After Midnight
17 Vai confessa...
Notas iniciais
O Ryan nos mandou uma mensagem com o endereço dele lá pelas seis e disse que devíamos estar lá até as oito, foi tempo suficiente pra nos arrumarmos e irmos, eu não sabia o que esse tipo de festa tinha então levei duas garrafas de champanhe.
A casa do Ryan era muito diferente do que eu pensava, eu sabia que ele era o tipo rico-festeiro, mas a casa dele não dizia isso, ele mora no residencial Jefferson Park (que não é do grupo de residenciais de rico-festeiros pelas casas todas não terem paredes a prova de som), que é um residencial rico cheio de casas rústicas iguais e um grande parque no meio. Achar a casa foi à parte mais difícil por que todas eram iguais, tipo, iguais mesmo, todas com aquele tom marrom em tudo como se fossem feitas de madeira, os telhados triangulares, as três janelas no andar de cima, e a sacada com a porta no meio e duas janelas do lado no andar de baixo, havia apenas pequenos diferenciais como jardins e caixas de correio, mas mesmo esses estavam sempre no mesmo lugar. Depois de dar muitas voltas, nós finalmente achamos, e foi devido a uma batida abafada que vinha de dentro de uma das casas.
Meus Mauvais Dentes estavam se tornando quase invisíveis, eu demorava muito pra me lembrar de que eles estavam sempre me seguindo, e hoje eu só percebi a presença deles depois de estacionarmos o carro e descermos, só ai que eu os vi parados no carro me observando, acenei pra eles positivamente e fui até a sacada da casa, toquei a campainha, e esperei um tempo, alguém abaixou o volume da musica e logo o Ryan abriu a porta com grande sorriso e veio me abraçar.
_ Que bom que você veio! – ele disse enquanto me abraçava eu só sorri em resposta.
_ Eu não sei bem o que acontece nesse tipo de festa então eu trouxe isso... – eu falei e ele sorriu e pegou as garrafas das minhas mãos e acenou pra que entrássemos.
Por dentro, a casa parecia ainda mais rústica, ela tinha uma lareira feita de pedra cinza e o papel de parede da sala fazia parecer que as paredes também eram feitas de pedra do mesmo jeito da lareira, com cortinas verde musgo fechadas que bloqueavam qualquer tipo de luz, e uns moveis de madeira escura acompanhados de um sofá do mesmo tom de verde da cortina, e no centro um tapete vermelho vinho que parecia ter uns 25 centímetros de espessura. Mas as tecnologias dali davam um toque fenomenal na decoração, havia uma TV de 50 polegadas, presa na parede, ligada a um Xbox e a outros aparelhos e um aparelho de som enorme no chão, percebi que a batida abafada vinha de alguma musica saída de lá.
_ Casa legal! – Tanner falou e o Ryan sorriu.
_ Sentem-se, eu vou colocar isso na geladeira – Ryan disse se referindo as garrafas. – e vou trazer alguma coisa mais gelada pra bebermos.
Nós fomos até o sofá e eu percebi que a Kylee estava deitada em um deles mexendo no celular.
_ E ai, garota... – eu cumprimentei.
_ Oi! – ela disse se levantando com o rosto iluminado. – Que bom ver vocês de novo.
_ Cadê a Kina? – Sam perguntou.
_ Eu to aqui – Kina saiu da cozinha atravessou a sala nos cumprimentando. – Legal! Vocês vieram!
_ Tem mais alguém? – Alisson perguntou.
_ Não, é uma reuniãozinha intima... – Kylee disse com um sorriso malicioso.
...
Eu não sabia o significado deles de “reuniãozinha intima”, mas no começo me pareceu bem normal, o Ryan trouxe um champanhe mais gelado e nos serviu, depois ele ligou um aparelho de MP3 no radio e outros tipos de musicas começaram a tocar. Kylee, Kina e Alisson foram as primeiras a se levantar e começar a dançar e o resto seguiu o exemplo.
Até o Ryan ter a idéia.
Ele abaixou o volume da musica e disse:
_ Gente, eu tive uma idéia – ele tinha um sorriso malicioso no rosto – Vamos jogar verdade ou conseqüência... – Kina e Kylee fizeram um “uuuuh” e acenaram positivamente.
_ Vocês ainda acham isso legal ou é coisa de sétima série? – Kylee perguntou brincando.
