After Real
2 Capítulo 2 - Extra
Notas iniciais
Depois da decisão de recriar a padaria, Peeta e eu ligamos para a Capital e encomendamos todos os materiais necessários para começar a reforma e os utensílios para a cozinha que demorariam quatro meses para chegar. Tempo ideal. Com a ajuda de alguns conhecidos de Peeta, assim que as coisas relacionadas a construção chegaram, começamos a fazer a padaria. Iniciávamos o trabalho por volta das oito da manhã e parávamos perto das sete da noite, fazendo algumas paradas para almoço e lanche. No total éramos quinze pessoas e como todos estavam empenhados neste único projeto, depois de treze semanas a padaria estava estruturalmente pronta.
Passamos a nos dedicar a parte de pintura. Peeta tinha todo um plano decorativo na cabeça e não me surpreendi quando ele deixou a pintura das paredes para os outros e se dedicou a fazer os desenhos. Como tudo demorava a secar, nós dois nos recolhíamos na padaria bem tarde da noite. Toda a fiação elétrica estava no ponto. O que não nos preocupava de ter a chance de pintarmos no escuro.
Peeta fez três mini bolinhos por entre as quatro janelas que teriam mesas em sua frente. Os desenhos pareciam até um pouco infantis, com olhos alegres na cobertura e um sorriso feliz na parte das forminhas, mas tive de concordar quando ele disse que isso traria um ar de ambiente calmo para os clientes e tiraria lindas carinhas sorridentes das crianças antes que elas se perdessem nos vários doces do balcão.
Pelas horas de pintura ríamos e brincávamos com coisas simples que víamos e criávamos em nossas cabeças. Quando o silêncio predominava por mais tempo do que deveria, Peeta ou eu nos voluntariávamos para começar uma singela guerra de tinta em nossos rostos. Nossa rotina de pintura pela noite acabava de madrugada, o que nos dava pouco tempo de sono já que precisávamos acordar cedo pela manhã para acompanharmos a desenvoltura do trabalho dos outros. Sorte que essa rotina noturna durou apenas três dias. Demos o final de semana de folga para quem nos ajudava e combinamos de chamarmos todos de volta assim que o caminhão com as coisas da cozinha e balcão chegassem. Isso nos rendeu um final de semana inteiro de sono e preguiça. Estávamos tão cansados que nossas mentes nem permitiam que os pesadelos se aproximassem de nós dois.
Logo que tudo foi entregue e devidamente instalado, eu fiquei super ansiosa para que pudéssemos inaugurar a padaria, mas Peeta cortou-me dizendo que ele não conseguiria cuidar de todo o lugar sozinho na cozinha. Então, rapidamente, abrimos vagas para aprendizes de confeiteiros e padeiros. Espalhamos a notícia por todo o distrito e não tardou para que reuníssemos cinco pessoas dedicadas a aprender e trabalhar já com a noção de que estávamos focados em não demorar a abrir a padaria. Peeta ensinou quatros homens a fazer toda o cardápio necessário para seguir com os requisitos de uma padaria e mais algumas semanas depois se dedicou a mostrar como fazer bolos confeitados. Eu, no entanto, reuni-me com a única menina que se candidatou para que, juntas, pudéssemos fazer um planejamento de como cuidar do balcão e ser gentil com os clientes. Não que eu seja uma das pessoas mais simpáticas, mas conseguiremos dar conta de tudo.
Depois de vários meses, Peeta e eu fizemos as tabelas de preço e enfim inauguramos a Padaria Mellark’s. Perto das quatro da manhã, toda a equipe estava na porta do estabelecimento ansiosa para começar a produção. Eu e Lorena, a menina do balcão, começamos a limpar toda a parte da frente do lugar enquanto os homens cozinhavam. Colocamos as coisas no balcão assim que elas ficavam prontas e separávamos o que necessitava de refrigeração para não derreter ou murchar.
Pela manhã quase o distrito inteiro agrupou-se em nossa porta. O atendimento não parou um segundo sequer, pedidos voavam em minha cabeça e muitas vezes precisei avisar que que necessitávamos de reposição de produtos. Não tivemos tempo para respirar e nem mesmo para descansar. Todos pareciam querer começar bem o dia com um café da manhã reforçado e não foi só isso. No almoço, quando o movimento diminuiu cerca de dois terços, muitos voltaram para comprar a sobremesa. Crianças ficaram loucas com os mini bolinhos de coberturas coloridas e vários biscoitos de diferentes sabores.
A renda estava sendo bem distribuída por todos os distritos e mesmo que nem todos estivessem com dinheiro o suficiente para gastar com qualquer coisa, a qualquer hora, tinham condição de se alimentarem bem, viverem bem e cuidarem de seus filhos.
— Podemos fechar. — anunciou Peeta quando estava anoitecendo e o último cliente passou pela porta satisfeito.
Comemoramos com uma salva de palmas e liberamos os funcionários antes de fazer a contabilidade e notarmos que se continuássemos nesse ritmo pagaríamos as pessoas que ajudaram a construir a padaria no fim deste mesmo mês. Todos podiam ter feito trabalho voluntário, mas eles ajudaram a construir nossa fonte de renda. Nada mais justo do que pagar-lhes pelo seu trabalho, esforço e serviço.
Ganhamos nosso ‘’salário’’ mensal da Capital por termos vencido os Jogos, mas nós não conseguimos ficar parados em casa sem fazer nada. Precisamos trabalhar, realmente.
Ao chegarmos em casa, tomamos banho e preparamos algo para comer. Nossos corpos estão pesados de cansaço e comemos numa lerdeza incrível como se a colher que segura a sopa pesasse toneladas. Deixamos a louça para lavarmos no dia seguinte e nos recolhemos em nossa cama. Jogo-me sobre os travesseiros e Peeta ri puxando a coberta para nos cobrirmos.
— Foi um dia produtivo. — sussurro abraçando seu pescoço enquanto ele passa seus braços por minhas costas e entrelaça nossas pernas. É a primeira vez que dormimos assim, mas parece muito confortável.
— Foi sim. — concorda ele acariciando meus cabelos. — Você foi ótima.
— Você também.
Suspiro sentindo ele beijar minha bochecha e logo estamos num sono profundo com os corpos entrelaçados e juntos do jeito que deve ser. Somos apenas eu e Peeta. Reconstruindo nossas vidas, fazendo nossas rotinas e com apenas uma preocupação na cabeça: Será que acordaremos no horário amanhã?
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