ambas as meninas que estavam em um só sofá, nessa hora e pareciam confusos.
– Eu não estou nada contente por ter mandado a minha filha com a sua, Leroy. – Comentou Russel com seu típico tom bravo e que irritou todos os presentes, até Judy, que desfez suas mãos das dele e cruzou os braços. – Poderia ter sido evitado e minha filha estaria comigo em um momento tão importante.
– Como se você a quisesse em qualquer outro momento, próxima a você. – Santana comentou baixo, para que somente os outros três ao seu redor pudessem escutar, Blaine murmurou algo e Kurt trocou um olhar sério com Brittany.
– Sinto muito, Russel, mas eu estou contente que ao menos alguém está com minha filha lá. – Hiram quem acabou respondendo e enfrentou o homem com um olhar duro, os familiares e amigos não ligaram para a forma como ele impôs a condição de Rachel, mas os Fabray, Santana e Blaine focaram seus olhos em confusão para o homem.
Depois disso um silêncio soterrou todo e qualquer assunto que pudesse vir a ocorrer além dos pequenos grupos, parecia que qualquer interação entre eles seria estranha. Isso foi estabilizado até que notaram que eram quase onze horas, assim eles pararam e celebraram, de uma forma simples, a chegada de 1969.
–
Agora elas estavam abraçadas, envolvidas uma na outra. A loira no sofá, os braços de Quinn estavam envolvendo a morena e ela estava sentada em colo enquanto pendia sua cabeça no ombro da maior. Aquela era uma posição nova, para ambas as mulheres. O tempo havia passado um pouco e elas estavam confortáveis naquele silêncio, mas Quinn ainda tinha planos para terminar.
– Rach...? – Chamou a outra, baixinho, mas o suficiente, para ouvir um ronronar da garganta da morena, deu um sorriso breve e decidiu continuar. – Eu não quero passar quase três dias em total silêncio contigo, por favor, podemos conversar? – Perguntou com certo receio, afinal, era um não e tudo estaria acabado.
– Hm, claro. Sobre o que quer falar? – Aquilo parecia ser mais estranho do que já estava, ainda mais para elas precisarem perguntar sobre o que falar daquela forma, Rachel revirou seus olhos para o próprio comentário e suspirou. – Quero dizer, temos muitas coisas que poderiam ser acertadas em algumas conversas... – Ok, o comentário atual tinha sido ainda pior, mas a loira somente riu leve.
– Eu não sei se quero começar o próximo ano tendo quaisquer pendências contigo. – Sua voz não falhou, parecia que estava incerta sobre aquele assunto, mas Rachel apertou sua mão dando-lhe a confiança necessária. – Bem, porque você não começa me contando porque eu? – O tom agora era engraçado, provocador. E a morena suspirou.
– Não escolhi você, eu realmente não escolho, eu simplesmente estava com vontade de dar uma esquecida da minha vida e lá é o lugar que eu sempre escolho para quando minha cabeça está me matando. – Aconchegou-se melhor no colo dela e mordeu o lábio inferior, mas em seguida suspirou e deixou-se envolver melhor. – E você? Porque não?
– Você me provocava muito, eu notei que queria ficar comigo assim que eu notei que você não usou seu nome e Noah tem uma foto sua na carteira dele. – Comentou começando a traçar leves desenhos nas costas da cunhada, mas aquela informação fez Rachel arquear o cenho. – Uma só sua e uma foto de família, então eu sabia que você era a irmã dele e ia ficar longe, isso até você começar a flertar comigo e me chamar de bonita. – As duas acabaram rindo juntas.
– Eu estava certa, sua beleza é muito grande para não ser admirada, Lucy. – Agora o tom era de flerte e ela apertou a cintura da outra que arqueou uma sobrancelha para ela. O clima parecia tão ameno. – Eu sei que eu joguei toda a culpa sobre você, mas é nossa, eu deveria começar a perguntar mais antes de trazer alguma mulher pra cá.
– Explique-me isso, você tinha o gigante bobão lá, como acabou indo a um lugar assim e procurando mulheres? – Perguntou confusa e Rachel sentiu que o carinho em suas costas acabara, suspirou por isso e afastou o cabelo de seus olhos.
– Finn sempre me serviu como disfarce, Hiram me deu este apartamento por algum motivo e Finn servia como uma forma de fingir que eu era uma boa garota. – Ponderou por um momento naquelas palavras e notou como ela usava o rapaz, mas seus braços ainda doíam de como ele a tinha segurado. – Ele sempre soube que eu gostava de garotas e se ofereceu para que eu pudesse fingir que não, mas ele não podia beber que...
– Mostrava como tinha um cérebro do tamanho de uma noz para um corpo tão grande e te agredia fisicamente? – A pergunta soava retórica, mas a loira realmente queria uma resposta, quando esta não veio ela arrumou-se melhor e fez Rachel olhar para ela. – Finn já tocou em você daquela forma outras vezes, Rachel?! – Seu olhar estava fixo no da morena, os olhos verdes frios nos dela.
– Poucas vezes, algumas onde ele bebeu. Eu sempre me impus contra ele e acabava tirando-o de perto de mim em seguida, nada para se preocupar... – O relógio soou ao fundo e a morena levantou em um pulo caminhando até a garrafa de champanhe que haviam deixado gelando, Quinn não perguntou como ela tinha uma destas em casa, medo da resposta. – É quase meia noite... Algum último pedido antes que o ano acabe?
O humor entre as duas estava ameno ainda, mesmo que Quinn quisesse matar o ogro que colocou as mãos em Rachel e ela estivesse falando de mais sobre o ano novo e as coisas legais que poderiam vir com ele. A loira achava aquilo encantador, mas ao mesmo tempo queria calar sua boca por falar tanto, então foram servidas duas taças com a bebida e elas foram para o frio da sacada, envoltas em uma única manta.
– Eu já sei o que eu quero de ano novo, Rachel. – Falou enquanto a prendia pela cintura e ao redor era feito a contagem de ano novo, e elas tinham uma bela visão da cidade daquele último andar.
– Ah é? Posso saber o que é, Quinn? – Perguntou quando as pessoas começavam a contar...
Cinco... Quatro... Três... Dois...
– Você. – E então ela se inclinou e beijou a morena mais uma vez e pela última vez naquele ano, primeira vez no que se iniciava, exatamente onde tudo tinha começado. – Feliz ano novo, Rachel.
– Feliz ano novo, Lucy.
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