_ Não sei, eu nunca brinquei disso na sétima série... – eu respondi.
...
Nós fomos pra cozinha que era composta de um grande armário com designem de madeira escura e um grande balcão com tampa de mármore no meio com vários bancos altos ao redor, e do lado oposto à porta de entrada havia outra porta e em um dos cantos uma escada em espiral que subia até o outro andar.
As meninas se sentaram em um dos bancos altos apoiadas no balcão. Ryan pegou uma das garrafas vazias de champanhe e colocou em cima do balcão. Nós nos dispomos em um circulo na ordem garoto – garota – garoto — garota... E acabamos no seguinte esquema: Eu- Sam- Kina- Ryan- Alisson- Tanner- Kylee.
_ Pode começar Alisson. – Ryan disse pra ruiva e ela girou cuidadosamente a garrafa que apontou pra Kina.
_ Verdade ou conseqüência? – Alisson perguntou.
_ Verdade. – Kina respondeu com um sorriso desafiador.
_ Vai, confessa... Você já pegou o Ryan? – Alisson perguntou com os olhos semicerrados como em desafio, todo mundo ficou quieto e o Ryan sorriu e a Kina deu um sorriso malicioso.
_ Ah, claro, em todas as partes dele... – Kina disse olhando de lado pro Ryan e todos riram, depois foi à vez do Tanner ele girou e a garrafa apontou pro Sam.
_ Verdade ou conseqüência? – Tanner perguntou com um sorriso malvado.
_ Verdade. – Sam respondeu se inclinando no balcão e adotou o mesmo sorriso malvado.
_ Vai, confessa... – Tanner fez uma pausa meio longa – Você se sente ameaçado por mim? – todos menos eu fizeram uma onda de “uuuuh”.
_ Nem um pouco – Sam respondeu com desdém – Confio plenamente naqueles olhos verdes. – ele olhou diretamente nos meus olhos e eu sorri, depois foi á vez da Kylee, ela girou e a garrafa apontou pra mim.
_ Verdade ou conseqüência? – Como ela estava do meu lado ela se virou pra mim e sorriu do jeito malvado, eu semicerrei os olhos e mordi o lábio depois respondi:
_ Conseqüência... – ela também semicerrou os olhos puxados dela e depois sorriu de um jeito realizado
_ Eu te desafio... – ela fez uma longa pausa como a do Tanner olhando pros lados – A beijar uma garota daqui... Sim eu disse garota, não, eu não sou gay – dessa vez ela sorriu maliciosamente, Alisson ficou tensa, mas as asiáticas sorriam da mesma maneira, os garotos se entreolharam com um sorriso espantado no rosto, sem pensar muito, eu me virei e beijei a Kylee, a boca dela estava com gosto de champanhe misturado com gloss de cereja, foi um beijo rápido que pareceu durar uma eternidade, nós nos separamos e depois sorrimos uma pra outra, eu mordi o lábio e depois limpei o gloss que havia na minha boca.
_ Uau – Tanner falou alternando o olhar entre mim e Kylee, Ryan inspirou e depois espirou calmamente e disse sorrindo satisfeito:
_ Paloma... Sua vez. – eu girei a garrafa e apontou para a Alisson.
_ Verdade ou conseqüência?
_ Verdade. – ela respondeu se ajeitando no banco.
_ Vai confessa... Você sente atração pelo Tanner? – o Tanner abriu a boca, todos ficaram quietos sorrindo, ela deu de ombros e respondeu:
_ Claro que sim. Como não sentir? Já viu os olhos desse garoto? – ela respondeu virando para o lado e apontando pro Tanner.
_ Não tem nada de mais nos olhos dele, as garotas gostam muito mais dos nossos olhos puxados, não é Sam? – Ryan disse o Sam riu e concordou. Depois foi a vez do Sam, ele girou a garrafa e apontou pra Kina.
_ Verdade ou conseqüência?
_ Conseqüência, gato – ela respondeu se inclinando no balcão
_ Eu te desafio... A beijar a pessoa mais bonita daqui, e eu disse pessoa, pode ser garoto ou garota... – Sam sorriu maliciosamente e por um momento eu achei que ele esperasse que ela o beijasse, mas ela não o fez, ela se virou pro lado oposto ao dele e depois ela colocou as mãos na nuca do Ryan ele foi se aproximando dela, alternando o olhar entre os olhos dela e a boca, e meio do nada ele estavam se beijando, mas foi completamente um beijo... De amigos. Não tinha uma malicia maior nos dois, era um amor de amigos. Depois que eles se separaram Ryan disse:
_ Sua vez. – Kina girou a garrafa e apontou pra mim.
_ Verdade ou conseqüência? – ela perguntou mordendo o lábio
_ Conseqüência, japa – eu respondi mordendo o lábio do mesmo jeito
_ Eu te desafio... A passar... Sete minutos... – ela estava fazendo pausas propositais pra causar suspense – No paraíso com o Ryan – essa ultima parte ela disse muito rápido, Sam ficou meio serio e o Ryan só nos olhou meio sem reação, talvez, ela tenha pensado que o Sam queria que ela o beijasse também e agora queria me dar à vingança e também se vingar.
_ E aonde seria esse paraíso? – perguntei desafiadora.
_ Bem ali. – ela apontou pra porta oposta a que dava entrada à cozinha.
_ É a dispensa! – Ryan falou e Kina acenou em concordância.
_ Ta bem. – falei me levantando, olhei de relance pro Sam e ele me deu um meio sorriso torto, e eu estiquei a mão pro Ryan, ele levantou e segurou minha mão, demos alguns passos até a porta da dispensa e ele abriu e fez um reverencia pra que eu entrasse, fiz outra reverencia brincando e entrei, ele entrou logo em seguida e fechou à porta, o burburinho da cozinha foi abafado.
A dispensa era um pouco apertada, tinha o tamanho de um banheiro convencional, com duas prateleiras enormes nos cantos, e um balcão de mármore preso na parede oposta a da porta, e era iluminada apenas por duas pequenas janelas no alto, fui até o balcão e me sentei lá e fiquei com as pernas balançando.
_ O que se faz em sete minutos no paraíso? – perguntei e ele se aproximou e se apoiou no balcão ao meu lado.
_ Podemos fazer o que quisermos... – ele parou na minha frente e colocou as mãos nos bolsos – E ninguém precisa ficar sabendo.
_ Meu namorado esta ali fora. – falei olhando pra ele duvidosamente.
_ E você o ama, eu tenho inveja desse sentimento. – ele olhou pros lados.
_ Não precisa ter, só precisa parar de brincar com as garotas e realmente sentir.
_ Eu ainda sou jovem, tenho muito tempo, mas agora estou aqui com você. – ele tirou do bolso alguma coisa que foi difícil de ver, mas ele levou até a minha boca e eu percebi que era uma daquelas balas, eu deixei que ele colocasse a pastilha na minha boca e ele ficou me encarando com aqueles olhos puxados enquanto a pastilha se dissolvia na minha boca, depois que a bala acabou eu respirei fundo e olhei pro Ryan.
_ Ainda vamos ser amigos quando você cansar dessa coisa?
_ Vamos sim. – eu respondi, desci do balcão e o abracei.
_ O tempo de vocês acabou – Kina disse e eu soltei o Ryan e fui em direção a porta
_ Você tem razão, eu realmente amo o Sam – eu disse e abri a porta e fui até o banco e me sentei no meu lugar da maneira mais normal possível, Ryan fez o mesmo – Tudo bem... – Kina disse num tom satisfeito – Sua vez Ryan – ele girou a garrafa que apontou pro Sam, senti um arrepio e o Ryan perguntou:
_ Verdade ou conseqüência?
_ Conseqüência. – Sam disse com os olhos semicerrados e uma expressão séria.
_ Eu te desafio... Há passar sete minutos no paraíso com a Kylee. – Eu não sei o que o Ryan estava pensando, talvez ele tivesse ficado com raiva da ultima coisa que eu disse, ou apenas fez por pirraça, mas eu fiquei feliz por ele dar a vingança ao Sam, sorri do mesmo jeito torto dele e ele se levantou Kylee já estava de pé e parada na porta, ela abriu a porta e entrou e o Sam foi em seguida...
...
Foram sete minutos que mais pareceram sete anos, mas quando o Ryan finalmente foi bater na porta os dois saíram de lá na maior tranqüilidade.
_ Sua vez de novo Alisson... – Ryan disse e mais uma rodada de muitas que estavam por vir começou...
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